sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O primeiro presépio e a primeira missa de natal

Enquanto a noite da véspera do Natal baixa sobre aldeias e cidades e a primeira estrela começa a brilhar no céu, em quase todas as casas polonesas junto à árvore de Natal aparece também o presépio. Um pequeno grupo de meninos vestidos de pastores vai de casa em casa para representar a cena do nascimento, ou leva um presépio em miniatura e canta canções natalinas. Por volta de meia-noite, ao pálido clarão da lua, de todas as partes grupos de pessoas vão para a igreja: fazendo ranger a neve gelada sob os sapatos, dirigem-se à missa de meia-noite. E, na igreja, a santa missa celebra-se diante do presépio.

De onde vêm estes costumes?

Tanto o presépio como a missa de meia-noite remontam ao século XIII; seu iniciador foi São Francisco de Assis.

O dia de Natal era sempre para ele um dia de particular alegria. “Se conhecesse o Imperador – dizia frequentemente – rogar-lhe-ia que desse ordem para espalhar, naquele dia, trigo para todos os pássaros, especialmente para as andorinhas, e que ordenasse a todos os que têm animais nos estábulos que dessem a seus animais, em memória do nascimento de Cristo numa manjedoura, um alimento mais abundante. Desejaria também que naquele dia solene todos os ricos deste mundo acolhessem os pobres em sua mesa! (Celano, Vida segunda, 151; Speculum Perfectionis, 124).

Em Greccio, um amigo do Santo, João Velita, havia lhe oferecido como habitação um terreno alto recoberto de bosques. Enquanto São Francisco morava ali, por ocasião do Natal de 1223, chamou seu amigo e lhe disse: “Olhe, queria celebrar contigo o dia de Natal. Ocorreu-me esta ideia: no bosque, próximo a nossa ermida, encontrarás uma gruta: ali disporás uma manjedoura com feno e também um boi e um burro, tal como em Belém. Oxalá ao menos uma vez pudesse ver com meus olhos como o Divino Menino descansou no estábulo, como o Senhor se submeteu ao desprezo e à extrema pobreza por nosso amor!”.

João Velita acedeu com gosto a esse desejo, e S. Francisco, tendo já obtido a autorização da Santa Sé, erigiu um altar com a ajuda dos irmãos e convidou o povo dos arredores. Por volta de meia-noite, chegaram numerosos grupos de pessoas com tochas na mão, enquanto os frades rodeavam a gruta com velas acesas.
Iniciada a santa missa, “quando chegou o momento do canto do evangelho – conta uma testemunha, Tomás de Celano (Vida Primeira, 80) – Francisco se apresentou vestido de diácono. Com profundos suspiros, penetrado pelo ardor da devoção e radiante de alegria interior, o Santo se colocou diante do presépio e sua voz se elevou por cima da multidão para ensinar onde se deve buscar o sumo bem. Falou com inefável doçura do Menino Jesus, do Grande Rei que se dignou assumir a forma humana, do Cristo nascido na cidade de David. E a cada instante, quando pronunciava o nome de Jesus, a chama interior de seu coração punha em seus lábios as palavras: “O Menino de Belém”; e esta expressão adquiria em seus lábios uma fascinação extraordinária. Estava frente ao povo como ‘o Cordeiro de Deus’ em toda a santidade de seu sacrifício.

Terminado o rito, todos se foram com o coração cheio de gozo celestial”.

Foi esta a primeira missa de meia-noite frente ao primeiro “presépio de Belém”. Os filhos de São Francisco, imitando seu Pai Seráfico, difundiram por toda a terra este alegre modo de venerar ao Menino Jesus.

São Maximilinao Kolbe
Rycerz Niepokalanej, XII-1922, ps. 233-234