segunda-feira, 29 de abril de 2013

Impulsos reformadores na decadência dos séculos X e XI

Catarina de Sena (1347-1380)
São séculos em que coexistem decadência e reforma. A Igreja, inclusive aquela de Roma, se encontra nas mãos dos leigos,cujas orientações e opções estão bem longe de ser espirituais. A ambição dos grandes, a incontinência e a ignorância do clero aumentam e agravam a corrupção. Portanto, os clérigos, são osque tem maior necessidade de reforma espiritual.Neste período os livros de oração dos leigos contem formulas de tonalidade bíblica, que lhes permitem permanecer em contato com a Sagrada Escritura.  Florescem as orações à Virgem e aumentam as festas marianas.
Entre os monges, se formam uma rede de abadias submetidas à mesma observância.  A oração se reorganiza e se alimenta de teologia. Temos a experiência de São Romualdo, em Camáldula, que foge do mundo para praticar uma pobreza efetiva e fazer da austeridade uma regra de vida.
Assisti-se, aliás, ao nascimento da instituição dos irmãos conversos, prova de que os leigos estão interessados em viver o ideal dos religiosos.
A evangelização missionária, iniciada no séc. VII pelos monges beneditinos na Holanda e na Alemanha,continua ampliando-se.
Os monges Cirilo e Metódio convertem o czar da Rússia, os Morávios e se estendem até a Bulgária e a Dalmácia.

1.Peregrinações, cruzadas e mística no século XII.
 
Neste século floresceu uma vida espiritual que se expressou em formas diversas. As peregrinações continuam: se trata de viajar na pobreza para encontrar melhor a Deus, para dar graças por um favor recebido, para renovar-se espiritualmente com a penitência física do caminho. O peregrino leva uma vida de oração ao longo da sua trajetória, acrescenta as vezes penitências voluntárias e estimula à caridade da acolhida os centros que o hospedam.
Ele quer ver Jerusalém e morrer nela. Tudo o que esteve em contato com Cristo o fascina e o atrai, até as relíquias que o Oriente lhe propicia incansavelmente.
Já na metade do século, a peregrinação adotará a nova forma da cruzada; é preciso libertar o sepulcro de Cristo que está nas mãos dos infiéis. O cruzado, cheio de entusiasmo, despoja-se de seus bens, deixa os seus e marcha para bem longe. Ele quer purificar-se no Jordão e ganhar Jerusalém. O empreendimento da cruzada, inspirada inicialmente por um desejo espiritual, irá aos poucos secularizando-se. Seus aspectos místicos são suplantados, no caso dos cavaleiros, por ambições de conquistas territoriais. Acontece também que os cruzados se tornam violentos contra os judeus e contra os cristãos do oriente.
Um dos frutos particulares da cruzada foi dar vida às ordens militares, que no principio eramterceiras ordens e depois ordens religiosas. Seus membros, hospitaleiros e defensores dos peregrinos, emitem votos religiosos.
As ordens religiosas, se tornam cada vez mais ambientes fecundos de vida cristã.
Bruno (1084) inicia uma forma de vida que pratica o heremitísmo absoluto.
Aumenta o número das monjas. Suas obras - pois também elas escrevem - permitem ver como era a oração das mulheres na Idade média. As místicas Hildegarda de Bingen, Isabel de Scöau, desempenham um papel profético e garantem com sua grande cultura e com seu bom-senso uma rica direção espiritual.
Bernardo de Claraval (1090- 1153), pensador contemplativo, cujo ensinamento expressa sua experiência pessoal, dá aos cistercienses uma espiritualidade particular. Bom conhecedor dos Padres, defensor da vida monástica e escritor de valor, quer que o “amor carnal” do homem se converta atraves da humildade.
A mediação da Virgem Maria ajudará a alma a elevar-se ao amo supremo. A influência exercida por Bernardo em sua ordem e em outras correntes espirituais será imensa.
No séc. XII voltamos a encontrar numerosas manifestações da devoção a Cristo e da piedade mariana por parte dos fiéis.
 
2.A vida apostólica no século XIII e a vida espiritual dos leigos.
 
O desejo de vida segundo o evangelho era excelente; só faltava harmonizar-se  com o sentido da Igreja. Pobreza mais próxima possível da de Cristo, simplicidade com o uso das coisas e doshomens nutrida de ardente amor a Cristo: esta é a síntese que faz São Francisco de Assis (1182-1226). Sua resposta ao chamado de Deus corresponde tão bem às exigências de sua época, que bem depressa os seus numerosos discípulos, constituirão uma ordem, a dos Menores, destinados a expandir-se de forma duradoura no seio do povo cristão.
Francisco devia resolvera tensão entre o espirito e a letra, o problema da inspiração pessoal a obediência à Igreja.
Sua vida foi uma síntese entre a adesão a Cristo crucificado e o serviço á Igreja. A árvore franciscana produzirá muitos frutos.
Os menores darão ao mundo o exemplo de humildade alegre e de pobreza; exemplo tão contagiante que dará vida não somente à ordem feminina das claríssas, como também a uma ordem terceira de leigos que viverão o espirito do Pobrezinho de Assis fora dos quadros monásticos.
Diferente, embora semelhante, é a ordem fundada por São Domingo (1170-1221). Os membros desta ordem são pregadores pobres, itinerantes, enviados pela Igreja para a salvação das almas, para combater as heresias e os vícios, para ensinar a regra da fé. Imitam a pobreza do Cristo que pregam. Os dominicanos serão eficientes diretores de almas e missionários que chegam até a Pérsia e a África, a Índia e a China.Um dos representantes deles é o grande Tomas de Aquino, que desenvolverá uma sua própria doutrina e unirá a vida ativa e  a vida contemplativa. Os irmãos pregadores formarão o povo de Deus com seus sermões, propagando a devoção à paixão e sobretudo ao rosário.
Os Carmelitas, cuja regra foi composta por Alberto de Jerusalém, veneram a SS.ma Virgem, e propagam o escapulário. Imitadores do profeta Elias, preferem sempre a contemplação na solidão.
Outras ordens, como a dos servos de Maria, a dos celestinos, dos mercedários, dos eremitas de Santo Agostinho etc., dão testemunho ulteriormente, com sua vigorosa expansão, da vitalidade da vida religiosa neste século.
Os leigos recebem ajuda em sua vida espiritual. Nasce para eles toda uma literatura, em que não faltam as observações em torno dos costumes da época.  A devoção a Maria e aos santos, se torna mais popular com o rosário.
 
2.A “devoção moderna” nos séculos XIV e XV.
 
Continuam nascendo fundações religiosas novas: olívetanos, jerônimos, ordens terceiras.
A Instituição do Jubileu (1300) da oportunidade para uma renovação espiritual. Festas novas – a Trindade, Corpus Christi, Visitação daVirgem Maria, – mobilizam a devoção do povo cristão, enquanto continua a expansão missionaria levada em frente pelos dominicanos e franciscanos. Os mosteiros se difundem sobretudo nas regiões germânicas.
Temos neste período escritos e revelações de grandes monjas , como Matilde de Magdeburgo, Gertrudes de Helfta, Matilde de Hackerborn; o florescimento destas personalidades espirituais femininas, constitui um fato novo na vida religiosa, diferente do que representa Catarina de Sena (1347-1380), dominicana da ordem terceira, que vive fora dos quadros comunitários. Impressionada com as necessidades da Igreja dividida pelo grande cisma, ela é mística e apostola que ensina o discernimento, o conhecimento de si mesmo e o amor de Deus inseparável do amor ao próximo.Vive para a Igreja e os seus ministros, em particular para o Papa.
No final do séc. XIV, vemos desenvolver-se nos Países Baixos um movimento que se difundirá na Alemanha e na França: a “devoção moderna”. O movimento compreende grupos pequenos que querem viver uma vida de pobreza e de oração interior alimentada nas fontes seguras da Tradição, cujos textos recopiam. Seus grandes autores,como Tomás de Kémpis, vivem e propagam uma espiritualidade pratica, afetiva, devota, em que desenvolvem com realismo o seu tato psicológico. Meditam e convidam a meditar sobrea vaidade das coisas humanas e sobre os julgamentos de Deus; contemplam a pessoa amada por Cristo, através de um método. A Imitação de Cristo é uma das obras mais representativas deste movimento.
 
3.As tentativas do humanismo e a piedade popular.
 
O humanismo (realidade polivalente, que abrange, desde a admiração pela antiguidade pagã, cujas virtudes deseja transmitir para o cristianismo, até o retorno às fontes bíblicas e patrísticas) é outro caminho pelo qual avançam espíritos animados de sincera reforma, em que se quer eliminar todo formalismo exterior, para assim poder voltar em profundidade ao Evangelho.
Erasmo (1467-1536), homem muito critico em relação ao passado recentee que influenciará de modo impressionante A Europa e em particular a Espanha, pensa que a Sagrada Escritura basta para nutrir a piedade cristã.
Esta espiritualidade é, porém, uma espiritualidade de elite,que abandona os fieis às suas crenças simples, às vezes misturadas de superstições. A Igreja constitucional é fortemente criticada pelos Iollardos e por Wiclif na Inglaterra, que a ela opõe o ideal de sacerdotes pobres.
Neste tempo nas almas cristãs se difunde um grande pessimismo.
A sensibilidade religiosa conserva a consciência do pecado: daí o êxito dos jubileus do perdão, que levarão ao abuso das indulgências; mas está também obcecada pela morte e animada por curiosidade malsã diante do satanismo. A Missa passa por numerosos abusos disciplinares, abusos que só serão remediados pelo Concilio de Trento. A imprensa multiplica as traduções da Bíblia em língua vulgar. A Missa continua sendo uma cerimonia hermética, incapaz de dar aos cristãos o sentido da comunidade.
A pregação prossegue mais próxima do povo, cuja fé viva corre o perigo de degenerar em superstição por sua devoção aos santos e às relíquias. Tudo impele para um individualismo espiritual muito acentuado. A Igreja tem necessidade de reforma e os cristãos se dão conta disso.
 
4.Luzes e sombras na Espanha do século XVI.
 
O século XVI é século muito rico, mas também muito tumultuado. Os pontificados de Júlio II (1503-1513) e de Leão X (1513-1521), não o orientam pelo caminho da verdadeira reforma. A formação do clero provoca tentativas admiráveis, porém esporádicas.
A Espanha desempenha um papel de primíssimo plano, levando a nível altíssimo a vida espiritual. Todo o País se apaixona pela vida interior e pela oração. Contemplativos e apostólicos, reformadores ou fundadores, homens ou mulheres, sacerdotes ou leigos, indivíduos ou grupos, todo o mundo manifesta uma vitalidade espiritual de rara intensidade. O gosto pela Sagrada Escritura alimenta a piedade. A comunhão frequente se intensifica ao longo deste século.O zelo missionário impele os religiosos à busca de novas terras, para onde levarão a espiritualidade cristã.
Na Espanha nasce Inácio de Loyola (1491-1556), que se formará na França e na Itália antes de se estabelecer em Roma. Fixa a sua experiência nos Exércicios Espirituais.  As Constituições da Companhia de Jesus, fundada por Inácio e aprovada pela Igreja no ano de 1540, organizam em torno da realidade da “missão” a vida dos religiosos apostólicos sujeitos ao Sumo Pontífice Romano, segundo uma formula nova e ousada, em que a contemplação é exercitada na ação. Por ocasião da morte de Inácio, os jesuítas já estavam atuando em toda a Europa, na Ásia, na África, e na América.  Se trata de uma nova interpretação da vida religiosa, onde o humano se integra no divino para o serviço total de Deus e dos homens.
Teresa de Ávila (1515-1582), reformadora do Carmelo, mulher de oração e de ação, vê na vida de oração, o meio idôneo para chegar à perfeição da caridade e à união com o Senhor. Suas fundações a levaram a comunicar sua própria experiência espiritual profunda em algumas obras em que a confidencia autobiográfica se cristaliza num conjunto doutrinal que abrange a contemplação e seus graus mais elevados. A experiência teresiana é a experiência de uma mulher contemplativa que quer ser filha da Igreja. Sua irradiação espiritual e sua autoridade doutrinal não deixarão nunca de crescer na Igreja.
Para João da Cruz (1542-1591), que começa a escrever quando Teresa já está quase para desaparecer, o problema essencial reside na busca de Deus pela via da interioridade, na necessária purificação, nas “noites do espirito”, na longa ascensão que chega à união contemplativa, onde a alma participa da vida trinitária. Artista e pensador, poeta e teólogo alimentado pela Sagrada Escritura, conhecedor das místicas do norte, desenvolveu suas obras num plano literário e num plano didático. Escreve para as almas já introduzidas na contemplação e enfatiza assim o itinerário espiritual, o caminho da interioridade que leva à união de amor.
A Espanha daquela época é fértil em santos e em autores espirituais profundos. Não pensava a mesma coisa a Inquisição, assustada com certos excessos dos iluminados, que fundamentavam toda a vida espiritual na iluminação interior, com desprezo as vezes dos Sacramentos e da Igreja. Colocada diante deste misticismo subjetivista, não hesitará a ser rigoroso nas formas mais diferentes, freando assim, o impulso místico e esgotando uma abundante produção espiritual. Mas uma coisa a Inquisição não poderá impedir: a grande importância atribuída à oração mental em suas varias formas, mostrando o caráter vital da experiência cristã.
 
5.As correntes espirituais da França no século XVII.
 
Na França foram se delineando novas correntes. As traduções da Bíblia ainda não se difundiram muito; não obstante o povo vive em ambiente cheio de imagens bíblicas, e os autores espirituais fazem leitura mais interiorizada da Escritura. O atrativo exercido pela vida religiosa é muito intenso. Os círculos religiosos leigos, as ordens e as congregações religiosas manifestam grande paixão pelos temas espirituais. O Carmelo, importado da Espanha, continua seu impulso místico. Santa Tereza, já canonizada, é traduzida.
Francisco de Sales (1567-1622) inspirado em sua experiência de missionário e de diretor de consciências,renova a vida interiordos cristãos que vivem no mundo sugerindo-lhes a verdadeira “devoção”, alimentada pela oração e pelos sacramentos, assim como pelas “pequenas virtudes”, que impregnam o seu comportamento. Escreve o Tratado do amor de Deus que ajuda o cristão a levar uma vida espiritual consciente. Funda a ordem da Visitação, tentando assim uma forma de vida religiosa em que a exigência interior substitui as mortificações regulares nas antigas ordens femininas.
Nesta épocadesenvolve-se também  o jansenismo , a obra do bispo Jansénio (1565-1638) , com uma piedade austera, e combinando o senso da grandeza de Deus com o rigor moral, e também com um conceito bastante pessimista da natureza humana. O preço deste movimento que se transformou na época em sectarismo obstinado, foi o abandono da pratica sacramental.
Mas o Jansenismo não mobilizou todas as energias do povo francês. A devoção à Eucaristia continuou expressando-se mediante a Adoração do SS.mo Sacramento e a comunhão. A devoção ao Sagrado coração, que, a partir da Idade Media, passa dos claustros para os ambientes seculares, adotará uma forma litúrgica graças aos esforços de João Eudes (1601-1680), que contribuiu para expansão de tal devoção.
Temos também as revelações do Sagrado coração àuma religiosa da Visitação, Margarida Maria Alacóque (+1690) que acentuarão o sentido da reparação.
No século XVIII, a Espanha ocupará então a vanguarda, suscitando um grande movimento de escravidão mariana.
 
Marina Melis
Diretora local

terça-feira, 23 de abril de 2013

São Jorge: mártir da Igreja

Já no século IV era venerado em Dióspolis (Palestina), onde havia uma igreja levantada em sua honra. O seu culto propagou-se pelo Oriente e Ocidente desde a antiguidade.


Inexpugnavelmente protegido pelo estandarte da cruz



A festa de hoje, caríssimos irmãos, vem duplicar a alegria pascal, como pedra preciosa que, engastada em ouro, o embeleza mais ainda com a sua própria formosura.

Jorge foi transferido duma milícia para outra, porque deixou o cargo de oficial dum exército da terra para se dedicar à milícia cristã. Nesta, como intrépido soldado, começou por libertar-se do peso dos seus bens terrenos, dando tudo aos pobres, e assim, livre e desembaraçado, revestido da couraça da fé, lançou-se na primeira linha do combate como valoroso guerreiro de Cristo.

Isto nos ensina claramente que não estão aptos para lutar com fortaleza e eficácia pela defesa da fé aqueles que ainda se recusam a despojar-se dos bens da terra.

São Jorge, inflamado pelo fogo do Espírito Santo e protegido inexpugnavelmente pelo estandarte da cruz, de tal modo combateu contra o rei iníquo que, vencendo este enviado de Satanás, venceu o chefe de toda a iniquidade e animou os soldados de Cristo a lutarem com valentia.

Assistia ao combate o Árbitro supremo e invisível, que, segundo os planos da sua providência, permitiu que os ímpios o atormentassem. Entregou de facto o corpo do mártir às mãos dos algozes, mas guardou a sua alma com protecção constante no baluarte invencível da fé.

Caríssimos irmãos, não nos limitemos a admirar este combatente do exército celeste, mas imitemo-lo também. Eleve-se o nosso espírito para o prémio da glória celeste, contemplemo-lo atentamente com os olhos do nosso coração, para não nos deixarmos abalar nem pelo sorriso enganador do mundo nem pelas ameaças do seu ódio perseguidor.

Purifiquemo-nos de toda a mancha na carne e no espírito, como nos manda São Paulo, para merecermos um dia entrar naquele templo da bem-aventurança, que por agora apenas entrevemos com o olhar do espírito.

Todo aquele que se quer esforçar por se oferecer a Deus em sacrifício no templo de Cristo, que é a Igreja, é necessário que, depois de lavado no banho sagrado do Baptismo, se revista com o manto das virtudes, conforme está escrito: Revistam-se de justiça os vossos sacerdotes. Quem pelo Baptismo renasce como homem novo em Cristo, não há-de tornar a vestir a mortalha do homem velho, mas a veste do homem novo, vivendo sempre renovado numa vida sem mancha.

Só assim, purificados da imundície da nossa antiga condição pecadora e resplandecentes pelo brilho dum procedimento renovado, seremos dignos de celebrar o mistério pascal e imitaremos verdadeiramente o exemplo dos santos mártires.

Dos Sermões de São Pedro Damião, bispo
(Sec. XI)


Oremos:


Celebramos, Senhor, o vosso poder e humildemente Vos pedimos que o mártir São Jorge seja agora tão pronto em socorrer a nossa fraqueza como o foi em imitar a paixão de Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Liturgia das horas

sábado, 20 de abril de 2013

As vocações: sinal da esperança fundada na fé


“No quinquagésimo Dia Mundial de Oração pelas Vocações que será celebrado no IV Domingo de Páscoa, 21 de Abril de 2013, desejo convidar-vos a refletir sobre o tema «As vocações sinal da esperança fundada na fé», tema este bem integrado no contexto do ano da Fé e no Cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II. O apelo nasce da Assembleia Conciliar quando o Servo de Deus Paulo VI instituiu este Dia de unânime invocação a Deus Pai para que continue a enviar operários para a sua Igreja (cf. Mt 9,38).

Identificação do problema vocacional  

Ao sermos convidados a refletirmos sobre este assunto o Sumo Pontífice identifica: o número insuficiente de sacerdotes, disso depende o futuro da sociedade cristã e nos ajuda a questionar a vitalidade de nossa fé e amor pela comunidade paroquial e diocesana e ainda o nosso testemunho nas famílias cristãs de onde emanam as vocações. 

Convite à reflexão Urgente 

No IV domingo da Páscoa as comunidades eclesiais espalhadas pelo mundo há cerca de 5 décadas reúnem-se para: Implorar de Deus o dom de Santas vocações e propor uma reflexão urgente da resposta à chamada divina. Este encontro anual tem sido importante para conscientização, fortalecimento da espiritualidade e para perceber a importância das vocações sacerdotais e vida consagrada. 

Um horizonte de esperança 

A esperança, expectativa que move, nos aponta para o futuro e nos faz perguntar: Onde está fundada a nossa esperança? Olhando para a história do povo de Israel narrado no Antigo Testamento, mas nos momentos de dificuldade e exílio permanece a memória das promessas feitas por Deus aos Patriarcas.

Temos como exemplo Abraão que viveu a dimensão da esperança para além do que se podia esperar, Abraão acreditou e assim tornou-se o pai de muitos povos ficou conhecido como o “Pai na fé”.  Assim será tua descendência (Rm 4,18). Como podemos perceber a historia da salvação é compromisso de fidelidade e aliança que Deus faz para com o homem. E esse homem seduzido pelo pecado e pela infidelidade rompe com Deus a bela aliança. Trilhando este caminho de salvação passamos pelo caminho do dilúvio (Cf. Gn 18,21-22), até o Êxodo e o caminho dos desertos onde sobressai o medo de abandono e solidão ( Cf.Dt 9,7); fidelidade de Deus que sela a eterna aliança, por meio do sangue de seu filho morto e ressuscitado para a nossa salvação.

O amor infinito de Deus faz vibrar os corações de homens e mulheres que repletos de esperança confiam em um dia chegar à “terra prometida”. Conferimos isso na historia da salvação, pois Deus nunca nos deixa sozinhos. “Por este motivo, em toda a situação, seja ela feliz ou desfavorável, podemos manter uma esperança firme, rezando como salmista: «Só em Deus descansa a minha alma, d’Ele vem a minha esperança»(Sl62/61,6)”. 

Em que consiste essa fidelidade a Deus? 

Ter esperança equivale a confiar no Deus fiel, que mantém as promessas da aliança. A fé bíblica nos projeta para a fidelidade. Vejamos:  a Primeira Carta de Pedro exorta os cristãos a estarem sempre prontos a responder a propósito do logos – o sentido e a razão – da sua esperança (3,15), “esperança” equivale a “fé”» (Enc. Spe salvi, 2).

Portanto, a fidelidade de Deus consiste no amor incondicional pela humanidade através de Jesus Cristo que interpela nossa existência. 

O segredo de onde brotam as vocações 

As vocações nascem do cultivo de uma vida interior guiada por um encontro e uma experiência pessoal com a pessoa de Cristo, do diálogo e da escuta da palavra criando uma profunda relação de amizade e familiaridade, alimentada pela Eucaristia, liturgia, por uma fervorosa vida de oração guiada e iluminada de um confronto meu com Deus. A oração profunda fará crescer a comunidade cristã. É a esperança fundada na fé de um Deus que nunca abandona seu povo, que sustenta as vocações sacerdotais e a vida das consagradas chamadas a ser no mundo sinais de esperança. 

Esse chamado exige uma resposta 

Com o testemunho da sua fé e com o seu fervor apostólico, podem transmitir, em particular às novas gerações, o ardente desejo de responder generosa e prontamente a Cristo, que chama a segui-Lo mais de perto. Oxalá não falte sacerdotes zelosos que saibam estar ao lado dos jovens como «companheiros de viagem», para os ajudarem, no caminho por vezes tortuoso e obscuro da vida, a reconhecer Cristo, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6); para lhes proporem com coragem evangélica a beleza do serviço a Deus, à comunidade cristã, aos irmãos. Não faltem sacerdotes que mostrem a fecundidade de um compromisso entusiasmante, que confere um sentido de plenitude à própria existência, porque fundado sobre a fé n’Aquele que nos amou primeiro (cf. 1 Jo 4,19).

Do mesmo modo, desejo que os jovens, no meio de tantas propostas superficiais e efêmeras, saibam cultivar a atração pelos valores, as metas altas, as opções radicais por um serviço aos outros seguindo os passos de Jesus. 

Josimara F. dos Santos 

Fonte: www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/vocations/documents/hf_ben-xvi_mes_20121006_l-vocations_po.html


segunda-feira, 15 de abril de 2013

História da espiritualidade (Segunda parte)

1.A espiritualidade do ocidente cristão.
 
A espiritualidade que ensinaram os bispos do ocidente surge menos brilhante, porém , mais pratica; é uma espiritualidade sólida, nutrida de teologia. Nomeamos só alguns deles: Cipriano de Cartago (+258), retórico convertido. Ele trabalhou especialmente pela unidade da sua Igreja e da Igreja universal; e a sua aspiração foi de que estas duas unidades se realizassem na Eucaristia.
Mais tarde, e numa linha um pouco distinta, Ambrósio de Milão (339-397) desenvolve o sentido da virgindade concentrado no amor a Cristo. Ajuda o seu povo a rezar os salmos.
Seus compromissos administrativos lhe deixam pouco tempo para estudar, e por isso ele se inspira em Orígenes e em São Basílio, adaptando-os aos seus fiéis.
Mais restrita e mais específica é a ação de Jerônimo, nascido em Dálmacia (340- 420), grande tradutor e comentador da Bíblia, autor de um voluminoso epistolário, propagador entusiasta da vida monástica.
A vida de Agostinho de Hipóna (354-430) supera o espaço e o tempo por causa da influência que exerceu. Passou pelo maniqueísmo e outras filosofias antes de chegar a Cristo. Teólogo profundo, movido por sua própria miséria a se aabandonar confiadamente em Deus, expõe a seus leitores uma visão dinâmica da vida cristã, em que tudo se concentra na caridade que é Deus, Deus trindade. A caridade serve para superar a tentação. Também os pecados servem para quem ama a Deus, quando o homem reza com humildade , confiança, fidelidade. Agostinho não escreveu expressamente obras de espiritualidade, embora todos os trabalhos dele estejam cheios de espiritualidade, porque falam do amor de Deus, bem supremo, do amor de Cristo difundido concretamente em todos os membros de seu corpo, e porque evocam e oram ao Mestre interior que é o Espirito, o qual faz conhecer a verdade.Agostinho, legislador da vida monástica, na carta que dirige às monjas e que se converterá na Regra adotada por muitos grupos religiosos ao longo dos séculos, louva a caridade mutua, o espirito de pobreza, a humildade e a castidade. Une o ideal monástico à atividade sacerdotal, suave sem ser fraca e austera sem ser rígida.

2.A espiritualidade do oriente. A difusão da vida monástica.
 
João Crisóstomo (347-407), embora muito distantede Agostinho, expressara como ele sua própria espiritualidade, tanto numa vida totalmente dedicada à pregação, quanto em obras escritas. O período transcorrido dentro da vida monástica e vinte anos de atividade pastoral lhe servirão para convencer seus ouvintes do valor moral da oração e da graça, e para persuadi-los de que uma das formas mais realistas da caridade é a esmola e a distribuição dos próprios bens. Diretor de consciência de seu povo, fortemente influenciado por São Paulo, que comenta abundantemente, interessa-se bem de perto pelos diversos estados de vida cristã. Seu tratado “Sobre o sacerdócio” expressa o que é para ele o ideal do sacerdote, homem da Eucaristia e da Palavra de Deus. Lembra às pessoas casadas que devem tender à perfeição espiritual de seu estado, participando dos mistérios de Cristo, educando seus filhos na sabedoria e sendo apóstolos diante dos outros homens.João Crisóstomo, cujo nome significa “boca de ouro”, propôs e defendeu a virgindade cristã, mas recordou que todosdevem escutar a Sagrada Escritura com alma de pobre.
Ao longo do séc IV muitos outros bispos, como Cirilo de Jerusalém, educaram seus fieis em suas catequeses, mantendo-os na pureza da fé, apresentando concretamente a espiritualidade de seu estado e defendendo a fidelidade conjugal.
Na Mesopotâmia, o diácono Efrém(306-373), conhecido por seus hinos e sermões, lembra que a fé inclui o amor,e deve manifestar-se exteriormente. Fala muitas vezes às suas comunidades sobre a Virgem Maria,e contempla na virgindade uma antecipação do estado do Paraíso.
 
3.Os cristãos diante dos invasores do mundo romano.
 
O séc IV tão fecundo em muitos aspectos, é seguido no  Ocidente por uma época muito castigada. As obras espirituais deixam de ser numerosas: as personalidades espirituais se encontram diante de problema novos e difíceis que são provocados pelas migrações dos povos, qualificadas também como “invasões barbaras”.
Os séculos V e VI são a época dos grandes bispos, homens de ação que passaram de defensores da cidade a apóstolos dos bárbaros ,algumas vezes com perigo de vida.
Enquanto a Igreja romana salvaguarda a herança antiga, o monacato aumenta sua influência e se fortalece o impulso missionário. É um período que apresenta poucas obras primas de espiritualidade, a não serVidas de santos.
Um homem que vive neste tempo é São Bento (480-547), que no início foi asceta e anacoreta e depois reúne em doze mosteiros seus discípulos. Organizauma “escola de serviço do Senhor”, onde a comunidade delibera sob a autoridade do abade e pratica a obediência, o silêncio e a humildade, que é a síntese da ascese monástica. A oração pública e particular assinala o ritmo do mosteiro. A Regra, original pela estabilidade que prescreve e pelo equilíbrio, faz do trabalho o elemento da organização monástica. A sua regra pouco a pouco se impõe em todas as fundações a partir do séc VIII.
Papa Gregorio Magno (535-604). Foi o primeiro monge designado sumo pontífice. Defensor de Roma, sitiada pelos lombardos, amigo dos francos, envia monges beneditinos para a Inglaterra.
Suas cartas, que o mostram sobrecarregado de responsabilidades religiosas e civis, propõem a solução que Gregório encontrou para o problema da contemplação e ação: a “vida mista”, em que a contemplaçãodesemboca na ação, que é esforço ascético  e atividade desempenhada a serviço dos irmãos.
Gregório indica também as vias da contemplação.
 
4.O sentido da penitencia no século VII.
 
O séc VII é período de evangelização ilustrado por numerosos bispos, que as vezes fundaram mosteiros.
É também a épocaem que, se difundiu uma forma de vida que concedia grande espaço à confissão e a penitencia privada. A partir da penitencia monástica, de fato, a confissão esquematizada, com seus rígidos exames de consciência,assumirá mias importância na vida dos cristãos e tornará mais sensível a consciência dos pecadores, e levará a um grande esforço de mortificação exterior.
 
5.A época carolíngia.
O advento de Carlos Magno (742-814), unificador de uma Europa que seus filhos dividirão entre si, exerce uma indubitável influencia na espiritualidade de seu império.
Numa época em que o temporal e o espiritual aparecem estreitamente unidos, a autoridade deum príncipe cristão que convoca sínodos, dita leis, sustenta a produção teológica e organiza escolas, não pode deixar de levar a uma renovação que recebeu o nome de renascimento carolíngio. A legislação de Carlos Magno, que não á perfeita, é impregnada do espirito do Evangelho. Aos leigos são dedicados tratados de espiritualidade, que lhes recordam seus poderes, suas responsabilidades, seus deveres e as virtudes que devem praticar. Aconselha-se-lhesque leiam a Sagrada Escritura e que se preocupem com os pobres. Se procura ajuda-los a viver cristãmente, embora os programas de vida que lhe são apresentados correspondam a copias da vida monástica. Entre o clero abrem a preocupação com a vida em comum e com a animação da vida espiritual.
As vidas de santos, destinadas aos monges e redigidas nesta época, mostram interiorização da ascese:se insiste na luta entre vícios e virtudes,na oração mais do que na mortificação. O gosto pela sagrada Escritura é muito grande e procede paralelamente ao amor à liturgia. A piedade é alimentada pelas solenidades litúrgicas, em que se exalta Cristo Redentor e se honra Maria em sua virgindade e em sua assunção. A pesquisa teológica tende a levar à participação mais fervorosa na Eucaristia. Livros de oração que contem invocações, atos de contrição, de adoração e de petição baseados nos salmos, servem de ajuda aos leigos e ao clero.

6.Impulsos reformadores na decadência dos séculos X e XI.
 
São séculos, os séculos X e XI em que coexistem decadência e reforma. A Igreja, inclusive aquela de Roma, se encontra nas mãos dos leigos,cujas orientações e opções estão bem longe de ser espirituais. A ambição dos grandes, a simonía, a incontinência e a ignorância do clero aumentam e agravam a corrupção. Portanto, os clérigos, são os que tem maior necessidade de reforma espiritual. Deveriam conhecer e viver melhor as realidades divinas, pregar a palavra de Deus e viver com desprendimento, caridade e castidade.
Neste período os livros de oração dos leigos contem fórmulas de tonalidade bíblica, que lhes permitem permanecer em contato com a Sagrada Escritura.  Florescem as orações à Virgem e aumentam as festas marianas.
Entre os monges, se formam uma rede de abadias submetidas à mesma observância, e recebem a poderosa ajuda de abades enérgicos. A oração se reorganiza e se alimenta de teologia. Temos a experiência de São Romualdo, em Camáldula, que foge do mundo para praticar uma pobreza efetiva e fazer da austeridade uma regra de vida.
Assiste-se, aliás, ao nascimento da instituição dos irmãos conversos, prova de que os leigos estão interessados em viver o ideal dos religiosos.
A evangelização missionária, iniciada no séc VII pelos monges beneditinos na Holanda e na Alemanha,continua ampliando-se.
 
Marina Melis
Diretorla local

História da espiritualidade (Primeira parte)

Descreve e analisa a relação que o homem manteve no decorrer dos séculos, com o Transcendente, no caso cristão, com Deus.
Como desenvolveu-se esta historia durante 20 séculos de Cristianismo no Ocidente e no Oriente?

 
1.Na Igreja primitiva.
 
O anúncio do Evangelho, primeiramente de forma oral e depois por escrito, nos permite ver na pessoa de Jesus que age, ensina e se propõe como exemplo, toda uma espiritualidade.
A reflexão dos apóstolos e dos escritores do Novo Testamento se concentrou nesta pessoa e nesta mensagem histórica, isto é, no “fato” Jesus.
A pregaçaõ primitiva implica uma serie de exortações à conversão, à fé, à vida fraterna, ao amor entre as pessoas e com Deus.
Os Evangelhos sinóticos anunciam a Boa Nova do Reino de Deus já presente no meio dos homens, com as suas exigências; é uma Boa Nova marcada por sinais, milagres ou curas corporais e espirituais.
Com os Escritos de João, a espiritualidade se torna mais teológica.
João insiste no confronto entre o crente e o mundo, que o evangelista situa no contexto da luta entre a luz e as trevas.
Ele trata de convencer de que quem não ama ao irmão, não ama a Deus. A espiritualidade de João é sacramental aprofunda o mistério do Batismo e da Eucaristia. A atenção que ele dispensa a Maria, como São Lucas mostra o começo de uma espiritualidade mariana.
Nas cartas de São Paulo as exposições dogmáticas são acompanhadas ou intercaladas de conselhos espirituais.
A carta aos Hebreus apresenta, sob a forma de homilia, Jesus como o único sacerdote, enquanto a primeira carta de São Pedro lembra à aqueles que receberam o Batismo que eles constituem um povo de sacerdotes, que começa a integrar a construção do edifício do qual Cristo é a pedra angular.
A carta de São Tiago e outras exortações,revelam aos fieis o sentido da provação, o valor da pobreza, a necessidade da caridade. Tudo isso transmitido pela Igreja primitiva será a fonte da espiritualidade cristã.
 
2.As gerações pós-apostólicas. O martírio e a virgindade.
 
Entre os séculos I e II, temos uma serie de documentos breves e práticos que nos informam sobre as atitudes espirituais quetinham de assumir as gerações posteriores á era apostólica.
O caminho dos neo-batizados: caminho da vida oposto ao da morte. O discernimento espiritual colocado ao centro da vida cristã.
A instituição da hierarquia na comunidade exige a caridade e a submissão.  Os cristãos são convidados à leitura cristã do A.T.
A Eucaristia é a oração por excelência, onde o bispo é o centro e a garantia da unidade.
Nesta época o conflito entre o mundo pagão e os cristãos é inevitável: latente no principio, acaba explodindo no martírio.
As Atas dos mártires,lidas nas Assembleias litúrgicas,  aprofunda todos os motivos que inspiram as testemunhas a dar a própria vida em sacrifício.
A virgindade cristã, praticada por homens e mulheres, florece na Igreja desde o I século. Este dom se assemelha ao martírio quando é vivido de forma devida. É fonte de fecundidade espiritual, e é vivido na Igreja e para a Igreja.
As virgens cristãs, que vivem no mundo praticando boas obras adotarão sob o conselho de alguns bispos, o costume de viver em comum, dando origem assim ao que será a vida religiosa feminina.
Os outros cristãos, vivem no matrimonio. Eles, alimentados pela Eucaristia, são um povo novo.
 
3.A espiritualidade segundo os primeiros Padres da Igreja.
 
Eles através dos escritos inserem em profundidade o cristão na Igreja e no mundo.
Clemente de Alessandria (+215), traça o ideal do cristão, em que confluem o conhecimento das Escrituras e a abertura ao mundo em que o cristão deve dar testemunho.
Orígenes (c185-c.254), leitor apaixonado e comentador das Escrituras, amante de Jesus, desenvolve o sentido espiritual da Escritura e dos sentidos espirituais dos cristãos. Com Orígenes se fala do esforço de elaborar uma espiritualidade baseada na Escritura, que guia o cristão para Deus; o cristão passa da ascése à contemplação mística.
Nos Padres Capadocios, encontramos o maior representante que é Gregório de Nissa (335- 394). Para ele é necessário que os sentidos materiais morram, para que nasçam no homem os sentidos espirituais, e então o Verbo poderá unir-se a alma.
As suas obras descrevem a ascensão da alma e a sua união amorosa com Deus no matrimonio místico.
Gregório Nazianzeno (329-389), foi chamadoo “teólogo”. Poeta fino, bispo em varias sedes, deixou-nos uma obra infinita que abrange a teologia, a oração contemplativa, o estudo da sagrada Escritura. A teologia para ele é conhecimento experimental de Deus.
 
4.O Monaquismo.
 
século III contempla o desenvolvimento de um tipo novo de vida espiritual: o monaquismo, que ocupará pouco a pouco o lugar do martírio e da virgindade.
Terá uma pluralidade de formas: solitários, cenobitas...
A luta contra o demônio ocupa grande espaço desta espiritualidade e torna indispensável o exercício do discernimento, seguindo o exemplo de Santo Antão, o pai dos monges, que em sua solidão teve muitas vezes a oportunidade de preparar discípulos, como verdadeiro mestre.
 
5.A espiritualidade do ocidente cristão.
 
A espiritualidade que ensinaram os bispos do ocidente é mais pratica, é uma espiritualidade solida , baseada na teologia.
Alguns deles: Cipriano de Cartago (+258), que trabalhou sobretudo pela unidade da sua Igreja e da Igreja universal. Sua aspiraçãoé que esta unidade se realizasse na Eucaristia.
Ambrósio de Milão (339-397), desenvolve o sentido da virgindade concentrado no amor a Cristo. Ajuda ao seu povo a rezar os salmos . A sua liturgia ainda hoje é usada na diocese de Milão e é chamada liturgia ambrosiana.
Jerônimo (340-420), nascido na Dalmacia,foi um grande tradutor e comentador da Bíblia, e propagador da vida monástica.
Agostinho de Hipona (354-430), passou por várias filosofias antes de chegar à humildade de Cristo. Expõe uma visão dinâmica da vida cristã, em que tudo se concentra na caridade que é Deus, Deus Trindade.
Agostinho não escreveu obras de espiritualidade, mas todos os trabalhos dele estão cheios de espiritualidade, porque falam do amor de Deus, do amor de Cristo difundido concretamente em todos os membros do seu corpo. Ele foi também legislador da vida monástica e a sua Regra será adotada por muitos grupos religiosos ao longo dos séculos.
 
Marina Melis
Diretorla local

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Festa da anunciação do Senhor: o sinal do amor!

No início da criação,
o amor de Deus foi manchado e
quebrado pela desobediência
e pela rebelião
do primeiro homem,
que assim perde os frutos do amor;
perde a compreensão
de todas as coisas,
ficando assim sujeito à ignorância; perde a liberdade
por causa das paixões, da dor e da morte; perde a felicidade.

Não pode mais permanecer no lugar em que Deus o havia posto. Tem que sair. E aí, no limiar do paraíso terrestre, permanece o anjo com a espada flamejante, símbolo do amor e da justiça divina (cf. Gn 3,24).

Adão e Eva baixam a cabeça, sabem que mereceram consequências do pecado que cometeram. Dão-se conta de tudo que perderam, porque viveram em contato com o amor de Deus, em contato com o seu Espírito que "pairava" no paraíso terrestre e era a alegria deles.

Contudo, antes que o homem e a mulher sejam expulsos, Deus, que é amor sem limites, quer ainda expressar esse amor e promete: "Eu porei inimizade entre você (a serpente) e a mulher, entre a sua descendência e os descendentes dela. Estes vão lhe esmagar a cabeça e você ferirá o calcanhar deles" (Gn 3,15).

Diante destas palavras de Deus, o primeiro homem e a primeira mulher erguem a cabeça e, com uma nova esperança, começam a caminhada, a caminhada da espera do Salvador.

A "visão daquela mulher" será a força da vida deles. O sinal da "jovem que concebeu e dará a luz um filho, e o chamará pelo nome de Emanuel" (Is 7,14) manterá viva a esperança no povo de Israel.

Maria, jovem de Nazaré, não sabia que era justamente Ela sobre a qual o Amor havia falado no paraíso terrestre, aquela que devia reatar os anéis de um único amor, o Amor que premiaria os justos do passado e que triunfará no final dos tempos.

Maria não sabe disso todavia, através das escrituras, sabe que deve viver o amor e se dedica de todo o seu coração a isso, para que chegue o dia esperado desde todos os séculos: "Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!" (Lc 1,28).

Perturbada, Maria talvez intua. De fato, por qual motivo um anjo apareceria a uma menina? E o anjo confirma: "Não tenha medo, Maria, você será a mãe da Emanuel" (cf. Lc 1,30-31). Maria compreende, e sabe que deve estar juntos para sofrer muito: a mãe sofreria a mesma dor do Filho.

 

Maria responde
 
Neste momento, podemos vislumbrar todo o drama de uma tal decisão e todo o amor de Maria. Ela, criatura humana, sabe que, aceitando, a sua vida mudará totalmente, mas se não disser o seu sim o que acontecerá com todos os seus irmãos, do mundo inteiro? O amor de Deus não poderá se manifestar, o Paraíso permanecerá fechado...

Maria não quer isso. Ela ama a humanidade. E então renuncia à sua paz, à sua vontade, aos seus programas. Responde "Fiat" e se torna Mãe de Deus, a fim de ser depois a mãe dos homens, presentes e futuros. Para ser o sinal do Amor.

Agora o anjo pode levar a Deus a resposta dela: "Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a sua palavra" (Lc 1,38).

A mãe começa assim a sua missão. Vamos vê-la correndo às pressas até a casa de Isabel, levando a salvação para a prima e para o menino que esta traz em seu seio (cf. Lc 1,39ss).

Logo que Maria tem um Filho, o entrega ao primado. E logo que o Filho tem uma Mãe, do mesmo modo, Ele a entrega à humanidade. E assim Maria se torna Mãe de Deus e a mãe de dos homens. A mãe que, ao longo de todos os séculos, está sempre pronta para ouvir a oração de seus filhos e repetir-lhes a mensagem que é a condição para ser verdadeiro filho seu e de Deus: "Façam o que Ele mandar" (Jo 2,5).

Certamente custou muito a Maria esquecer o seu próprio projeto de vida, a fim de abraçar o projeto que Deus tinha escolhido para Ela.

Custa-nos também deixar um vida que nos parece de paz, de serenidade, de liberdade... Mas se Deus nos chama para algo que não tínhamos previsto, teremos coragem de negar-lhe um amor que será fonte de muitos outros amores, que permitirá a outros irmãos ganharem a salvação? Não digamos não a Deus. Teremos o seu amor, a sua amizade nesta vida e a vida eterna. Não tenhamos medo de renunciar a nós mesmos, de ter que sofrer alguma coisa por seu amor, pois Jesus nos salvou com as mãos e os pés na cruz.

Seguindo o amor de Deus, experimentaremos quanta alegria Ele pode nos dar nesta terra. Uma alegria profunda, interior, na certeza de que nos encontramos nele. Na certeza de que com Ele seremos artífices da salvação de muitos e muitos corações. Seremos artífices de amor em todo o mundo.
 
Padre Luigi Maria Faccenda
Fundador do Instituto

Mais informações: http://www.kolbemission.org