segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Conquistada por um olhar

Anna Basile - Sicília - Itália / Foto: Lourdes Crespan
Do balcão, com suas flores, reconheço um rosto jamais visto e que me observava... era Anna, com seu vestido florido e seus olhos límpidos. Ao entrar na casa, me dou conta que os degraus que me conduziam a sala de estar eram íngremes e estreitos... e que do alto da escada, a mesma senhora, com seus brincos, me acolhia com o seu olhar cheio de alegria.

No interior da casa, objetos me levavam a um tempo distante, marcado pela história, repleto de sentimentos de pessoas que ali habitaram e que já não mais existiam... A primeira imagem que meus olhos tocam é um pequeno altar sagrado, um espaço acolhedor e que ao mesmo tempo acolhe e que nos faz sentir bem.

A mesa estava pronta, com seus pratos e talheres de festa, ao redor, um quadro de Jesus Cristo, uma máquina de costura, uma cadeira vazia, usada, colocada próxima de uma janela, com sua cortina de renda branca, aberta, onde se podia ver uma das ruas de Monreale, na Sicília.

Anna passa da cozinha à sala de estar, tudo quase pronto para o almoço. A televisão ligada me revelava a riqueza de uma cultura popular, tão diferente da minha. Conversas paralelas... me sinto em casa. A senhora, com o olhar cuidadoso e acolhedor, depois de nos servir, também se senta e come conosco.

Na simplicidade do diálogo, começo a contemplar melhor aquela senhora e o seu olhar, que me transmitia vida. Ao ser interrogada sobre sua história, Anna, com os seus cabelos brancos e quase 80 anos de vida, iniciava sua viagem no tempo: olhares se confundem com palavras, sentimentos e silêncio.

Descubro que ela era a filha mais velha da família Basile e, que, quando jovem, tinha decidido entrar em um convento. Mas, depois de alguns dias de vida em clausura, Anna recebe a visita inesperada de sua mãe: seus oito irmãos precisavam de ajuda.

De fato, a irmã mais nova, ainda pequena, já não mais comia e somente repetia: "mama, mama". Ao vê-la assim tão frágil, nos braços da mãe, a filha mais velha da família retorna a casa. Mas, em seu coração ainda ardia o mesmo desejo: viver somente para Deus.

Os dias passam e Anna continua a rezar... Desta forma, em uma manhã, bem cedo, um pouco antes da santa missa, sozinha, seus olhos atentos encontram o olhar penetrante de um jovem sacerdote, Padre Faccenda. "Aquele olhar me conquistou", afirma com convicção.. Era 1964.

Anna descobre que sua vocação não era somente contemplativa, mas também ativa, e aos poucos se torna Missionária da Imaculada-Padre Kolbe, se consagra a Deus por meio dos votos de castidade, pobreza e obediência, sem deixar o seio de sua família.

Com o sorriso nos lábios, me revela sua a experiência mais profunda e que transformou sua vida: "entre as missionárias não há diferença, são todas iguais". Com este tesouro, contemplo pela última vez, da sacada de sua casa, a Missionária Anna Basile, com seus 79 anos de idade, que continua a me observar, enquanto caminho pelas ruas da vida.

Missionária Lourdes Crespan
Jornalista

domingo, 20 de outubro de 2013

Mensagem de Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões

Queridos irmãos e irmãs,

este ano, a celebração do Dia Mundial das Missões tem lugar próximo da conclusão do Ano da Fé, ocasião importante para revigorarmos a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia, com coragem, o Evangelho. Nesta perspectiva, gostaria de propor algumas reflexões.

1. A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar. Ele quer entrar em relação conosco, para nos fazer participantes da sua própria vida e encher plenamente a nossa vida de significado, tornando-a melhor e mais bela. Deus nos ama! Mas a fé pede para ser acolhida, ou seja, pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a Deus e vivermos o seu amor, agradecidos pela sua infinita misericórdia. Trata-se de um dom que não está reservado a poucos, mas é oferecido a todos com generosidade: todos deveriam poder experimentar a alegria de se sentirem amados por Deus, a alegria da salvação. E é um dom que não se pode conservar exclusivamente para si mesmo, mas deve ser partilhado; se o quisermos conservar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos. O anúncio do Evangelho é um dever que brota do próprio ser discípulo de Cristo e um compromisso constante que anima toda a vida da Igreja. «O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial» (Bento XVI, Exort. ap. Verbum Domini, 95). Toda a comunidade é «adulta», quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às «periferias», sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a testemunharmos a quantos nos encontram e partilham connosco o caminho da vida.

2. Celebrado cinquenta anos depois do início do Concílio Vaticano II, este Ano da Fé serve de estímulo para a Igreja inteira adquirir uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e as nações. A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O Concílio Vaticano II pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé: «Como o Povo de Deus vive em comunidades, sobretudo diocesanas e paroquiais, e é nelas que, de certo modo, se torna visível, pertence a estas dar também testemunho de Cristo perante as nações» (Decr. Ad gentes, 37). Por isso, cada comunidade é interpelada e convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas «testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1, 8); e isso, não como um aspecto secundário da vida cristã, mas um aspecto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de «dar também testemunho perante as nações», perante todos os povos. Mas a missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã.

3. Com frequência, os obstáculos à obra de evangelização encontram-se, não no exterior, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes, estão relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a Mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Por vezes há ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à liberdade. A propósito, são iluminantes estas palavras de Paulo VI: «Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará (...), é uma homenagem a essa liberdade» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo. Com frequência, vemos que a violência, a mentira, o erro é que são colocados em evidência e propostos. É urgente fazer resplandecer, no nosso tempo, a vida boa do Evangelho pelo anúncio e o testemunho, e isso dentro da Igreja. Porque, nesta perspectiva, é importante não esquecer jamais um princípio fundamental para todo o evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que, «quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade, ou administra um sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um acto de Igreja». Ele não age «por uma missão pessoal que se atribuísse a si próprio, ou por uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome da mesma» (ibid., 60). E isto dá força à missão e faz sentir a cada missionário e evangelizador que nunca está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.

4. Na nossa época, a difusa mobilidade e a facilidade de comunicação através dos novos mídias misturaram entre si os povos, os conhecimentos e as experiências. Por motivos de trabalho, há famílias inteiras que se deslocam de um continente para outro; os intercâmbios profissionais e culturais, assim como o turismo e fenómenos análogos impelem a um amplo movimento de pessoas. Às vezes, resulta difícil até mesmo para as comunidades paroquiais conhecer, de modo seguro e profundo, quem está de passagem ou quem vive estavelmente no território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raro, alguns baptizados fazem opções de vida que os afastam da fé, tornando-os assim carecidos de uma «nova evangelização». A tudo isso se junta o facto de que larga parte da humanidade ainda não foi atingida pela Boa Nova de Jesus Cristo. Ademais vivemos num momento de crise que atinge vários sectores da existência, e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. A própria convivência humana está marcada por tensões e conflitos, que provocam insegurança e dificultam o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem atravessados por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem. O homem do nosso tempo necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar. Com o nosso testemunho de amor, levemos a este mundo a esperança que nos dá a fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela acção do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.

5. Gostaria de encorajar a todos para que se façam portadores da Boa Nova de Cristo e agradeço, de modo especial, aos missionários e às missionárias, aos presbíteros fidei donum, aos religiosos e às religiosas, aos fiéis leigos – cada vez mais numerosos – que, acolhendo a chamada do Senhor, deixaram a própria pátria para servir o Evangelho em terras e culturas diferentes. Mas queria também sublinhar como as próprias Igrejas jovens se estão empenhando generosamente no envio de missionários às Igrejas que se encontram em dificuldade – não raro Igrejas de antiga cristandade – levando assim o vigor e o entusiasmo com que elas mesmas vivem a fé que renova a vida e dá esperança. Viver com este fôlego universal, respondendo ao mandato de Jesus «ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19), é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade; e dar missionários nunca é uma perda, mas um ganho. Faço apelo, a todos aqueles que sentem esta chamada, para que correspondam generosamente à voz do Espírito, segundo o próprio estado de vida, e não tenham medo de ser generosos com o Senhor. Convido também os bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as agregações cristãs a apoiarem, com perspicácia e cuidadoso discernimento, a vocação missionária ad gentes e a ajudarem as Igrejas que precisam de sacerdotes, de religiosos e religiosas e de leigos para revigorar a comunidade cristã. E a mesma atenção deveria estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem, com generosidade, aquelas que padecem a sua escassez.

Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os presbíteros fidei donum e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas aonde foram enviados e a levarem a sua alegria e esperança às Igrejas donde provêm, recordando como Paulo e Barnabé, no final da sua primeira viagem missionária, «contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos pagãos a porta da fé» (At 14, 27). Eles podem assim tornar-se caminho para uma espécie de «restituição» da fé, levando o vigor das Igrejas jovens às Igrejas de antiga cristandade a fim de que estas reencontrem o entusiasmo e a alegria de partilhar a fé, numa permuta que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.

A solicitude por todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os irmãos Bispos, encontra uma importante aplicação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias, cuja finalidade é animar e aprofundar a consciência missionária de cada batizado e de cada comunidade, seja apelando à necessidade de uma formação missionária mais profunda de todo o Povo de Deus, seja alimentando a sensibilidade das comunidades cristãs para darem a sua ajuda a favor da difusão do Evangelho no mundo.

Por fim, o meu pensamento vai para os cristãos que, em várias partes do mundo, encontram dificuldade em professar abertamente a própria fé e ver reconhecido o direito a vivê-la dignamente. São nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosas do que os mártires nos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Não poucos arriscam a própria vida para permanecer fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou unido, pela oração, às pessoas, às famílias e às comunidades que sofrem violência e intolerância, e repito-lhes as palavras consoladoras de Jesus: «Tende confiança, Eu já venci o mundo» (Jo 16, 33).

Bento XVI exortava: «Que "a Palavra do Senhor avance e seja glorificada" (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n'Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro» (Carta ap. Porta fidei, 15). Tais são os meus votos para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo de todo o coração os missionários e as missionárias e todos aqueles que acompanham e apoiam este compromisso fundamental da Igreja para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra e nós, ministros do Evangelho e missionários, possamos experimentar «a suave e reconfortante alegria de evangelizar» (Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80).

Papa Francisco
Vaticano, 2013.

Fonte: http://www.news.va/pt

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda

“Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!”.

Desde que pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi este cântico. Ele é, na ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, uma saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, nos foi dada por seu Filho Jesus no momento extremo da sua vida para ser nossa Mãe.

Sim, amados irmãos e filhos, Maria, a Mãe de Deus, é modelo para a Igreja, é Mãe para os remidos. Por sua adesão pronta e incondicional à vontade divina que lhe foi revelada, torna-se Mãe do Redentor, com uma participação íntima e toda especial na história da salvação. Pelos méritos de seu Filho, é Imaculada em sua Conceição, concebida sem a mancha original, preservada do pecado e cheia de graça.

Ao confessar-se serva do Senhor (Lc 1,38) e ao pronunciar o seu sim, acolhendo “em seu coração e em seu seio” o mistério de Cristo Redentor, Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e inteira obediência. Sem nada tirar ou diminuir e nada acrescentar à ação daquele que é o único Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Maria nos aponta as vias da salvação, vias que convergem todas para Cristo, seu Filho, e para a sua obra redentora.

Maria nos leva a Cristo, como afirma com precisão o Concílio Vaticano II: “A função maternal de Maria, em relação aos homens, de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia. E de nenhum modo impede o contato imediato dos fiéis com Cristo, antes o favorece”.

Mãe da Igreja, a Virgem Santíssima tem uma presença singular na vida e na ação desta mesma Igreja. Por isso mesmo, a Igreja tem os olhos sempre voltados para aquela que, permanecendo virgem, gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. Qual é a missão da Igreja senão a de fazer nascer o Cristo no coração dos fiéis, pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização? Assim, a “Estrela da Evangelização”, como a chamou o meu Predecessor Paulo VI, aponta e ilumina os caminhos do anúncio do Evangelho. Este anúncio de Cristo Redentor, de sua mensagem de salvação, não pode ser reduzido a um mero projeto humano de bem-estar e felicidade temporal. Tem certamente incidências na história humana coletiva e individual, mas é fundamentalmente um anúncio de libertação do pecado para a comunhão com Deus, em Jesus Cristo. De resto, esta comunhão com Deus não prescinde de uma comunhão dos homens uns com os outros, pois os que se convertem a Cristo, autor da salvação e princípio de unidade, são chamados a congregar-se em Igreja, sacramento visível desta unidade humana salvífica.

Por tudo isto, nós todos, os que formamos a geração hodierna dos discípulos de Cristo, com total aderência à tradição antiga e com pleno respeito e amor pelos membros de todas as comunidades cristãs, desejamos unir-nos a Maria, impelidos por uma profunda necessidade da fé, da esperança e da caridade. Discípulos de Jesus Cristo neste momento crucial da história humana, em plena adesão à ininterrupta Tradição e ao sentimento constante da Igreja, impelidos por um íntimo imperativo de fé, esperança e caridade, nós desejamos unir-nos a Maria. E queremos fazê-lo através das expressões da piedade mariana da Igreja de todos os tempos.

A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda, é fonte de compromisso com Deus e com os irmãos. Permanecei na escola de Maria, escutai a sua voz,segui os seus exemplos. Como ouvimos no Evangelho, ela nos orienta para Jesus: Fazei o que ele vos disser (Jo 2,5). E, como outrora em Caná da Galiléia, encaminha ao Filho as dificuldades dos homens, obtendo dele as graças desejadas. Rezemos com Maria e por Maria: ela é sempre a “Mãe de Deus e nossa”.

Papa João Paulo II - Séc. XX


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria


No próximo dia 13 de outubro o papa Francisco consagrará o mundo ao Imaculado Coração de Maria, um acontecimento que nos interpela e nos desafia de um modo todo especial.

A Diretora geral do Instituto, Giovanna Venturi escreveu a carta: "Bem-aventurada, porque acreditaste" em preparação a este momento.

Entre os escritos de São Maximiliano Kolbe citados na carta, destaca-se este: “No ventre de Maria a alma deve renascer segundo a forma de Jesus Cristo. Sobre os seus joelhos deve aprender a conhecer e a amar Jesus. De Seu Coração deve haurir o amor por Ele, antes, amá-Lo com o coração dela e se tornar semelhante a Ele por meio do amor” (SK 1295).

Para que você também possa preparar-se para este momento, CLIQUE AQUI  e leia a carta na íntegra.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Revitalizar para Transformar

No dia 04 de outubro de 2013 o Centro Social MaximilianoKolbe participou da premiação do “VI Concurso de Projetos Sociais Volkswagen na Comunidade” realizado pela Fundação Volkswagen. Além do apoio financeiro para o projeto do Centro Social “Revitalizar para Transformar”, a Fundação Volkswagen ofereceu aos vencedores e finalistas do concurso, um Curso de Gestão de Projetos Sociais que aconteceu nos dias 04, 05 e 06 de outubro. Quem participou deste curso foi a Rosana de Jesus Coelho, membro da equipe do Centro Social Maximiliano Kolbe.

“Nestes dias, conheci com profundidade o universo dos Projetos Sociais, quero dizer, todo o trabalho que é feito para elaborar e efetivar projetos e ações que beneficiem as pessoas, especialmente as que estão em situação de vulnerabilidade social. Foram dias de compartilhar experiências, ideias, sonhos e desejos de que cada projeto continue fazendo um bem para a sociedade, um bem para cada pessoa. Pude sentir, com mais intensidade,  que o trabalho realizado pelo Centro Social Maximiliano Kolbe é de grande importância social, pois afeta a vida das pessoas que sonham e trabalham por um presente e futuro melhor. Nós do Centro Social Maximiliano Kolbe temos muitas coisas para aprender e fazer, para compartilhar e viver. E espero de encontrar parceiros que construam junto conosco uma vida mais digna, mais amorosa e mais responsável junto com aqueles que lutam por desenvolver-se integralmente como pessoas e filhos de Deus. Que o Bom Deus continue abençoando o trabalho do Centro Social!”


Rosana de Jesus Coelho – Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Pelas ruas de Harmeze


Harmeze - Polônia. Foto: Lourdes Crespan/MIPK
Meus pés caminham sem direção, como tantos outros durante o tempo de guerra. Meus olhos buscam atentamente sinais da presença de algo que um dia escutou falar e que jamais viu... lagos, pequenas casas, com suas flores e imagens de uma fé fortalecida e nunca saqueada. Pássaros que voam, vento forte que sopra, que empurra para outros olhares, para além das cores, dos sons, das imagens... distantes mas próximos, de uma realidade tão conhecida e ainda necessitada de ser aprofundada, adquirida, feito sua, feito minha. Pensamentos vagueiam dentro, sentimentos se misturam com as imagens que se transformam em fotografia.

Uma premissa para encontrar a trilha que tantos homens e mulheres, sedentos de liberdade, percorreram com os seus pés cansados, maltratados, humilhados... carregando corpos humanos, mortos, sem vidas, sem brilho, opacos... tantos rostos conhecidos e tantos outros irreconhecíveis... Meus pés perseguem as estradas rumo ao campo de concentração de Birkenau, um lugar imenso, vazio, que grita um silêncio que ressoa e penetra no mais íntimo de minhas entranhas, no mais profundo do meu ser. Um grito distorcido, que ainda não consigo decifrar completamente, tantas vozes ao mesmo tempo, tantas palavras com vários significados, gestos de solidariedade mas também de violência, de injustiça, de morte, mas também de vida e ressurreição.

Tocando aquele chão, sigo em frente, tentando registrar todos os ângulos encontrados e contemplados com a minha visão tão limitada das coisas e situações. Meus olhos se maravilham com a manifestação da natureza, que nasce diariamente naquela mesma estrada percorrida por pés desconhecidos e ao mesmo tempo tão familiares. É outono, as árvores começam a perder as suas folhas, estas meio avermelhadas se mesclam com a terra pisada e sofrida da Polônia.

Como tantos outros seres humanos, carrego comigo a minha história... e uma pequena bolsa, com alguns pertences. Os prisioneiros de Auschwitz II também carregavam consigo suas malas, grandes ou pequenas, repletas de objetos que poderiam ser úteis para um nova vida. De fato, eles não sabiam para onde estavam indo: o trem corre sobre o trilho, a fumaça se espalha pelas nuvens, no escuro dos vagões falta ar... olhos se encontram refletindo os mesmos sentimentos: medo, incertezas, angústias... Tinham sido enganados! Meus pés alcançam Birkenau, aquela terra cinzenta e silenciosa onde foram assassinados cerca de um milhão de hebreus, 75 mil poloneses, 21 mil ciganos, 15 mil prisioneiros de guerra. Tudo começou em 1942.


Missionária Lourdes Crespan
Jornalista


Mais fotos: https://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/lourdes.crespan