sábado, 8 de abril de 2017

Minha Semana Santa

Acompanhando as mulheres que seguem Jesus

Acalmando o coração, a mente e o corpo para entrar em intimidade com Deus, para dialogar com Ele e nos deixar transformar.

Introdução:

L1: A tua morte, Jesus, é uma história de mãos. De mãos pobres, que desnudam, cravam, brincam com os dados,  rasgam o coração. O Senhor sabe, o Senhor vê. Antes de julgar, pensemos, pois também estão nas nossas mãos entre essas mãos...

Mãos que contam com prazer o dinheiro...
mãos que amarram as mãos dos humildes,

mãos que aplaudem as prepotências os violentos,
mãos que despem os pobres,

mãos que cravam para que ninguém descubra os nosso privilégios,
mãos que procuram de cobrir a nossa covardia,

mãos que escrevem contra a verdade,
mãos que transpassam corações.

L: A tua morte Jesus é obra destas mãos que depois de tantos séculos ainda continuam a agonia e a paixão.

(Breve pausa de silêncio)

L2: Naquele tempo, a estrada que levava ao calvário, deveria ter muita gente. O "espetáculo" prometia ser muito bom, muito interessante: três crucifixões! Muitos homens, em primeiro lugar os soldados encarregados das execuções, os companheiros dos outros dois condenados, entretanto faltam os amigos de Jesus, os seus discípulos, certamente já tinham fugido durante a noite. O único que percorre a estrada até o lugar da crucifixão é João, o discípulo amado, sua Mãe e algumas mulheres, que ficam por perto e que tem para com ele gestos de ternura.
Nos últimos dias e horas de Jesus, olhos e mãos femininas, olhos e mãos femininas capazes de partilhar e consolar, olhos e mãos femininas que cercam de atenção o corpo do Senhor.
Jesus acolhe estes gestos e na hora da cruz aceita as presenças delicadas como um tratamento de humanidade e de amor no deserto do abandono e da morte.

(Breve pausa de silêncio)


Primeiro dia: Segunda-feira da Semana Santa

Quem cuida do Senhor... É a ternura de Maria de Betânia

C: Do Evangelho de São João 12, 1-8:

"Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus a Betânia, onde vivia Lázaro, que ele ressuscitara. Deram ali uma ceia em sua honra. Marta servia e Lázaro era um dos convivas. Tomando Maria uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa encheu-se do perfume do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de trair, disse: Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres? Dizia isso não porque ele se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela lançavam. Jesus disse: Deixai-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura.Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a mim nem sempre me tereis. Uma grande multidão de judeus veio a saber que Jesus lá estava; e chegou, não somente por causa de Jesus, mas ainda para ver Lázaro, que ele ressuscitara. Mas os príncipes dos sacerdotes resolveram tirar a vida também a Lázaro, porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus. No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus se ia aproximando."

L3: Maria, irmã de Marta e de Lázaro, seis dias antes da Páscoa, aparece e unge os pés de Jesus com óleo perfumado e os enxuga com seus cabelos, um gesto de ternura e delicadeza. E Jesus, não somente se deixa tocar, mas também acariciar, enxugar com os cabelos, perfumar. Talvez achamos que seja um pouco indecoroso este tipo de contato, meio estranho se pensamos na santidade de Deus, na pureza dos costumes. Mas Jesus elogia esse gesto de carinho e, faz ainda mais,o defende das acusações de Judas, que confunde a lógica do amor do lucro.
Maria, ungindo os pés de Jesus, proclama como precioso o Corpo do Senhor e parece que seja a única que compreende que Jesus está entregando a sua vida até o fim. O seu é um gesto profético, antecipa o ritual da sepultura, antecipa o gesto do óleo que será espalhado depois da sua morte.
É um gesto cheio de ternura, de amizade, de acolhida, de amor sincero e piedoso.

Pausa para interiorizar

L4: Maria nos ensina como estar ao lado de Jesus nos pobres, nos últimos; a estrada que ela percorreu é o caminho da salvação, é a estrada de Jesus: os pobres sempre estarão conosco, no nosso dia a dia, necessitados do óleo do amor. Jesus nos pede de gastar, como Maria de Betânia, a nossa ternura, o nosso amor, entregando-nos aos pobres, aos últimos, deixando-nos "tocar", envolver, enternecer. O pobre não é somente o necessitado de coisas materiais como pensava Judas, o pobre é aquele que precisa de nosso amor, ternura e compaixão. E fazendo assim conseguiremos espalhar no mundo o perfume de Cristo.

Leitura pessoal (em silêncio):

"Os pequenos, os que não tem voz, aqueles que não contam aos olhos do mundo, mas que aos olhos de Deus são os seus prediletos, precisam de nós. Devemos estar com eles e por eles, e não importa se nossa ação é como uma gota d'água no oceano, devemos estar presentes.  Jesus nunca falou de resultados, ele falou de nos amar, de lavarmos os pés uns dos outros, de nos perdoar sempre.  Os pobres nos esperam e o modo de servir são muitos, deixemos a nossa imaginação trabalhar e vamos encontrar o que é melhor. Não devemos ficar esperando as instruções e o tempo de serviço, sejamos criativos e veremos novos céus e novas terras nas nossas vidas, na vida dos outros e na humanidade inteira." (AnnalenaTonelli).

Oração final (juntos):

Vem Espírito Santo,
Tira do meio de nós todo obstáculo que nos separa do amor fraterno,
Faz desaparecer os comportamentos de violência que dividem os corações,
Aniquila todo ciúme, invidia, calunia, rancor, ódio e vingança...

Coloca no nosso coração uma faísca de bondade, de ternura,
De confiança, de otimismo.
Fazei-nos aprender a linguagem internacional da paz e
Do perão reciproco.

Fazei-nos emocionar até as lagrimas com o por do sol,
Com o sorriso de uma criança e o olhar sábio de um idoso.
Fazei-nos arrepiar com uma caricia dada ou recebida.
Fazei-nos pessoas humildes, acolhedoras, seviciais e respeitosas,
Concedei-nos a alegria de entenderque a nossa nica felicidade
É amar como Deus nos ama. (Pe. A. Saporiti)


Segunda dia: Terça-feira da Semana Santa

Quem cuida do Senhor... É a compaixão das mulheres de Jerusalém

C: Do Evangelho de São Lucas 23, 27-31:

"Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos.Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos!Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?"

L1: No caminho do Calvário, mulheres se encontram com Jesus: talvez sejam mulheres da cidade santa, "filhas de Jerusalém" as chama Jesus. De fato, somente elas perseveram no caminho, no seguimento, neste trecho decisivo do caminho. Entre a multidão, mas não multidão. Frágeis, mas corajosas no seu pranto. Enquanto os outros observam o "espetáculo", elas seguem e servem Jesus com afeto e com as lagrimas, a pesar de que a lei romana proibisse de demostrar sinais de compaixão por um réu conduzido ao suplicio.  O seu pranto as fazem entrar no seguimento do mestre, como um discipulado de "última hora", foi assim também para Simão de Cirene e para o ladrão arrependido.  Estas mulheres, com liberdade e a dignidade que só uma mãe pode ter, choram por Jesus, choram a dor do inocente. Elas nos ensinam a beleza dos sentimentos: não temos que ter vergonha se o nosso coração bate ao compasso da compaixão, se os nossos cílios são molhados pelas lágrimas, ou se sentimos a necessidade de uma caricia ou consolação.

Oração pessoal (em silêncio):

"Meu Deus, é um tempo de muitas angústias. A noite passada pela primeira vez estava acordada no escuro, com os olhos que me queimavam, na minha frente passavam imagens da dor humana. E te prometo uma coisa, meu Deus, somente uma pequena coisa: procurarei de não sobrecarregar este dia com as minhas preocupações pelo amanhã, cada dia tem a sua parte. Procurarei te ajudar para que o Senhor não seja destruído dentro de mim, mas não te prometo nada. Tem só uma coisa que fica sempre mais em evidencia para mim, e é que o Senhor não pode nos ajudar, somos nós que devemos te ajudar, porque desse modo ajudamos a nós mesmos.  A única coisa que podemos resgatar deste nosso tempo de crise e a que realmente conta, é um pedacinho do Senhor em nós, meu Deus Eterno. Tal vez devemos e podemos ajudar a te exumar dos corações devastados de tantas pessoas. E a minha certeza sobre isto, cresce mais e mais a cada batida do meu coração. Somos nós que devemos defender a tua presença em nos, em cada pessoa, porque existem pessoas que na crise, se preocupam de salvar o aspirador, as colheres de prata, os carros em vez de te salvar do esquecimento.”.(EttyHillesum)

Oração final (juntos):

Tem o olhar que julga, a palavra que critica,
Tem a ambição de chegar no topo, a necessidade de seguranças...
Mas tu ó Deus, é o Amor, e isso muda tudo!
Você vem a cada momento para mudar o mundo.
Ensinai-nos gestos que salvam,
Concedei-nos saber mudar,
A doçura do teu olhar e
A paciência do teu coração
Ensinai-nos a entrar na paz do silêncio,
Na ternura da acolhida. Amém.


Terceiro dia: Quarta-feira da Semana Santa

Quem cuida do Senhor... É o zelo da Verônica

C: Do Livro do Profeta Isaias 53,2b-3:

"... não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos. Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele."

C: Do livro dos Salmos 27, 8-9
"Fala-vos meu coração, minha face vos busca; a vossa face, ó Senhor, eu a procuro. Não escondais de mim vosso semblante, não afasteis com ira o vosso servo. Vós sois o meu amparo, não me rejeiteis. Nem me abandoneis, ó Deus, meu Salvador."

Pausa para interiorizar

L: No caminho para o Calvário, tem uma personagem que nenhum dos evangelhos faz menção, mas que a beleza dos gestos de amor, a sua delicadeza, gentileza falam muito alto. Uma mulher se aproxima de Jesus, ao seu rosto inchado pelos golpes, desfigurado pelo sofrimento sofrido e o limpa. Não se deixa contagiar pela brutalidade dos soldados, nem se paralisa pelo medo dos discípulos. É a imagem da boa mulher, que na escuridão e perturbação dos corações, mantém a coragem da bondade.

L2: O ato de amor faz que fique impresso no seu coração a verdadeira imagem de Jesus: no rosto humano, cheio de sangue e de feridas, ela enxerga o rosto de Deus e a sua bondade, que nos acompanha nas profundezas da nossa dor. Somente com o coração podemos ver – enxergar Jesus. Somente o amor nos faz capazes de enxergar e ao mesmo tempo nos concede a pureza do coração. Só o amor nos faz reconhecer Deus, que é o verdadeiro Amor, o Amor mesmo.
Esta mulher não tem um nome, mas a tradição a chamou de Veronica, "ícone verdadeira", verdadeira imagem do rosto de Jesus.

Oração final (juntos):

Senhorfazei que eu te enxergue no irmão que sofre,
Por causa de doenças, abandonado, perseguido...

Ajuda-me a te reconhecer em cada acontecimento da vida
E concedei-me um coração sensível às necessidades do mundo.

Senhor, enche o meu coração com pequenos gestos de caridade,
Aqueles gestos que se concretizam num sorriso,
Em um ato de paciência e de aceitação do outro,

Em um ato de benevolência e compaixão,
Em uma atitude de perdão dado e recebido,
Em uma ajuda material dentro das minhas possibilidades.

(Adaptação de uma oração de Madre Teresa)


Quarto dia: Quinta-feira da Semana Santa

Quem cuida do Senhor... É o amor de Maria, sua Mãe

C: Leitura do Evangelho de São João 19,25-27:

"Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa."

Pausa para interiorizar

L1: Todos e cada um dos corações sempre se emocionam com a imagem da Mãe do Senhor aos pés da cruz. Maria está de pé reta, quase imóvel, poderíamos dizer, na sua dor. Com ela estão João e outras duas mulheres, mas ela está só, numa solidão que pesa no seu coração de Mãe: seu filho está pregado numa cruz, moribundo.

L2: Ela tinha seguido e acompanhado Jesus até o Calvário, sem poder lhe dar nenhum tipo de alivio físico, somente através de um intenso e profundo olhar de amor.  Certamente, neste momento passam pela sua mente a historia do seu filho, lembranças das vezes que o embalou de bebé, quando o nutriu com o seu leite, crescendo envolvido pela ternura e amor infinito... como todas as mães.

L3: Na sua mente passam gestos, palavras, acontecimentos vivenciados estreitamente legados a ela, em um relacionamento único, como só se dá entre mãe e filho.
E agora está aqui, em silencio. Quantos silêncios na vida de Maria!

L4: Aos pés da cruz acolhe o sofrimento de tantas mães que choram pela sorte de seus filhos, e, ao mesmo tempo recolhe os nossos silêncios de tantas incompreensões, de dores, de mortes.
Aos pés da cruz, Maria é chamada a dizer o seu segundo "Sim", neste sim ela se transforma na mãe de todos nós, de cada homem e mulher pelo qual Jesus derramou o seu sangue. Uma maternidade que é sinal vivo da misericórdia de Deus por nós.

Leitura pessoal (em silêncio):

Para o discípulo amado que recebe Maria por Mãe, a primeira tarefa que deve desenvolver não é a ir pregar o Evangelho, mas tornar-se filho de Maria. Para ele e para todos os demais é mais importante ser crente que apóstolo.

À Maria foi dado o filho: cresceram juntos. Quando um filho é entregue aos genitores cresce e faz crescer, porque genitores não se nasce mas se torna.

Maria no Calvário acolheu o discípulo com o qual Jesus se identificou. Entre Maria e os discípulos, como entre Jesus e sua mãe, se estabelece uma recíproca interferência. O amor e a dedicação ao Filho agora passa para nós seus novos filhos, e o nosso amor a Jesus passa através da Mãe. Difícil, se não impossível, declarar o amor ao Filho sem envolver a Mãe. Indefinível, de qualquer modo impreciso e equívoco, o amor à Mãe que não alcance e se finalize no Filho.

Reconhecer-sefilhos de Maria é colocar-se na sua escola para tornar-se discípulos de Jesus; estar com ela é encontrar-se com o Filho. Não é uma escolha facultativa, como não é escolha seguir Jesus Cristo, mas obrigação. Se Jesus indica na Mãe a "mulher-Mãe" de todos os seus discípulos, isso quer dizer que ele pretende propô-la à sua Igreja como exemplo-modelo-forma de vida evangélica. Não se trata de copiar, mas de reviver os comportamentos de Maria, sob a ação do Espírito.

(Reflexão de Frei Egidio Monzani - Ofmconv.)

Oração final (juntos):

Mãe da ternura,
Que nos abraças de paciência e misericórdia.
Ajuda-nos a queimar as tristezas, as impaciências e rigidez
Das nossas vidas.
Intercede junto ao teu filho
Para que nossas mãos, nossos pés e nossos corações
Sejam agéis, abertos e disponíveis
Para construir uma igreja na verdade e na caridade.
Amém.

C: Que o exemplo destas mulheres nos ajudem a crescer no amor, na verdade e na sinceridade, de uma vida voltada totalmente para Deus. Que possamos fazer a experiência de morte e ressurreição na nossa vida, e que possamos viver o Tríduo Pascal, o sábado do Aleluia e o Domingo de Páscoa, na paz e harmonia.

Salve Maria Imaculada.

Tradução livre e adaptação: Alejandra Moreno – MIPK