segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Estava sua mãe junto à cruz

O martírio da Virgem é mencionado tanto na profecia de Simeão quanto no relato da paixão do Senhor. Este foi posto, diz o santo ancião sobre o menino, como um sinal de contradição, e a Maria: e uma espada traspassará tua alma (cf. Lc 2,34-35).

Verdadeiramente, ó santa Mãe, uma espada traspassou tua alma. Aliás, somente traspassando-a, penetraria na carne do Filho. De fato, visto que o teu Jesus – de todos certamente, mas especialmente teu – a lança cruel, abrindo-lhe o lado sem poupar um morto, não atingiu a alma dele, mas ela traspassou a tua alma. A alma dele já ali não estava, a tua, porém, não podia ser arrancada dali. Por isto a violência da dor penetrou em tua alma e nós te proclamamos, com justiça, mais do que mártir, porque a compaixão ultrapassou a dor da paixão corporal.

E pior que a espada, traspassando a alma, não foi aquela palavra que atingiu até a divisão entre a alma e o espírito: Mulher, eis aí teu filho? (Jo 19,26). Oh! que troca incrível! João, Mãe, te é entregue em vez de Jesus, o servo em lugar do Senhor, o discípulo pelo Mestre, o filho de Zebedeu pelo Filho de Deus, o puro homem, em vez do Deus verdadeiro. Como ouvir isto deixaria de traspassar tua alma tão afetuosa, se até a sua lembrança nos corta os corações, tão de pedra, tão de ferro?

Não vos admireis, irmãos, que se diga ter Maria sido mártir na alma. Poderia espantar- se quem não se recordasse do que Paulo afirmou que entre os maiores crimes dos gentios estava o de serem sem afeição. Muito longe do coração de Maria tudo isto; esteja também longe de seus servos.

Talvez haja quem pergunte: “Mas não sabia ela de antemão que iria ele morrer?” Sem dúvida alguma. “E não esperava que logo ressuscitaria?” Com toda a confiança. “E mesmo assim sofreu com o Crucificado?” Com toda a veemência. Aliás, tu quem és ou donde tua sabedoria, para te admirares mais de Maria que compadecia, do que do Filho de Maria a padecer? Ele pôde morrer no corpo; não podia ela morrer juntamente no coração? É obra da caridade: ninguém a teve maior! Obra de caridade também isto: depois dela nunca houve igual.

(São Bernardo, abade - Sec. XII)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Padre Kolbe, o homem do "Nunc Dimittis"

“Nunc dimittis”, também conhecido como Cântico de Simeão.
Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste em face de todos os povos, luz para iluminar as nações, e glória de teu povo, Israel.” (Lc 2,29-32)

Simeão está diante de Jesus e pronuncia o seu canto. “Agora, Senhor, podes despedir...” Este canto que Simeão cantou no anoitecer da sua vida e a liturgia nos propõe para ser rezado ao anoitecer de cada dia, é o canto de alguém que se sente livre de um peso que está se tornando insustentável.

Agora, Senhor, podes despedir...”, para dizer: finalmente, Senhor, “vi a tua salvação”. Simeão está no anoitecer da sua vida, vê Jesus e diz: agora que eu te vi, não tenho mais medo de morrer. Não tenho mais medo desta inquietude que me queimava por dentro, desta noite que eu não queria atravessar. Não tenho mais medo porque os meus olhos te viram, Jesus. Tu estás presente, estás comigo. “Tu és luz para iluminar as nações, e glória de teu povo, Israel.

Agora, Senhor, podes despedir...”: há a disponibilidade de Simeão em deixar o mundo exatamente agora que “viu a salvação” e entrou a luz. Simeão nos ajuda a estarmos prontos a deixar o que nos é pedido nos vários momentos da vida por causa da idade, por causa da doença ou por quaisquer outros motivos. Simeão nos ajuda a viver o desapego das pessoas, das coisas, com grande serenidade.

Quantos homens e mulheres do “nunc dimittis” – se assim podemos chamá-los – encontramos em nosso caminho!

EttyHillesum – nas vésperas de sua deportação para Auschwitz – escreve: “Dizem-me: uma pessoa como você tem o dever de se salvar, tem tanto o que fazer na vida, tem muito ainda pra dar... Se Deus decide que eu tenha muito o que fazer, bem, então o farei... e se eu não sobreviver, se verá quem sou pelo modo como morrerei.

Em pouquíssimo tempo Niepokalanów tornou-se o maior centro midiático polonês. Antes da explosão da segunda guerra mundial ali se publicava nove edições jornalísticas (uma em latim para o clero do mundo inteiro), livros, subsídios, panfletos e publicidades. Existia também uma estação de rádio com a sua redação e já se estava pensando na televisão, ainda que a mesma estivesse em fase de experimentação.

Maximiliano Kolbe e o desejo de anunciar o Evangelho ao mundo inteiro.
As edições jornalísticas em Niepokalanów eram as mais lidas na Polônia. A tiragem média do “O Cavaleiro da Imaculada”, nos anos 30, era de 700 mil cópias; a do “Calendário do Cavaleiro da Imaculada” era de cerca de 380 mil. O “MalyDziennik(Pequeno Jornal), quotidiano católico, com alta tiragem, saia em sete edições diferentes, para cada região polonesa.

Assim como na Polônia, nas terras japonesas Maximiliano Kolbe escolhe investir as suas energias na evangelização, na formação das consciências e inflamar os corações com o fogo do Evangelho.

Nunca satisfeito com as metas alcançadas, Padre Kolbe faz projetos para imprimir e difundir o “Kishi” em toda a China. “Penso também na Índia, no Amã e na região da Síria para as seguintes línguas: árabe, turca, hebraica” – assim escreve em 1930 a Padre Cornélio Czupryk. Funda na terra nipônica o primeiro seminário da sua Ordem.

No ápice da sua atividade apostólica e missionária anuncia aos seus frades que mesmo quando tudo for destruído permanecerá o amor. Padre Kolbe, o homem dos grandes projetos editoriais, raciocina em termos mass-midiáticos. Sonha com um mundo a ser evangelizado e termina os seus dias em Auschwitz, no bunker da fome. Oferece-se espontaneamente para salvar um pai de família.


Com o martírio tornou-se testemunha crível da civilização do amor porque acreditou que se recebe a vida quando esta é doada. O sim do “só o amor constrói” é um sim fecundo. Gera continuamente e chegamos ao Papa Bento XVI : “Neste momento há em mim uma grande confiança porque o Evangelho é a força da Igreja, purifica, renova, frutifica. Esta é a minha confiança, esta é a minha alegria.”

Para os homens e mulheres do “nunc dimittis” Deus é mais importante do que a missão que confiou a eles. O que realmente conta é que a obra de Deus vá em frente com eles ou sem eles. É difícil o desapego, é difícil ficar de lado. É preciso fixar o olhar no Absoluto para poder dizer com Santa Teresa D'Ávila: “Só Deus basta.” Sozinhos não somos capazes, como Simeão, é preciso ir ao Templo e “tomar Jesus nos braços.” (Lc 2,28)

Angela Sposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe
Polônia

Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org

domingo, 31 de agosto de 2014

Pedir a santidade - Parte II

Pedir vocações

Existe uma outra realidade que é muito importante e que queremos confiar à intercessão de São Maximiliano: é o pedido pelas vocações.
Sem vocação a Igreja seria como uma árvore sem vida, como um jardim sem flores, como um rio sem água. As vocações são os sinais concretos da vitalidade da igreja.
São Maximiliano foi um mestre na arte de descobrir nos jovens os sinais de uma verdadeira vocação à vida consagrada e foi pai e formador de numerosos jovens que se confiaram a ele com plena disponibilidade.
Ao longo de toda a sua vida e, particularmente, durante os últimos anos, Padre Kolbe foi educador incomparável, mestre de vida espiritual, guia luminoso.
Por onde ele passava semeava a paz, a concórdia, o amor recíproco; dissipava as duvidas, infundia coragem. Por natureza e empenho pessoal era um extraordinário formador. Por isso, nós hoje podemos invocar a sua intercessão no discernimento e nos cuidados com as nossas vocações religiosas.

Pedir o espírito missionário

Existe um terceiro pedido que queremos confiar à intercessão de São Maximiliano que, agora no céu, está trabalhando com  ambas as mãos. A ele peçamos que obtenha para nós genuíno e profundo amor à missão.
Padre Kolbe é certamente a pessoa justa para fazer esse tipo de pedido. Ele, de fato, foi um homem marcado pela paixão de levar todos os homens a Deus.
“Seria necessário não esquecer que sob o sol não existe apenas a Polônia e o Japão, mais que um número ainda maior de corações palpitam além das fronteirais destes países”.
A sua visão do mundo a evangelizar é, ao mesmo tempo, universal e pessoal. E ele não cessa de frisar com essas palavras, que brotam frequentemente: “todo” e “cada um”.
“Existe um universo, mas cada ser que o compõe é um mundo em si. Para todos e também para cada um Cristo versou seu sangue: por todos que se encontram espalhados no mundo, não importa o lugar, sem distinção de raça, de nacionalidade, de língua...e também por aqueles que viverão, não importa em que tempo, até o fim do mundo”.
A paixão pela salvação dos irmãos o conquistou totalmente, tanto que desejava ser considerado como um louco, por causa dessa paixão. Assim, de fato, lemos em uma carta que ele escreveu a um jovem confrade que se preparava para partir a missão no Japão. É interessante ler a conclusão dessa carta: “coragem, caro irmão, vem morrer de fome, de fadiga, de humilhação pela Imaculada”.
Mais uma vez sentimos que, pedindo a intercessão de São Maximiliano para que tenhamos um iluminado ardor missionário, colocamo-nos em boas mãos. Ele, que gastou cada segundo da sua vida no serviço aos irmãos, alcançará para nós esse dom.
Quis apresentar São Maximiliano como um potente intercessor para cada um nós, para toda a igreja e todo o mundo.

Na festa dos 60 anos de seu martírio, a ele queremos confiar de modo especialíssimo três grandes e importantes intenções: Santidade, vocação e impulso missionário.

Padre Faccenda - Fundador do Instituto

sábado, 30 de agosto de 2014

Luzes que brilham

Era noite. Não lembro se de natal ou de ano novo. Uma lembrança é certa: pela primeira vez pensei em dar a vida pelo reino de Deus. Fui com meu pai participar da missa em uma pequena capela num bairro pobre de São Bernardo-SP. Enquanto o sacerdote levantava a hóstia consagrada, as pessoas ajoelhadas adoravam o Senhor dos Senhores, e pela janela se via as luzes dos fogos de artifícios. As pessoas lá de fora paravam para se admirar das cores que enfeitavam o céu, nós, de dentro, silenciávamos os nossos corações fascinados pela beleza do mistério do amor encarnado.

Outra noite brilhante, foi quando fui buscar com meu namorado a sua irmã que retornava da escola. Tínhamos deixado o carro próximo do ponto de ônibus, e fomos esperá-la no meio da multidão. Abraçados, vimos um automóvel parar na rua ao lado. No escuro da noite, crianças começaram a aparecer e se colocavam ao redor do carro. Um casal desce, abre a porta e começa a distribuir os pedaços de pizza. Quanta alegria e que luz emanava daquele gesto. No meu coração um desejo: quero viver assim, fazendo o bem! Sentimentos misturados e uma intuição brilhava dentro do mais profundo do meu ser: talvez o Senhor me chame para uma vida doada para sempre e sem limites, totalmente, sem ninguém ao meu lado, somente Ele.

As noites foram passando e as luzes foram ficando mais fortes e a escuridão foi clareando. Ainda jovem, mas já sem o namorado, rezava o terço todos os sábados com um grupo de amigos, na casa de um casal que tinha oferecido um lugar especial a Nossa Senhora, eles a tinham colocado no jardim daquele lar, dentro de uma pequena gruta. Em uma das noites de oração, ao olhar para as estrelas que brilhavam... vi mais um sinal, uma paz atingiu minha alma e dentro do meu coração a certeza de que Deus realmente me chamava para estar só com Ele.

A luz mais forte que brilhou em mim, foi quando meu ex-namorado, após ter me pedido em casamento, me disse ao retornar de um passeio, que eu era como a luz do candeeiro (cf. Lc 8,16), tinha que brilhar a luz que brilhava em mim. Juntos choramos, na varanda da minha casa, ao perceber que Deus nos havia juntado por um tempo, mas que seu amor era maior do que o nosso amor.

E assim, continuei os meus passos com o meu único amor, Jesus Cristo. Caminhei com Ele, como Maria, guardando e meditando todas as coisas (cf. Lc 2,51). Deste modo, pude perceber e dizer o meu sim definitivo e eterno. Deus é amor, me ama e posso amá-lo, no serviço aos irmãos; o primeiro passo é seguir as luzes que brilham dentro e ao nosso redor.

Lourdes Crespan
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Encontros que transformam a vida

"Raquel, vamos na lenha?", perguntava dona Margarida à sua neta, que respondia: "Vamos, vó!" Juntas percorriam uma trilha de terra por quase meia hora. De volta para a casa, na cabeça da neta, um pequeno fecho de lenha, preparado pelas mãos ágeis da avó, e no coração de Raquel uma grande alegria. E isso acontecia quase todas as manhãs.

Com os seus 10 anos de vida, observava atentamente tudo aquilo que estava ao redor daquela trilha, o mato, o silêncio, as montanhas, o céu, e pensava consigo mesmo: "O mundo é tão grande e o céu infinito." E isso a enchia de paz.

Filha mais velha da família Soares, a neta de dona Margarida vivia em uma casa simples com os seus pais, duas irmãs e um irmão, em Tombadouro, Minas Gerais. A avó morava bem perto, também os outros tios e tias, na mesma rua. O quintal era grande e ficava no fundo da casa, tinha muitas árvores, inclusive, uma mangueira.

Além de gostar de brincar com as crianças, no fundo do quintal da casa, Raquel também gostava muito de participar da Igreja, do coral, das coroações de Nossa Senhora, da catequese: "Depois de receber a primeira eucaristia, me apaixonei mais ainda por Jesus, me despertou um amor muito grande por Ele."

Com Jesus Cristo vivo em seu coração, Raquel começa a refletir e perceber a importância da vida sacramental e do compromisso assumido no santo batismo, e inicia a catequese do crisma. "Com o sacramento do crisma, aumentou ainda mais a minha responsabilidade, me despertou o desejo de ser catequista."

Movida pela unção do Espírito Santo, Raquel dá os primeiros passos como catequista. Os sacramentos do batismo, da primeira eucaristia, do crisma, são alicerces para a sua vida cristã e sinais para uma descoberta ainda mais significativa. Uma pergunta inquietava o seu coração: "O que Deus quer da minha vida?"

Ela não tinha resposta, somente rezava, sabia que a oração iria ajudá-la a intuir a vontade de Deus. Pedia para que a luz que um dia brilhou continuasse a refletir os seus passos. A resposta veio em um retiro espiritual, neste encontro Raquel descobriu o amor de Deus por ela, sentiu-se amada por Ele: "Encontrei-me com o meu Deus, não com o Deus das experiências dos outros; cresceu em mim o desejo de estar mais próximo dele, de rezar mais, de colocar-me a escuta."

Desta forma, Raquel começa a confiar em Deus e diz o seu primeiro sim à vida consagrada. Hoje, Raquel Soares está com 25 anos e se prepara para iniciar o período de formação no Instituto Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe, para depois de três anos, se entregar totalmente a Cristo por meio dos votos de castidade, pobreza e obediência.

Lourdes Crespan
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Vidas que se cruzam: entrega e amor

Ainda adolescente, Marisa Cristina Vieira deixa-se guiar pela sabedoria de uma pessoa querida. Seus olhos atentos observam cada ângulo daquele lugar tão sonhado, que há tempos ouvira dizer. Era como se já fosse seu, íntimo e único.

- Olha que linda imagem, filha.

Marisa estava diante do monumento de Nossa Senhora, na antiga Milícia da Imaculada, em Santo André- SP. Esta apresentação foi o maior presente de sua mãe. "O amor que ela tinha por Nossa Senhora me ajudou a descobrir a minha vocação, a preparar o terreno do meu coração, a estar sensível ao chamado de Deus."

De fato, é com dona Bernadete que Marisa aprende a rezar a consagração a Imaculada. No quarto, a filha tentara rezar a oração por várias vezes, mas sozinha não conseguia. Juntas, se consagram, mãe e filha. Elas estavam unidas por um único fio condutor: o amor incondicional a Virgem Maria.

Seguindo os passos da mãe, Marisa começa a trabalhar também na MI, participa do retiro e se torna membro oficial da associação mariana, missionária e kolbiana, por meio da consagração a Imaculada. Era início dos anos noventa.

Aparentemente, nada mudou; no coração da jovem, somente uma única certeza: sou de Maria, pertenço  a Ela, isto é, sou de Cristo. "A consagração me deu coragem para correr atrás do que eu queria, de conhecer a vontade de Deus para mim, de vencer a timidez, o medo."

A partir de então, Marisa começa a perceber o verdadeiro significado da palavra alegria. Esse sentimento tão buscado e também vivido, ganha novas proporções. Na Milícia, experimenta "a alegria de estar bem em um lugar, da amizade, de poder estar trabalhando para Nossa Senhora, de conhecê-la mais, de amá-la, de se formar".

Sendo assim, troca as baladas de sábado à noite pelo plantão telefônico na rádio. Ali rezava o terço, atendia o telefone, ouvia as pessoas, se doava. "O plantão chamava mais atenção, não que as outras coisas que vivia não me davam alegria, mas esta era maior."

Ela deixa-se guiar e educar, conhece o Instituto Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe e aceita o convite de ir em missão por um mês, na Bolívia. Durante este tempo, percebe a riqueza da vida comunitária, "o quanto é feliz estar juntas em uma família, unidas por um mesmo ideal: rezar juntas, brincar juntas, estar juntas, sair em missão juntas".

Hoje, Marisa é uma consagrada do Instituto e afirma que o mais importante na descoberta vocacional é buscar um acompanhamento espiritual. "Se tivesse me escondido no meu medo, Deus não teria realizado tantas coisas. Eu tive quem me ajudasse. Pude seguir o caminho e vencer o meu próprio medo. Sozinho a gente não consegue."

Lourdes Crespan
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Vocação: comprometimento e abertura!

Milícia da Imaculada! Desta forma a voluntária Bete Lima acolhe a ligação de uma jovem, que gostaria de colocar suas intenções para o santo terço. No diálogo, elas vão se conhecendo e percebendo que Nossa Senhora estava construindo o reino de Cristo.

Marlete, de origem mineira, havia telefonado para agradecer a Deus por meio de Nossa Senhora, a graça de ter encontrado um trabalho. De simples ouvinte, após esta ligação, se torna voluntária da Milícia da Imaculada.

"Nossa Senhora me quer para trabalhar na obra dela, me senti realizada." Assim pensou a recém consagrada ao desligar o telefone. Marlete, no final de semana, havia participado do retiro dos jovens da MI e entregado a sua vida nas mãos da Imaculada.

O ideal de São Maximiliano Kolbe foi conquistando o coração da filha mais nova da família Alves de Lacerda, que antes de chegar em São Paulo, viveu em Minhas Gerais e no Paraná. De sua infância lembra da seringueira que ficava na frente da porta da cozinha e das brincadeiras com os sete irmãos.

Quando criança, ao voltar da escola, escutava sempre a oração da Ave Maria que, pontualmente, às seis horas da tarde, invadia os ouvidos dos habitantes daquela pequena cidade onde morava.

Na terra da garoa, sem as ruas de terras, os campos, as brincadeiras, Marlete se depara com uma outra vida, novas amizades, planos, projetos. Recebe o sacramento do crisma, tinha o desejo de frequentar o grupo de jovens, mas a timidez a impedia.

Foi na Universidade São Marcos, estudando Administração de Empresas, por meio de uma amiga, decide fazer o encontro de jovens, mas era muito longe, por isso, não consegue ir com assiduidade às reuniões.

Mas a grande descoberta de sua vida se dá  na Paróquia Santíssima Virgem, em São Bernardo do Campo, com os jovens da CJC, onde se engaja na equipe de liturgia e vive o retiro da Milícia da Imaculada. "Foi algo realmente mais comprometedor, o encontro."

A consagração a Nossa Senhora transforma a vida da Marlete, que nunca havia pensado em ser freira ou missionária. "Pela primeira vez me senti completa, estava super feliz com aquilo que fazia. Meu caminho na MI me ajudou a dizer o meu primeiro sim."

Mas ao mesmo tempo, sentimentos contrários penetravam em sua alma, ela sempre desejou casar e ter filhos. "Se fazer a consagração como eu tinha feito na MI, enquanto leiga, trabalhando voluntariamente, me realizava, imagina como seria consagrar a vida totalmente a Deus."

Comprometimento e abertura são palavras-chaves para dizer o sim. Hoje, Marlete é Missionária da Imaculada-Padre Kolbe e exerce a função de diretora da comunidade de Campo Grande - MS.

Lourdes Crespan

Missionária da Imaculada-Padre Kolbe