terça-feira, 15 de maio de 2018

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2018

REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES PARA OS OITO DIAS

DIA 1 Amareis também o estrangeiro, porque fostes estrangeiros no Egito

Levítico 19, 33-34 Amarás o migrante como a ti mesmo
Salmo 146         O Senhor protege os migrantes
Hebreus 13, 1-3 Alguns, sem saber, acolheram anjos
Mateus 25, 31-46 Eu era estrangeiro e me acolhestes

Depois de se tornar a primeira república negra independente, o Haiti estendeu sua hospitalidade a outros povos escravizados em busca de liberdade. Tempos recentes têm trazido sérias dificuldades econômicas aos haitianos, muitos dos quais abandonaram seu lar, fazendo perigosas viagens na esperança de uma vida melhor. Em muitas situações se depararam com falta de hospitalidade e barreiras legais. O Conselho Caribenho de Igrejas tem se envolvido em questões legais para lidar com aquelas nações que estão restringindo ou negando aos haitianos seus direitos de cidadania.

Reflexão
A lembrança dos israelitas de terem sido estrangeiros na terra do Egito está na base da orientação da Lei que ensina o povo de Deus a acolher em seu meio os estrangeiros. Esperava-se que a memória do seu próprio exílio gerasse empatia e solidariedade com os contemporâneos exilados e estrangeiros. Como aconteceu com Israel, nossa experiência cristã comum da ação salvadora de Deus vem junto com lembranças de estranhamento e alienação – em relação a Deus e seu Reino. Esse tipo de memória cristã tem implicações éticas. Deus restaurou nossa dignidade em Cristo, e nos fez cidadãos do seu Reino, não por alguma coisa que tenhamos feito para merecê-lo mas por um dom gratuito de seu próprio amor. Somos chamados a fazer algo semelhante, livremente e motivados por amor. O amor cristão é amar como o Pai ama, isto é reconhecer e dar dignidade, e assim ajudar a trazer cura para a ferida família humana.

Oração
Deus eterno,
Não pertences a nenhuma cultura ou terra, mas és o Senhor de todos.
Tu nos chamas a acolher o estrangeiro em nosso meio.
Ajuda-nos por teu Espírito a viver como irmãos e irmãs,
acolhendo todos em teu nome, e vivendo na justiça do teu Reino.
Assim oramos em nome de Jesus.
Amém.

A mão direita de Deus está semeando em nossa terra,
Plantando sementes de liberdade, esperança e amor;
Nessas terras de tantos povos, que todas as crianças juntem as mãos
E se tornem UM na mão direita de Deus.

DIA 2 Não mais como escravo, mas como irmão amado

Gênesis 1, 26-28    Deus criou o homem à sua imagem
Salmo 10, 1-10      Por que, Senhor, permaneceres afastado?
Filemon 1-23       Não mais como escravo e, sim, bem mais do que escravo: como irmão bem amado
Lucas 10, 25-37    Parábola do bom samaritano

O tráfico humano é uma forma de escravidão nos dias de hoje, na qual vítimas são forçadas ou enganadas para serem usadas em exploração sexual, trabalho infantil ou armazenamento de órgãos a fim de dar lucros aos exploradores. É uma indústria global que envolve muitos milhões de dólares. É também um problema crescente ao longo do Caribe. Igrejas Reformadas no Caribe têm se unido ao Conselho para a Missão Mundial e ao Conselho Missionário do Caribe e América do Norte para educar comunidades cristãs e acabar com a agressão que é o tráfico humano.

Reflexão
Uma das primeiras coisas que aprendemos sobre Deus na Bíblia hebraica e cristã é que Deus criou a humanidade à sua própria imagem. No entanto, essa profunda e bela verdade tem freqüentemente sido ofuscada ou negada ao longo da história humana. Por exemplo, no Império Romano, a dignidade dos que estavam escravizados era negada. A mensagem do Evangelho é inteiramente diferente disso. Jesus desafia as normas sociais que desvalorizam a dignidade humana dos samaritanos, descrevendo o samaritano como o “próximo” do homem que havia sido atacado na estrada para Jericó – um próximo para ser amado, de acordo com a Lei. E Paulo, com a coragem que lhe vem de Cristo, descreve Onésimo, que tinha sido escravizado, como “um irmão amado”, transgredindo as normas de sua sociedade e afirmando a humanidade de Onésimo.
O amor cristão precisa sempre ser um amor corajoso que ousa ultrapassar fronteiras, reconhecendo em outros uma dignidade igual à sua própria. Como São Paulo, os cristãos precisam ser corajosos bastante em Cristo para erguer uma voz unida, que reconhece claramente as pessoas vítimas do tráfico como seus próximos e seus amados irmãos e irmãs, e então trabalhar juntos para por fim à escravidão dos tempos modernos.

Oração
Generoso Deus,
Fica perto dos que são vítimas de tráfico humano,
assegurando-lhes que estás vendo seu problema e ouvindo seu clamor.
Que a tua Igreja possa estar unida em compaixão e coragem
para trabalhar pelo dia em que ninguém mais será explorado
e todos serão livres para viver com dignidade e paz.
Isso te pedimos em nome do Deus Triuno,
que pode realizar imensamente mais do que seríamos capazes
de pedir ou imaginar. 

Amém.
A mão direita de Deus
Está elevando nossa terra,
Erguendo os caídos um por um;
Cada um tem seu nome conhecido,
E é resgatado agora da vergonha
Pela elevação da mão direita de Deus.

DIA 3 Seu corpo é templo do Espírito Santo

Êxodo 3, 4-10             Deus liberta os que estão em humana escravidão
Salmo 24, 1-6             Esta é a geração dos que procuram a tua face
1 Coríntios 6, 9-20     Glorificai, portanto, a Deus por vosso corpo
Mateus 18, 1-7            Ai do homem por quem acontece a queda

Muitas Igrejas cristãs no Caribe partilham uma preocupação a respeito do tema da pornografia, especialmente a que vem via Internet. A pornografia tem conseqüências destrutivas para a dignidade humana, particularmente para crianças e jovens. Como a escravidão, ela transforma serres humanos em produtos de mercado, aprisiona os que tornam viciados nela e prejudica relações amorosas saudáveis.

Reflexão
O livro do Êxodo demonstra o cuidado de Deus a respeito de povos em regime de escravidão. A revelação de Deus a Moisés na sarça ardente é uma declaração poderosa de desejo de libertar seu povo. Deus contemplou o sofrimento deles, ouviu seu grito e assim veio para libertá-los. Deus ainda ouve o grito dos que estão submetidos à escravidão hoje, e deseja libertá-los. Enquanto a sexualidade é um dom de Deus para os relacionamentos humanos e a manifestação de intimidade, o mau uso desse dom através da pornografia escraviza e desvaloriza tanto os que fazem a propaganda dela como os que nela se viciam. Deus não é indiferente a esse problema e os cristãos são chamados a se posicionar também.
São Paulo escreve que somos chamados a dar glória a Deus em nossos próprios corpos, o que significa que cada parte de nossas vidas, incluindo nossos relacionamentos, podem e devem ser uma oferta agradável a Deus. Os cristãos precisam trabalhar juntos por um tipo de sociedade que sustente a dignidade humana e não coloque uma pedra de tropeço diante de nenhum dos pequenos de Deus mas, em vez disso, os capacite para viver na liberdade que é o desejo de Deus para eles.

Oração
Por tua celestial graça, ó Deus,
restaura-nos em corpo e mente,
cria em nós um coração limpo e uma mente pura
para que possamos dar glória ao teu Nome.
Que as Igrejas consigam unidade de objetivos
Para a santificação do teu povo, por Jesus Cristo
que vive e reina contigo
na unidade do Espírito Santo
para todo o sempre. Amém.

A mão direita de Deus
Está curando nossa terra,
Curando dilacerados corpos, mentes e almas;
Tão maravilhoso é seu toque,
Com amor que tanto significa,
Quando somos curados
Pela mão direita de Deus.

DIA 4 Esperança e cura

Isaías 9, 2-7 a               Estender-se-á a soberania e haverá paz sem fim
Salmo 34, 1-15             Procura a paz e vai atrás dela!
Apocalipse 7, 13-17     Deus enxugará toda lágrima de seus olhos
João 14, 25-27              Eu vos deixo a paz

Dentro do Caribe, a violência é um problema a que as Igrejas são chamadas a responder. Há uma taxa alarmantemente alta de assassinatos, muitos dos quais vêm de abuso doméstico, guerra de quadrilhas e outras formas de criminalidade. Há também uma crescente onda de auto agressão e suicídio em algumas partes da região.

Reflexão
O Reino que Deus prometeu, o Reino que Jesus proclamou e tornou presente no seu ministério, é um reino de ação correta, paz e alegria no Espírito Santo. O que essa Boa Nova significa para os que estão presos na escuridão da violência? Na visão do profeta, a luz brilhou sobre aqueles que viviam numa terra de profunda escuridão. Mas como os cristãos podem trazer a luz de Jesus àqueles que estão vivendo na escuridão da violência doméstica e da que vem das quadrilhas? Que sentimento de esperança os cristãos podem oferecer? É uma triste realidade a divisão entre cristãos como um contra sinal que restringe a comunicação da esperança.
No entanto, a busca por paz e reconciliação entre as diferentes Igrejas e denominações é o oposto disso. Quanto os cristãos trabalham pela unidade num mundo em conflito, eles oferecem ao mundo um sinal de reconciliação. Cristãos que se recusam a entrar numa lógica de privilégio e prestígio, que se recusam a menosprezar outros e suas comunidades, dão testemunho da paz do Reino de Deus, onde o Cordeiro guia os santos às fontes de água da vida. Essa é uma paz da qual o mundo necessita, que traz cura e conforta os que são afligidos pela violência.

Oração
Deus de toda consolação e esperança,
tua ressurreição derrotou a violência da cruz.
Como teu povo, possamos ser um sinal visível
de que a violência do mundo será vencida.
Assim oramos em nome de nosso Senhor ressuscitado.
Amém.

A mão direita de Deus
aponta para nossa terra,
indicando o caminho que devemos seguir;
O caminho é nebuloso,
tão facilmente nos desviaríamos.
Mas somos guiados pela mão direita de Deus.

DIA 5 Escuta! O grito de meu pobre povo vem de longe e se espalha na terra!

Deuteronômio 1, 19-35       O Senhor marcha à tua frente e te carrega
Salmo 145,9-20                   O Senhor é o apoio de todos os que caem
Tiago, 1, 9-11                      O rico passará como a flor dos prados
Lucas 18, 35-43                   Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!

A economia do Caribe tem tradicionalmente sido baseada na produção de materiais para o mercado europeu e, como tal, nunca foi auto-sustentável. Como conseqüência, empréstimos no mercado internacional se tornaram importantes para o desenvolvimento. As exigências de tais empréstimos impõem uma redução de gastos em transporte, educação, saúde e outros serviços públicos, com um impacto mais pesado sobre os pobres. A Conferência Caribenha de Igrejas teve uma iniciativa para cuidar da atual crise de débito na região e através de suas redes internacionais veio em auxílio dos pobres.

Reflexão
Podemos imaginar o barulho da multidão quando Jesus entra em Jericó. Muitas vozes abafam o grito do mendigo cego. Ele é visto como um desvio e embaraço. Mas no meio desse tumulto Jesus ouve a voz do cego, assim como Deus sempre ouve os gritos do pobre nas Escrituras hebraicas. O Senhor que ergue os caídos não apenas escuta, mas responde. Dessa maneira, a vida do mendigo é radicalmente transformada.
A desunião dos cristãos se tornou parte do caos e tumulto do mundo. Como as vozes que se erguiam em Jericó, nossas divisões podem abafar o grito do pobre. No entanto, quando estamos unidos nos tornamos mais plenamente uma presença de Cristo no mundo, mais capazes de ouvir, prestar atenção e responder. Em vez de aumentar o volume da discordância, somos capazes de verdadeiramente escutar e discernir as vozes daqueles que mais necessitam ser ouvidos.

Oração
Amoroso Deus, tu ergues os pobres e desanimados
e restauras a dignidade deles.
Ouve agora nosso clamor peles pobres de nosso mundo,
restaura a esperança deles e ergue-os,
para que todo o teu povo possa ser um.
Assim oramos em nome de Jesus.
Amém.

A mão direita de Deus
Está elevando nossa terra,
Erguendo os caídos um por um;
Cada um tem seu nome conhecido,
E é resgatado agora da vergonha
Pela elevação da mão direita de Deus.

DIA 6 Cuidemos dos interesses de outros

Isaías 25, 1-9               Exultemos, jubilemos, pois ele nos salva
Salmo 82                     Fazei justiça ao infeliz e ao indigente
Filipenses 2, 1-4          Cada um não olhe só por si mesmo, mas também pelos outros
Lucas 12, 13-21           Guardai-vos de toda ganância

Mudanças nos regulamentos bancários internacionais continuam a ter impacto negativo nas finanças e no comércio do Caribe e ameaçam a sobrevivência econômica de muitas famílias. Tem se tornado cada vez mais difícil para os caribenhos que trabalham em terras estrangeiras mandar dinheiro de volta para suas famílias. As Igrejas no Caribe criaram um movimento de União de Crédito a fim de que os pobres tenham acesso a dinheiro para as atividades econômicas.

Reflexão
O testemunho das Escrituras mostra que Deus sempre faz uma opção preferencial pelos pobres; a mão direita de Deus age a favor dos que não têm poder e contra os poderosos. Do mesmo modo, Jesus insistentemente alerta sobre os perigos da ganância. Apesar dessasadvertências, no entanto, o pecado da ambição freqüentemente infecta nossas comunidades cristãs e introduz uma lógica de competição: uma comunidade competindo com a outra. Precisamos nos lembrar de que, à medida que falhamos em nos diferenciar do mundo e nos acomodamos ao seu espírito de competição e divisão, deixamos de oferecer um “baluarte para o pobre na aflição, o refúgio contra a tempestade”.
Para nossas diferentes Igrejas e denominações, ser rico aos olhos de Deus não significa ter muitos membros pertencendo – ou fazendo doações – a nossa própria comunidade. Em vez disso, trata-se de reconhecer que, como cristãos, temos inúmeros irmãos e irmãs pelo mundo, unidos diante das divisões econômicas de “Norte” e “Sul”. Conscientes dessa fraternidade em Cristo, os cristãos podem unir as mãos na promoção da justiça econômica para todos.

Oração
Todo poderoso Deus,
Dá coragem e força à tua Igreja
para continuamente proclamar a justiça e o direito
em situações de dominação e opressão.
Ao celebrarmos nossa unidade em Cristo,
que o teu Espírito nos ajude
a cuidar das necessidades de outros. 

Amém
A mão direita de Deus
Está atingindo nossa terra,
Pondo para fora inveja, ódio e ambição;
Nosso egoísmo e luxúria,
Nosso orgulho e atos injustos
São destruídos pela mão direita de Deus.

DIA 7 Sendo família no lar e na Igreja

Êxodo 2, 10                Nascimento de Moisés
Salmo 127                  Se o Senhor não construir a casa, seus construtores trabalham em vão
Hebreus 11, 23-24      Moisés foi ocultado pelos pais... pois eles tinham visto a beleza do filho
Mateus 2, 13-15         José levantou-se, tomou consigo o menino e a mãe de noite e retirou-se para o Egito

No Caribe a família continua a ser negativamente afetada pela herança da escravidão e por novos fatores tais como a migração de pais, problemas financeiros e violência doméstica. Diante dessa realidade, as Igrejas do Caribe estão trabalhando para dar apoio tanto a famílias nucleares como a famílias ampliadas.


Reflexão
Famílias têm central importância na proteção e alimentação de crianças. Os relatos bíblicos da infância de Moisés e de Jesus, que estavam em perigo de morte desde o momento de seu nascimento por causa das ordens de assassinato dadas por governantes irados, ilustram a vulnerabilidade das crianças diante de forças externas. Essas histórias também apresentam ações que podem proteger esses pequeninos. Mateus nos mostra um modelo de paternidade que está em amorosa fidelidade à orientação do Senhor, especialmente em tempos de perigo.
As Escrituras vêem as crianças como uma bênção e esperança para o futuro. Para o salmista, elas são como “flechas nas mãos do guerreiro”. Como cristãos, partilhamos um chamado comum para vivermos como rede de famílias que se apóiam, confiando na força do Senhor para a tarefa de construir comunidades fortes, nas quais as crianças são protegidas e podem se desenvolver.

Oração
Deus cheio de graças,
enviaste teu filho para nascer numa família comum,
com ancestrais que eram tanto fiéis como pecadores.
Pedimos a tua bênção para todas as famílias
dentro dos lares e comunidades.
Oramos especialmente pela unidade da família cristã
para que o mundo possa crer.
Em nome de Jesus oramos.
Amém.

A mão direita de Deus
Está escrevendo em nossa terra,
Escrevendo com poder e amor;
Nossos conflitos e nossos medos,
Nossos triunfos e nossas lágrimas.
São gravados pela mão direita de Deus.

DIA 8 Ele reunirá os dispersos... dos quatro cantos da terra

Isaías 11, 12-13                Efraim não terá mais ciúme de Judá e Judá não será mais adversário de Efraim
Salmo 106, 1-14. 43-48   Congrega-nos no meio das nações e celebraremos o teu santo nome
Efésios 2, 13-19               Em sua carne destruiu o muro de separação
João 17, 1-12                    Eu fui glorificado neles

As Igrejas do Caribe trabalham juntas para curar as feridas do Corpo de Cristo na região, que são um legado deixado pela colonização. A reconciliação freqüentemente exige arrependimento, reparação e cura de memórias. Um exemplo são os atos de pedido de perdão e reparação entre batistas na Grã-Bretanha e caribenhos. Como Israel, a Igreja em sua unidade é chamada a ser tanto um sinal como um agente ativo de reconciliação.

Reflexão
Ao longo da narrativa bíblica da história da salvação, uma inegável motivação é a infatigável determinação do Senhor de formar um povo que ele possa chamar de seu. A formação de tal povo – unido numa sagrada aliança com Deus – é parte integrante do plano de salvação do Senhor para a glorificação e santificação do nome de Deus.
Os profetas repetidamente fazem Israel lembrar que a aliança exigia que as relações entre os vários grupos sociais deveriam ser caracterizadas por justiça, compaixão e misericórdia. Ao se preparar para selar a nova aliança com seu próprio sangue, a intensa prece de Jesus a seu Pai foi o pedido de aqueles que o Pai lhe tinha dado fossem um, assim como ele e o Pai eram um. Quando os cristãos descobrem sua unidade em Jesus, eles participam da glorificação de Cristo na presença do Pai com a mesma glória que ele tinha na presença do Pai antes que o mundo existisse. E assim, o povo que fez aliança com Deus precisa sempre se esforçar para ser uma comunidade reconciliada – que seja em si mesma um sinal eficiente de como viver em justiça e paz – para todos os povos da terra.

Oração
Senhor,
humildemente pedimos que, por tua graça,
as Igrejas do mundo inteiro
possam se tornar instrumentos da tua paz.
Através de sua ação conjunta como representantes
e agentes da tua cura, na reconciliação do amor
entre povos divididos,
possa teu nome ser santificado e glorificado.
Amém.

A mão direita de Deus
está semeando em nossa terra,
plantando sementes de liberdade, esperança e amor;
Nessas terras de tantos povos,
que todos os seus filhos juntem as mãos
e sejam UM com a mão direita de Deus.


Fonte: www.vatican.va

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

"Salve Rainha,
Bem-Aventurada Virgem de Fátima,
Senhora do Coração Imaculado,
qual refúgio e caminho que conduz até Deus!
Peregrino da Luz que das tuas mãos nos vem,
dou graças a Deus Pai, que,
em todo tempo e lugar,
atua na história humana;
peregrino da Paz que neste lugar anuncias,
louvo a Cristo, nossa paz,
e para o mundo peço a concórdia
entre todos os povos;
peregrino da Esperança que o Espírito alenta,
quero-me profeta
e mensageiro para a todos lavar os pés,
na mesma mesa que nos une.
Salve, Mãe de Misericórdia,
Senhora da veste branca!
Neste lugar, onde, há cem anos,
a todos mostraste os desígnios
da misericórdia do nosso Deus,
olho a tua veste de luz e,
como bispo vestido de branco,
lembro todos os que,
vestidos da alvura batismal,
querem viver em Deus
e rezam os mistérios de Cristo
para alcançar a paz.
Salve, vida e doçura,
Salve, esperança nossa,
ó Virgem Peregrina, ó Rainha Universal!
No mais íntimo do teu ser,
no teu Imaculado Coração,
vê as alegrias do ser humano
quando peregrina para a Pátria Celeste.
No mais íntimo do teu ser,
no teu Imaculado Coração,
vê as dores da família humana
que geme e chora neste vale de lágrimas.
No mais íntimo do teu ser,
no teu Imaculado Coração,
adorna-nos do fulgor de todas
as joias da tua coroa
e faz-nos peregrinos como peregrina foste Tu.
Com o teu sorriso virginal
robustece a alegria da Igreja de Cristo.
Com o teu olhar de doçura
fortalece a esperança dos filhos de Deus.
Com as mãos orantes que elevas ao Senhor
a todos une numa só família humana.
Ó clemente, ó piedosa,
ó doce Virgem Maria,
Rainha do Rosário de Fátima!
Faz-nos seguir o exemplo
dos Bem-Aventurados Francisco e Jacinta
e de todos os que se entregam
à mensagem do Evangelho.
Percorreremos, assim, todas as rotas,
seremos peregrinos de todos os caminhos,
derrubaremos todos os muros
e venceremos todas as fronteiras,
saindo em direção a todas as periferias,
aí revelando a justiça e a paz de Deus.
Seremos, na alegria do Evangelho,
a Igreja vestida de branco,
da alvura branqueada no sangue do Cordeiro
derramado ainda em todas as guerras
que destroem o mundo em que vivemos.
E assim seremos, como Tu,
imagem da coluna luminosa
que alumia os caminhos do mundo,
a todos mostrando que Deus existe,
que Deus está,
que Deus habita no meio do seu povo,
ontem, hoje e por toda a eternidade.
Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.
Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas
que o Pai revela aos pequeninos.
Mostra-nos a força do teu manto protetor.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.
Unido aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a Ti me entrego.
Unido aos meus irmãos, por Ti
a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.
E, enfim, envolvido na Luz
que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor
pelos séculos dos séculos.
Amém."

Papa Francisco

sábado, 21 de abril de 2018

Escutar, discernir, viver a chamada do Senhor

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 55º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES


Queridos irmãos e irmãs!

No próximo mês de outubro, vai realizar-se a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que será dedicada aos jovens, particularmente à relação entre jovens, fé e vocação. Nessa ocasião, teremos oportunidade de aprofundar como, no centro da nossa vida, está a chamada à alegria que Deus nos dirige, constituindo isso mesmo «o projeto de Deus para os homens e mulheres de todos os tempos» (Sínodo dos Bispos – XV Assembleia Geral Ordinária, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, Introdução).

Trata-se duma boa notícia, cujo anúncio volta a ressoar com vigor no 55.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações: não estamos submersos no acaso, nem à mercê duma série de eventos caóticos; pelo contrário, a nossa vida e a nossa presença no mundo são fruto duma vocação divina.

Também nestes nossos agitados tempos, o mistério da Encarnação lembra-nos que Deus não cessa jamais de vir ao nosso encontro: é Deus connosco, acompanha-nos ao longo das estradas por vezes poeirentas da nossa vida e, sabendo da nossa pungente nostalgia de amor e felicidade, chama-nos à alegria. Na diversidade e especificidade de cada vocação, pessoal e eclesial, trata-se de escutar, discernir e viver esta Palavra que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo que nos permite pôr a render os nossos talentos, faz de nós também instrumentos de salvação no mundo e orienta-nos para a plenitude da felicidade.

Estes três aspetos – escuta, discernimento e vida – servem de moldura também ao início da missão de Jesus: passados os quarenta dias de oração e luta no deserto, visita a sua sinagoga de Nazaré e, aqui, põe-Se à escuta da Palavra, discerne o conteúdo da missão que o Pai Lhe confia e anuncia que veio realizá-la «hoje» (cf. Lc 4, 16-21).

Escutar

A chamada do Senhor – fique claro desde já – não possui a evidência própria de uma das muitas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária. Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem Se impor à nossa liberdade. Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração.

Por isso, é preciso preparar-se para uma escuta profunda da sua Palavra e da vida, prestar atenção aos próprios detalhes do nosso dia-a-dia, aprender a ler os acontecimentos com os olhos da fé e manter-se aberto às surpresas do Espírito.

Não poderemos descobrir a chamada especial e pessoal que Deus pensou para nós, se ficarmos fechados em nós mesmos, nos nossos hábitos e na apatia de quem desperdiça a sua vida no círculo restrito do próprio eu, perdendo a oportunidade de sonhar em grande e tornar-se protagonista daquela história única e original que Deus quer escrever connosco.

Também Jesus foi chamado e enviado; por isso, precisou de Se recolher no silêncio, escutou e leu a Palavra na Sinagoga e, com a luz e a força do Espírito Santo, desvendou em plenitude o seu significado relativamente à sua própria pessoa e à história do povo de Israel.

Hoje este comportamento vai-se tornando cada vez mais difícil, imersos como estamos numa sociedade rumorosa, na abundância frenética de estímulos e informações que enchem a nossa jornada. À barafunda exterior, que às vezes domina as nossas cidades e bairros, corresponde frequentemente uma dispersão e confusão interior, que não nos permite parar, provar o gosto da contemplação, refletir com serenidade sobre os acontecimentos da nossa vida e realizar um profícuo discernimento, confiados no desígnio amoroso de Deus a nosso respeito.

Mas, como sabemos, o Reino de Deus vem sem fazer rumor nem chamar a atenção (cf. Lc 17, 21), e só é possível individuar os seus germes quando sabemos, como o profeta Elias, entrar nas profundezas do nosso espírito, deixando que este se abra ao sopro impercetível da brisa divina (cf. 1 Re 19, 11-13).

Discernir

Na sinagoga de Nazaré, ao ler a passagem do profeta Isaías, Jesus discerne o conteúdo da missão para a qual foi enviado e apresenta-o aos que esperavam o Messias: «O Espírito do Senhor está sobre Mim; porque Me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar o ano favorável da parte do Senhor» (Lc 4, 18-19).

De igual modo, cada um de nós só pode descobrir a sua própria vocação através do discernimento espiritual, um «processo pelo qual a pessoa, em diálogo com o Senhor e na escuta da voz do Espírito, chega a fazer as opções fundamentais, a começar pela do seu estado da vida» (Sínodo dos Bispos – XV Assembleia Geral Ordinária, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, II. 2).

Em particular, descobrimos que a vocação cristã tem sempre uma dimensão profética. Como nos atesta a Escritura, os profetas são enviados ao povo, em situações de grande precariedade material e de crise espiritual e moral, para lhe comunicar em nome de Deus palavras de conversão, esperança e consolação. Como um vento que levanta o pó, o profeta perturba a falsa tranquilidade da consciência que esqueceu a Palavra do Senhor, discerne os acontecimentos à luz da promessa de Deus e ajuda o povo a vislumbrar, nas trevas da história, os sinais duma aurora.

Também hoje temos grande necessidade do discernimento e da profecia, de superar as tentações da ideologia e do fatalismo e de descobrir, no relacionamento com o Senhor, os lugares, instrumentos e situações através dos quais Ele nos chama. Todo o cristão deveria poder desenvolver a capacidade de «ler por dentro» a vida e individuar onde e para quê o está a chamar o Senhor a fim de ser continuador da sua missão.

Viver

Por último, Jesus anuncia a novidade da hora presente, que entusiasmará a muitos e endurecerá a outros: cumpriu-se o tempo, sendo Ele o Messias anunciado por Isaías, ungido para libertar os cativos, devolver a vista aos cegos e proclamar o amor misericordioso de Deus a toda a criatura. Precisamente «cumpriu-se hoje – afirma Jesus – esta passagem da Escritura que acabais de ouvir» (Lc 4, 20).

A alegria do Evangelho, que nos abre ao encontro com Deus e os irmãos, não pode esperar pelas nossas lentidões e preguiças; não nos toca, se ficarmos debruçados à janela, com a desculpa de continuar à espera dum tempo favorável; nem se cumpre para nós, se hoje mesmo não abraçarmos o risco duma escolha. A vocação é hoje! A missão cristã é para o momento presente! E cada um de nós é chamado – à vida laical no matrimónio, à vida sacerdotal no ministério ordenado, ou à vida de especial consagração – para se tornar testemunha do Senhor, aqui e agora.

Realmente este «hoje» proclamado por Jesus assegura-nos que Deus continua a «descer» para salvar esta nossa humanidade e fazer-nos participantes da sua missão. O Senhor continua ainda a chamar para viver com Ele e segui-Lo numa particular relação de proximidade ao seu serviço direto. E, se fizer intuir que nos chama a consagrar-nos totalmente ao seu Reino, não devemos ter medo. É belo – e uma graça grande – estar inteiramente e para sempre consagrados a Deus e ao serviço dos irmãos!

O Senhor continua hoje a chamar para O seguir. Não temos de esperar que sejamos perfeitos para dar como resposta o nosso generoso «eis-me aqui», nem assustar-nos com as nossas limitações e pecados, mas acolher a voz do Senhor com coração aberto. Escutá-la, discernir a nossa missão pessoal na Igreja e no mundo e, finalmente, vivê-la no «hoje» que Deus nos concede.

Maria Santíssima, a jovem menina de periferia que escutou, acolheu e viveu a Palavra de Deus feita carne, nos guarde e sempre acompanhe no nosso caminho.

Papa Francisco

Fonte: Vaticano

sábado, 8 de abril de 2017

Minha Semana Santa

Acompanhando as mulheres que seguem Jesus

Acalmando o coração, a mente e o corpo para entrar em intimidade com Deus, para dialogar com Ele e nos deixar transformar.

Introdução:

L1: A tua morte, Jesus, é uma história de mãos. De mãos pobres, que desnudam, cravam, brincam com os dados,  rasgam o coração. O Senhor sabe, o Senhor vê. Antes de julgar, pensemos, pois também estão nas nossas mãos entre essas mãos...

Mãos que contam com prazer o dinheiro...
mãos que amarram as mãos dos humildes,

mãos que aplaudem as prepotências os violentos,
mãos que despem os pobres,

mãos que cravam para que ninguém descubra os nosso privilégios,
mãos que procuram de cobrir a nossa covardia,

mãos que escrevem contra a verdade,
mãos que transpassam corações.

L: A tua morte Jesus é obra destas mãos que depois de tantos séculos ainda continuam a agonia e a paixão.

(Breve pausa de silêncio)

L2: Naquele tempo, a estrada que levava ao calvário, deveria ter muita gente. O "espetáculo" prometia ser muito bom, muito interessante: três crucifixões! Muitos homens, em primeiro lugar os soldados encarregados das execuções, os companheiros dos outros dois condenados, entretanto faltam os amigos de Jesus, os seus discípulos, certamente já tinham fugido durante a noite. O único que percorre a estrada até o lugar da crucifixão é João, o discípulo amado, sua Mãe e algumas mulheres, que ficam por perto e que tem para com ele gestos de ternura.
Nos últimos dias e horas de Jesus, olhos e mãos femininas, olhos e mãos femininas capazes de partilhar e consolar, olhos e mãos femininas que cercam de atenção o corpo do Senhor.
Jesus acolhe estes gestos e na hora da cruz aceita as presenças delicadas como um tratamento de humanidade e de amor no deserto do abandono e da morte.

(Breve pausa de silêncio)


Primeiro dia: Segunda-feira da Semana Santa

Quem cuida do Senhor... É a ternura de Maria de Betânia

C: Do Evangelho de São João 12, 1-8:

"Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus a Betânia, onde vivia Lázaro, que ele ressuscitara. Deram ali uma ceia em sua honra. Marta servia e Lázaro era um dos convivas. Tomando Maria uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa encheu-se do perfume do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de trair, disse: Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres? Dizia isso não porque ele se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela lançavam. Jesus disse: Deixai-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura.Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a mim nem sempre me tereis. Uma grande multidão de judeus veio a saber que Jesus lá estava; e chegou, não somente por causa de Jesus, mas ainda para ver Lázaro, que ele ressuscitara. Mas os príncipes dos sacerdotes resolveram tirar a vida também a Lázaro, porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus. No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus se ia aproximando."

L3: Maria, irmã de Marta e de Lázaro, seis dias antes da Páscoa, aparece e unge os pés de Jesus com óleo perfumado e os enxuga com seus cabelos, um gesto de ternura e delicadeza. E Jesus, não somente se deixa tocar, mas também acariciar, enxugar com os cabelos, perfumar. Talvez achamos que seja um pouco indecoroso este tipo de contato, meio estranho se pensamos na santidade de Deus, na pureza dos costumes. Mas Jesus elogia esse gesto de carinho e, faz ainda mais,o defende das acusações de Judas, que confunde a lógica do amor do lucro.
Maria, ungindo os pés de Jesus, proclama como precioso o Corpo do Senhor e parece que seja a única que compreende que Jesus está entregando a sua vida até o fim. O seu é um gesto profético, antecipa o ritual da sepultura, antecipa o gesto do óleo que será espalhado depois da sua morte.
É um gesto cheio de ternura, de amizade, de acolhida, de amor sincero e piedoso.

Pausa para interiorizar

L4: Maria nos ensina como estar ao lado de Jesus nos pobres, nos últimos; a estrada que ela percorreu é o caminho da salvação, é a estrada de Jesus: os pobres sempre estarão conosco, no nosso dia a dia, necessitados do óleo do amor. Jesus nos pede de gastar, como Maria de Betânia, a nossa ternura, o nosso amor, entregando-nos aos pobres, aos últimos, deixando-nos "tocar", envolver, enternecer. O pobre não é somente o necessitado de coisas materiais como pensava Judas, o pobre é aquele que precisa de nosso amor, ternura e compaixão. E fazendo assim conseguiremos espalhar no mundo o perfume de Cristo.

Leitura pessoal (em silêncio):

"Os pequenos, os que não tem voz, aqueles que não contam aos olhos do mundo, mas que aos olhos de Deus são os seus prediletos, precisam de nós. Devemos estar com eles e por eles, e não importa se nossa ação é como uma gota d'água no oceano, devemos estar presentes.  Jesus nunca falou de resultados, ele falou de nos amar, de lavarmos os pés uns dos outros, de nos perdoar sempre.  Os pobres nos esperam e o modo de servir são muitos, deixemos a nossa imaginação trabalhar e vamos encontrar o que é melhor. Não devemos ficar esperando as instruções e o tempo de serviço, sejamos criativos e veremos novos céus e novas terras nas nossas vidas, na vida dos outros e na humanidade inteira." (AnnalenaTonelli).

Oração final (juntos):

Vem Espírito Santo,
Tira do meio de nós todo obstáculo que nos separa do amor fraterno,
Faz desaparecer os comportamentos de violência que dividem os corações,
Aniquila todo ciúme, invidia, calunia, rancor, ódio e vingança...

Coloca no nosso coração uma faísca de bondade, de ternura,
De confiança, de otimismo.
Fazei-nos aprender a linguagem internacional da paz e
Do perão reciproco.

Fazei-nos emocionar até as lagrimas com o por do sol,
Com o sorriso de uma criança e o olhar sábio de um idoso.
Fazei-nos arrepiar com uma caricia dada ou recebida.
Fazei-nos pessoas humildes, acolhedoras, seviciais e respeitosas,
Concedei-nos a alegria de entenderque a nossa nica felicidade
É amar como Deus nos ama. (Pe. A. Saporiti)


Segunda dia: Terça-feira da Semana Santa

Quem cuida do Senhor... É a compaixão das mulheres de Jerusalém

C: Do Evangelho de São Lucas 23, 27-31:

"Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos.Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos!Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?"

L1: No caminho do Calvário, mulheres se encontram com Jesus: talvez sejam mulheres da cidade santa, "filhas de Jerusalém" as chama Jesus. De fato, somente elas perseveram no caminho, no seguimento, neste trecho decisivo do caminho. Entre a multidão, mas não multidão. Frágeis, mas corajosas no seu pranto. Enquanto os outros observam o "espetáculo", elas seguem e servem Jesus com afeto e com as lagrimas, a pesar de que a lei romana proibisse de demostrar sinais de compaixão por um réu conduzido ao suplicio.  O seu pranto as fazem entrar no seguimento do mestre, como um discipulado de "última hora", foi assim também para Simão de Cirene e para o ladrão arrependido.  Estas mulheres, com liberdade e a dignidade que só uma mãe pode ter, choram por Jesus, choram a dor do inocente. Elas nos ensinam a beleza dos sentimentos: não temos que ter vergonha se o nosso coração bate ao compasso da compaixão, se os nossos cílios são molhados pelas lágrimas, ou se sentimos a necessidade de uma caricia ou consolação.

Oração pessoal (em silêncio):

"Meu Deus, é um tempo de muitas angústias. A noite passada pela primeira vez estava acordada no escuro, com os olhos que me queimavam, na minha frente passavam imagens da dor humana. E te prometo uma coisa, meu Deus, somente uma pequena coisa: procurarei de não sobrecarregar este dia com as minhas preocupações pelo amanhã, cada dia tem a sua parte. Procurarei te ajudar para que o Senhor não seja destruído dentro de mim, mas não te prometo nada. Tem só uma coisa que fica sempre mais em evidencia para mim, e é que o Senhor não pode nos ajudar, somos nós que devemos te ajudar, porque desse modo ajudamos a nós mesmos.  A única coisa que podemos resgatar deste nosso tempo de crise e a que realmente conta, é um pedacinho do Senhor em nós, meu Deus Eterno. Tal vez devemos e podemos ajudar a te exumar dos corações devastados de tantas pessoas. E a minha certeza sobre isto, cresce mais e mais a cada batida do meu coração. Somos nós que devemos defender a tua presença em nos, em cada pessoa, porque existem pessoas que na crise, se preocupam de salvar o aspirador, as colheres de prata, os carros em vez de te salvar do esquecimento.”.(EttyHillesum)

Oração final (juntos):

Tem o olhar que julga, a palavra que critica,
Tem a ambição de chegar no topo, a necessidade de seguranças...
Mas tu ó Deus, é o Amor, e isso muda tudo!
Você vem a cada momento para mudar o mundo.
Ensinai-nos gestos que salvam,
Concedei-nos saber mudar,
A doçura do teu olhar e
A paciência do teu coração
Ensinai-nos a entrar na paz do silêncio,
Na ternura da acolhida. Amém.


Terceiro dia: Quarta-feira da Semana Santa

Quem cuida do Senhor... É o zelo da Verônica

C: Do Livro do Profeta Isaias 53,2b-3:

"... não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos. Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele."

C: Do livro dos Salmos 27, 8-9
"Fala-vos meu coração, minha face vos busca; a vossa face, ó Senhor, eu a procuro. Não escondais de mim vosso semblante, não afasteis com ira o vosso servo. Vós sois o meu amparo, não me rejeiteis. Nem me abandoneis, ó Deus, meu Salvador."

Pausa para interiorizar

L: No caminho para o Calvário, tem uma personagem que nenhum dos evangelhos faz menção, mas que a beleza dos gestos de amor, a sua delicadeza, gentileza falam muito alto. Uma mulher se aproxima de Jesus, ao seu rosto inchado pelos golpes, desfigurado pelo sofrimento sofrido e o limpa. Não se deixa contagiar pela brutalidade dos soldados, nem se paralisa pelo medo dos discípulos. É a imagem da boa mulher, que na escuridão e perturbação dos corações, mantém a coragem da bondade.

L2: O ato de amor faz que fique impresso no seu coração a verdadeira imagem de Jesus: no rosto humano, cheio de sangue e de feridas, ela enxerga o rosto de Deus e a sua bondade, que nos acompanha nas profundezas da nossa dor. Somente com o coração podemos ver – enxergar Jesus. Somente o amor nos faz capazes de enxergar e ao mesmo tempo nos concede a pureza do coração. Só o amor nos faz reconhecer Deus, que é o verdadeiro Amor, o Amor mesmo.
Esta mulher não tem um nome, mas a tradição a chamou de Veronica, "ícone verdadeira", verdadeira imagem do rosto de Jesus.

Oração final (juntos):

Senhorfazei que eu te enxergue no irmão que sofre,
Por causa de doenças, abandonado, perseguido...

Ajuda-me a te reconhecer em cada acontecimento da vida
E concedei-me um coração sensível às necessidades do mundo.

Senhor, enche o meu coração com pequenos gestos de caridade,
Aqueles gestos que se concretizam num sorriso,
Em um ato de paciência e de aceitação do outro,

Em um ato de benevolência e compaixão,
Em uma atitude de perdão dado e recebido,
Em uma ajuda material dentro das minhas possibilidades.

(Adaptação de uma oração de Madre Teresa)


Quarto dia: Quinta-feira da Semana Santa

Quem cuida do Senhor... É o amor de Maria, sua Mãe

C: Leitura do Evangelho de São João 19,25-27:

"Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa."

Pausa para interiorizar

L1: Todos e cada um dos corações sempre se emocionam com a imagem da Mãe do Senhor aos pés da cruz. Maria está de pé reta, quase imóvel, poderíamos dizer, na sua dor. Com ela estão João e outras duas mulheres, mas ela está só, numa solidão que pesa no seu coração de Mãe: seu filho está pregado numa cruz, moribundo.

L2: Ela tinha seguido e acompanhado Jesus até o Calvário, sem poder lhe dar nenhum tipo de alivio físico, somente através de um intenso e profundo olhar de amor.  Certamente, neste momento passam pela sua mente a historia do seu filho, lembranças das vezes que o embalou de bebé, quando o nutriu com o seu leite, crescendo envolvido pela ternura e amor infinito... como todas as mães.

L3: Na sua mente passam gestos, palavras, acontecimentos vivenciados estreitamente legados a ela, em um relacionamento único, como só se dá entre mãe e filho.
E agora está aqui, em silencio. Quantos silêncios na vida de Maria!

L4: Aos pés da cruz acolhe o sofrimento de tantas mães que choram pela sorte de seus filhos, e, ao mesmo tempo recolhe os nossos silêncios de tantas incompreensões, de dores, de mortes.
Aos pés da cruz, Maria é chamada a dizer o seu segundo "Sim", neste sim ela se transforma na mãe de todos nós, de cada homem e mulher pelo qual Jesus derramou o seu sangue. Uma maternidade que é sinal vivo da misericórdia de Deus por nós.

Leitura pessoal (em silêncio):

Para o discípulo amado que recebe Maria por Mãe, a primeira tarefa que deve desenvolver não é a ir pregar o Evangelho, mas tornar-se filho de Maria. Para ele e para todos os demais é mais importante ser crente que apóstolo.

À Maria foi dado o filho: cresceram juntos. Quando um filho é entregue aos genitores cresce e faz crescer, porque genitores não se nasce mas se torna.

Maria no Calvário acolheu o discípulo com o qual Jesus se identificou. Entre Maria e os discípulos, como entre Jesus e sua mãe, se estabelece uma recíproca interferência. O amor e a dedicação ao Filho agora passa para nós seus novos filhos, e o nosso amor a Jesus passa através da Mãe. Difícil, se não impossível, declarar o amor ao Filho sem envolver a Mãe. Indefinível, de qualquer modo impreciso e equívoco, o amor à Mãe que não alcance e se finalize no Filho.

Reconhecer-sefilhos de Maria é colocar-se na sua escola para tornar-se discípulos de Jesus; estar com ela é encontrar-se com o Filho. Não é uma escolha facultativa, como não é escolha seguir Jesus Cristo, mas obrigação. Se Jesus indica na Mãe a "mulher-Mãe" de todos os seus discípulos, isso quer dizer que ele pretende propô-la à sua Igreja como exemplo-modelo-forma de vida evangélica. Não se trata de copiar, mas de reviver os comportamentos de Maria, sob a ação do Espírito.

(Reflexão de Frei Egidio Monzani - Ofmconv.)

Oração final (juntos):

Mãe da ternura,
Que nos abraças de paciência e misericórdia.
Ajuda-nos a queimar as tristezas, as impaciências e rigidez
Das nossas vidas.
Intercede junto ao teu filho
Para que nossas mãos, nossos pés e nossos corações
Sejam agéis, abertos e disponíveis
Para construir uma igreja na verdade e na caridade.
Amém.

C: Que o exemplo destas mulheres nos ajudem a crescer no amor, na verdade e na sinceridade, de uma vida voltada totalmente para Deus. Que possamos fazer a experiência de morte e ressurreição na nossa vida, e que possamos viver o Tríduo Pascal, o sábado do Aleluia e o Domingo de Páscoa, na paz e harmonia.

Salve Maria Imaculada.

Tradução livre e adaptação: Alejandra Moreno – MIPK

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Luzes a girar

A sirenes vermelhas estão a girar, uma jovem desvia-se do caminho e meus ouvidos escutam: "O que você faz por aqui hoje?"

Em breve instante... o jovem desce da moto, seus documentos são retirados da carteira e as pessoas continuam fazendo sua caminhada matinal.

Nas minhas mãos, o terço... rezei por aquela situação, não poderia ficar indiferente. Por várias vezes, pude contemplar a cena: os dois policias e o jovem continuavam a esperar. Ora conversavam ora reinava somente o silêncio.

Deve ter sido intenso aqueles minutos, pensei em tantos encarcerados que foram presos e que estão nos cárceres, lembrando ainda do momento que foram abordados pela polícia.

Quando de repente, vejo que o jovem abria a sua carteira e colocava de volta os seus documentos. Que alívio, deve ter pensando. Em segundos, já estava na moto e partia.

Junto com ele, tantos outros carros, tantas outras pessoas, tantas outras histórias.

E as sirenes continuavam a girar pela rua do bairro onde me encontrava.

Lourdes Crespan
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

sábado, 7 de maio de 2016

Bênção para as mães

Pai celestial,
nós vos damos graças pelas nossas mães,
a quem confiastes o cuidado precioso
da vida humana desde seu início no ventre.

Vós destes à mulher a capacidade de participar
convosco da criação de novas vidas.


Fazei que cada mulher compreenda
o pleno significado desse dom,
que lhe dá uma capacidade ilimitada de amar
desinteressadamente todas as crianças.

Velai por cada mãe que espera um filho,
fortalecei sua fé em vosso cuidado paternal
e em vosso amor pelo seu bebê.
Dai-lhe coragem nos momentos de medo ou dor;
compreensão nos momentos de incerteza e dúvida;
esperança diante das dificuldades.

Concedei-lhe alegria diante
do nascimento do seu filho!

Abençoai as mães, a quem destes
o grande privilégio e a responsabilidade
de ser a primeira guia espiritual de uma criança.

Fazei que todas elas possam dignamente
incentivar a fé dos seus filhos,
seguindo o exemplo da Maria, de Isabel
e de outras santas mulheres que seguem Jesus.

Ajudai as mães a crescer diariamente
no conhecimento e na compreensão do vosso Filho,
nosso Senhor Jesus Cristo,
e concedei-lhes a sabedoria para
espalhar este conhecimento fielmente
aos seus filhos e a todos que dependem delas.

Ajudai todas as mães espirituais, que,
apesar de não terem filhos próprios,
cuidam dos filhos dos outros,
de qualquer idade e estado de vida.

Enviai vosso Espírito Santo, o Consolador,
às mães das crianças que morreram,
das que estão doentes, separadas das suas famílias
ou que se encontram em perigo.

Dai-lhes vossa graça,
para que confiem em vossa misericórdia.
Pedimos vossa bênção a todas as mulheres
a quem confiastes do dom da maternidade.

Que vosso Espírito Santo sempre as inspire e fortaleça.
Que nunca deixem de seguir o exemplo de Maria
e de imitar sua fidelidade, sua humildade e seu amor de doação.

Que as mães possam receber vossa graça
abundantemente nesta vida
e que esperem participar da alegria eterna
em vossa presença.

Nós vos pedimos por nosso Senhor
Jesus Cristo, vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo.
Amém.

Fonte: http://pt.aleteia.org

Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo

Queridos irmãos e irmãs!

O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a refletir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.

Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das ações da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.

A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e ações hão-de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.

Por isso, queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto aplica-se também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar, como se exprimiu muito eloquentemente Shakespeare: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (O mercador de Veneza, Ato IV, Cena I).

É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (...) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).

Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.

Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente. Mas tentemos voltar com o pensamento às nossas primeiras experiências de relação no seio da família. Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objetivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf. Lc 15, 11-32). Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros.

Para isso é fundamental escutar. Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.

Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cômodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo.

Também e-mails, sms, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.

A comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas. Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.

Papa Francisco
Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais

Fonte: https://w2.vatican.va