sexta-feira, 12 de junho de 2015

Festa do Sagrado Coração de Jesus

Ó Jesus, cujo coração divino é símbolo vivente de amor infinito, atraí as nossas almas para a vossa doce intimidade. Vós, que vos consumistes pela glória do Pai e pela salvação dos homens, fazei com que a nossa vida seja um contínuo testemunho de amor por vós. Oferecemo-vos os nossos sentidos, tão prontos para a dispersão; o nosso coração, tão inconstante; a nossa carne, tão frágil. Tudo aquilo que temos e somos, oferecemo-lo a vós a fim de que nos tornemos um agradável holocausto de amor.

Glória ao Pai...Doce coração de Jesus,fazei que eu te ame cada vez mais.

Ó Jesus, cujo coração divino experimentou até à agonia o peso e a gravidade do pecado, tornai o nosso coração sensível à tragédia da humanidade que resiste ao vosso amor. Pelos nossos pecados e por todos os pecados que se cometem no mundo, queremos oferececer-vos a nossa generosa reparação, unindo-a ao vosso sacrifício redentor. Aceita-a das mãos da Virgem reparadora como um ato de fé e de amor.

Glóra ao Pai...Doce coração de Jesus,
fazei que eu te ame cada vez mais.
Ó Jesus, cujo coração dinvino arde do desejo de levar todos os homens ao amor do Pai, acendei também em nós a chama do apostolado. Que a nossa vida se torne um testemunho do evangelho, com o ardor da palavra e a eficácia do exemplo. Que a vossa graça nos ajude a atrair as almas para o reino do vosso amor, onde a humanidade, unificada no vosso nome, formará uma só família no abraço eterno do Pai.

Glória ao Pai...Doce coração de Jesus,
fazei que eu te ame cada vez mais.
Fonte: Penserverantes na oração

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Festa de Corpus Crhisti


A Festa de Corpus Christi é realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É a festa onde adoramos e manifestamos nossa crença na Eucaristia, que é o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como vocês sabem, nós católicos não celebramos a Eucaristia como uma representação. Nós realmente cremos que a hóstia se transforma no Corpo e o vinho no Sangue de Cristo. Nossos olhos veem pão e vinho, mas nossa alma vê o Senhor. E esse milagre acontece a cada momento em que uma missa é celebrada, no momento da Consagração Eucarística onde acontece a transubstanciação:  a transformação do Pão em Corpo e do Vinho em Sangue.

O Papa Bento XVI, na homilia da Santa Missa na Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo em 2011, nos relembra da ligação dessa Festa com a Quinta-feira Santa: "A festa do Corpus Christi é inseparável da Quinta-Feira Santa, da Missa in Caena Domini, na qual se celebra solenemente a instituição da Eucaristia. Enquanto na tarde de Quinta-Feira Santa se revive o mistério de Cristo que se oferece a nós no pão partido e no vinho derramado, hoje, na celebração do Corpus Christi, este mesmo mistério é proposto à adoração e à meditação do Povo de Deus, e o Santíssimo Sacramento é levado em procissão pelas estradas das cidades e das aldeias, para manifestar que Cristo ressuscitado caminha no meio de nós e nos guia para o Reino do céu." (http://www.vatican.va)

Gostaria que você leitor, pensasse nesse momento conosco o motivo que fez Jesus fazer-se presente vivo no pão e vinho. No meu coração não vem outro motivo além do grande amor que Jesus teve e tem por nós. Quando penso que tenho Ele dentro de mim a cada vez que comungo, sinto uma alegria imensa, e uma força incapaz de descrever tamanha transformação que Ele faz, e agradeço a Ele por esta forma que Jesus encontrou de ficar pertinho de nós, não existe melhor maneira de estar junto a Ele. E quando recordamos, quão bela foi a vivência dos apóstolos que estiveram na presença de Jesus - como humano, não podemos esquecer que eles tiveram que ter fé para acreditar que Ele era o Deus prometido, que viria vencer o pecado e a morte. Olhando para nós hoje, devemos acreditar que também nós, somos privilegiados por recebê-lo dentro na Comunhão, em Corpo e Sangue e precisamos ter a mesma fé que o apóstolos tiveram para colocar a base de nossa fé nesse milagre.

Lembramos aqui o grande milagre Eucarístico de Lanciano, ocorrido na cidade Italiana de Lanciano, no século VIII: o Padre, em um momento de dúvida, durante uma missa, viu a hóstia, converter-se em carne viva e o vinho em sangue vivo. Um lindo milagre... Se voce ainda não conhece esse milagre, é um bom momento para pesquisar e conhecer mais.

Por isso, precisamos nos dedicar mais aos nossos momentos de Adoracao Eucarística. Rezar em casa é muito importante, mas rezar diante do Santíssimo Sacramento é um momento de muita graça.

A Eucaristia é tão importante na nossa fé que a Igreja fez dela um Sacramento: "A Eucaristia é «fonte e cume de toda a vida cristã» (146). «Os restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa» (147)." (1324 - Catecismo da Igreja Católica)

E esse sacramento recebemos semanalmente aos domingos ou diariamente quando participamos da Santa Missa. Quanta graça! Por isso essa Festa vem nos motivar a adorá-lo e agradecer por todo amor que Ele tem por nós. Deixar-nos inundar pelo amor que vem do Seu coração , inclusive amá-lo por todos que não O amam.

Novamente podemos ver o relacionamento dos santos com a Santa Eucaristia: Santa Teresinha do Menino Jesus escreveu a famosa poesia: “Vem ao Meu coração Hóstia Branca que amo”. Vamos ver abaixo um trecho:

Na festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, 16 de Julho, Teresa recebe a Comunhão Eucarística na enfermaria. Maria da Eucaristia, sua prima, Com voz “alta e bela” canta a estrofe que Teresa tinha composto para este momento.

“Tu que conheces minha extrema pequenez
que não receias nunca abaixar-te até mim,
vem a meu coração, Hóstia branca que amo,
vem a meu coração que anseia só por ti!
Desejo demais que tua bondade me faça
Morrer de amor após este favor.
Escuta, meu Jesus, meu grito de ternura:
Vem ao meu coração”.

Portanto, durante a missa de Corpus Christi, busquemos abrir nossos corações e que isso gere um propósito de intensificarmos nossos momentos diante de Jesus Sacramentado.

Feliz Festa de Corpus Christi!

Diana Darre e Evandro Oliveira
Voluntários da Imaculada-Padre Kolbe

Para ouvir: Hóstia Branca (http://www.youtube.com/watch?v=V2MgqwBRGdw)

Para assitir: O Grande Milagre

domingo, 31 de maio de 2015

Luz, esplendor e graça na Trindade e da Trindade

Não devemos perder de vista a tradição, a doutrina e a fé da Igreja católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os apóstolos pregaram e os Santos Padres transmitiram. De fato, a tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que dela se afasta deixa de ser cristão e não merece mais usar este nome.

Ora, a nossa fé é esta: cremos na Trindade santa e perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; nela não há mistura alguma de elemento estranho; não se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potência e força operativa; uma só é a sua natureza, uma só é a sua eficiência e ação. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo, se afirma a unidade da Santíssima Trindade. Por isso, proclama-se na Igreja um só Deus, que reina sobre tudo, age em tudo e permanece em todas as coisas (cf. Ef 4,6). Reina sobre tudo como Pai, princípio e origem; age em tudo, isto é, por meio do Verbo; e permanece em todas as coisas no Espírito Santo.

São Paulo, escrevendo aos coríntios acerca dos dons espirituais, tudo refere a Deus Pai como princípio de todas as coisas, dizendo: Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos (lCor 12,4-6).

Os dons que o Espírito distribui a cada um vêm do Pai por meio do Verbo. De fato, tudo o que é do Pai é do Filho; por conseguinte, as graças concedidas pelo Filho, no Espí­rito Santo, são dons do Pai. Igualmente, quando o Espírito está em nós, está em nós o Verbo, de quem recebemos o Espírito; e, como o Verbo, está também o Pai. Assim se cumpre o que diz a Escritura: Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos a nossa morada (Jo 14,23). Pois onde está a luz, aí também está o esplendor da luz; e onde está o esplendor, aí também está a sua graça eficiente e esplendorosa.

São Paulo nos ensina tudo isto na segunda Carta aos coríntios, com as seguintes palavras: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós (2Cor 13,13). Com efeito, toda a graça que nos é dada em nome da Santíssima Trindade, vem do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim como toda a graça nos vem do Pai por meio do Filho, assim também não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito Santo. Realmente, participantes do Espírito Santo, possuí­mos o amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do mesmo Espírito.

Santo Atanásio, bispo (séc. IV)

domingo, 29 de março de 2015

"Humilhou-se a si mesmo"

No centro desta celebração, que se apresenta tão festiva, está a palavra que ouvimos no hino da Carta aos Filipenses: «Humilhou-Se a Si mesmo» (2, 8). A humilhação de Jesus.
Esta palavra desvenda-nos o estilo de Deus e, consequentemente, o que deve ser do cristão: a humildade. Um estilo que nunca deixará de nos surpreender e pôr em crise: não chegamos jamais a habituar-nos a um Deus humilde!

Humilhar-se é, antes de mais nada, o estilo de Deus: Deus humilha-Se para caminhar com o seu povo, para suportar as suas infidelidades. Isto é evidente, quando se lê a história do Êxodo: que humilhação para o Senhor ouvir todas aquelas murmurações, aquelas queixas! Embora dirigidas contra Moisés, no fundo eram lançadas contra Ele, o Pai deles, que os fizera sair da condição de escravatura e os guiava pelo caminho através do deserto até à terra da liberdade.

Nesta Semana, a Semana Santa, que nos leva à Páscoa, caminharemos por esta estrada da humilhação de Jesus. E só assim será «santa» também para nós!

Ouviremos o desprezo dos chefes do seu povo e as suas intrigas para O fazerem cair. Assistiremos à traição de Judas, um dos Doze, que O venderá por trinta denários. Veremos ser preso o Senhor e levado como um malfeitor; abandonado pelos discípulos; conduzido perante o Sinédrio, condenado à morte, flagelado e ultrajado. Ouviremos que Pedro, a «rocha» dos discípulos, O negará três vezes. 

Ouviremos os gritos da multidão, incitada pelos chefes, que pede Barrabás livre e Ele crucificado. Vê-Lo-emos escarnecido pelos soldados, coberto com um manto de púrpura, coroado de espinhos. E depois, ao longo da via dolorosa e junto da cruz, ouviremos os insultos do povo e dos chefes, que zombam de Ele ser Rei e Filho de Deus.

Este é o caminho de Deus, o caminho da humildade. É a estrada de Jesus; não há outra. E não existe humildade, sem humilhação.

Percorrendo até ao fim esta estrada, o Filho de Deus assumiu a «forma de servo» (cf. Flp 2, 7). Com efeito, a humildade quer dizer também serviço, significa dar espaço a Deus despojando-se de si mesmo, «esvaziando-se», como diz a Escritura (v. 7). Esta – esvaziar-se – é a maior humilhação.

Há outro caminho, contrário ao caminho de Cristo: o mundanismo. O mundanismo oferece-nos o caminho da vaidade, do orgulho, do sucesso... É o outro caminho. O maligno propô-lo também a Jesus, durante os quarenta dias no deserto. Mas Jesus rejeitou-o sem hesitação. E, com Ele, só com a sua graça, com a sua ajuda, também nós podemos vencer esta tentação da vaidade, do mundanismo, não só nas grandes ocasiões mas também nas circunstâncias ordinárias da vida.

Nisto, serve-nos de ajuda e conforto o exemplo de tantos homens e mulheres que cada dia, no silêncio e escondidos, renunciam a si mesmos para servir os outros: um familiar doente, um idoso sozinho, uma pessoa deficiente, um sem-abrigo...

Pensamos também na humilhação das pessoas que, pela sua conduta fiel ao Evangelho, são discriminadas e pagam na própria pele. E pensamos ainda nos nossos irmãos e irmãs perseguidos porque são cristãos, os mártires de hoje (e são tantos): não renegam Jesus e suportam, com dignidade, insultos e ultrajes. Seguem-No pelo seu caminho. Verdadeiramente, podemos falar duma «nuvem de testemunhas» (cf. Heb 12, 1): os mártires de hoje.


Durante esta Semana, emboquemos também nós decididamente esta estrada da humildade, com tanto amor por Ele, o nosso Senhor e Salvador. Será o amor a guiar-nos e a dar-nos força. E, onde Ele estiver, estaremos tambémnós (cf. Jo 12, 26).

Papa Francisco

Fonte: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2015/documents/papa-francesco_20150329_omelia-palme.html

sexta-feira, 13 de março de 2015

Eis-me aqui! Para sempre

“O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma virgem... e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”... Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e o chamarás com o nome de Jesus... Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,26-38).

Esta página do Evangelho nos apresenta o chamado e a missão de Maria. O anjo é enviado por Deus a Maria para falar-lhe do projeto que Deus tem para Ela e pedir o seu consentimento. Deus tem para cada um de nós um desígnio de amor e não o realiza sem nós. Busca a nossa livre adesão.

“E Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te, amada de Deus!”. A primeira palavra que Deus diz a Maria e a cada um de nós é: “Alegra-te!” A primeira palavra do Evangelho é uma palavra de alegria. Antes de chamar para uma missão, Deus convida à alegria: “Alegra-te, sê feliz!”. Quando Deus entra na nossa vida não vem para pedir, mas para dar. Vem para dizer a cada um de nós: abre-te à alegria. Deus se inclina sobre cada um de nós e coloca em nossas mãos e em nossos corações uma promessa de felicidade.

“O Senhor está contigo!”. Acontece com Maria um fato inédito, impensável. Entra onde ela está aquele Deus que desde sempre foi o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó. O Deus dos Pais. Um Deus do qual outros fizeram experiência pessoal, agora é o Deus conosco. Um Deus para ser acolhido e doado, para se fazer nascer e crescer no coração dos homens.

“Eu sou a serva do Senhor!”. Maria chama a si mesmo de “serva”. Servir é um modo novo de viver. Não mais voltados a si mesmos, fechados; mas apertos, voltados a Deus. Substitui-se a lógica da posse pela lógica do dom. “Servo”, em seu termo original significa colado. Maria é colada em Deus, totalmente aderente a Ele.
“Eu sou a serva do Senhor!”. Palavras pronunciadas sem reserva. Maria entra no plano da salvação com os sentimentos de disponibilidade total. Orígenes, um autor antigo, coloca na boca de Maria uma expressão muito bela: “Sou uma tabuinha de cera, o Altíssimo escreva o que desejar”.

“Faça-se em mim segundo a tua palavra!”. Faça-se é uma forma optativa do verbo grego ghenoito e significa: não desejo outra coisa que fazer a vontade de Deus e fazê-la com alegria. O verbo no optativo, portanto, indica um desejo intenso. Maria pronuncia um sim com todo o coração.
em mim: Maria não realiza somente um gesto ou cumpre uma tarefa. Coloca em jogo a sua vida. Nós fazemos tantas coisas. Trabalhamos, às vezes, em vários setores. Caminhamos curvados sob o peso de tantos serviços pra se fazer ou já feitos. E nos lamentamos! Maria nos mostra que o caminho da existência não é só um fazer. É colocar em jogo toda a vida. É um doar-se. Maria no abandono da fé se entrega totalmente a Deus e à sua Palavra. Arrisca tudo e para sempre.

“Faça-se em mim”: Na escola da Mãe do Senhor estas palavras são vividas pelo Padre Kolbe até a oferta da sua vida. Em apenas doze anos (1927-1939) a comunidade criada por ele torna-se um imenso convento com mais de 700 frades, a ponto de se temer a criação de uma nova Ordem na Ordem. Sem campanhas vocacionais pomposas, Padre Kolbe exortava: “Venham trabalhar pela Imaculada!”. Mostrava a beleza e a urgência de ser missionário. “Eu vivo só pelas almas: esta é a minha missão” escreveu em 1933 do navio italiano “Conte Rosso” referindo-se à conversão do ministro plenipotenciário japonês Kawai (cf. SK 530).
Como Maria, também o sim de Padre Kolbe tem a marca da fidelidade. É um sim sem “se” e sem “mas”. Até o fim.

É possível amar para sempre? Hoje as pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas. Isso vale para quem se prepara para o matrimônio e também ao sacerdócio e para a vida de consagração. É um medo geral, próprio da nossa cultura. Fazer escolhas para uma vida inteira, parece impossível. Hoje tudo muda rapidamente, nada dura muito. O amor para sempre, podemos também dizer, como exemplo, que se constrói como uma casa, não sobre a areia dos sentimentos que vão e vêm, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus (cf. Papa Francisco, mensagem às famílias, 15/02/14). Como o amor de Deus é estável e é para sempre, assim o nosso amor pode ser estável e para sempre. O segredo é: estar colados em Deus como Maria. Como o Padre Kolbe.
Para expressar um para sempre, a nível planetário, cunhou-se a palavra forever (para sempre) para que possa ser entendida por todos sem equívocos de linguagem.
Forever para acolher e anunciar o Rosto de Deus Amor.

Angela Esposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe
Polônia

Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org

sexta-feira, 6 de março de 2015

O Getsêmani

Nesta noite acontece algo que tem o sabor
de infinito:
seja nos gestos que Cristo realizou ou está para realizar, seja no discurso que está para pronunciar, seja nas expressões tão profunda e intensas dos apóstolos que Ele ama de modo especial:
“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13.1).

O coração dos apóstolos, o nosso próprio coração, percebe esse abismo de Amor, ao qual gostaria de corresponder com uma vida agradecida e grata, pois é sempre verdadeiro que “Amor com amor se paga”. Todavia, nós sabemos muito bem, após a ceia realizada com Jesus, começa a hora das trevas, inicia a manifestação cruenta da Redenção: O Getsêmani, a traição de Judas, a condenação por parte de Pilatos, a subida ao calvário, os membros pregados na cruz, o ápice das dores e, depois, a morte.

Fica aqui

Aquele que se fecha ao místico momento do cenáculo, jamais será um cristão integral, jamais poderá saborear o mistério da Redenção, nunca poderá sondar a profundidade do Evangelho. Da ceia com Cristo é preciso ir ao Getsêmani e nele entrar, como preparação para o calvário e a cruz.

Georges Bernanos, escritor convertido, faz uma afirmação muito densa de significado, verdadeiro eco do profundo mistério cristão: “Quem entra uma vez no Getsêmani, jamais poderá sair dele, porque Jesus saiu dali historicamente, mas continua ainda, através de seus membros, através de seu amor imperecível e daqueles que mais intimamente o amam, a permanecer no Getsêmani”.

Quem entra no Getsêmani não pode sair dele. É ai que se manifesta o verdadeiro amor; é ai que se transpira sangue sob o peso dos pecados; é ai que acontece a purificação mais perfeita, é ai que se tira qualquer resíduo de lama e de sujeira, para se elevar, juntamente com Cristo, e lavar todos os irmãos com a oferta de toda a própria vida. Bernanos, expressando a perfeita alegria de quem se converteu continua: “Não são as almas mais fortes que permanecem no Getsêmani, mais sim as almas mais generosas, mais simples, mais entusiastas, aquelas que querem dar tudo”.

De fato, entram com Jesus, no Getsêmani, os três discípulos mais amados: Pedro, Tiago, e João. Deveriam vigiar com Ele, forçar a própria fraqueza, mas são tomados pelo sono por três vezes: os mais fortes se tornam os mais fracos, esquecendo-se de Jesus que sofre e seu sangue.

Contudo, restam as mulheres.

Elas superam o racional e entenderam que, exatamente além do racional, há o amor: e abraçar o amor.
Não importa se o evangelho não o diz, mas certamente também Maria estava lá com as outras mulheres, enquanto os apóstolos dormiam vilmente. Sim, nem sempre são os grandesque permanecem no Getsêmani, mas os simples, os fracos, os que amam de verdade. Como Bernadete, como Catarina de Labouré; como Domingos Sávio; como o Padre Damião, o apostolo dos leprosos, como o Padre Kolbe, o mártir da caridade; como Maria Goretti, como Madre Tereza de Calcutá e muitos outros.

O que tu queres

Para permanecer no Getsêmani não devo pedir provas extraordinárias. Ele é livre para me enviar aquilo que quiser: pequenas dores ou o martírio sobre-humano. Ele sabe que eu sou a fraqueza em pessoa e sabe que chegará o momento do meu grito: “Afasta de mim este cálice” (Mc 14,36); mas sabe que nele terei a força que Ele teve para repetir com fé: “Entretanto, não o quero, mas o que tu queres!”. E me levantarei com ele,dizendo: “Vamos!” (Mc 14,42).

E, enquanto o meu espírito permanecer no Getsêmani, o amor subirá e saberá enfrentar lutas e humilhações, dores atrozes e sofrimentos desumanos. Com a cruz nas costas sofrerei o ódio da multidão, a ingratidão mais amarga, as quedas e depois novas quedas, até meu corpo ficar estendido e pregado na cruz.

E, enquanto, com a voz agonizante, me dirigir ao Pai, com o tom da suplica mais amarga: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonastes?” (Mc 15,34), o espírito ainda estará lá no Getsêmani, saboreando a visão do anjo que vem me confortar (cf Lc 22,43).

Por isso, Getsêmani, calvário e crucificação serão um único respiro da Redenção.

Somente no Calvário posso realizar a vocação de cristão, porque onde a cruz toca, ela fecunda, dá verdadeira vida, faz o amor crescer; tira a soberba da palavra, purifica do orgulho e da presunção, elimina o amor próprio, a segurança em nós mesmos, e por isso sei escutar o grito de Cristo crucificado e fazê-lo meu “Tenho sede” (Jo 19,28), extinguindo esta sua sede, dando-lhe almas e amor.

Com a cruz nas costas e o espírito no Getsêmani, poderei rodar o mundo e, à minha passagem, não deixarei a aridez soberba do meu passo, da minha palavra ociosa, mas deixarei a vida que gera vida. Levarei até Ele outros irmãos, que saberão permanecer no Getsêmani com Ele.

Assim, é coisa muito importante que eu permaneça no Getsêmani cantando, mas sofrendo; amando, mas gerando na dor; fixando o olhar cada vez mais longe, mas dando a vida com confiança e com esperança.
Assim, somente assim, o mistério pascal, o mistério da dor e do amor, dirá ao mundo a palavra de alegria e de salvação, porque Cristo ressuscitou porque eu estou com Ele no Getsêmani e na cruz, neutralizando o pecado e a morte de muitos irmãos.

Padre Faccenda
Fundador do Instituto

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

«Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo” (Jó 29, 15)»

Queridos irmãos e irmãs, por ocasião do XXIII Dia Mundial do Doente, instituído por São João Paulo II, dirijo-me a todos vós que carregais o peso da doença, encontrando-vos de várias maneiras unidos à carne de Cristo sofredor, bem como a vós, profissionais e voluntários no campo da saúde. O tema deste ano convida-nos a meditar uma frase do livro de Jó: «Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo» (29, 15). Gostaria de o fazer na perspectiva da «sapientia cordis», da sabedoria do coração.

1. Esta sabedoria não é um conhecimento teórico, abstrato, fruto de raciocínios; antes, como a descreve São Tiago na sua Carta, é «pura (…), pacífica, indulgente, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia» (3, 17). Trata-se, por conseguinte, de uma disposição infundida pelo Espírito Santo na mente e no coração de quem sabe abrir-se ao sofrimento dos irmãos e neles reconhece a imagem de Deus. Por isso, façamos nossa esta invocação do Salmo: «Ensina-nos a contar assim os nossos dias, / para podermos chegar à sabedoria do coração» (Sal 90/89, 12). Nesta sapientia cordis, que é dom de Deus, podemos resumir os frutos do Dia Mundial do Doente.

2. Sabedoria do coração é servir o irmão. No discurso de Jó que contém as palavras «eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo», evidencia-se a dimensão de serviço aos necessitados por parte deste homem justo, que goza duma certa autoridade e ocupa um lugar de destaque entre os anciãos da cidade. A sua estatura moral manifesta-se no serviço ao pobre que pede ajuda, bem como no cuidado do órfão e da viúva (cf. 29, 12-13).

Também hoje quantos cristãos dão testemunho – não com as palavras mas com a sua vida radicada numa fé genuína – de ser «os olhos do cego» e «os pés para o coxo»! Pessoas que permanecem junto dos doentes que precisam de assistência contínua, de ajuda para se lavar, vestir e alimentar. Este serviço, especialmente quando se prolonga no tempo, pode tornar-se cansativo e pesado; é relativamente fácil servir alguns dias, mas torna-se difícil cuidar de uma pessoa durante meses ou até anos, inclusive quando ela já não é capaz de agradecer. E, no entanto, que grande caminho de santificação é este! Em tais momentos, pode-se contar de modo particular com a proximidade do Senhor, sendo também de especial apoio à missão da Igreja.

3. Sabedoria do coração é estar com o irmão. O tempo gasto junto do doente é um tempo santo. É louvor a Deus, que nos configura à imagem do seu Filho, que «não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão» (Mt 20, 28). Foi o próprio Jesus que o disse: «Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22, 27).

Com fé viva, peçamos ao Espírito Santo que nos conceda a graça de compreender o valor do acompanhamento, muitas vezes silencioso, que nos leva a dedicar tempo a estas irmãs e a estes irmãos que, graças à nossa proximidade e ao nosso afeto, se sentem mais amados e confortados. E, ao invés, que grande mentira se esconde por trás de certas expressões que insistem muito sobre a «qualidade da vida» para fazer crer que as vidas gravemente afetadas pela doença não mereceriam ser vividas!

4. Sabedoria do coração é sair de si ao encontro do irmão. Às vezes, o nosso mundo esquece o valor especial que tem o tempo gasto à cabeceira do doente, porque, obcecados pela rapidez, pelo frenesim do fazer e do produzir, esquece-se a dimensão da gratuidade, do prestar cuidados, do encarregar-se do outro. No fundo, por detrás desta atitude, há muitas vezes uma fé morna, que esqueceu a palavra do Senhor que diz: «a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).

Por isso, gostaria de recordar uma vez mais a «absoluta prioridade da “saída de si próprio para o irmão”, como um dos dois mandamentos principais que fundamentam toda a norma moral e como o sinal mais claro para discernir sobre o caminho de crescimento espiritual em resposta à doação absolutamente gratuita de Deus» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 179). É da própria natureza missionária da Igreja que brotam «a caridade efectiva para com o próximo, a compaixão que compreende, assiste e promove» (Ibid., 179).

5. Sabedoria do coração é ser solidário com o irmão, sem o julgar. A caridade precisa de tempo. Tempo para cuidar dos doentes e tempo para os visitar. Tempo para estar junto deles, como fizeram os amigos de Jó: «Ficaram sentados no chão, ao lado dele, sete dias e sete noites, sem lhe dizer palavra, pois viram que a sua dor era demasiado grande» (Jó 2, 13). Mas, dentro de si mesmos, os amigos de Jó escondiam um juízo negativo acerca dele: pensavam que a sua infelicidade fosse o castigo de Deus por alguma culpa dele. Pelo contrário, a verdadeira caridade é partilha que não julga, que não tem a pretensão de converter o outro; está livre daquela falsa humildade que, fundamentalmente, busca aprovação e se compraz com o bem realizado.

A experiência de Jó só encontra a sua resposta autêntica na Cruz de Jesus, ato supremo de solidariedade de Deus para conosco, totalmente gratuito, totalmente misericordioso. E esta resposta de amor ao drama do sofrimento humano, especialmente do sofrimento inocente, permanece para sempre gravada no corpo de Cristo ressuscitado, naquelas suas chagas gloriosas que são escândalo para a fé, mas também verificação da fé (cf. Homilia na canonização de João XXIII e João Paulo II, 27 de Abril de 2014).

Mesmo quando a doença, a solidão e a incapacidade levam a melhor sobre a nossa vida de doação, a experiência do sofrimento pode tornar-se lugar privilegiado da transmissão da graça e fonte para adquirir e fortalecer a sapientia cordis. Por isso se compreende como Jó, no fim da sua experiência, pôde afirmar dirigindo-se a Deus: «Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora vêem-Te os meus próprios olhos» (42, 5). Também as pessoas imersas no mistério do sofrimento e da dor, se acolhido na fé, podem tornar-se testemunhas vivas duma fé que permite abraçar o próprio sofrimento, ainda que o homem não seja capaz, pela própria inteligência, de o compreender até ao fundo.

6. Confio este Dia Mundial do Doente à proteção materna de Maria, que acolheu no ventre e gerou a Sabedoria encarnada, Jesus Cristo, nosso Senhor.

Ó Maria, Sede da Sabedoria, intercedei como nossa Mãe por todos os doentes e quantos cuidam deles. Fazei que possamos, no serviço ao próximo sofredor e através da própria experiência do sofrimento, acolher e fazer crescer em nós a verdadeira sabedoria do coração.

Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.

Papa Francisco