sexta-feira, 13 de março de 2015

Eis-me aqui! Para sempre

“O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma virgem... e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”... Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e o chamarás com o nome de Jesus... Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,26-38).

Esta página do Evangelho nos apresenta o chamado e a missão de Maria. O anjo é enviado por Deus a Maria para falar-lhe do projeto que Deus tem para Ela e pedir o seu consentimento. Deus tem para cada um de nós um desígnio de amor e não o realiza sem nós. Busca a nossa livre adesão.

“E Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te, amada de Deus!”. A primeira palavra que Deus diz a Maria e a cada um de nós é: “Alegra-te!” A primeira palavra do Evangelho é uma palavra de alegria. Antes de chamar para uma missão, Deus convida à alegria: “Alegra-te, sê feliz!”. Quando Deus entra na nossa vida não vem para pedir, mas para dar. Vem para dizer a cada um de nós: abre-te à alegria. Deus se inclina sobre cada um de nós e coloca em nossas mãos e em nossos corações uma promessa de felicidade.

“O Senhor está contigo!”. Acontece com Maria um fato inédito, impensável. Entra onde ela está aquele Deus que desde sempre foi o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó. O Deus dos Pais. Um Deus do qual outros fizeram experiência pessoal, agora é o Deus conosco. Um Deus para ser acolhido e doado, para se fazer nascer e crescer no coração dos homens.

“Eu sou a serva do Senhor!”. Maria chama a si mesmo de “serva”. Servir é um modo novo de viver. Não mais voltados a si mesmos, fechados; mas apertos, voltados a Deus. Substitui-se a lógica da posse pela lógica do dom. “Servo”, em seu termo original significa colado. Maria é colada em Deus, totalmente aderente a Ele.
“Eu sou a serva do Senhor!”. Palavras pronunciadas sem reserva. Maria entra no plano da salvação com os sentimentos de disponibilidade total. Orígenes, um autor antigo, coloca na boca de Maria uma expressão muito bela: “Sou uma tabuinha de cera, o Altíssimo escreva o que desejar”.

“Faça-se em mim segundo a tua palavra!”. Faça-se é uma forma optativa do verbo grego ghenoito e significa: não desejo outra coisa que fazer a vontade de Deus e fazê-la com alegria. O verbo no optativo, portanto, indica um desejo intenso. Maria pronuncia um sim com todo o coração.
em mim: Maria não realiza somente um gesto ou cumpre uma tarefa. Coloca em jogo a sua vida. Nós fazemos tantas coisas. Trabalhamos, às vezes, em vários setores. Caminhamos curvados sob o peso de tantos serviços pra se fazer ou já feitos. E nos lamentamos! Maria nos mostra que o caminho da existência não é só um fazer. É colocar em jogo toda a vida. É um doar-se. Maria no abandono da fé se entrega totalmente a Deus e à sua Palavra. Arrisca tudo e para sempre.

“Faça-se em mim”: Na escola da Mãe do Senhor estas palavras são vividas pelo Padre Kolbe até a oferta da sua vida. Em apenas doze anos (1927-1939) a comunidade criada por ele torna-se um imenso convento com mais de 700 frades, a ponto de se temer a criação de uma nova Ordem na Ordem. Sem campanhas vocacionais pomposas, Padre Kolbe exortava: “Venham trabalhar pela Imaculada!”. Mostrava a beleza e a urgência de ser missionário. “Eu vivo só pelas almas: esta é a minha missão” escreveu em 1933 do navio italiano “Conte Rosso” referindo-se à conversão do ministro plenipotenciário japonês Kawai (cf. SK 530).
Como Maria, também o sim de Padre Kolbe tem a marca da fidelidade. É um sim sem “se” e sem “mas”. Até o fim.

É possível amar para sempre? Hoje as pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas. Isso vale para quem se prepara para o matrimônio e também ao sacerdócio e para a vida de consagração. É um medo geral, próprio da nossa cultura. Fazer escolhas para uma vida inteira, parece impossível. Hoje tudo muda rapidamente, nada dura muito. O amor para sempre, podemos também dizer, como exemplo, que se constrói como uma casa, não sobre a areia dos sentimentos que vão e vêm, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus (cf. Papa Francisco, mensagem às famílias, 15/02/14). Como o amor de Deus é estável e é para sempre, assim o nosso amor pode ser estável e para sempre. O segredo é: estar colados em Deus como Maria. Como o Padre Kolbe.
Para expressar um para sempre, a nível planetário, cunhou-se a palavra forever (para sempre) para que possa ser entendida por todos sem equívocos de linguagem.
Forever para acolher e anunciar o Rosto de Deus Amor.

Angela Esposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe
Polônia

Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org

sexta-feira, 6 de março de 2015

O Getsêmani

Nesta noite acontece algo que tem o sabor
de infinito:
seja nos gestos que Cristo realizou ou está para realizar, seja no discurso que está para pronunciar, seja nas expressões tão profunda e intensas dos apóstolos que Ele ama de modo especial:
“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13.1).

O coração dos apóstolos, o nosso próprio coração, percebe esse abismo de Amor, ao qual gostaria de corresponder com uma vida agradecida e grata, pois é sempre verdadeiro que “Amor com amor se paga”. Todavia, nós sabemos muito bem, após a ceia realizada com Jesus, começa a hora das trevas, inicia a manifestação cruenta da Redenção: O Getsêmani, a traição de Judas, a condenação por parte de Pilatos, a subida ao calvário, os membros pregados na cruz, o ápice das dores e, depois, a morte.

Fica aqui

Aquele que se fecha ao místico momento do cenáculo, jamais será um cristão integral, jamais poderá saborear o mistério da Redenção, nunca poderá sondar a profundidade do Evangelho. Da ceia com Cristo é preciso ir ao Getsêmani e nele entrar, como preparação para o calvário e a cruz.

Georges Bernanos, escritor convertido, faz uma afirmação muito densa de significado, verdadeiro eco do profundo mistério cristão: “Quem entra uma vez no Getsêmani, jamais poderá sair dele, porque Jesus saiu dali historicamente, mas continua ainda, através de seus membros, através de seu amor imperecível e daqueles que mais intimamente o amam, a permanecer no Getsêmani”.

Quem entra no Getsêmani não pode sair dele. É ai que se manifesta o verdadeiro amor; é ai que se transpira sangue sob o peso dos pecados; é ai que acontece a purificação mais perfeita, é ai que se tira qualquer resíduo de lama e de sujeira, para se elevar, juntamente com Cristo, e lavar todos os irmãos com a oferta de toda a própria vida. Bernanos, expressando a perfeita alegria de quem se converteu continua: “Não são as almas mais fortes que permanecem no Getsêmani, mais sim as almas mais generosas, mais simples, mais entusiastas, aquelas que querem dar tudo”.

De fato, entram com Jesus, no Getsêmani, os três discípulos mais amados: Pedro, Tiago, e João. Deveriam vigiar com Ele, forçar a própria fraqueza, mas são tomados pelo sono por três vezes: os mais fortes se tornam os mais fracos, esquecendo-se de Jesus que sofre e seu sangue.

Contudo, restam as mulheres.

Elas superam o racional e entenderam que, exatamente além do racional, há o amor: e abraçar o amor.
Não importa se o evangelho não o diz, mas certamente também Maria estava lá com as outras mulheres, enquanto os apóstolos dormiam vilmente. Sim, nem sempre são os grandesque permanecem no Getsêmani, mas os simples, os fracos, os que amam de verdade. Como Bernadete, como Catarina de Labouré; como Domingos Sávio; como o Padre Damião, o apostolo dos leprosos, como o Padre Kolbe, o mártir da caridade; como Maria Goretti, como Madre Tereza de Calcutá e muitos outros.

O que tu queres

Para permanecer no Getsêmani não devo pedir provas extraordinárias. Ele é livre para me enviar aquilo que quiser: pequenas dores ou o martírio sobre-humano. Ele sabe que eu sou a fraqueza em pessoa e sabe que chegará o momento do meu grito: “Afasta de mim este cálice” (Mc 14,36); mas sabe que nele terei a força que Ele teve para repetir com fé: “Entretanto, não o quero, mas o que tu queres!”. E me levantarei com ele,dizendo: “Vamos!” (Mc 14,42).

E, enquanto o meu espírito permanecer no Getsêmani, o amor subirá e saberá enfrentar lutas e humilhações, dores atrozes e sofrimentos desumanos. Com a cruz nas costas sofrerei o ódio da multidão, a ingratidão mais amarga, as quedas e depois novas quedas, até meu corpo ficar estendido e pregado na cruz.

E, enquanto, com a voz agonizante, me dirigir ao Pai, com o tom da suplica mais amarga: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonastes?” (Mc 15,34), o espírito ainda estará lá no Getsêmani, saboreando a visão do anjo que vem me confortar (cf Lc 22,43).

Por isso, Getsêmani, calvário e crucificação serão um único respiro da Redenção.

Somente no Calvário posso realizar a vocação de cristão, porque onde a cruz toca, ela fecunda, dá verdadeira vida, faz o amor crescer; tira a soberba da palavra, purifica do orgulho e da presunção, elimina o amor próprio, a segurança em nós mesmos, e por isso sei escutar o grito de Cristo crucificado e fazê-lo meu “Tenho sede” (Jo 19,28), extinguindo esta sua sede, dando-lhe almas e amor.

Com a cruz nas costas e o espírito no Getsêmani, poderei rodar o mundo e, à minha passagem, não deixarei a aridez soberba do meu passo, da minha palavra ociosa, mas deixarei a vida que gera vida. Levarei até Ele outros irmãos, que saberão permanecer no Getsêmani com Ele.

Assim, é coisa muito importante que eu permaneça no Getsêmani cantando, mas sofrendo; amando, mas gerando na dor; fixando o olhar cada vez mais longe, mas dando a vida com confiança e com esperança.
Assim, somente assim, o mistério pascal, o mistério da dor e do amor, dirá ao mundo a palavra de alegria e de salvação, porque Cristo ressuscitou porque eu estou com Ele no Getsêmani e na cruz, neutralizando o pecado e a morte de muitos irmãos.

Padre Faccenda
Fundador do Instituto

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

«Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo” (Jó 29, 15)»

Queridos irmãos e irmãs, por ocasião do XXIII Dia Mundial do Doente, instituído por São João Paulo II, dirijo-me a todos vós que carregais o peso da doença, encontrando-vos de várias maneiras unidos à carne de Cristo sofredor, bem como a vós, profissionais e voluntários no campo da saúde. O tema deste ano convida-nos a meditar uma frase do livro de Jó: «Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo» (29, 15). Gostaria de o fazer na perspectiva da «sapientia cordis», da sabedoria do coração.

1. Esta sabedoria não é um conhecimento teórico, abstrato, fruto de raciocínios; antes, como a descreve São Tiago na sua Carta, é «pura (…), pacífica, indulgente, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia» (3, 17). Trata-se, por conseguinte, de uma disposição infundida pelo Espírito Santo na mente e no coração de quem sabe abrir-se ao sofrimento dos irmãos e neles reconhece a imagem de Deus. Por isso, façamos nossa esta invocação do Salmo: «Ensina-nos a contar assim os nossos dias, / para podermos chegar à sabedoria do coração» (Sal 90/89, 12). Nesta sapientia cordis, que é dom de Deus, podemos resumir os frutos do Dia Mundial do Doente.

2. Sabedoria do coração é servir o irmão. No discurso de Jó que contém as palavras «eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo», evidencia-se a dimensão de serviço aos necessitados por parte deste homem justo, que goza duma certa autoridade e ocupa um lugar de destaque entre os anciãos da cidade. A sua estatura moral manifesta-se no serviço ao pobre que pede ajuda, bem como no cuidado do órfão e da viúva (cf. 29, 12-13).

Também hoje quantos cristãos dão testemunho – não com as palavras mas com a sua vida radicada numa fé genuína – de ser «os olhos do cego» e «os pés para o coxo»! Pessoas que permanecem junto dos doentes que precisam de assistência contínua, de ajuda para se lavar, vestir e alimentar. Este serviço, especialmente quando se prolonga no tempo, pode tornar-se cansativo e pesado; é relativamente fácil servir alguns dias, mas torna-se difícil cuidar de uma pessoa durante meses ou até anos, inclusive quando ela já não é capaz de agradecer. E, no entanto, que grande caminho de santificação é este! Em tais momentos, pode-se contar de modo particular com a proximidade do Senhor, sendo também de especial apoio à missão da Igreja.

3. Sabedoria do coração é estar com o irmão. O tempo gasto junto do doente é um tempo santo. É louvor a Deus, que nos configura à imagem do seu Filho, que «não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão» (Mt 20, 28). Foi o próprio Jesus que o disse: «Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22, 27).

Com fé viva, peçamos ao Espírito Santo que nos conceda a graça de compreender o valor do acompanhamento, muitas vezes silencioso, que nos leva a dedicar tempo a estas irmãs e a estes irmãos que, graças à nossa proximidade e ao nosso afeto, se sentem mais amados e confortados. E, ao invés, que grande mentira se esconde por trás de certas expressões que insistem muito sobre a «qualidade da vida» para fazer crer que as vidas gravemente afetadas pela doença não mereceriam ser vividas!

4. Sabedoria do coração é sair de si ao encontro do irmão. Às vezes, o nosso mundo esquece o valor especial que tem o tempo gasto à cabeceira do doente, porque, obcecados pela rapidez, pelo frenesim do fazer e do produzir, esquece-se a dimensão da gratuidade, do prestar cuidados, do encarregar-se do outro. No fundo, por detrás desta atitude, há muitas vezes uma fé morna, que esqueceu a palavra do Senhor que diz: «a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).

Por isso, gostaria de recordar uma vez mais a «absoluta prioridade da “saída de si próprio para o irmão”, como um dos dois mandamentos principais que fundamentam toda a norma moral e como o sinal mais claro para discernir sobre o caminho de crescimento espiritual em resposta à doação absolutamente gratuita de Deus» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 179). É da própria natureza missionária da Igreja que brotam «a caridade efectiva para com o próximo, a compaixão que compreende, assiste e promove» (Ibid., 179).

5. Sabedoria do coração é ser solidário com o irmão, sem o julgar. A caridade precisa de tempo. Tempo para cuidar dos doentes e tempo para os visitar. Tempo para estar junto deles, como fizeram os amigos de Jó: «Ficaram sentados no chão, ao lado dele, sete dias e sete noites, sem lhe dizer palavra, pois viram que a sua dor era demasiado grande» (Jó 2, 13). Mas, dentro de si mesmos, os amigos de Jó escondiam um juízo negativo acerca dele: pensavam que a sua infelicidade fosse o castigo de Deus por alguma culpa dele. Pelo contrário, a verdadeira caridade é partilha que não julga, que não tem a pretensão de converter o outro; está livre daquela falsa humildade que, fundamentalmente, busca aprovação e se compraz com o bem realizado.

A experiência de Jó só encontra a sua resposta autêntica na Cruz de Jesus, ato supremo de solidariedade de Deus para conosco, totalmente gratuito, totalmente misericordioso. E esta resposta de amor ao drama do sofrimento humano, especialmente do sofrimento inocente, permanece para sempre gravada no corpo de Cristo ressuscitado, naquelas suas chagas gloriosas que são escândalo para a fé, mas também verificação da fé (cf. Homilia na canonização de João XXIII e João Paulo II, 27 de Abril de 2014).

Mesmo quando a doença, a solidão e a incapacidade levam a melhor sobre a nossa vida de doação, a experiência do sofrimento pode tornar-se lugar privilegiado da transmissão da graça e fonte para adquirir e fortalecer a sapientia cordis. Por isso se compreende como Jó, no fim da sua experiência, pôde afirmar dirigindo-se a Deus: «Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora vêem-Te os meus próprios olhos» (42, 5). Também as pessoas imersas no mistério do sofrimento e da dor, se acolhido na fé, podem tornar-se testemunhas vivas duma fé que permite abraçar o próprio sofrimento, ainda que o homem não seja capaz, pela própria inteligência, de o compreender até ao fundo.

6. Confio este Dia Mundial do Doente à proteção materna de Maria, que acolheu no ventre e gerou a Sabedoria encarnada, Jesus Cristo, nosso Senhor.

Ó Maria, Sede da Sabedoria, intercedei como nossa Mãe por todos os doentes e quantos cuidam deles. Fazei que possamos, no serviço ao próximo sofredor e através da própria experiência do sofrimento, acolher e fazer crescer em nós a verdadeira sabedoria do coração.

Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.

Papa Francisco

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Um desejo de... silêncio!


No início de um novo ano de graça é normal a troca de desejos de paz, de bênçãos, de prosperidade. Da terra da Polônia chegamos até vocês com um desejo de... silêncio! Um desejo que acolhemos da Palavra de Deus que diz a Elias e a cada um de nós:
“Sai e fica na montanha diante do Senhor. E eis que o Senhor passou. Um grande e impetuoso furacão fendia as montanhas e quebrava os rochedos diante do Senhor, mas o Senhor não estava do furacão; depois do furacão houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto; e depois do terremoto um fogo, mas o Senhor não estava no fogo; e depois do fogo o murmúrio de uma brisa suave. Quando Elias o ouviu, cobriu o rosto com o manto...” (I Rs 19,11-13).
Os fenômenos naturais, barulhentos, presentes no Sinai no momento das dez palavras, aparecem também aqui, mas o texto evidencia que “o Senhor não está ali”. Somente quando se escuta uma voz de silêncio sutil, Elias reconhece a presença do Senhor. O silêncio revela Deus na pequenez. Um Deus misterioso, nunca igual a si mesmo. Os sinais da presença de Deus não são mais assustadores. O profeta deve ser capaz de reconhecer a passagem do Senhor na escuta da voz do silêncio. Aprender a reconhecer Deus lá onde parece ausente. Não é necessário passar sempre do fogo ao vento, do vento à tempestade, também a banalidade quotidiana da vida é lugar privilegiado da presença de Deus. Escutar o que o silêncio diz.

Voz de silêncio sutil é a voz de Padre Kolbe que frequentemente convida a manter a paz interior, independentemente dos acontecimentos da vida, porque “no meio das tempestades, seja interiores que exteriores, é necessário muita, muitíssima tranquilidade” (SK 943). “Durante o Capítulo Provincial de 1936, o Padre Boaventura se pronunciou asperamente e de modo agressivo contra as práticas da vida conventual em Niepokalanów. Ameaçava-se uma áspera discussão entre os defensores e os adversários. O fermento era grande. Padre Maximiliano manteve um equilíbrio e uma calma verdadeiramente heróica, apesar de tais questões dizerem respeito a ele pessoalmente. Ele não elevou a voz em sua defesa e somente repetia: “Será como a Imaculada quiser” (Padre CornelioCzupryk) . “Era cheio de cordialidade para com aqueles Confrades que lhe causavam desgostos, às vezes mesmo involuntários. Falando-me das dificuldades tidas com o Padre Constâncio em Nagasaki, disse-me: “Rezo para que a Imaculada direcione tudo para o bem” (Frei Ferdinando Maria Kasz). Padre Kolbe repetia frequentemente uma máxima de São João da Cruz: “Procure fazer com que nada possa te dar aborrecimentos e tu, não deixar-te aborrecer por nada. Deixa para lá e recolhe-te na intimidade com o teu Deus”. Às vezes – contam as testemunhas – Padre Kolbe, em seus encontros pessoais com os frades, dá apenas o seu serviço de escuta. Com o seu silêncio os obriga, quase, a descer a um nível mais profundo e os reconduz a relativizar as suas ações para dedicar-se ao verdadeiro caminho – específico de cada crente, de cada consagrado – o caminho do amor. Dirige a eles um convite:
“Coloquemos na Imaculada a nossa confiança, rezemos e vamos em frente na vida com tranquilidade e serenidade” (SK 935). A atividade externa é boa, mas obviamente, é de importância secundária e ainda menos em confronto com a vida interior, com a vida de recolhimento, de oração, com a vida do nosso amor pessoal para com Deus” (SK 903).

“É no silêncio interior que a alma se purifica e pode renascer como no silêncio primordial das águas intra-uterinas: 'No ventre de Maria a alma deve renascer de acordo com a forma de Jesus Cristo'” (SK 1295).
Recomenda frequentemente o silêncio (cf. SK 515) e se lamenta quando ele mesmo não consegue vivê-lo plenamente (cf. SK 920).Em silêncio e com paciência acolhe as críticas, acusações, traições.
Tudo natural para ele? Nada disso! “Era quente por natureza e calmo por virtude” para escutar uma voz de silêncio sutil e ver a presença de Deus que se esconde nas dobras tortas e retorcidas da vida.

Nas “Babéis” do nosso tempo transtornado ninguém escuta mais ninguém. “Ninguém tem tempo de escutar-vos, nem mesmo aqueles que vos amam e estariam prontos para morrer por vós” afirma com frieza uma personagem de um famoso romance: “o meu coração escuta” de Taylor Caldwell. Padre Kolbe doa tempo, todo o tempo que é necessário para escutar cada um de seus irmãos e se alegra quando vislumbra no rosto da pessoa a quem se aproxima, com a escuta e a acolhida, um vislumbre de serenidade para encaminharem-se juntos na estrada da confiança e da ternura.

Bom ano com Maria, a Virgem da escuta e do silêncio.

Angela Esposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe
Polônia

Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Mensagem de Natal de Papa Francisco

O Natal costuma ser sempre uma ruidosa festa; entretanto se faz necessário o silêncio, para que se consiga ouvir a voz do Amor.

Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.

O pinheiro de Natal é você, quando com sua força, resiste aos ventos e dificuldades da vida.

Você é a decoração de Natal, quando suas virtudes são cores que enfeitam sua vida.

Você é o sino de Natal, quando chama, congrega, reúne.

A luz de Natal é você quando com uma vida de bondade, paciência, alegria e generosidade consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros

Você é o anjo do Natal quando consegue entoar e cantar sua mensagem de paz, justiça e de amor.

A estrela-guia do Natal é você, quando consegue levar alguém, ao encontro do Senhor.

Você será os Reis Magos quando conseguir dar, de presente, o melhor de si, indistintamente a todos. A música de Natal é você, quando consegue também sua harmonia interior.

O presente de Natal é você, quando consegue comportar-se como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.

O cartão de Natal é você, quando a bondade está escrita no gesto de amor, de suas mãos.

Você será os votos de Feliz Natal? Quando perdoar, restabelecendo de novo, a paz, mesmo a custo de seu próprio sacrifício.

A ceia de Natal é você, quando sacia de pão e esperança, qualquer carente ao seu lado.

Você é a noite de Natal quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio recebe o Salvador do Mundo.

Um muito Feliz Natal a todos que procuram assemelhar-se com esse Natal.

Papa Francisco

Assista também ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=w7ZMISWR6y4

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Festa da Medalha Milagrosa - Virgem do globo

Sempre acreditei na medalha milagrosa com toda a força da minha fé. A sua mensagem, uma das maiores e mais extraordinárias destes últimos séculos, confirmou que esta é a hora de Maria, a qual preanuncia os tempos nos quais, segundo a expressão cara Catarina Labouré, “as almas respirarão Maria como os corpos respiram o ar” (S. Luis M. Grignion de Montfort, tratado da verdadeira devoção a Maria,, n. 217)

A Medalha Milagrosa, além de um pequeno livro de fé, pode ser definida como um pequeno tratado de mariologia.

Podemos dizer que, exatamente por causa dessa visão, a medalha contribuiu notavelmente a fim de preparar os ânimos para a definição do dogma da Imaculada Conceição, vinte e quatro anos mais tarde. De fato no dia 8 de dezembro de 1854, através da carta apostólica Innefabilis Deus, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição.

Contudo, além dessa finalidade imediata, que já se realizou, quantas coisas ainda diz a esplendida visão da Imaculada para o olhar atento do cristão que a contempla! A visão da “toda pura”, que esmaga a cabeça da serpente infernal recorda ao homem a triste história da humanidade pecadora.
Todos os homens passam da tenaz do pecado original, da qual são libertados somente pela graça do batismo. Somente Maria foi isenta dela. E esse singular privilégio, mais do que ofender a universalidade da Redenção humana, realizada por Cristo, exalta o poder do divino Redentor, que com seus méritos preservou Maria, sua mãe, de incorrer na herança comum: Maria foi remida com uma redenção preventiva, que a  tornou imune de contrair o pecado original desde o primeiro momento da sua concepção.

Que alegria para a humanidade essa vitória de Maria, que marca a primeira de todas as vitórias por Ela ganha contra o inferno e contra suas insidias! A igreja canta: “Gaude Maria Virgo, cunctas haereses sola interemisti in universo mundo”, “ Alegrai-vos, ó virgem Maria! Por ti foram vencidas todas as heresias do mundo.

A vitória será infalível para quem mergulhar com confiança na luz de suas graças.
Vamos virar a medalha e ler o seu reverso. Tudo retorna, mas numa luz mais panorâmica e mais ampla: um “M” com uma cruz em cima, dois corações, doze estrelas. Quanto simbolismo nesses poucos traços!

O “M” com uma cruz em cima representa Maria com o Cristo crucificado em relação à nossa Redenção. Esse mistério nos leva necessariamente ao mistério da Encarnação do Verbo e também do próprio mistério de Deus Uno e Trino, fonte de todo ser e de toda vida.

O primeiro homem, criado inocente por Deus, prevaricou comendo o fruto proibido. O seu pecado repercutiu negativamente em toda a sua descendência, que desde o momento de sua concepção está sujeita a mancha original. Deus misericordioso, porém, não deixou o homem na infelicidade da sua própria sorte. Deu-lhe uma tábua de salvação: prometeu-lhe um Salvador, no qual encontraria reconciliação e vida.

Na plenitude dos tempos, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus, toma carne humana no seio de Maria e, após uma vida terrena de trinta e três anos, vivido em meio aos homens, sobe ao calvário para ser imolado ao Pai pela Redenção do mundo.

Na cruz se realiza a obra da nossa salvação e a nossa pacificação com Deus: “Pois nele aprouve a Deus fazer habitar toda plenitude e reconciliar por ele e para ele todos os seres, os da terra e os do céus, realizando a paz pelo seu sangue da sua cruz” (Cl 1, 19-20).


O lugar da Virgem nesse plano divino de restauração do mundo é de capital importância. Ela está ao lado do Cristo Redentor, e não podemos concebê-la senão ao lado dele, porque a sua parte na nossa salvação vem imediatamente após a de Jesus. Através dela, de fato, Jesus é oferecido ao mundo e, através dela, o mundo retornará a Jesus: eis a missão de Maria nos projetos de Deus, que quis associa-la a toda obra do divino Redentor.

Padre Faccenda

Terceiro dia do tríduo para a festa da Medalha Milagrosa - Maria: Mãe que acompanha e ama seus filhos.

Em nome do Pai...

Canto

Dos Escritos do Padre Faccenda

Na medalha milagrosa São Maximiliano enxergava um sinal da bondade de Maria e da sua suplicante potência e também um sinal do seu materno amor.
Amor que foi revelado mais uma vez quando o judeu Afonso Ratisbonne se converteu a Deus, exatamente em Roma, na igreja de Sant’Andrea dele Fratte, depois da aparição de Maria, da mesma forma que a vemos na primeira face da medalha, a ele doada por um amigo.
Aos pés desse altar, no silencio da igreja, o jovem Maximiliano tinha meditado e rezado muitas vezes, ali tinha celebrado a sua primeira missa em 29 de abril de 1918. E o pacto com a medalha milagrosa acompanha-o a vida toda como pasto de amor e de confiança.

São Maximiliano Kolbe:

Não é necessário muito tempo para doar-se para sempre à Imaculada, para carregar a sua medalhinha e para repetir uma vez ao dia a breve jaculatória. Que façam ao menos alguma coisa pela Imaculada e lentamente Ela entrará  em seus corações, os purificará e inflamará de amor pelo coração de Jesus, um amor que trará alegria.

Oração:

Ó Mãe Imaculada, fazei que a cruz de vossa Medalha brilhe sempre diante de meus olhos, suavize as penas da vida presente e me conduza à vida eterna.

Rezar 3 Ave-Marias, acrescentando em cada uma: "Ó Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós".
Pai Nosso...
Glória ao Pai...