sábado, 31 de maio de 2014

Novena de Pentecostes: o fruto do Espírito é ALEGRIA

Segundo dia

São Maximiliano noz dizia…

O propósito é tornar feliz a humanidade, difundindo nas almas sedentas de felicidade o amor em direção Àquele que pode e quer introduzir a paz e a alegria no coração, a partir deste exílio terrestre... quem ama sinceramente a Imaculada e recorre a Ela com apego filial e com amor em cada tentação e dificuldade da vida, certamente derrubará todos os obstáculos no caminho rumo a felicidade, no sentido de um gosto antecipado da alegria do Paraíso.


ORAÇÃO A MARIA:

Mãe e Senhora nossa, causa da nossa alegria, você que nos deu Jesus que é a causa da nossa bem-aventurada esperança. Ajuda-nos a ser testemunhas da ressurreição do Senhor. Ensina-nos a comunicar aos homens, nossos irmãos, a alegria fruto do amor, que é fruto do Espírito Santo. Maria, faça que vivamos como você a alegria de nos sentir profundamente amados pelo Pai; a alegria de querer ser fiéis e dizer a cada dia como você: "Sim, eu sou a serva do Senhor: faça-se em mim segunda a sua palavra". Ó mãe, dá-nos a alegria do serviço como você viveu na visitação, nas bodas de Caná, dá-nos a alegria da cruz, de viver com serenidade e fortaleza aos pés da cruz, sabendo que dali se realiza a reconciliação do mundo com o Pai. Mãe da santa esperança, causa da nossa alegria, roga por nós. Amém.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Novena de Pentecostes: o fruto do Espírito é AMOR

Primeiro dia

São Maximiliano nos dizia…

A essência do amor recíproco não consiste no fato de que ninguém nos cause desgostos - o que é impossível vivendo juntos com outras pessoas - mas que aprendamos a perdoar-nos uns aos outros de maneira sempre mais perfeita, imediatamente e completamente. Na medida em que nós queimamos mais e mais do amor de Deus, poderemos acender um amor semelhante também nos outros.

ORAÇÃO A MARIA:

Ó Virgem do amor afaça que cada homem tenha um coração como o oceano, aberto como os céus, disponível, sereno e verde como o prado do pampa, a fim de que não se feche nunca às exigências de Deu e dos irmãos. Para que se lhes abra quando batem e podem para entrar; para que saiba prevenir a sua necessidade de ajuda, de luz, de conselho, de força e de alívio. Faça com que ninguém sinta a sua frieza, a indiferença, a impaciência. Faça com que aquele coração não seque nunca e conserve o frescor da juventude, para poder comunicar a todos a alegria, a confiança, a esperança. Para comunicar o poder redentor da sua Maternidade e da Paternidade de Deus. Amém.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Oferta suprema: a dor desejada pelo amor

Gostaria de dividir com vocês algumas reflexões sobre quatro realidades que chamo: “as quatro colunas da consagração à Imaculada segundo a espiritualidade kolbiana”. São elas: a vida interior, a obediência na fé, a caridade heróica e a oferta suprema.

Oferta suprema: a dor desejada pelo amor

“A vida do homem tem três etapas: a preparação para o trabalho, o trabalho, a dor. Quanto mais velozmente uma alma alcança a santidade, mais depressa chega à terceira etapa: a dor desejada pelo amor.” (Conferencia inédita, 28 de agosto de 1939)

A “dor desejada pelo amor” – quarta  coluna da consagração à Imaculada – comporta a disponibilidade em aceitar e amar as dores, os desgostos e os sofrimentos da vida, oferecendo-se a Deus pela salvação do mundo através de Maria.

Com a consagração a Maria esta etapa torna-se um momento e uma realidade concreta, preparada gradativamente pela graça, pela qual a dor encontra uma alma já pronta. Justamente dizia Padre Kolbe que, quanto maior é o amor, antes se chega a esta etapa, como chegou ele, que nunca negou nada à Imaculada. É pois uma etapa própria do espírito kolbiano, do profundo espírito missionário, da verdadeira consagração a Nossa Senhora.

A vocação particular de Padre Kolbe foi sem dúvida uma vocação à vida de vítima. Ele o sabia, o sentia, como nos revelam todas as suas palavras; e foi no espírito e nas condições de vítima que ele desenvolveu a sua própria missão sobre a terra. A visão das duas coroas, que clareou constantemente o horizonte da sua existência, é o primeiro sinal celeste; o seu final heróico é a mais estupenda confirmação.

Também a espiritualidade da Milícia da Imaculada tem as mesmas características: a “total oferta de si mesmo à Imaculada” não pode ser outra que uma generosa “oferta de vítima”. De resto esta realidade pertence à essência do cristianismo. O que é de fato, a vida cristã, se não a nossa participação na própria vida de Cristo Jesus? E que outra é a perfeição cristã, se não a perfeita imitação dele? Ele “se ofereceu como vítima sem mácula a Deus” (Heb 9, 14), pelo qual o Apóstolo assim convida os cristãos: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor” (Ef 5, 1-2). De fato Cristo, entrando no mundo, disse ao Pai: “Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho... ó Deus, para fazer a tua vontade. (...) Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre.” (Heb 10, 5-7.10)

Jesus quer dizer Salvador; este nome lhe foi dado no momento da sua circuncisão, segundo o costume da fé hebraica (cf. Lc 1,22-24), momento no qual derramou o próprio sangue, porque Ele deveria salvar o mundo  por meio da cruz. Com a cruz, ou seja com o martírio do seu corpo, da sua vontade e da sua alma, Jesus salvou todos os homens, e então senta à direita do Pai como “Rei imortal dos séculos”.

Este seu sacrifício se perpetua sobre a terra no Sacrifício Eucarístico, onde a oblação do Gólgota se renova cada dia de modo místico, mas real. Cristo, de fato, “veio como sumo sacerdote dos bens futuros... não com sangue de carneiros e de novilhos, mas com o próprio sangue entrou uma vez por todas no santuário, proporcionando-nos uma redenção eterna (...) Por uma só oblação ele realizou a perfeição definitiva daqueles que receberam a santificação (Heb 9,11.12; 10,14). Além disso, “porque vive para sempre, possui um sacerdócio eterno. É por isso que lhe é possível levar a termo a salvação daqueles que por ele vão a Deus, porque vive sempre para interceder em seu favor. Tal é, com efeito, o Pontífice que nos convinha...” (Heb 7,24-26).
   
Jesus Cristo portanto é a Vítima redentora, única e eterna, e os cristãos devem conformar-se a Ele. Assim pensava São Paulo quando traçava a norma preliminar e fundamental da vida cristã: “Vos exorto, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual.” (Rm 12,1)

E São Pedro chama o povo dos cristãos “nação santa”, “sacerdócio régio” (1 Pe 2,9), porque, como o sacerdote oficialmente constituído tem a função de oferecer vítimas em sacrifícios de adoração, de agradecimento, de súplica e de reparação à Divindade, assim o cristão deve oferecer a Deus, para os mesmos fins, as “vítimas espirituais” das suas orações, mortificações, boas obras.

E unindo-se a Ele, pedra viva, também ele é empregado como pedra viva para a construção de um edifício espiritual, para um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo. (cf. 1 Pe 2,4-5)

* * *   

Padre Kolbe era constantemente alimentado desta verdade e sempre nos propósitos dos Exercícios espirituais encontramos escrito: “Estuda o Crucifixo. Torna-te semelhante a Ele... Cada dia, repetidamente, e nos momentos difíceis, fixa o teu olhar sobre o Crucifixo... e aprende a imitar Jesus nu, enquanto te encontrares em tais tribulações e escárnio.” (SK 966)

Pelo que se entende como oferta total à Imaculada, que constitui a essência da consagração no espírito de São Maximiliano Kolbe, requer a disposição de ânimo em aceitar da Imaculada tudo aquilo que Ela deseja mandar, para que mais rapidamente e eficazmente possível Ela possa “estender à humanidade inteira os frutos da redenção operada pelo seu Filho” (SK 1220; cf. SK 1329).

Quem se consagra totalmente a Maria neste espírito, não deve pedir nada de extraordinário: doenças, provas, dificuldades, martírio, etc; mas deve simplesmente deixar à Imaculada a plena liberdade de servir-se dela como instrumento, de fazer dela aquilo que Ela (a Imaculada) quer, aquilo que Ela deseja.

“O amor à Imaculada não consiste somente em um ato de consagração, também se recitado com grande fervor, mas em oferecer muitas privações e trabalhar para isso sem descanso. Tudo, porém, quando, como e quanto Ela mesma queira.” (SK 706)

Escreveu então São Maximiliano:

“'Precisamos estar preparados para sofrer muito pela Imaculada, porque não está escrito só': 'Ela te esmagará a cabeça', mas também 'e tu lhe morderás o calcanhar' (cf. Gen 3,15); portanto em nós, que somos instrumentos nas suas mãos imaculadas, a serpente infernal incidirá, embora tantas vezes por meio de homens muito bons que agem com ótima intenção. (...) Certamente quem trabalha pela Imaculada precisa sofrer muito. Também a Imaculada sofreu muito. O amor se nutre essencialmente de cruzes.” (SK 402)

Antes, estas provas e sofrimentos morais são o distintivo mais bonito e mais seguro de autenticidade da nossa consagração. E Padre Kolbe terminava sempre as suas cartas com este desejo:

“Que a Imaculada não poupe as cruzes à sua 'Milícia' e a nenhum de seus membros (...); só assim, de fato, se purificam as intenções, tanto que não se inscreva nela e nem nela trabalhe pela própria exibição ou por complacência interior, mas unicamente por puro amor.” (SK 51)

Por isso:

“Quanto maior é a nossa incapacidade e mais difícil de superar os obstáculos, tanto mais se demonstra que Ela sozinha faz tudo. Neste reconhecimento está a fonte da excepcional potencialidade do desenvolvimento do nosso complexo editorial.” (SK 137)

* * *

Falando de dor vinda do amor, não falamos somente de dor física. Não creia alguém de ter chegado porque tem contínuas dores de cabeça; ou porque foi atingido por um tumor ou por qualquer outro mal.
Existe uma outra forma de dor, não menos pesada do que a dor física. É a dor moral, a dor psíquica, que não ataca os músculos ou as células, mas ataca a realidade mais profunda de nós mesmos: como as depressões, os cansaços, as incompreensões, as traições... E são dores muito fortes.

Mas nem ao menos esta forma compreende totalmente a terceira etapa da dor. Há ainda uma outra forma. Aquela experimentada por Cristo, por Maria, por Santa Teresa do Menino Jesus, pelo Beato Dom Calabria, pelo próprio Padre Kolbe e por tantos, tantos santos: o abandono completo por parte de todos e, sobretudo, o aparente abandono da parte de Deus.
É a noite da alma, o deserto do espírito, o túnel da morte. É a solidão mais extrema.
O Evangelho no-la apresenta: Jesus está completamente sozinho no Getsemani, no caminho do Calvário e na cruz, a ponto de gritar: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” (Mt 27,46) E assim Maria, aos pés da cruz, terá percebido a solidão do Filho, sentindo-se ela também sozinha e incompreendida.

E se retornamos a Padre Kolbe, não poderemos deixar de notar a sua solidão profunda. Sozinho e incompreendido antes, durante e depois da fundação de Niepokalanów. Sozinho no campo de extermínio, sozinho no momento da extrema decisão, sozinho na cela da morte. Sozinho, sempre sozinho, sem ninguém que lhe dirigisse uma palavra de conforto e de coragem. Rodeado de homens que se tornaram “feras”, que se divertiam em ver sofrer um sacerdote, em vê-lo zombado, humilhado. Mas ele estava preparado para esta terceira etapa, porque em toda a sua vida existia a dor, o trabalho, amor apaixonado por Deus, pelo homem e pela Imaculada.

Este terceiro aspecto da dor é certamente o mais profundo, que nada e ninguém pode consolar ou sustentar, enquanto se desenrola no espírito interior. Quem sofre moralmente pode ser compreendido e confortado. Mas a noite do espírito muito dificilmente é compreendida, se não por um anjo que só Deus  pode mandar.

À luz desta realidade compreendamos que no nosso caminho é necessário aprender uma arte: a arte de saber sofrer para entender quem sofre, de sofrermos nós primeiro para ajudar e amar os outros que sofrem, para sabermos viver o voto e o abandono e poder fazer o outro sentir que não está sozinho, mas que existe uma mão que pode segurar a sua.

Terceira etapa: completo em mim aquilo que falta à paixão de Cristo, afim de que a Igreja possa sempre caminhar na luz, na verdade e na humildade (cf. Col 1,24). A fim de que cada irmão possa encontrar-se com o Senhor que salvou o homem através do seu sofrimento. (cf. Padre L. Faccenda, Ora tocca a voi, Edizioni dell'Immacolata)

Concluamos esta parte comunicando alguns pensamentos extraídos de duas cartas que Padre Kolbe escreve à comunidade de Mugenzai-no-Sono (Cidade da Imaculada no Japão) em abril de 1933 e que ressumem muito bem tudo quanto ilustramos.

“Caros filhinhos, recordemo-nos que o amor vive e se nutre de sacrifícios. Agradeçamos a Imaculada pela paz interior, pelo êxtase de amor, todavia não esqueçamos que tudo isto, ainda que bom e bonito, não é de fato a essência do amor e o amor, pelo contrário o amor perfeito, pode existir também sem tudo isso. O vértice do amor é o estado no qual se encontra Jesus sobre a cruz quando disse: 'Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste?' (Salmo 21, 2; Mt 27, 46; Mc 15,34). Sem sacrifício não existe amor. O sacrifício dos sentidos, sobretudo o da visão, particularmente quando se sai do convento e se vai em meio aos seculares, o sacrifício do paladar, da audição e etc.. Mas, além de tudo, o sacrifício da razão e da vontade na santa Obediência. Quando o amor a Ela, à bondade de Deus nela, ao amor do Coração divino que é personificado nela, quando tal amor nos tiver agarrado e compenetrado, então os sacrifícios se  tornarão uma necessidade para a nossa alma. A alma desejará apresentar constantemente demonstrações sempre novas, sempre mais profundas de amor, e tal demonstrações não mais que os sacrifícios. Desejo, portanto, a todos vós e também a mim mesmo o maior número de sacrifícios.” (SK 504)

“Caríssimos filhinhos, nas dificuldades, nas trevas, nas fraquezas, nos desencorajamentos lembremo-nos que o paraíso... o paraíso... está se aproximando. Cada dia que passa é um dia inteiro a menos de espera. Coragem, portanto! Ela nos aguarda lá em cima para nos apertar ao seu Coração.
Além disso, não dê ouvidos ao diabo, que a qualquer momento vos quer fazer crer que o paraíso existe, mas não para vós, porque, também se tivésseis cometido todos os pecados possíveis e imagináveis, um só ato de amor perfeito pode purificar tudo ao ponto tal que não permaneça em nós nem ao menos uma sombra. Caríssimos filhinhos, como desejaria dizer-vos, repetir-vos quanto é boa a Imaculada, para poder afastar para sempre dos vossos pequenos corações a tristeza, o abatimento interior e o desencorajamento. Só a invocação 'Maria', talvez com ânimo imerso nas sombras, na aridez e por fim na desgraça do pecado, que eco produz no Seu Coração que tanto nos ama! E quanto mais a alma é infeliz, arruinada nas culpas, tanto mais este Refúgio para nós pobres pecadores a circunda de amorosa e solícita proteção. Mas não vos afligíeis inteiramente se não sentires tal amor. Se quereis amar, isto já é um sinal seguro que estais amando; mas se trata somente de um amor que procede da vontade. Também o sentimento exterior é fruto da graça, mas nem  sempre ele segue imediatamente a vontade. Vos fará entender, meus queridos, um pensamento, quase uma intrigante nostalgia, uma súplica, um lamento... 'Quem sabe se a Imaculada me ama ainda?'. Filhinhos amadíssimos! O digo a todos e a cada um em particular no Seu nome, notem bem, no Seu nome: Ela ama cada um de vós, vos ama demais e em cada momento sem qualquer exceção. Isto, caríssimos filhinhos, o repito no Seu nome.” (SK 509)

“Tudo posso naquele que me dá força (Fl 4, 13) através da Imaculada”, repetia frequentemente Padre Kolbe (SK 975). Façamos nossa esta sua bela invocação, confortados pela certeza de São Paulo: “Quando me sinto fraco, então é que sou forte.” (2 Cor 12,10)

Padre Faccenda
Fundador do Instituto



Fonte: FACCENDA, Luigi M. Era Mariana: Fondamenti biblici, teologici, storici e spirituali della consacrazione all'Immacolata. Quarta edizione 1995. Edizioni dell'Immacolata. Bologna. Italia.


Ouça e participe do programa Encontro com Maria, a partir das 14h, todas as quartas, na Rádio Imaculada Conceição 1490 AM: http://www.miliciadaimaculada.org.br/ver3/radiopop.asp?v=grandesp

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Caridade heróica: prontos a dar a vida pelos próprios irmãos

Gostaria de dividir com vocês algumas reflexões sobre quatro realidades que chamo: “as quatro colunas da consagração à Imaculada segundo a espiritualidade kolbiana”. São elas: a vida interior, a obediência na fé, a caridade heróica e a oferta suprema.

Caridade heróica: prontos a dar a vida pelos próprios irmãos

No Evangelho, Jesus nos chama ao amor maior, indicando como o “seu” mandamento por excelência: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros,  como eu vos amei.” (Jo 15, 12)  “Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisso todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (Jo 13,34)

Este amor maior, esta caridade heróica, caracterizaram a vida terrena inteira da Virgem Mãe, como se pode ver no Evangelho: desde a visitação, à sua solicitude nas bodas de Canaã, no Cenáculo. Ela, que na anunciação se define “a serva do Senhor” (Lc 1, 38), “permanece em toda a vida terrena fiel a tudo que este nome exprime, confirmando assim ser uma verdadeira “discípula” de Cristo (...) “veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mt 20,28). Por isso, Maria tornou-se a primeira entre aqueles que, “servindo a Cristo também nos outros, com humildade e paciência conduzem os seus irmãos àquele Rei, a quem servir  é reinar” (LG 36). E esta “glória de servir não cessa de ser a sua exaltação real: elevada ao céu, ela não suspende aquele seu serviço salvífico, em que se exprime a mediação materna, “até a perpétua coroação de todos os eleitos (LG 62)” (RM 41).

Maria manifestou a expressão mais alta do seu amor materno aos pés da Cruz: “A beata Virgem Maria avançou no caminho da fé e conservou fielmente a sua missão com o Filho até a cruz, onde, não sem um desígnio divino,  se manteve firme (cf. Jo 19,25), sofreu profundamente com o seu Filho unigênito e se associou com ânimo materno ao sacrifício dele, amorosamente consciente da imolação da vítima da lei gerada; e finalmente, pelo próprio Cristo morrendo na cruz foi dada como mãe ao discípulo com estas palavras: “Mulher, eis o teu filho (cf. 19,26-27).” (LG 58; cf. RM 18)
   
Através da nossa consagração a Ela, somos chamados a imitar esta sua caridade sem limites. Mas esta disponibilidade em dar a própria vida, até à oferta suprema de si que Padre Kolbe fez no campo de extermínio de Auschwitz, requer a alienação cotidiana ao dom de si, para ser e tornar-se sempre mais instrumentos de amor e de comunhão. Esta atitude de caridade deve caracterizar os nossos relacionamentos com amigos e parentes; com todos os homens, sem distinção; com a Igreja através da obediência aos seus ensinamentos e a mais autêntica comunhão eclesial.

Para realizar um amor genuíno e partilhado, devemos cultivar a pobreza e a humildade interior; devemos, além disso, estar sempre prontos a estender a mão a todos e perdoar-nos uns aos outros.

Escrevia sobre este propósito Padre Kolbe: “A essência do amor recíproco não consiste no fato de que ninguém nos cause desgostos – o que é impossível vivendo com outras pessoas – mas que aprendamos a perdoar-nos uns aos outros de modo sempre mais perfeito, imediatamente e completamente. Então recitaremos com grande confiança a invocação contida no “Pai nosso”: Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como  nós perdoamos a quem nos tem ofendido (Mt 6,12). Seria um verdadeiro erro se não tivéssemos nada ou bem pouco a perdoar aos outros. (...) A fonte da felicidade e da paz não está fora, mas dentro de nós. Saibamos tirar proveito de cada coisa para exercitar, a paciência, a humildade, a obediência, a pobreza e as outras virtudes cristãs e as cruzes não serão tão pesadas.” (SK 935)

Padre Faccenda
Fundador do Instituto


Fonte: FACCENDA, Luigi M. Era Mariana: Fondamenti biblici, teologici, storici e spirituali della consacrazione all'Immacolata. Quarta edizione 1995. Edizioni dell'Immacolata. Bologna. Italia.

 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A obediência: um mistério de fé

Gostaria de dividir com vocês algumas reflexões sobre quatro realidades que chamo: “as quatro colunas da consagração à Imaculada segundo a espiritualidade kolbiana”. São elas: a vida interior, a obediência na fé, a caridade heróica e a oferta suprema. 



A obediência: um mistério de fé

Visto que a essência da consagração à Imaculada segundo Padre Kolbe consiste em pertencer à Imaculada “totalmente sob cada aspecto” (cf. SK 1329) e, como consequência, fazer todo o possível para conhecer e cumprir sempre mais fielmente a vontade da Imaculada, a obediência é a virtude mais recomendada por São Maximiliano.

Obedecer, de fato, significa estar em total conformidade com a vontade de Deus e permitir à Imaculada guiar a nossa vida como Ela quer, sem condicionamentos, para que Ela possa servir-se livremente de nós, para qualquer coisa e de qualquer modo (cf. SK 1334). Vale dizer: “ser um instrumento o mais perfeito possível nas suas mãos imaculadas, deixar-se conduzir totalmente por Ela e de modo mais perfeito, ou seja, a obediência mais perfeita possível, através da qual Ela manifesta a própria vontade, nos guia assim, como instrumentos” (SK 339), recordando que a vontade da Imaculada coincide perfeitamente com a vontade de Deus (cf. SK 56).

Eis o que Padre Kolbe desejava aos seminaristas de Niepokalanów: “Meus queridos, vós mesmos experimentareis na vida, também sobre esta terra, que toda a perfeição da santidade, todo o fervor da ação, toda a eficácia do apostolado missionário é garantida não sobre uma grande sabedoria, nem sobre uma grande habilidade, nem sob grande capacidade e nem ao menos sobre quantidade de orações e de penitências, mas unicamente sob a perfeição da santa obediência” (SK 380).

Padre Kolbe, de fato, desde os primeiros anos da sua formação religiosa estava convencido que “através da santa obediência se manifesta a vontade certa de Deus, a vontade da Imaculada... Através da santa obediência, a nossa vontade se une com a vontade dela, assim como a vontade dela é estreitamente unida à vontade de Deus. Então, através da santa obediência tornamo-nos  rigorosamente, matematicamente, infinitamente sábio no agir, infinitamente potentes, sábios e bons, porque a vontade divina é sempre infinitamente sábia, boa e potente...” (SK 380).

Tudo isto não vale somente para os religiosos, mas para todo cristão, que é chamado, pela força do Batismo e da sua pertença à comunidade eclesial, a viver este espírito de obediência através:

- da escuta  atenta e dócil da Palavra de Deus, do Papa e do Magistério da Igreja;
- da atenção para colher nos acontecimentos e nas situações da vida a passagem e a chamada de Deus;
- do fiel cumprimento dos deveres do estado pessoal e do próprio trabalho, atendendo as disposições dos responsáveis dos ambientes e dos organismos nos quais se opera de várias formas;
- da obediência às legítimas autoridade civis, observando todas as leis que não são contrárias à consciência cristã (também as do código de trânsito!).

No evangelho contemplamos Maria como a Virgem em escuta, que fez da sua vida um contínuo “sim” à vontade de Deus. Na sua encíclica mariana, João Paulo II escreveu a respeito: “Na anunciação Maria se abandonou a Deus completamente, manifestando a ‘obediência da fé’ àquele que lhe falava mediante o seu mensageiro e prestando ‘o pleno obséquio do intelecto e da vontade” (Dei Verbum, 5)” (RM 13).

“Quem vos escuta, escuta a mim” (Lc 10,16), disse Jesus. E dizendo isso disse tudo.

Padre Faccenda
Fundador do Instituto


Fonte: FACCENDA, Luigi M. Era Mariana: Fondamenti biblici, teologici, storici e spirituali della consacrazione all'Immacolata. Quarta edizione 1995. Edizioni dell'Immacolata. Bologna. Italia.


Ouça e participe do programa Encontro com Maria, do dia 14 de maio, a partir das 14h, na Rádio Imaculada Conceição 1490 AM: http://www.miliciadaimaculada.org.br/ver3/radiopop.asp?v=grandesp

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Eis tua mãe! (Jo 19,25-27)

Neste mês de maio, mês mariano por excelência, permaneçamos com Maria aos pés da cruz. É um momento de grande intensidade e de união de corações. Escutemos as palavras de João.

“Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Jesus, então, vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis teu filho!” Depois disse ao discípulo: “Eis tua mãe!” E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa”.

Depois de ter entregado João a Maria com as palavras: “Mulher, eis teu filho!”, Jesus, do alto da cruz, dirige-se ao discípulo predileto, dizendo-lhe: “Eis tua mãe!”. Jesus, antes de morrer dá vida a uma comunidade com o discípulo amado e com Maria no centro. Maria está no centro deste grupo em caminho que, no decorrer dos séculos, empreende a sua viagem seguindo os passos de Jesus. A comunidade que nasce no Calvário, nasceu das pessoas que “estavam aos pés da cruz”, que viram o Crucifixo, que ouviram as suas últimas palavras que se tornaram o seu testamento.

“Eis teu filho!”... – “Eis tua mãe!”. A palavra de Jesus exprime um desejo, uma vontade. Jesus deseja e quer que João se torne o filho de Maria e Maria se torne a mãe de João.

As últimas palavras de Jesus recordam a fórmula da Aliança: “Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus” (Ez 36,28). Recordam a fórmula do amor: “Meu amado é meu e eu sou dele” (Ct 2,16).

“Eis teu filho!”... “Eis tua mãe!” são palavras de pertença recíproca, mas João e Maria pertencem ao Senhor Jesus, crucificado por amor. As palavras do “testamento da cruz” chamam-se também palavras “constitutivas”, isto é, fazem o que dizem e o filho é entregue à mãe e a mãe é entregue ao filho.

“E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19,27b). Na casa do seu coração, do seu mundo interior. A recebeu em seu ambiente. “João a recebeu entre os bens espirituais que os apóstolos receberam e nunca mais deixaram” (Santo Ambrósio).

“Receber Maria” porque ninguém pode entender o significado da mensagem de salvação se não reclinou a cabeça sobre o peito de Jesus, como João, e não recebeu de Jesus Maria como mãe” (Orígenes).
A última palavra pronunciada por Jesus no patíbulo diz respeito ao início de uma nova humanidade, cumprimento do desígnio de Deus. E João desce do Calvário para o Cenáculo com Maria que se torna para ele aquela que o guia, que o sustenta no caminho da vida.

“Eis teu filho!”... “Eis tua mãe!”: uma palavra que o Senhor Jesus, ao longo dos séculos, continua a repetir ao “discípulo que ama” e padre Kolbe acolhe a Mãe na sua vida. A Ela se entrega totalmente e ela o torna capaz de ser transformar seguindo o modelo do seu Filho Jesus. Quis conformar a própria vida à Imaculada até transformar-se nela, até consentir que “Ela tome posse do nosso coração e de todo o nosso ser, que Ela viva e opere em nós e por meio de nós, que Ela mesma ame a Deus com o nosso coração, que pertençamos a Ela sem nenhuma restrição” (SK 1210) . Para o padre Kolbe é preciso entregar-se à Imaculada totalmente até a oferta da própria vida. Mas não basta a oferta pessoal, o reino de Deus sofre violência: “São tantas as pessoas que ainda não conhecem a Virgem, não conhecem o Senhor Jesus. O que fazer? É preciso unir-se também na ação” e eis a Milícia da Imaculada: um exército de consagrados capazes de não se cansar nunca de fazer o bem. E eis Niepokalanow, uma comunidade de frades operários especializados que impressionou não somente pelo número – eram cerca de 700, o maior convento que já existiu depois de São Francisco – mas também pela capacidade de operativa dos frades que vivem e trabalham juntos. Padre Kolbe forma os apóstolos, mas sabe que o homem precisa de Deus e Nispokalanow possui uma fisionomia precisa: é um centro de trabalho, um cenáculo de comunhão e, sobretudo, é lugar de oração. Niepokalanow é um centro sem medida de amor fraterno e de apostolado fecundo porque São Maximiliano, o paidessa fraternidade, ama com o coração de Maria. Arde de amor por Jesus e inflama os seus frades deixando-os na estrada da evangelização do mundo. Como pôde alcançar, em vários níveis, resultados inimagináveis? Padre Kolbe, depois de ter-nos dito que precisamos estar juntos, explica-nos também como fazê-lo: “Precisa trabalhar juntos, unidos, ordenados, em harmonia de mente e de ideais; isto torna seguro, fácil, frutuoso o nosso trabalho”.

E agora padre Maximiliano convida cada um de nós a acolher Maria na nossa vida dirigindo-nos estas palavras: “Olha tua mãe, tenha os olhos fixos nela para se tornar como ela, antes, para se tornar ela hoje, que fala, acolhe, oferece e se doa para que o homem se torne aquilo que ele contempla, se torne aquilo que ama. “E nós todos que contemplamos somos transformados – diz o Apóstolo Paulo – nessa mesma imagem” (2Cor 3,18).

Que também para cada um de nós o seguimento de Jesus, a acolhida de Maria, sua mãe, comporte uma comunhão de vida e de intenções entre nós para uma verdadeira paixão missionária. Para não correr em vão!

Angela Sposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

Polônia

Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org

Fátima: Evangelho vivo

No dia da Festa de Nossa Senhora de Fátima, compartilhamos um escrito do nosso Padre Fundador:

A maior parte da mensagem de Fátima já tinha sido anunciada: a “primeira parte” diz respeito à visão do inferno e a segunda ao desejo de Deus de estabelecer no mundo a devoção ao Coração Imaculado de Maria para salvar os pecadores do inferno.

A terceira parte, segundo as palavras de Lúcia, apresenta a visão do “Bispo vestido de branco” (o Papa) que reza por todos os fiéis. Também ele, caminhando com dificuldade em direção à cruz que se encontra sobre a montanha, entre os cadáveres dos mártires (bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e inúmeros leigos), cai sobre a terra.

Esta visão se refere evidentemente à luta dos sistemas ateus contra a Igreja e os cristãos e descreve a imensa dor e sofrimento dos testemunhos de fé dos últimos séculos do segundo milênio.

É uma interminável via sacra guiada pelos Papas.

Os pastorzinhos viram também um anjo com uma espada de fogo do lado de Nossa Senhora. O esplendor que emanava da mão de Deus tinha o poder de apagar o fogo que saía da espada do anjo.

Se trata de uma visão consoladora que nos fala do poder da súplica de Maria e que nos faz esperar na misericórdia de Deus, que quer perdoar e salvar os homens.

Uma outra visão consoladora é aquela dos anjos que, debaixo dos braços da cruz, recolhiam o sangue dos mártires e irrigavam as almas que se aproximavam de Deus.

O sangue de Cristo e o sangue dos mártires são considerados como um só. Esses, de fato, completam em favor do Corpo de Cristo aquilo que ainda falta ao seu sofrimento (cfr. Col 1,24).

No segredo, depois, encontramos uma última palavra chave: “Enfim, o seu Coração Imaculado triunfará”. É o grande “sinal” que Deus nos dá: a mulher do paraíso terrestre, a mãe aos pés da cruz, a mulher vestida de sol que se inclina sobre a humanidade, cura as suas feridas, consola as dores, ajuda e sustenta o duro caminhar em direção à montanha, e enfim, obterá o cumprimento da vitória de Cristo na luta contra o mal.

Padre Faccenda
Fundador do Instituto

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Pobres servos do Senhor estamos a serviço dos pobres

Intenção de maio: “Para que aprendamos com a Imaculada a aderir ao projeto de Deus com humildade e disponibilidade de coração.

Maria demonstra que para aderir à vontade de Deus é necessário realizar um caminho de discernimento. Quando nos encontramos diante de uma intuição que nos parece proveniente de Deus, é importante não só procurar entender bem a sua origem, mas também como poder realizá-la. Na ocasião da Anunciação, Maria pergunta ao anjo não por incredulidade, mas para compreender melhor o projeto de Deus. As perguntas da Virgem são legítimas e fazem entender como é importante uma adesão à vontade divina, que comporte o envolvimento da mente e do coração. Os cristãos são chamados a viver em uma constante atitude de discernimento, e estarem atentos para compreender e realizar o projeto divino na própria experiência de vida.

Esta constante expectativa é ensinada exatamente por Maria, que nos Evangelhos aparece sempre pronta a viver tudo quanto o Altíssimo lhe revela. O discernimento pertence, portanto, à experiência de Maria, que nos ensina a aderir plenamente à vontade de Deus, mesmo que surjam em nós questionamentos e dúvidas. É sempre importante ter consciência do quanto se faz, mas sem que seja menor a disponibilidade plena em cumprir o projeto de vida que Deus pensou para nós.

Não é por acaso que Paulo VI define Nossa Senhora como Virgem em escuta: “Maria é a Virgem em escuta, que acolhe a palavra de Deus com fé; e esta foi para Ela premissa e caminho para a maternidade divina.” (Paulo VI - Marialis cultus, 17)  Maria ensina prestigiosamente a colocar-se em atitude de acolhimento em relação à vontade divina. Para a santificação do homem, é fundamental que ele se pergunte qual é a vontade de Deus a respeito dele e qual estrada coloca diante dele para o seu caminho. A Virgem, dispondo-se de modo total e generoso ao cumprimento da vontade divina, se torna esplêndida testemunha para toda a humanidade.

Maria demonstra a capacidade de realizar um discernimento contínuo, ligado a todos os acontecimentos que dizem respeito ao seu Filho. Certamente isso acontece no momento da Anunciação, mas é renovado em outras ocasiões de prova, particularmente delicadas, como, por exemplo, na dolorosa fuga para o Egito (cf. Mt 2, 13-15) e na perda de Jesus no Templo (cf. Lc 2, 48-50). São situações em que a Imaculada, meditando tudo em seu coração, demonstra, ainda, conseguir permanecer próxima ao projeto divino. O mesmo acorre quando vai procurar o Senhor, preocupada com tudo o que se diz dele (cf. Mt 12, 46-47). Também nesta situação prossegue o seu caminho respeitando a vontade sobrenatual. A mesma dinâmica se realiza no Calvário (cf. Jo 19, 25-27).

Segundo São Maximiliano, a oração e o amor à Virgem permitem ao fiel um conhecimento sempre mais perfeito a respeito dela e o dispõem a aprender e viver as suas virtudes. De fato, “cada pensamento, palavra, ação e sofrimento da Imaculada foram o mais perfeito ato de amor a Deus, de amor a Jesus. Seria necessário, por isso, dizer às pessoas, a todas e a cada uma em particular, àqueles que vivem agora e que viverão até o fim do mundo, com o exemplo, com a palavra viva, escrita, impressa, divulgada através do rádio, com a ajuda da pintura, da escultura, etc. O que e como a Imaculada pensaria, diria, faria nas circunstâncias concretas da vida presente, nos vários ambientes sociais, a fim de que um amor perfeitíssimo, o amor da Imaculada ao Coração Divino, possa arder sobre a terra.” (SK 647)

Como Maria, que se entregou totalmente ao projeto e à força do Onipotente, também os fiéis são chamados a realizar o mesmo passo. A experiência espiritual de Padre Kolbe testemunha que mesmo no contexto social onde vivemos é possível  viver unidos estreitamente a Deus e constantemente orientados à ajuda aos irmãos. Lendo a sua história, compreendemos que nos encontramos diante de um autêntico milagre de amor de Deus. Quando nos abandonamos à onipotência divina, a nossa vida se transforma em um prodígio de amor. O Senhor pode realizar coisas grandes em nós, como aconteceu com os santos e com a Virgem Maria. Não limitemos com o nosso egoísmo e as nossas estreitas verdades a potente ação de Deus. A entrega ilimitada à vontade de Deus, à qual tudo é possível, nos permite tornarmo-nos instrumentos e testemunhas da sua onipotência, segundo o projeto do bem pensado para nós. Kolbe ensina que a Imaculada pode ser mestra nesta dinâmica espiritual.

Reflexão:

- Tenho a convicção que a minha santidade é o fruto da realização do projeto de Deus para mim?
- A docilidade de Maria fala ao meu coração, me ensina a ser sempre disponível ao projeto divino?
- O meu coração está pronto para acolher o que o Senhor diariamente me comunica?
- Maria é um exemplo para São Maximiliano: me deixo inspirar também pelo esplêndido testemunho da Imaculada, sobretudo com relação à consagração e à disponibilidade? Como está o meu caminho?
- Como está a minha capacidade de escutar a voz de Deus e a minha docilidade em realizar o Seu projeto? 

Fonte: Milícia da Imaculada Internacional

Mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações

“Vocações, testemunho da verdade”

Amados irmãos e irmãs!

1. Narra o Evangelho que «Jesus percorria as cidades e as aldeias (...). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe”» (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que «a messe é grande». Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a ação eficaz, que é causa de «muito fruto», deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes «colaboradores de Deus», trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: «Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo» (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.

2. Muitas vezes rezámos estas palavras do Salmista: «O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-Lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho» (Sal 100/99, 3); ou então: «O Senhor escolheu para Si Jacob, e Israel, para seu domínio preferido» (Sal 135/134, 4). Nós somos «domínio» de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, «porque o seu amor é eterno!» (Sal 136/135, 1). Por exemplo, na narração da vocação do profeta Jeremias, Deus recorda que Ele vigia continuamente sobre a sua Palavra para que se cumpra em nós. A imagem adoptada é a do ramo da amendoeira, que é a primeira de todas as árvores a florescer, anunciando o renascimento da vida na Primavera (cf. Jr 1, 11-12). Tudo provém d’Ele e é dádiva sua: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, mas – tranquiliza-nos o Apóstolo - «vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 23). Aqui temos explicada a modalidade de pertença a Deus: através da relação única e pessoal com Jesus, que o Baptismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-O «com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças» (Mc 12, 33). Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É «um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs» (Discurso à União Internacional das Superioras Gerais, 8 de Maio de 2013). Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Pd 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projeto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração.

3. Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que «por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35)?

4. Amados irmãos e irmãs, viver esta «medida alta da vida cristã ordinária» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31) significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. O próprio Jesus nos adverte: muitas vezes a boa semente da Palavra de Deus é roubada pelo Maligno, bloqueada pelas tribulações, sufocada por preocupações e seduções mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cômodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. «Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia na Missa para os crismandos, 28 de Abril de 2013). A vós, Bispos, sacerdotes, religiosos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral vocacional nesta direção, acompanhando os jovens por percursos de santidade que, sendo pessoais, «exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31).

Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja «boa terra» a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há-de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.

Papa Francisco
Dia 11 de maio, IV Domingo da Páscoa

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Ser mãe

“Ser mãe”, acontece no dia em que saímos do aconchego do colo da nossa mamãe e passamos a ser este colinho... para alguém especial que nos fará conhecer um amor jamais sentido...

É ser feliz, por ver o sorriso estampado no rosto do filho...

É sentir-se satisfeito, porque o  filho acabou de almoçar...

É ficar alegre, porque o filho está brincando, alegre e saudável...

É sentir-se amada, quando ganha um beijo, um abraço, ou uma frase: “nossa mamãe, você está linda!”...

É ver os primeiros passinhos... ouvir as primeiras palavrinhas... estar ao lado e acolher o primeiro tombo...

É dar o beijo milagroso, que cura qualquer dor ou machucado...

É aceitar que sua casa fique bagunçada, porque ao olhar e recolher cada brinquedo espalhado, você lembra o quanto estavam felizes brincando e transformando organização em faz-de-conta...

É rir daquilo que só você acha engraçado nos filhos...

É querer partilhar o tempo todo com os outros as conquistas, o crescimento do filho...

É querer que o tempo pare... para você aproveitar cada segundo ao lado do filho...

É buscar forças sempre, porque alguém está precisando...

É vencer as batalhas do cansaço, da dor, do medo, porque alguém precisa que você esteja bem, feliz, completa, com um sorriso e braços abertos para sempre acolher, consolar e amar...

É pensar no meio da dor, do desespero, do problema mais grave, como Nossa Senhora resolveria, e encontrar Nela, no seu exemplo, o amparo, a força e sabedoria necessária para continuar...

É dar carinho, abraço, beijinho; mas também dizer o não no momento preciso...

“Ser mãe”, é ser capaz de encontrar graça, beleza e felicidade nas menores e mais simples coisas da vida: um olhar... um gesto... uma palavra... um carinho... uma gracinha...

“Ser mãe”, é tudo isto e mais um pouquinho... eu diria até, que é uma das formas mais próximas de conhecer o amor de Deus!

Rosana Aparecida Muniz Friolani Scalez
Voluntária da Imaculada-Padre Kolbe

terça-feira, 6 de maio de 2014

Os documentos da Igreja sobre comunicação

Primeiro encontro do curso de espiritualidade. Foto: Lourdes Crespan/MIPK
No primeiro dia do curso de espiritualidade sobre comunicação apresentamos os documentos Vigilanti Cura, Miranda Prorsus, Inter Mirifica, Communio et Progressio, Redemptoris Missio, Aetatis Novae, Igreja e internet, Ética e internet.

Encíclica Vigilanti cura: apoio à Legião da Decência sobre o cinema – Pio XI (1936). É dirigida aos bispos dos Estados Unidos e tratava da “Legião da Decência”. Foi uma “cruzada nacional” para pressionar os produtores de filmes, boicotando filmes peças teatrais consideradas imorais. Pela primeira vez, toda a hierarquia da Igreja foi despertada para o problema do cinema. Foi também, pela primeira vez, abordado isoladamente uma tecnologia. Apesar de denunciar mais o mal e os perigos, recomendando cautela, a Igreja não manifesta uma visão pessimista do cinema, mas ressalta uma ação alternativa.

Miranda prorsus: primeiro grande documento sobre comunicação – Pio XII (1957). É uma síntese sobre o pensamento comunicacional da Igreja. Trata do cinema, da rádio e da televisão sob a denominação comum “comunicação”. Acentua os aspectos morais dos meios de comunicação. O tom é cauteloso e protetor.

Inter mirifica: aceitação da Igreja dos meios de comunicação – Papa João XXIII (1963). É a primeira vez que um concílio geral se volta para o problema da comunicação, assegura a obrigação e o direito de utilizar os instrumentos de comunicação social. Apresenta também a primeira orientação geral para o clero e para os leigos sobre o emprego dos meios de comunicação social.

Communio et progressio: para além do Concílio. Esta instrução pastoral é de 1971, promulgada por Papa Paulo VI. É o mais avançado documento da Igreja sobre os meios de comunicação.
A esperança e o otimismo são dominantes e o caráter moralizador desaparece. Mas, ao mesmo tempo é um documento perpassado de idealismo.

Redemptoris missio: uma reviravolta no pensamento da Igreja. Esta encíclica é de 1990 e não é específica sobre comunicação. Mas, João Paulo II ao referir-se aos novos “areópagos” modernos como lugar de evangelização (missão), coloca o mundo da comunicação em primeiro lugar e insiste  no novo contexto comunicativo como uma “nova cultura”.

Aetatis novae: nova Instrução Pastoral. A Igreja permanece silenciosa de 1971 a 1992, ou seja, 21 anos de silêncio, numa época caracterizada por profundas transformações no mundo midiático (era analógica para digital). Fala da necessidade de uma pastoral tanto “da” como “na” comunicação. Não apresenta nada novo, mas quer “oferecer um instrumento de trabalho e encorajamento”.

Igreja e internet: abertura da Igreja para a cibercultura e Ética na internet: critérios e recomendações para o bem comum. Ambos de 2002, publicado pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais. Palavra-chave: interatividade.

Novos paradigmas e reflexões:

Leitura da Carta Apostólica “O rápido desenvolvimento no campo das tecnologias”, de Papa João Paulo II (2005): http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_letters/documents/hf_jp-ii_apl_20050124_il-rapido-sviluppo_po.html


Lourdes Crespan:
Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe

Fonte: PUNTEL, Joana T. Comunicação: diálogo dos saberes  na cultura midiática. São Paulo. Paulinas, 2010.

Mais informações: https://www.facebook.com/events/697871033609007/?ref=5
Esperamos por você e sua família, no dia 12 de maio, às 20h30, na Paróquia Santíssima Virgem, em São Bernardo - SP.

sábado, 3 de maio de 2014

Comentário do Evangelho Segundo São Lucas 24,13-35

"Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram. Perguntou-lhes, então: De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes? Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias? Perguntou-lhes ele: Que foi? Disseram: A respeito de Jesus de Nazaré... Era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo. Os nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele quem havia de restaurar Israel e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas coisas sucederam. É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol; e não tendo achado o seu corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam assim como as mulheres tinham dito, mas a ele mesmo não viram. Jesus lhes disse: Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas! Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória? E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras. Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante. Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho. Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapareceu. Diziam então um para o outro: Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras? Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém. Aí acharam reunidos os Onze e os que com eles estavam. Todos diziam: O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão. Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão." (Lc 24,13-35)

A experiência dos discípulos com o Ressuscitado

Vemos no evangelho de Lucas a importância que o autor dá ao “primeiro dia da semana” – o domingo - que significa a Ressurreição de Jesus. Para nós cristãos é muito importante celebrar a ressurreição, de tal modo que o domingo é sempre de alegria, a alegria do ressuscitado.

Vejamos a experiência em que os discípulos do Senhor se alegram neste dia. Vamos montar a cena:
Naquele primeiro dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus caminhavam para o povoado de Emaús que fica onze quilômetros de Jerusalém, onde Jesus foi crucificado. Eles saíram da cidade que lembra a morte Jesus.

Com a morte de Jesus podemos perceber que os discípulos se dispersam, cada um vai para um lado. Vemos os dois caminhando sozinhos, tristes e desanimados. Como é difícil acreditar que o mestre ressuscitou!Por isso, vão caminhando desiludidos, sem rumo, até que aparece um estrangeiro, que se coloca a caminhar junto com eles; e eles,porque estão cegos, não reconhecem que é o Senhor. A cegueira fechou os seus corações.

Os discípulos ficaram desiludidos porque esperavam um Messias poderoso, um rei que iria governar, e Jesus mostrou o contrário. Ele nasceu em um estábulo, se fez um de nós, se fez humilde, se fez pequeno. Por isso, a desilusão dos discípulos, que mesmo convivendo com o mestre por três anos não compreenderam que tipo de “rei” Ele era.

No nosso caminho de discipulado, as vezes, nos desiludimos porque, também, esperamos um Jesus “poderoso”, mas Ele caminha conosco com simplicidade e nem o reconhecemos. Como, então, podemos reconhecerJesus? Gosto muito da reflexão do padre José Bortolini: “Só pode reconhecer o Senhor quem percorreu o caminho dos problemas do homem, deles participando plenamente: o fracasso, a solidão, a busca da justiça e verdade, a coerência em direção a um mundo melhor, a solidariedade. Então o Cristo, anônimo e misterioso companheiro, testemunha e interlocutor das hesitações e dúvidas, revela-se como alguém que, tendo aceito entrar no projeto de Deus, tornou-se o primogênito de nova humanidade” (BORTOLINI, ano, p 98-99).

Os discípulos reconhecem Jesus ao partir o pão; os seus olhos abrem; os seus corações ardem porque o Ressuscitado caminha junto deles. O mundo só reconhece Cristo quando nós cristãos partilhamos o “pão, o pão da solidariedade, da justiça”, de defesa dos mais pobres e necessitados. Atentos a presença do Senhor, desejamos que o nosso coração possa arder como os dos discípulos de Emaús, nas estradas da vida que percorremos.

Oração:

Fica conosco Senhor, porque sem ti nosso caminho ficaria submergido na noite.
Fica conosco Senhor Jesus, para levar-nos pelos caminhos da esperança que não morre, para alimentar-nos com o pão dos fortes que é a tua Palavra.
Fica conosco até a última noite, quando fechados nossos olhos, voltamos a abri-lo ante seu rosto transfigurado pela glória e nos encontremos entre  do Pai no Reino do divino esplendor. Amém.

Maria do Socorro Domingos Ferreira
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe


Fonte: BORTOLINI, José. Roteiros homiléticos: Anos A, B, C - Festas e Solenidades. São Paulo: Paulus, 2006.

Curso de espiritualidade

Missionária Lourdes Crespan
Tema: A Igreja e os meios de comunicação.
Palestrante: Missionária Lourdes Crespan.
Dias e horário: 5,12,19,26 de maio, a partir das 20h30.
Local: Paróquia Santíssima Virgem - Jardim do Mar - São Bernardo - SP.

O objetivo do curso é compreender a relação entre a Igreja Católica e as tecnologias da comunicação, através dos documentos da Igreja e das mensagens dos Papas, de forma especial, do Papa Francisco e de São Maximiliano Kolbe. 


Programação:

Dia 5/5 - Primeiro encontro: Os documentos da Igreja sobre comunicação.
Apresentaremos os documentos Vigilanti Cura, Miranda Prorsus, Inter Mirifica, Communio et Progressio, Redemptoris Missio, Aetatis Novae, Igreja e internet, Ética e internet.

Dia 12/5 - Segundo encontro: As mensagens dos Papas sobre comunicação.
Abordaremos algumas mensagens dos papas para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, a partir de Paulo VI até Bento XVI.

Dia 19/5 - Terceiro encontro: Papa Francisco e o Dia Mundial das Comunicações Sociais.
Estudaremos a 48º Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, escrita por Papa Francisco, com o tema: “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro”.

Dia 26/5 - Quarto encontro: O pensamento comunicacional de São Maximiliano Kolbe.
A partir da história de São Maximiliano Kolbe, descobriremos o seu modo de compreender e utilizar os meios de comunicação social para evangelizar.

Contamos com a sua presença e de toda sua família!

Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe
São Bernardo - SP


Referências bibliográficas:

CRESPAN. Lourdes. Maximiliano Kolbe: pureza e martírio. Edições Loyola. São Paulo, 2014.
DARIVA, Noemi (org). Comunicação social na Igreja: documentos fundamentais. São Paulo. Paulinas, 2003.
PUNTEL, Joana T. Comunicação: diálogo dos saberes  na cultura midiática. São Paulo. Paulinas, 2010.
PUNTEL, Joana T. A comunicação nos passos de João Paulo II: dia mundial das comunicações. São Paulo. Paulinas, 2012.
PUNTEL, Joana T. Inter mirifica: texto e comentário. São Paulo. Paulinas, 2012.

Mensagem de Papa Francisco: http://missionariasdaimaculadapadrekolbe.blogspot.com.br/2014/01/comunicacao-ao-servico-de-uma-autentica.html

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Vida interior: contemplação-ação

Gostaria de compartilhar com vocês algumas reflexões sobre as quatro realidades que chamo: “as quatro colunas da consagração à Imaculada segundo a espiritualidade kolbiana”. São elas: a vida interior, a obediência na fé, a caridade heróica e a oferta suprema.

A vida interior: simbiose contemplação-ação 

Dizia Jesus: “Eu sou a videira, vós os ramos” (Jo 15,5). Nesta maravilhosa e profunda afirmação podemos intuir o relacionamento vital que existe entre Deus e o homem. Um relacionamento que não consiste simplesmente em uma passagem da seiva da vida para os ramos, mas também que requer intensidade de união e de comunicação, para que o fruto seja abundante e duradouro.

“Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).  Eis a necessidade de uma vida sempre mais interior, que constitui a verdadeira medula da santidade, para que a alma possa encontrar Deus em cada instante da vida, em cada tipo de trabalho e de apostolado, em cada expressão e condição de vida. Realiza-se assim aquela verdade que pode parecer uma utopia: o verdadeiro relacionamento entre contemplação e ação. Relacionamento que confere à ação uma característica contemplativa e à contemplação uma intenção essencialmente ativa.

Se a ação, de fato, é vista como consequência necessária da contemplação, e a contemplação como alimento e sustento perene da ação não tem qualquer perigo que a atividade leve a um empobrecimento da vida espiritual, nem que a contemplação favoreça uma visão puramente abstrata e desencarnada da vida cristã.

Este é o estilo e o modo com o qual Padre Kolbe, como também São Paulo, realizou de forma mais perfeita a simbiose contemplação-ação, pelo qual com ele podia bem afirmar que nenhuma realidade criada “poderá nunca separar-nos do amor de Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,39).

Na imitação da Virgem em oração, cada cristão poderá empenhar-se em alimentar a própria vida interior através de um autêntico exercício de oração e de vida sacramental; vivendo com fidelidade a meditação, em um clima de silêncio e de recolhimento, e sabendo encontrar as pausas justas não só das atividades cotidianas, mas também do apostolado próprio. Sobretudo ele procurará viver e trabalhar com reta intenção, que permite ver Deus em cada ação, desde a mais sublime à mais anônima, tudo endereçando com amor a Ele, e tudo aceitando como sinal do seu imenso amor.

Padre Faccenda
Fundador do Instituto


Fonte: FACCENDA, Luigi M. Era Mariana: Fondamenti biblici, teologici, storici e spirituali della consacrazione all'Immacolata. Quarta edizione 1995. Edizioni dell'Immacolata. Bologna. Italia.


Ouça e participe do programa Encontro com Maria, do dia 7 de maio, a partir das 14h, na Rádio Imaculada Conceição 1490 AM: http://www.miliciadaimaculada.org.br/ver3/radiopop.asp?v=grandesp