quarta-feira, 14 de maio de 2014

A obediência: um mistério de fé

Gostaria de dividir com vocês algumas reflexões sobre quatro realidades que chamo: “as quatro colunas da consagração à Imaculada segundo a espiritualidade kolbiana”. São elas: a vida interior, a obediência na fé, a caridade heróica e a oferta suprema. 



A obediência: um mistério de fé

Visto que a essência da consagração à Imaculada segundo Padre Kolbe consiste em pertencer à Imaculada “totalmente sob cada aspecto” (cf. SK 1329) e, como consequência, fazer todo o possível para conhecer e cumprir sempre mais fielmente a vontade da Imaculada, a obediência é a virtude mais recomendada por São Maximiliano.

Obedecer, de fato, significa estar em total conformidade com a vontade de Deus e permitir à Imaculada guiar a nossa vida como Ela quer, sem condicionamentos, para que Ela possa servir-se livremente de nós, para qualquer coisa e de qualquer modo (cf. SK 1334). Vale dizer: “ser um instrumento o mais perfeito possível nas suas mãos imaculadas, deixar-se conduzir totalmente por Ela e de modo mais perfeito, ou seja, a obediência mais perfeita possível, através da qual Ela manifesta a própria vontade, nos guia assim, como instrumentos” (SK 339), recordando que a vontade da Imaculada coincide perfeitamente com a vontade de Deus (cf. SK 56).

Eis o que Padre Kolbe desejava aos seminaristas de Niepokalanów: “Meus queridos, vós mesmos experimentareis na vida, também sobre esta terra, que toda a perfeição da santidade, todo o fervor da ação, toda a eficácia do apostolado missionário é garantida não sobre uma grande sabedoria, nem sobre uma grande habilidade, nem sob grande capacidade e nem ao menos sobre quantidade de orações e de penitências, mas unicamente sob a perfeição da santa obediência” (SK 380).

Padre Kolbe, de fato, desde os primeiros anos da sua formação religiosa estava convencido que “através da santa obediência se manifesta a vontade certa de Deus, a vontade da Imaculada... Através da santa obediência, a nossa vontade se une com a vontade dela, assim como a vontade dela é estreitamente unida à vontade de Deus. Então, através da santa obediência tornamo-nos  rigorosamente, matematicamente, infinitamente sábio no agir, infinitamente potentes, sábios e bons, porque a vontade divina é sempre infinitamente sábia, boa e potente...” (SK 380).

Tudo isto não vale somente para os religiosos, mas para todo cristão, que é chamado, pela força do Batismo e da sua pertença à comunidade eclesial, a viver este espírito de obediência através:

- da escuta  atenta e dócil da Palavra de Deus, do Papa e do Magistério da Igreja;
- da atenção para colher nos acontecimentos e nas situações da vida a passagem e a chamada de Deus;
- do fiel cumprimento dos deveres do estado pessoal e do próprio trabalho, atendendo as disposições dos responsáveis dos ambientes e dos organismos nos quais se opera de várias formas;
- da obediência às legítimas autoridade civis, observando todas as leis que não são contrárias à consciência cristã (também as do código de trânsito!).

No evangelho contemplamos Maria como a Virgem em escuta, que fez da sua vida um contínuo “sim” à vontade de Deus. Na sua encíclica mariana, João Paulo II escreveu a respeito: “Na anunciação Maria se abandonou a Deus completamente, manifestando a ‘obediência da fé’ àquele que lhe falava mediante o seu mensageiro e prestando ‘o pleno obséquio do intelecto e da vontade” (Dei Verbum, 5)” (RM 13).

“Quem vos escuta, escuta a mim” (Lc 10,16), disse Jesus. E dizendo isso disse tudo.

Padre Faccenda
Fundador do Instituto


Fonte: FACCENDA, Luigi M. Era Mariana: Fondamenti biblici, teologici, storici e spirituali della consacrazione all'Immacolata. Quarta edizione 1995. Edizioni dell'Immacolata. Bologna. Italia.


Ouça e participe do programa Encontro com Maria, do dia 14 de maio, a partir das 14h, na Rádio Imaculada Conceição 1490 AM: http://www.miliciadaimaculada.org.br/ver3/radiopop.asp?v=grandesp