domingo, 23 de setembro de 2012


Texto de aprofundamento para o quarto encontro

Aonde nos leva o medo? (cf. Marcos 14,1-16,8)
 
 
Lendo os últimos capítulos do evangelho segundo Marcos, ficamos impressionados com as atitudes negativas dos discípulos em contraste com o dom total de Jesus. Os doze discípulos tinham vivido com Jesus durante um bom tempo, decididos a segui-lo até realizar o projeto do reino de Deus que ele pregava. Jesus lhes tinha avisado o que os esperava: perseguição, sofrimento e morte. Mas também ressurreição.
Vamos ver os pontos que mais se destacam nesses últimos capítulos:

A unção de Jesus, a fidelidade de Jesus e a infidelidade de Judas (14,3-25)
O gesto da unção de Jesus por uma mulher (sem nome) anuncia a sua morte, iniciando a narração da entrega de Jesus.
O texto continua com a celebração da festa da páscoa, lembrando a saída vitoriosa dos israelitas do Egito. Enquanto estavam à mesa, Jesus disse: "Um de vocês vai me trair". Os discípulos entristecidos perguntaram a Jesus: "Será que sou eu?". Podemos até estranhar esta pergunta. Será que cada um não tinha muita certeza da sua fidelidade ao Mestre?
Diante da resposta de Jesus, percebe-se que quem vai traí-lo não é um adversário de fora, mas um dos seus amigos mais íntimos! Em contraste com a traição do amigo, Jesus, na última ceia, manifesta o sentido profundo do seu amor, na sua doação, entrega e fidelidade ao Pai e aos irmãos.

A covardia dos discípulos (14,26-50)
Depois da refeição, foram para o monte das Oliveiras. Então, Jesus disse: "Vocês todos vão ficar desorientados, porque a escritura diz: 'Ferirei o Pastor e as ovelhas se dispersarão'". Neste momento, todos (e não somente Pedro) prometem ser fiéis.
Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João, justamente aqueles três que presenciaram sua transfiguração no monte Tabor, para rezar no Getsêmani. Jesus começou a ter medo e angústia. Enquanto a tensão aumentava no interior de Jesus, os discípulos dormiam relaxados. Portanto, para vencer o medo, Jesus não pôde contar com os discípulos, mas se entregou nas mãos de Deus.
Com a vinda e a traição de Judas, todos fugiram! Nenhum dos doze foi fiel até o fim.

Jesus é julgado e condenado e Pedro o nega (14,53-72)
Reuniram-se todos os sumos sacerdotes, os anciãos e os doutores da lei. Levantaram falsos testemunhos contra Jesus e o decretaram réu de morte por afirmar que ele era o Messias, o Filho de Deus.
Enquanto Jesus falava corajosamente diante das autoridades. Pedro o negava covardemente diante de uma criada.

A morte de Jesus (15,1-38)
Sob a dominação, o Sinédrio podia condenar à morte, mas não podia executar a sentença. Por isso, Jesus foi entregue ao governador romano, Pilatos, sob a falsa acusação de ser subversivo político. Pilatos quis esquivar-se da condenação, porém, querendo agradar o desejo da multidão, atiçada pelos sumos sacerdotes, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado.
Do meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. Simbolizava as profundas trevas em que a humanidade estava envolvida, recusando o Redentor do mundo. Ao morrer, a cortina do santuário se rasgou de alto a baixo, em duas partes. É outro símbolo usado por Marcos. Significa que a antiga lei passou, e a nova aliança foi concluída.

A fé do oficial pagão (15,39)
No momento da morte, o oficial do exército, um pagão, funcionário do Império Romano, reconhece que aquele homem era o Filho de Deus. Essa profissão de fé indica a revelação de Jesus como Messias a todos os povos.

A fidelidade das mulheres (15,40-41)

Diversas mulheres seguiram Jesus: Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de Joset, e Salomé. Muitas outras mulheres estavam aí, pois tinham ido com Jesus a Jerusalém.
Por que as mulheres ficavam à distância? Elas também estavam com medo? Ou lhes foi impedido de se aproximarem mais? Realmente, um lugar de tão grande suplício não era lugar indicado para mulheres.

O sepultamento de Jesus (15,42-47)
Ao entardecer, chegou José de Arimateia. Ele não era discípulo de Jesus, mas membro do Sinédrio. José de Arimateia fez o que os discípulos deveriam ter feito. Pediu a Pilatos o corpo de Jesus e o enterrou.

A aparição às mulheres (16,1-8)
No primeiro dia da semana, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé foram ao túmulo, e lá encontraram a pedra removida e um jovem que anunciava a ressurreição de Jesus e as enviava a anunciar essa boa-nova aos discípulos. É interessante observar qual foi a mensagem do jovem às mulheres. Ele mandou dizer a Pedro e aos discípulos que Jesus ressuscitou e que eles deviam ir a Galileia, onde veriam o ressuscitado. O primeiro recado foi dirigido a Pedro e aos discípulos que tão covardemente o tinham abandonado! Era um gesto de perdão total da parte de Jesus, base para um novo começo.
As mulheres saíram do túmulo, correndo, porque estavam com medo e assustadas. Não disseram nada a ninguém, porque tinham medo.
Aqui termina o evangelho segundo Marcos, pois Mc 16,9-20 tenta completar a obra apresentando um resumo das aparições de Jesus e uma apresentação global da missão da Igreja, baseadas nos outros evangelistas. Pois parecia estranho terminar o evangelho com um imenso silêncio, e permaneciam as perguntas: Por que as mulheres ficaram com tanto medo? Por que o evangelho segundo Marcos termina aparentemente tão negativo?
Todas as expectativas de Jesus foram frustradas no final do evangelho. Se as mulheres não cumprem a ordem do jovem, outros podem fazê-lo? Os membros da comunidade de Marcos ouviram a mensagem de Jesus, suas curas, sua crucificação, sua ressurreição. O final do evangelho desafia mulheres e homens daquela comunidade a se tornarem fiéis, levando ao mundo a mensagem da ressurreição.
O autor deixa claro que sua obra não é completa. Supõe que os seguidores de Jesus tomem uma posição: continuar o livro através da sua própria ação como discípulos e missionários, anunciando Cristo e sua boa-nova.

Fonte: Serviço de animação bíblica (sab)
Coragem! Levanta-te! Ele te chama! (Mc 10,49)
Discípulos missionários a partir do evangelho de Marcos
Paulinas - pág. 43-47

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Texto de aprofundamento para o terceiro encontro
 
"Coragem! Levanta-te! Ele te chama!" (Mc 10,46-52)


Ao sair de Jericó, Jesus começa o último trecho da subida a Jerusalém. Sentado à beira do caminho está o cego Bartimeu (significa "Filho de Timeu"): ao ouvir que Jesus passava, começa a gritar: "Filho de Davi, Jesus, tem compaixão de mim!" (10,7). O Cego representa a figura dos discípulos que não compreendem o messianismo de Jesus nem sua entrega.
Jesus atende à súplica do cego que grita por ele, não obstante à repreensão dos que o acompanhavam, e chama-o. O cego deixa o manto. Isso é revelador se considerarmos que o manto é figura da própria pessoa, era também o que ele tinha para cobrir o seu corpo, a sua segurança. Ele então deixa de lado, de algum modo, sua vida e sua segurança. Com esse gesto o evangelista indica que o cego/discípulo cumpre agora as condições do seguimento: Ele deixa tudo para seguir Jesus, aceitando carregar a cruz e disposto, se preciso for, a dar a vida (8,34).
É interessante notar que já no v.51 o cego não chama mais Jesus Filho de Davi, chama-o "meu Mestre" (Rabbuni), reconhecendo em Jesus o Messias Filho de Deus.
O episódio do cego de Jericó adquire preponderância no evangelho segundo marcos, pois é necessário "ver" para "seguir" Jesus. É preciso que se abram os olhos à fé para que a salvação aconteça. Depois de curado, o cego se põe a "seguir Jesus pelo caminho", o "caminho" de Jerusalém.
Este texto nos mostra as etapas do processo de discipulado. Sem a cruz não se pode entender quem é Jesus e o que significa segui-lo. A cruz faz parte do caminho de seguimento.
Ser discípulo é estar com Jesus aprendendo com seu jeito de agir e de se relacionar com as pessoas e fazendo as opções que ele fez.
Esta narrativa faz um desdobramento entre o caminho rumo à cruz e a próxima seção, que culmina na morte e ressurreição de Jesus.

Serviços de animação bíblica (sab)
Coragem! Levanta-te! Ele te chama! (Mc 10,49)
Discípulos Missionários a partir do evangelho de Marcos
Mês da bíblia - 2012 / Texto para o povo

Paulinas - Pág. 33-34

Hino Oficial da JMJ Rio2013


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A glória e a exaltação de Cristo é a cruz

Celebramos a festa da cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto para que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo com razão tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado original.
Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz,a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.
É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande sim,porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto maiores quanto, pelos milagres e sofrimentos de Cristo, mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão; e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.
É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como o cálice desejável e o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a glória de Cristo, escuta-o a dizer: "Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus é glorificado e logo o glorificará" (Jo 13,31-32). E de novo: "Glorifica-me tu, Pai, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse" (Jo 17,5). E repete: "Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar" (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz.
Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que ele próprio diz: "Quando eu for exaltado, atrairei então todos a mim" (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.

Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

 
A mulher das dores

Entre as tantas prerrogativas, todas belas e significativas, da virgem, a que mais se aproxima de nós, e quase a coloca no mesmo plano, é o sofrimento. Maria é uma mãe que padeceu muito e que sofreu muito.
A tradição e a iconografia cristã a representam ferida por sete espadas, isto é, por sete momentos de indizível sofrimento. Recordemo-los: a dor prevista pelo velho Simeão quando, definindo Jesus como sinal de contradição, profetizou-lhe que uma espada atingiria seu coração (Lc 2,34-35). A dor da fuga do Egito, portanto do exílio (cf. Mt 2,13-18). A angústia pelo esquecimento de Jesus no Templo (cf. Lc 2,41-51). O encontro com Ele a caminho do Calvário (cf. Lc 23,27-29). A crucificação (cf. Jo 19,25-30). A deposição da cruz (cf. Mt 27,59). A sepultura do Filho (cf. Mt 27,60).
Maria, no entanto, não teve apenas estes momentos de grande aflição, mas toda a sua vida, como a do Filho, foi sacrifício e martírio. Havia compreendido bem das escrituras que se tornar mãe do redentor era o mesmo, concretamente, que ser mãe do crucifixo. Deste modo, Nossa Senhora da Anunciação é também Nossa Senhora das Dores. O pensamento que seu Filho seria morto para redimir o pecado, sem dúvida, dilacerava seu coração; ainda mais que aquele Filho, em sua natureza humana, era todo seu, completamente sangue de seu sangue.
Uma devota lenda narra: um dia Nossa Senhora encontrava-se na casinha de Nazaré, perto de Jesus, que ajudava José no trabalho. O pequeno Jesus tinha entre as mãos dois pedaços de madeira que, colocados na forma transversal, formavam uma cruz. O sol, entrando timidamente no cômodo, projetava sobre a parede à sombra daquela cruz e Maria a contemplava, sofrendo silenciosamente, mas profundamente.
Verdadeiramente, podemos nos referir a Ela com palavras que o profeta preanuncia sobre o Messias: "Multidões que passais pelo caminho, dai atenção e vede: Será que existe alguma dor igual à minha dor" (Lm 1,12).
Sobre o exemplo de Nossa Senhora das Dores, fixamos o nosso olhar sobre alguns aspectos positivos desta companheira da existência humana que é a dor.
Maria, antes de tudo, nos ensina a sofrer com amor e por amor. As imagens da "pietá", aquelas trasnmitidas por sumos artistas, são a visão mais bela de uma dor nobremente sofrida e oferecida por amor. A virgem está ali, recolhida em sua indizível dor, mas está toda radiante de um amor poderoso e sobrenatural.
Também o verdadeiro cristão se mede pela capacidade de sofrer pelo amor de Deus e dos irmãos. Dor e amor são correlativos. Sem amor não se vive e sem dor não se ama. Se queremos viver e amar o Senhor, a estrada é igual para todos: o sacrifício. Quem se dispõe a amar deve estar disposto a sofrer, já que a dor segue o amor como o calor segue o fogo.
Quanto maior o amor, mais completa será a doação: quem ama mais doa mais, e quem ama completamente se doa completamente.
Não à toa, o último capitulo da vida dos santos foi sempre a dor, como coroação do amor com o qual viveram, como explosão de sua santidade.
 
Padre Faccenda - Fundador do Instituto

terça-feira, 11 de setembro de 2012

 
11 de setembro: Um dia para ser lembrado

Hoje, a Milícia da Imaculada abre as portas para acolher a nova diretora do Instituto Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe, na cidade de São Bernardo do Campo-SP. Suas primeiras palavras na Rádio Imaculada Conceição 1490 AM foram: "Chegando aqui nesta terra amada do Brasil, senti de voltar em casa, embora não tenha sido fácil deixar a Itália, desta vez, e tudo o que fiz nestes longos doze anos. Sentir que estou em casa é graça a vocês, à amizade, ao carinho, a proximidade que vocês estão me demonstrando e que sempre me demostraram. E então a minha mensagem para vocês é a mesma que deixei ao meu país, à minha terra, na primeira que vez que vim ao Brasil. Quero partilhá-la com todos e, sobretudo, quero vivê-la aqui e agora. Vim aqui porque acredito que a vida é vida só se a entregamos por um ideal. Vim aqui não só porque vocês precisam de mim mas porque eu preciso de vocês. Vim aqui porque Deus me chamou e ninguém pode responder em meu lugar. Vim aqui porque Deus me encarregou de continuar a sua encarnação até os confins da terra. Vim aqui porque quero amar com a vida e não só com palavras. Vim aqui porque outros ficaram e se todos ficassem no próprio lugar, os pobres não teriam ninguém que cuidasse deles. Saí da minha terra porque outros partiram para anunciar-me o evangelho e agora é a minha vez de ensiná-lo aos outros. Vim aqui para que a minha alegria seja a de vocês também, e seja plena. Vim aqui para partilhar o que eu sou porque tudo foi me dado para ser partilhado com todos. Vim porque me sinto órfã de uma parte de Deus que posso encontrar somente aqui com vocês. Vim aqui e acredito que Cristo está comigo."
Depois da santa missa, Marina Melis entregou uma pequena imagem de Nossa Senhora trazida da terra santa, como sinal de unidade entre o Insituto e toda a família consagrada da Milícia da Imaculada no Brasil.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Texto de aprofundamento para o segundo encontro

 
Quem é Jesus?

Antes de começar o estudo sobre quem é Jesus, vamos conhecer a região onde Jesus e seus discípulos estavam quando este questionamento veio à tona. Eles se encontravam nas proximidades de Cesareia de Filipe.
Cesareia de Filipe se chama, atualmente, Banias. Essa cidade fica junto ao rio Jordão e próxima da cidade de Dã.
Durante o período da dominação da cultura grega (período helenista) recebeu o nome de Panion em virtude de haver nela um santuário ao deus Pã. Também, na região, Herodes Magno construiu um templo a Augusto, filho de Herodes, que deu a ela seu próprio nome, unindo a ele o nome do imperador César para distingui-la das outras Cesareias.
A pergunta "Quem é Jesus" (cf. Mc 8,27) é o centro do evangelho segundo Marcos, ponto de chegada da primeira metade do evangelho. Essa pergunta nasce da necessidade da comunidade de conhecer Jesus, para melhor segui-lo. Dentro da comunidade havia vários questionamentos sobre a pessoa de Jesus. Uns acreditavam que ele fosse João Batista; outros que ele fosse Elias; e outros, ainda, um grande profeta (Mc 8,28; cf. também Mc 6,14-16). Por isso, o evangelista vai delineando a identidade de Jesus por meio das suas palavras, de suas ações e atividades, para que a própria comunidade pudesse responder a essa pergunta.
Mas seus discípulos, o que diziam sobre ele?
Jesus sabia que eles estavam começando a abrir os olhos para perceber quem ele realmente era. Então pergunta-lhes: "E vocês, quem dizem que eu sou?". Prontamente Pedro respondeu: "Tu és o messias" (Mc 8,29). A palavra "messias" significa "ungido com óleo", o "consagrado", o "libertador", e em grego "Cristo". Porém, o que significava ser Messias?
No decorrer da história do povo judeu surgiram várias linhas messiânicas políticas e religiosas que perpassam o Primeiro Testamento e que estão presentes também nos evangelhos. A primeira visão presente no Primeiro Testamento é que o Messias seria aquele que viria restaurar a monarquia, baseada na promessa feita a Davi (2 Sm 7). Portanto, ele seria um rei da descendência davídica e traria a paz, a justiça e o direito.
No período do exílio e pós-exílio da Babilônia, o messias era identificado com o sacerdote que restabeleceria o Templo e a cidade de Sião. Outros grupos pensavam num messias profeta (Is 42;52,13-53,12). Já no período helenístico (período grego iniciado com Alexandre Magno) falavam em um messianismo apocalíptico (Dn 7,13-14). Aos poucos, esse personagem "o Messias" seria aquele que traria a mensagem final de Deus e inauguraria o seu reino.
Pedro, ao dizer que Jesus é o Messias, faz uma profunda profissõ de fé reconhecendo que Deus estava agindo para a salvação de Israel na pessoas de Jesus, conforme profetizara Jeremias (23,5-6). Porém, até então eles não haviam compreendido bem a verdadeira missão de Jesus. Eles esperavam a vinda de um messias triunfalista, que viria derrotar os romanos como desejavam os zelotas; ou aquele que levaria o povo à observância completa da Lei, na opinião dos sacerdotes e fariseus. Ou seria aquele que restauraria triunfalmente o reino, como fora anunciado pelos profetas.
Portanto, a confissão de Pedro é o centro do evangelho e também o ponto de partida de tudo o que se segue. Depois da profissão de fé de Pedro, Jesus passou a ensiná-los sobre o que iria suceder com ele, sua paixão, morte e ressurreição. Ele pressentia que sua prisão já se tornava inivitável. Pedro, porém, chamou sua atenção na tentativa de evitar que tais fatos viessem a acontecer, mas Jesus o repreendeu severamente dizendo: "Vá para atrás de mim, Satanás! Você não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens" (Mc 8,33). Jesus é o Messias que está disposto a sofrer pela fidelidade ao projeto do Pai, assumindo até as últimas consequências sua obediência filial.
Porém, Jesus conhecia bem os seus discípulos e sabia o quanto era difícil para eles entenderem tudo isso. Sabia, também, que a visão que os discípulos tinham dele ainda era imatura; por isso os proíbe de falar sobre os seus ensinamentos para as outras pessoas. Eles precisavam conhecê-lo melhor para, só depois, anunciar ao mundo ao boa-nova do reino.

Serviços de animação bíblica (sab)
Coragem! Levanta-te! Ele te chama! (Mc 10,49)
Discípulos Missionários a partir do evangelho de Marcos
Mês da bíblia - 2012 / Texto para o povo
Paulinas - Pág. 23-25

sábado, 8 de setembro de 2012

Natividade de nossa rainha


Estamos muito próximos do 8 de setembro, festa da Natividade da Imaculada, nossa rainha e terna mãe.
Como seus cavaleiros, fazemos parte de sua guarda do corpo e não podemos deixar que este dia transcorra sem cumprimentá-la.
Mas o que podemos desejar ainda àquela que, exaltada muito além de todas as criaturas terrestres e celestes, tornou-se a mãe de Deus e reina eternamente no paraíso?
Ela é a rainha do céu e da terra, é a medianeira de nós todos, através de suas mãos escorre sobre a terra toda graça.
O que devemos desejar, então, ó ilustríssima e dulcíssima senhora?
... Tantos ainda não te conhecem... porque nasceram no paganismo, ou foram educados no judaísmo, ou embevidos de funestos princípios dos protestantes! Muitos te conheceram, mas fogem de ti, ou... abandonaram-te e agora afundam na lama da imoralidade!
Pois bem, ó rainha, neste querido dia de festa, nós te desejamos de todo o coração e com toda nossa alma que tomes posse "o mais rápido" e de maneira completa de nossos corações e dos corações de todos e de cada um sem exceção, seja ele católico, cismático ou protestante, hebreu ou pagão, bom ou mau. Ó, reina sobre todos nós e em todos nós, pobres habitantes deste globo terrestre que voa nos espaços do céu, e reina não apenas durante esta nossa peregrinação terrena, mas também pelos séculos dos séculos, eternamente!
Nós, de nossa parte, acompanhemos os desejos com a nossa obra e pagando pessoalmente - a preço de nosso cansaço, dos nossos bens, de nossa saúde, de nossa reputação e de nossa vida - e com a tua poderosa ajuda (já que sozinhos não podemos nada), libertemos para ti o maior número possível de almas da escravidão do demônio, do mundo e da carne e, felizes, te oferecemos em propriedade, até o momento de nos encontrarmos, mãezinha, no paraíso...
Teus e tuas mílites.

São Maximiliano Kolbe
SK 1037 - Rycerz Niepokalanej, IX 1923