sexta-feira, 31 de maio de 2013

Maria, a primeira missionária!

"A Igreja encerra o mês de dedicado à mãe de Deus com a festa da Visitação de Nossa Senhora a isabel. Mostrando confiança nos desígnios do Senhora, Maria quer partilhar com a prima sua ajuda e sua alegria por ter sido escolhida para mãe de Jesus." (Liturgia diária)


Rezemos com fé:

"Ó Maria Santíssima, primeira missionária de Jesus, como vós caminhastes apressada, através das montanhas da Judeia, levando a salvação à casa do Precursor, infundi em nós o vosso mesmo ardor apostólico.

Tornai-nos dóceis instrumentos da misericórdia divina para a humanidade sofredora por causa do pecado. Tornai-nos capazes de levar o sorriso onde reina ador, acender a esperança onde existe o mal. Ajudai-nos a ser o sustentáculo da fé que vacila, conforto à esperança enfraquecida, exemplo de ardente caridade.

Dai-nos saber repreender com brandura os pecadores, comover os corações endurecidos, indicar o caminho do céu aos pequeninos e aos simples, aquecer os corações tépidos e infundir nos bons o amor à perfeição.

Aceitai a nossa oferta de sofrimento, incômodos, humilhações e, depois de ter vós mesma purificado tudo isso, entregai-o ao vosso Filho Jesus, a fim de que Ele suscite numerosas e ardentes vocações missionárias. E, depois de ter-vos amado e venerado aqui na terr, tornai-nos dignos de contemplar-vos na glória eterna dos céus. Amém." (Perseverantes na oração, p.68)

Nossa Senhora da Visitação, rogai por nós!

Feliz festa!

 
 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Festa da Visitação de Nossa Senhora

A festa da Visitação de Nossa Senhora foi introduzida no calendário da Igreja Universal pelo papa Bonifácio IX, em 1401, mas já era celebrada pela Ordem franciscana desde 1263, no dia 2 de julho. Com a reforma do calendário litúrgico, em 1969, ela foi antecipada para o dia 31 de maio, coroando assim o mês que por tradição popular é considerado mariano.

A visitação de Maria à sua prima Isabel é narrada pelo Evangelista São Lucas: Maria, após conceber por obra do Espírito Santo, inspirada pelo mesmo Espírito parte às pressas para ir ao encontro de Isabel, que também se encontrava grávida.

Nesta festa, portanto, celebramos o encontro de duas mães extraordinárias: uma que concebe na esterilidade e a outra na virgindade; o encontro do Salvador e de seu Precursor; o encontro do Antigo e do Novo Testamento.

Neste encontro Isabel exalta a fé de Maria, pois foi graças a essa fé que Deus pode realizar os seus desígnios para com a humanidade. Foi graças a essa fé que todas as gerações a proclamaram, proclamam e continuarão  proclamando bem-aventurada. É isso que fazemos a cada vez que rezamos uma Ave-Maria.

Na festa da visitação celebramos também Maria como primeira missionária. Levando Jesus dentro de si Ela parte para a Judeia, para o mundo. Esta ação de Maria faz dela a primeira evangelizadora, aquela que inaugura as viagens missionárias de seu Filho. Dizia o bem-aventurado João Paulo II: “No mistério da visitação o prelúdio da missão do Salvador”.

Marlete Lacerda
Missionária de Campo Grande - MS
Locutora da Rádio Imaculada Conceição 890 AM

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Nas mãos amorosas do Senhor

Diante do Santíssimo Sacramento, verdadeira presença do Senhor, prepare o seu coração para viver um momento muito especial de graça e louvor.



Iniciemos em nome de Pai, do Filho e de Espírito Santo. Amém.

A: Num instante de silêncio coloque-se aos pés de Jeus, sob o seu olhar infinitamente bondoso... Deixe-se conduzir e entregue em suas mãos toda a sua vida, com as suas inquietações, necessidades e preocupações.

Música instrumental

A: Assim também entregue a Jesus as alegrias, as conquistas e os sonhos do dia-a-dia.

Música instrumental

L: Senhor Jesus, cremos que por amor aos homens estais presente pela eucaristia de noite e de dia neste lugar e em milhares de outros espalhados pelo mundo. Cheio de piedade e de esperança cremos que estais esperando, chamando e recebendo a cada homem que vem vos visitar. Também estais com grande amor à procura dos corações que nem sequer vos conhecem. Rezemos:

T: Meus Deus, eu creio, adoro, espero e vos amo. Vos peço perdão por todos aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam.

Pai Nosso... Glória ao Pai...

Canto

A: Coloque-se de joelhos diante do Senhor em atitude de humildade e escuta. Deseje ardentemente amar e ser amado por Ele. Aproveite também esse momento de graça e agradeça pelo dom da sua vida.

Música instrumental

Pai Nosso... Glória ao Pai...

A: Fixe seu olhar na eucaristia e sinta o desejo carinhoso de Jesus: que você seja feliz! Deixe-se conduzir nessa entrega confiantem lembrando que "todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus" (Rm 8,28).

Pai Nosso... Glória ao Pai...

A: Seja dócil com Jesus "como o barro nas mãos do oleiro" (Jr 18,6). Sinta a ternura do olhar do Senhor no seu coração. Deixe-se guiar por esse mistério de fé e como num lindo sonho contemple, ao lado de Jesu, a sua mãe, a Virgem Santíssima. É Nossa Senhora quem acolhe e prepara você para chegar mais perto dele.

Música instrumental

Ave Maria...

Canto

A: Tenha a certeza de que Nossa Senhora ensinará de que forma você poderá viver nas mãos de Deus. Encha-se de esperança e medite as palavras de Padre Kolbe:

L: "(...) não somente é difícil, mas impossível aproximar-se de Jesus sem Maria... aproximar-se de Jesus é sem dúvida uma graça e todas as graças chegam até nós passando através dela, do mesmo modo como o próprio Jesus veio em nosso meio através dela."

Música instrumental

Ave Maria...

A: Com os olhos repletos de ternura olhe para Maria e com certeza verá ao seu lado Jesus, então encontrará a paz, o amor e a alegria de Deus.

Ave Maria...

Canto

A: Sinta-se agorra repleto do amor de Jesus e da ternura de Nossa Senhorra. medite no seu coração as palavras de Padre Kolbe: "não há melhor preparação à sagrada comunhão do que oferecê-la toda à Imaculada"... e mais ainda, "Ela preparará o nosso coração para receber Jesus na eucaristia do melhor modo possível" (Padre Kolbe).

Vamos encerrar esse momento de adoração rezando:

Salve Rainha... Ave Maria... Virgem Imaculada... Glória ao Pai... São Maximiliano Kolbe, rogai por nós.

Canto Final

Everenice Schiavon Ara
Voluntária da Imaculada - Padre Kolbe



terça-feira, 28 de maio de 2013

Festa de Corpus Christi


A Festa de Corpus Christi é realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É a festa onde adoramos e manifestamos nossa crença na Eucaristia, que é o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como vocês sabem, nós católicos não celebramos a Eucaristia como uma representação. Nós realmente cremos que a hóstia se transforma no Corpo e o vinho no Sangue de Cristo. Nossos olhos veem pão e vinho, mas nossa alma vê o Senhor. E esse milagre acontece a cada momento em que uma missa é celebrada, no momento da Consagração Eucarística onde acontece a transubstanciação:  a transformação do Pão em Corpo e do Vinho em Sangue.

O Papa Bento XVI, na homilia da Santa Missa na Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo em 2011, nos relembra da ligação dessa Festa com a Quinta-feira Santa: "A festa do Corpus Christi é inseparável da Quinta-Feira Santa, da Missa in Caena Domini, na qual se celebra solenemente a instituição da Eucaristia. Enquanto na tarde de Quinta-Feira Santa se revive o mistério de Cristo que se oferece a nós no pão partido e no vinho derramado, hoje, na celebração do Corpus Christi, este mesmo mistério é proposto à adoração e à meditação do Povo de Deus, e o Santíssimo Sacramento é levado em procissão pelas estradas das cidades e das aldeias, para manifestar que Cristo ressuscitado caminha no meio de nós e nos guia para o Reino do céu." (http://www.vatican.va)

Gostaria que você leitor, pensasse nesse momento conosco o motivo que fez Jesus fazer-se presente vivo no pão e vinho. No meu coração não vem outro motivo além do grande amor que Jesus teve e tem por nós. Quando penso que tenho Ele dentro de mim a cada vez que comungo, sinto uma alegria imensa, e uma força incapaz de descrever tamanha transformação que Ele faz, e agradeço a Ele por esta forma que Jesus encontrou de ficar pertinho de nós, não existe melhor maneira de estar junto a Ele. E quando recordamos, quão bela foi a vivência dos apóstolos que estiveram na presença de Jesus - como humano, não podemos esquecer que eles tiveram que ter fé para acreditar que Ele era o Deus prometido, que viria vencer o pecado e a morte. Olhando para nós hoje, devemos acreditar que também nós, somos privilegiados por recebê-lo dentro na Comunhão, em Corpo e Sangue e precisamos ter a mesma fé que o apóstolos tiveram para colocar a base de nossa fé nesse milagre.

Lembramos aqui o grande milagre Eucarístico de Lanciano, ocorrido na cidade Italiana de Lanciano, no século VIII: o Padre, em um momento de dúvida, durante uma missa, viu a hóstia, converter-se em carne viva e o vinho em sangue vivo. Um lindo milagre... Se voce ainda não conhece esse milagre, é um bom momento para pesquisar e conhecer mais.

Por isso, precisamos nos dedicar mais aos nossos momentos de Adoracao Eucarística. Rezar em casa é muito importante, mas rezar diante do Santíssimo Sacramento é um momento de muita graça.

A Eucaristia é tão importante na nossa fé que a Igreja fez dela um Sacramento: "A Eucaristia é «fonte e cume de toda a vida cristã» (146). «Os restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa» (147)." (1324 - Catecismo da Igreja Católica)

E esse sacramento recebemos semanalmente aos domingos ou diariamente quando participamos da Santa Missa. Quanta graça! Por isso essa Festa vem nos motivar a adorá-lo e agradecer por todo amor que Ele tem por nós. Deixar-nos inundar pelo amor que vem do Seu coração , inclusive amá-lo por todos que não O amam.

Novamente podemos ver o relacionamento dos santos com a Santa Eucaristia: Santa Teresinha do Menino Jesus escreveu a famosa poesia: “Vem ao Meu coração Hóstia Branca que amo”. Vamos ver abaixo um trecho:

Na festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, 16 de Julho, Teresa recebe a Comunhão Eucarística na enfermaria. Maria da Eucaristia, sua prima, Com voz “alta e bela” canta a estrofe que Teresa tinha composto para este momento.

“Tu que conheces minha extrema pequenez
que não receias nunca abaixar-te até mim,
vem a meu coração, Hóstia branca que amo,
vem a meu coração que anseia só por ti!
Desejo demais que tua bondade me faça
Morrer de amor após este favor.
Escuta, meu Jesus, meu grito de ternura:
Vem ao meu coração”.


Portanto, durante a missa de Corpus Christi, busquemos abrir nossos corações e que isso gere um propósito de intensificarmos nossos momentos diante de Jesus Sacramentado.

Feliz Festa de Corpus Christi!

Diana Darre e Evandro Oliveira
Voluntários da Imaculada-Padre Kolbe

Para ouvir: Hóstia Branca (http://www.youtube.com/watch?v=V2MgqwBRGdw)

Para assitir: O Grande Milagre

O golfinho e o mergulador

Vi o vídeo (abaixo) feito por um grupo de mergulhadores que filmavam, no Havaí, Arraias da espécie Manta. Em um determinado momento, se aproxima da equipe de filmagem um golfinho que nadava com dificuldades por ter um anzol preso em seu peito e linha de pesca enroscada em uma de suas nadadeiras. Um dos mergulhadores percebe a situação e vai ao seu encontro. O golfinho não foge e permite, pacientemente, que o mergulhador retire o anzol e a linha, fazendo com que ele voltasse a nadar com total liberdade.

Esse vídeo nos leva a uma reflexão. Nosso modelo civilizatório atual é explorador, concentrador. Exploramos os recursos naturais de uma forma que, se todas as pessoas no mundo tivessem os mesmos padrões de consumo do europeu ou do norte americano, o Planeta não suportaria. No entanto, Deus tudo criou (Gn 1-2) e colocou toda criação para que o homem a administrasse, pois fomos feitos a Sua imagem e semelhança (Gn 1,26ss). Ocupamos um lugar especial no Seu projeto já que, pelo seu amor, existimos mesmo antes de toda a criação (cf Ef 1,4). Nesse projeto, a comunhão com Deus, com toda a criação e com o cosmos é condição fundante. 

Nossa história nos mostra que rompemos com esse projeto não só na Origem, mas até hoje, num movimento contínuo e infelizmente progressivo. De administradores passamos a proprietários. Tornamos tudo propriedade. Propriedade de poucos com os frutos para poucos. Usamos e usaremos tudo até a exaustão dos recursos. Rompemos com a comunhão e a harmonia. Somos nós, senhores de tudo. Somos nós, os criadores. Somos nós, deuses.

O golfinho, na sua irracionalidade, nos mostra outra postura. Ele compartilha com o mergulhador o mesmo território, pois sabe que este não é seu, ou só seu. Para ele o Outro não é presa nem predador. Para ele o outro é irmão, posto que ambos são criaturas com mesma origem. Isso lhe dá a condição para a aproximação.

A atitude do golfinho faz com que, pela reminiscência, o homem retome a idéia de que não somos seres concorrentes, mas sim estamos com correntes, elos ligados entre si e todos ligados ao Pai que ama tudo e a todos. Assim, durante os 3 minutos aproximadamente que dura a ação, em perfeita harmonia como em uma dança, a comunhão é refeita. Na ótica de cada um o Outro é o seu Próximo ea interação é a coisa mais natural.

Francisco, no século XII, foi quem melhor teve essa consciência. Exemplo a ser imitado não apenas no uso de seu nome ou de sua batina, mas na adoção de sua única regra: viver o Evangelho.

Henrique de Freitas
Voluntário da Imaculada-Padre Kolbe
Economista e teólogo
 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Maria passa na frente!

Mãe passa na minha frente neste momento em que não vejo nada,
quando parece não haver luz no túnel, no momento da dúvida,
do medo, na hora de tomar a decisão certa
ou quando tudo parecer contrário a mim o que sou incapaz de fazê-lo.

Passa na frente e cuida das dificuldades que vou precisar enfrentar
e do que não está ao meu alcance de ver.

Tu tens o poder para isso.

Maria passa na frente quando falo com meus filhos,
quando me dirijo a minha esposa (o).

Passa na frente quando vou ao trabalho,
quando conduzo o carro.

Passa na frente quando tiver que receber uma notícia,
quando o médico me for dar o diagnostico de alguma doença,
ou quando tiver de fazer uma cirurgia.

Defenda-me, protege-me, cuida de mim.

Passa na frente mãe, toca e aquece com seu amor materno
os corações endurecidos que eu vou encontrar no caminho,
pois tu és o astro que anuncia o sol
e contigo ninguém fica sem sentir o seu calor.

Obrigado Mãe amada, sem a qual não haveria vitória.

Maria, coragem invencível dos atletas de Cristo,
coluna de fogo que nos conduz na noite,
Aurora da Boa Nova, passa hoje
e sempre na minha frente.

Amém!

 


 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Conhecer para amar

A percepção de cristãos e de pessoas consagradas que sentem a necessidade de descobrir cada vez mais a grande figura daquela que é mãe de Deus e mãe nossa, enche o coração de alegria. Porque nos dá não somente a esperança, mas também a certeza que o futuro cristão está "garantido", como está grarantida a vinda do reino de Deus, porque Maria não é apenas o seu anúncio, mas lhe é guarda e defensora.

Conhecer Maria é uma exigência mais que atual, ditada pela situação social que nos envolve, pelo momento histórico que estamos vivendo. Em momentos de emergência são necessários meios e vontade de emergência. É preciso subir o degrau da generosidade e de um maior empenho, para que as forças do mal não venham a se expandir cada vez mais.

A redescoberta de Maria e de sua função na vida do cristão e da Igreja oferece a possibilidade mais verdadeira de fazer o homem entender quem ele é e para qual grandeza Deus o chamou.

Além disso, pelo conhecimento que temos dela, chegamos a um conhecimento mais profundo de Deus, pois a Virgem não ofusca a face de Deus, mas, ao contrário, a manifesta plenamente. Nela contemplamos a presença e a ação da própria Trindade.

Nela encontramos a plenitude da presença do Pai; Eles está presente em cada um de nós na medida em que fazemos nossa a vontade dele: quem mais do que Maria correspondeu isso? O Pai a preservou do pecado original, a fim de chamá-la a participar de modo singular do seu projeot salvífico. Ela adere a esse projeto com todas as fibras e faculdade de seu ser.

Em Maria encontramos a plenitude da presença do Filho. Encontramos essa presença enquanto Maria é a "primeira remida". Encontramos porque no seu seio Ele se tornou homem e, em sua casa, em sua escola, cresceu em "sabedoria, idade e graça" (Lc 2,52), como filho e como discípulo. E, de sua parte, Maria conheceu todos os aspectos humano de Deus-Filho, e partilhou da sua missão em todas as dimensões de luz, de escuridão, de dor e de oferta.

Em Maria encontramos a presença do Espírito Santo, que pôde penetrar de tal modo em sua pessoa, a ponto de torná-la mãe, plenitude de amor, plenitude de santidade, transparência de si. Assim como o ferro em contato com o fogo se torna incandescente, "se faz fogo" embora permanecendo ferro, assim Maria coberta com a sombra do Espírito Santo, "se fez Espírito Santo", embora permanecendo criatura.

Conhecer Maria, portanto, não significa adquirir noções, mas instaurar uma relação vital, uma ligação de amor e de correspondência entre nós e Ela e, consequentemente, entre nóse Deus. Significa também instaurar uma relação vital com todos os homens. Porque eu encontro todos em Maria. O seu "fiat" a Deus compreendia tanto a maternidade de Jesus, quanto a maternidade de todos os filhos, que durante os séculos seriam chamados à vida e à salvação.

Padre Faccenda
Fundador do Instituto


Ouça e medite esta música da Irmã Kelly Patrícia:
http://www.youtube.com/watch?v=8rxpmZ0UhzA

Dimensões da experiência cristã

1. Dimensão experiencial.

O que é a experiência? Pode ser definida como um conhecer por dentro, partindo da própria relação com as coisas.

Todos nós temos algumas experiências, políticas, sociais, desportivas, religiosas, etc.
A experiência não é dedução intelectual. É algo vital que se sofre na própria carne; do contrario não é experiência. Exemplo: Não é a mesma coisa deduzir o que é banho no mar pelo fato de haver estudado tudo em pormenores, e saber o que é a experiência por que passa a pessoa que tomou banho de mar em um dia de calor. Sem tantos dados explicitamente possuídos e combinados, ela sabe, de maneira diferente, o que a coisa é, sabe de dentro para fora, sabe por dentro. A experiência surge da vida e retorna à vida.  Mas não volta como veio. A pessoa já está diferente, já mudou.
Então o que é a experiência cristã?
Se a experiência consiste em conhecer por dentro, a experiência cristã é conhecer o interior de Cristo... experimentar a sua presença e a sua ausência também.

Qual é o objeto e o lugar da experiência cristã?

As vezes, sobretudo, no passado, pode ser que temos considerado como lugar da experiência de Deus um campo muito estreito capaz de nos propiciar a experiência dele.  Com efeito, é evidente, que a tradição religiosa ocidental assinala alguns lugares como sendo aptos à realização da experiência religiosa (culto, orações, silêncio, igreja etc.). Esta é uma posição que desvaloriza o enorme campo do cristão e parte da convicção de que em lugar algum como aí se podia ter uma experiência tão direta, explicita e forte de Deus. Parecia quase que as coisas exteriores não interferissem na relação entre Deus e o homem.  Mas nesta posição tinha um esquecimento importante:o cristianismo é uma religião de mediações: também na experiência. 
E quais seriam estes novos campos, mais amplos onde posso fazer a experiência de Deus? São a matéria, o compromisso mundano, a marginalização.

A matéria = é tudo o que possa fazer referencia à nossa origem da terra e da carne: corpo, paternidade, maternidade, amor humano, sexo, prazer, alegria, sofrimento, beleza, amizade... Anteriormente, temos a impressão, que a experiência que pudesse haver com tais realidades não tinha nada a ver com a experiência cristã. No máximo era uma experiência neutra.

O compromisso mundano = faz referência a tudo o que é transformação do mundo através da técnica e transformação das estruturas sociais. Realidades como trabalho, economia, política, técnica, arte, direitos, cultura, etc., também entram como mediações na experiência cristã. Experimentá-las como realidades cristãs á ampliar o campo desta experiência.

A marginalização = é o trabalho duro, a falta de emprego, a miséria, a fome, a família numerosa, a violencia, a falta de cultura, a emigração... e todas as taras profundas que a sociedade alimenta e suscita. Alguns talvez se perguntam se aí cabe a experiência cristã. Nesta experiência de milhões de cristãos, sobretudo nos Países pobres, Cristo está presente. Os cristãos pobres e sofridos sabem pouco sobre o Cristo, mas sabem o suficiente para misturar a própria existência com a memoria do Cristo.

Experiência cristã anônima.

Há pessoas que vivem situações sem relação alguma visível com o cristianismo. São pessoas boas, que jamais praticariam o mal, ou que fazem muito bem, que tem experiência enraizada do amor, da compreensão, da amizade, do compromisso, da dor... São cristãos anônimos, e como experiência cristã anônima pode ser qualificada sua experiência de fé.

Critérios de avaliação.

À Luz de quais critérios deve ser examinada a experiência cristã?A resposta pode ser simples: à luz de Jesus e de seu Espírito.

a. Jesus Cristo, experiência radical.
Jesus como critério, como raiz da conduta cristã, foi uma constante na história e continua sendo-o. É verdade que cada um tem sua imagem de Jesus e que, por conseguinte, recorrendo a Jesus, talvez nem todos nós encontremos os mesmos critériosque possam esclarecer a vida de um cristão. Entretanto, tem algumas dimensões que não podemos esquecer, elas são conhecidas com os termos de culto e missão.  O culto se expressa através a profissão ou a confissão de fé, o louvor, a adoração, a confissão dos pecados, a petição e a ação de graças.
Mas também a missão é a matriz geradora da cristólogia. O cristão, de um modo ou de outro, deve participar destas dimensões para corresponder ao que deve ser uma experiência cristã.

b. O espírito de Jesus.
É o Espirito quem guia a Igreja e o cristão em seu encontro com Cristo. É o Espírito quem move o cristão de todos os tempos no sentido de tornar realidade visível as dimensões que Jesus fez em outra época. O Espirito preside à evolução da historia, É portanto na evolução da historia que o cristão tem de experimentar cristãmente a vida.

Agentes desta avaliação.

1. A responsabilidade primaria é da própria pessoa.
Nada e ninguém pode antepor-se à responsabilidade pessoal. A própria pessoa que passa por esta experiência, é a primeira e a ultima responsável pelo que nela acontece. Será ela quem deverá buscar e refletir, perguntar e confrontar sua própria experiência, para chegar à certezaque lhe permita viver bem a própria fé.

2. A Igreja, mãe e mestre.
Fora da Igreja, seja lá qual for a explicação dada sobre esta expressão, não há verdadeira experiência cristã.
Para que a Igreja possa realizar essa tarefa, ela própria terá que converter-se a cada dia à autêntica experiência cristã,  ser primeiro mãe e, somente depois mestra.

2.Dimensão trinitária.

A vida cristã procede e tende à comunhão com Deus Trino e, se especifica:

a) Em relação com o Pai = filhos de Deus
b) Em relação com o Filho = vida em Cristo, seguimento de Cristo, inserção em seu Corpo místico.
c) Em relação com o Espirito Santo = caminho espiritual de maturidade e de santidade
 
a) Filhos de Deus.

No AT: Deus só é chamado de Pai com extrema discrição.
O termo Pai aplicado a Deus, está exclusivamente no contexto da eleição, da aliança e da salvação histórica; o que faz que Deus seja chamado de Pai é em sentido exclusivamente metafórico e sem particular insistência. Enfim, Israel adota atitude muito reservada com relação à paternidade de Deus e à sua própria filiação. Jahweh é Deus único; não tem nem filhos nem filhas. É chamado Pai somente porque se ocupa com Israel, porque o chama, porque o liberta, o acompanha no seu caminho. Por isso é pai, pastor, rei, esposo; e Israel é filho, rebanho, súdito, esposa de Jahweh
A fórmula mais densa em que se chama Deus de Pai no AT é Is 63,16. “Tu Jawheh, és nosso Pai!”.
No NT: Nele a indicação de Deus como Pai está muito mais desenvolvida, enriquecendo-se com os mais diferentes matizes.
Nos textos paulinos a teologia da paternidade-filiação divina acha-se desenvolvida ao máximo. A formula “Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” aparece cinco vezes (2Cor1,3; 11,31; Rm 15,6; Col 1,3; Ef 1,3).
A paternidade de Deus em relação aos homens é lembrada 32 vezes. Paulo apresenta 17 vezes Jesus como filho de Deus,e 13 vezes atribui aos homens o titulo de filhos de Deus (Gl 3,26;4,6.7; Rm 8,14.16.17.19.21;9,7.8.26; Fl 2,15; Ef 5,1).
A evocação, porém, da paternidade de Deus, não é certamente exclusiva de Paulo. João apresenta 114 vezes Deus como Pai de Jesus e 28 vezes Jesus como Filho de Deus.
Os sinóticos são, sem dúvida alguma, mais discretos do que o Paulo e o João em atribuir a Deus o titulo de Pai de Jesus Cristo; só dois textos são comuns aos três (Mc 8,38;14,36).
A paternidade de Deus em relação aos homens é mencionada bem raramente: um só texto em Mc(11,25-26); Mt e Lc tem quatro menções comuns; Lc tem três próprias e Mt tem 12.

Significado e importância de ser filho de Deus para Jesus e, para nós de ser filhos adotivos.

Jesus é chamado Filho de Deus de modo positivamente novo se comparado ao sentido do AT. Ele não é um filho, mas o Filho de Deus. Não é apenas o herdeiro que o Pai envioudepois dos profetas, mas tem uma união especialíssima de conhecimento e de amor com o Pai; esta filiação especial, total, torna clara a distinção entre Ele e nós. Também os discípulos e os homens são chamados filhos de Deus, mas o Pai e seu de modo especial, profundamente original (Mt 7,21; Lc 2,49; Mc 1,11;9,7), que indica a intima estrutura de sua vida, de seu destino, de seu anseio continuo,a fonte secreta de seu agir, de seu orar, de seu ser inteiro. Ele é verdadeiramente uma só coisa com Deus,em unidade de vida, de operação, de glória, de poder e de qualquer outra realidade, basta um só texto esplendido confirmanod isso:  Jo 5,19-26. Mas para que possamos explicar a evolução plena, quantitativa e qualitativa, do tema paternidade-filiação no NT, ainda falta algo, a saber, o vinculo entre Jesus Filho de Deus e nós, filhos do homem.
Então emerge a figura de Jesus como filho do homem, como homem entre os homens. A expressão, “filho do homem”, aplicada a Jesus, acha-se quase que exclusivamente nos evangelhos, e sempre nos lábios de Jesus. Esta terminologia se concentra sobretudo no contexto daqueles momentos em que Jesus experimenta até o fundo que é igual aos homens na pobreza, no sofrimento e na fragilidade. (Mt 8,20; 11,19;20,28; Mc 8,31; Mt 26,63-64).
O Pai, ao enviar o Filho, que se faz homem entre os homens, e ao dar o Espírito Santo, o Pai fez dos homens seus filhos. Em Jesus, pois, é que Deus se dá e recebe o nome de pai, pai dele e pai nosso.
Através dele, afirma João, nos vem a graçae o poder de converter-nos em filhos de Deus e de nascer segunda vez de Deus (Jo 1; 3,3-5). Por isso a Escritura fala de nós como filhos de Deus.
Jesus nos ensina a nos dirigirmos a Deus como Pai (Mt 6,9), chama de filhos os pacíficos (Mt 5,9), os que amam plenamente (Lc 6,35), os que ressuscitaram para a vida eterna (Lc 20,35-36). Esta filiação implica aperfeiçoamento sem limites, cumprimento da vontade do Pai, imitação da bondade, da misericórdia, e do amor universal que está presente na experiência salvifica.

b) Cristocentrismo para a imitação – seguimento de  Jesus Cristo.

“A fé cristã não é uma 'religião do Livro'. O Cristianismo é a religião da 'Palavra' de Deus; 'não duma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo' (São Bernardo). Para que não sejam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna do Deus vivo, pelo Espírito Santo, nos 'abra o espírito à inteligência das Escrituras' (Lc 24,45).”
Estas palavras são do Catecismo da Igreja Católica (Gráfica de Coimbra, 1993, nº 108). Com elas, quero sublinhar o Cristocentrismo da Bíblia. Ou seja: Cristo está no centro da Bíblia e constitui a sua essência ou miolo da sua mensagem.  Cristo está no centro da Bíblia, como está no centro do Tempo. O Tempo, dividimo-lo em antes e depois de Cristo; a Bíblia, em Antigo e Novo Testamento, ou seja: o que aconteceu e foi revelado até Jesus Cristo e a partir de Jesus Cristo, respectivamente. Cristo é, também, o centro da mensagem da Bíblia; ou, como diz a Dei Verbum, do Vaticano II, “é simultaneamente o mediador e a plenitude de toda a revelação” (nº 2).
De fato, depois de ter preparado, “através dos séculos, o caminho ao Evangelho” (nº 3), Deus envia o seu Filho que “consuma a obra da salvação que o Pai lhe confiou, [...] completa e confirma com o seu testemunho divino que verdadeiramente Deus está connosco para nos libertar das trevas do pecado e da morte e nos ressuscitar para a vida eterna.Portanto, a economia cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e não mais se deve esperar nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo” (nº 4).

Jesus Cristo foi a “primeira escolha” de Deusno seu plano de salvação da humanidade.

Deus, desde o princípio, quando pensou revelar-nos a sua vontade e acionar o seu projeto de salvação, já previu fazê-lo em Cristo e por Cristo; Cristo não foi um remendo tardio que Deus pôs no seu projeto inicial frustrado pelos “primeiros pais”. Mas, até à vinda de Cristo e à sua morte na cruz “por nós e por todos, para remissão dos pecados”, Deus “adaptou-se” à capacidade humana, “condescendeu” com os limites da nossa natureza.
Deste modo, Cristo marca toda a caminhada do Antigo Testamento na esperança do Messias e marca toda a vida dos cristãos em Cristo até que Ele venha de novo no fim dos tempos; desde o “proto-Evangelho” de Génesis 3,15 (em que aparece de forma velada sob a descendência da mulher que há de esmagar a descendência da serpente), até ao “Vem, Senhor Jesus” do Apocalipse 22,20. Ou seja, do primeiro livro ao último.
Nessa revelação, umas vezes Deus “falou” por figuras; outras vezes, por meio de palavras; outras, por meio de pessoas. O autor da Carta aos Hebreus tem isso em conta, quando diz: “Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Filho” (Heb 1,1-2). E Paulo faz esta leitura cristológica de toda a Bíblia, juntando Antigo Testamento, Novo Testamento e tempo da Igreja:
“a Lei tornou-se nosso pedagogo até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Uma vez, porém, chegado o tempo da fé, já não estamos sob o domínio do pedagogo. É que todos vós sois filhos de Deus em Cristo Jesus, mediante a fé; pois todos os que fostes batizados em Cristo, revestistes-vos de Cristo mediante a fé. Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem e mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus. E se sois de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.” (Gl 3,24-27)

Cristo, ontem e hoje.

No início da Vigília Pascal, o sacerdote vai marcar o sinal da cruz e a primeira e última letra do alfabeto grego no Círio novo, e dizer: “Cristo, ontem e hoje, Princípio e fim, Alfa e Ómega.” Aqui estamos nós, cristãos de hoje, chamados a aceitar o Cristo de ontem e de sempre como único Mestre, e a viver o segredo que tornava os seus ensinamentos superiores aos de todos “mestres” de Israel: a unidade entre aquilo que Ele dizia, aquilo que Ele fazia e aquilo que Ele era. Para isso, duas coisas são precisas:
Aprender a lição da sua vida. Não apenas saber e repetir as suas palavras. Na Exortação apostólica sobre a Catequese para hoje, (Catechesi Tradendae, 1978), João Paulo II diz que “toda a vida de Cristo foi um ensinar contínuo: os seus silêncios, os seus milagres, os seus gestos, a sua oração, o seu amor pelas pessoas, a sua predileção pelos pequeninos e pelos pobres, a aceitação do sacrifício total na cruz pela redenção do mundo e a sua ressurreição, são o atuar-se da sua palavra e o realizar-se da sua revelação. De modo que, para os cristãos, o Crucifixo é uma das imagens mais sublimes e mais populares do Jesus que ensina.” (nº 9)
Fazer uma Catequese cristocêntrica. Quer isto dizer que na catequese é Cristo, Verbo Encarnado e Filho de Deus, que é ensinado – e tudo o mais em relação com Ele; e que somente Cristo ensina. Qualquer outro que ensine, fá-lo na medida em que é seu porta-vos, permitindo a Cristo ensinar pela sua boca. A preocupação constante de todo o evangelizador, seja qual for o nível das suas responsabilidades na Igreja, deve ser a de fazer passar, através do seu ensino e do seu modo de comportar-se, a doutrina e a vida de Jesus Cristo. Que frequente e assíduo contato com a Palavra de Deus transmitida pelo Magistério da Igreja, que familiaridade profunda com Cristo e com o Pai, que espírito de oração e que desprendimento de si mesmo deve ter um evangelizador, para poder dizer: “A minha doutrina não é minha”.

c) Maturidade e santidade cristã.

Tanto no AT quanto no NT é constante o convite ao progresso espiritual (Jer 6,16; Sl 26,13; 2Cor 4,16; Hb 3,7;4,10; 2Pd 3,18; Ef 4,13; Col 1,10).
Tanto no AT quanto no NT é constante o convite ao progresso espiritual (Jer 6,16; Sl 26,13; 2Cor 4,16; Hb 3,7;4,10; 2Pd 3,18; Ef 4,13; Col 1,10).
A maturidade ou perfeição cristã é o desenvolvimento pleno de todas as potencialidades da graça em todos os níveis do organismo sobrenatural. A maturidade ou perfeição cristã tem já na fé sua própria orientação, seu significado e seu impulso (Jo 6,29; Ef 3,17), mas realiza-se essencialmente na caridade (Mt 5,44ss; 1Cor 13, 1ss; Jo 17,21). A fé e a esperança teologais são relacionadas com a caridade, como preparação imediata para ela; de tal modo que o domínio da caridade na vida do homem não poderá chegar a ser perfeito se, ao mesmo tempo, não se tornar perfeito o exercício da fé e da esperança. Recebidas como germes de vida eterna, estas três virtudes são destinadas a crescer, a dar vitalidade ao cristão, a conseguir sua perfeição.
São Paulo fala delas como de forças dinâmicas que tem papel decisivo no amadurecimento da vida espiritual (I Ts 1,3; 5,6s) Supõe que haja comportamento cristão “infantil” e o opõe à conduta verdadeiramente “adulta”. Com frequência usa as antíteses “crianças-adultos”, ou “imperfeitos-perfeitos” (ICor 2,6; 13,10s; 14,20; Fl 3,15; Cl 1,28). Segundo São Paulo, “criança” é aquele que está no começo da vida cristã, dando seus primeiros passos, ainda indecisos, e balbuciando as primeiras palavras; “adulto”, ou “perfeito” é o cristão em que os germes de vida nova recebidos no batismo se desenvolveram e alcançaram aquela plenitude que possuíam só em potência.

1.Sinais de “infantilismo” espiritual.

Quais são os sinais de infantilismo espiritual de que o cristão deve libertar-se?  Como é possível reconhecê-las? Dos Escritos do NT se deduzem especialmente as seguintes:
a) A incapacidade de aceitar o evangelho em sua totalidade de conteúdo e de exigências (ICor 3,1ss) É o sinal de que ainda se está presos demais às concepções naturais. Os Corintios se comportam ainda como crianças, que “vão em busca da sabedoria humana” em vez de buscar a “sabedoria de Deus”, anunciada pela “loucura da pregação” (ICor 1,21ss)
b) O deixar-se mover pela “carne” e não pelo “Espírito”. A oposição entre “homens carnais” e “homens espirituais” em São Paulo é paralela à oposição “crianças-adultos” (ICor 3,1; 1,10ss) É sinal deste infantilismo deixar-se levar por motivos humanos, por invejas e rancores.
c) A falta de tomada de consciência da posição exata do crente diante de Deus; a pessoa já se julga sabia, conhecedora dos caminhos e dos segredos de Deus; como consequência, pensa que não tem nada que aprender...
d) A autossuficiência e a presunção de quem acredita demais em suas próprias forças e não reconhece que tudo é dom de Deus. O seguidor de Cristo, adulto na fé, tem que possuir certos aspectos positivos do espirito de infância, que o capacitem a ter simplicidade, acolhimento alegre à graça, ausência de cálculos, generosidade, sinceridade (Mt19,14; 18,3s; Lc 12,32)
e) Dar mais atenção a si mesmo do que a Deus; afetividade centralizada em si mesmo, em vez de afetividade livre para poder dar-se ao Outro, que “nos amou primeiro” (1Jo 4,10).
f) A concepção da liberdade como libertinagem (1Cor 8,9; 9,4s; 10,29), quando, ao contrário, temos que estar com a disposição de discernir as coisas e as ações segundo os critérios de Cristo, já que tudo pertence a nós e nós pertencemos a Cristo (1Cor 3,23).
g) Deixar-se levar pela preocupação com os carismas visíveis, em vez de aspirar aos dons mais altos e comprometer-se com este outro “caminho muito superior” que é o da caridade (1Cor 12,31; 13,1ss)
h) A instabilidade e a volubilidade de uma fé que não se acha solidamente apoiada no Evangelho (Ef 4,14) e que , por isso, se vê abalada por certas correntes espirituais que não nascem da pureza evangélica.

2. Sinais da maturidade espiritual.

Destacamos os mais evidentes:
a) A convicção plena (1Ts 1,5) da existência de Deus e da sua providencia (Rom 4,21). Deste modo o homem se aprofunda em suas relações com Deus e toma progressivamente consciência do plano salvifico de Deus que nele se realiza.
b) A transformação e a renovação da mente e do coração, isto é, da personalidade em seu centro mais profundo (Rm 12,2) que permite um perfeito “discernimento do bem e do mal” (Hb 5,14; 1Cor 14,20); e mais, discernimento que mostre “qual é a vontade de Deus, o bom, o agradável a Ele, o perfeito” (Rm 12,2).
c) A docilidade ao Espírito Santo para discernir o que mais agrada ao Senhor e deste modo “frutificar em todas as boas obras e crescer no conhecimento de Deus”(Col 1,9ss), para caminhar no Espírito.
d) São cristãos maduros os que têm a capacidade espiritual de penetrar até o fundo no mistério de Cristo e de aceita-lo (1Cor 2,6s; Ef 1,9; Cl 1,27), abrindo-se à edificação da Igreja, que é o sacramento de Cristo (Ef 2,20 ss). Tudo isso significa ter capacidade para entrar em diálogo construtivocom os outros: diálogo com Deus, com os irmaõs e com o mundo.
e) Na maturidade cristã, “o homem inteiro” se compromete de forma radical e total com Deus e com a salvação do mundo. Com efeito, uma vida teologal madura faz o homem sair definitivamente da visão egocêntrica da vida; faz viver a ele a experiência de que não mais pertence a si mesmo, mas Àquele que o chamou à salvação e que pede a sua colaboração para a salvação do mundo. A força sobrenatural da graça e das virtudes teologais ordena de forma unitária o entendimento e a vontade, dirigindo-as para o centro de unidade mais alto, que é Deus.
f) Outro sinal da maturidade cristã é a “estabilidade da conversão” da mente e do coração. O compromisso do adulto não é como a promessa da criança, sujeita a caprichos, mas é uma tomada de posição de que não se volta atrás. É pacto serio com Deus, com o qual a pessoa adquire obrigações.
g) Sinal de maturidade cristã é a “integração” da própria personalidade em Cristo, isto é, o fato de que a vida inteira do cristão encontre estrutura mediante as próprias virtudes de Cristo (1Ts 5,23). A vida teologal, desenvolvida em todas as suas virtualidades, dá unidade dinâmica aos pensamentos, afetos, desejos e ações. O cristão adulto purificou-se das tendências afetivas que fazem de Cristo mais uma necessidade psicológica do que uma pessoa a quem ele se entrega livremente, e , como consequência, está disposto a manter sua decisão sejam quais forem as circunstancias da vida. O cristão adulto “está firme pela fé” (Rm 11,20), afastado do mal e orientado para Deus que o salva constantemente (Gal 2,20).
h) Finalmente, é também sinal de maturidade cristã o “compromisso com a Igreja e com o mundo”, isto é, a capacidade de superar os estreitos limites do próprio “eu” e de entrar em relação construtiva e criativa com os outros. Esta abertura aos outros, o cristão a realiza na caridade, nocompromisso eclesial e no esforço para salvar o mundo. A maturidade cristã não consiste em viver a graça de maneira abstrata e desencarnada, e sim no encontro entre a vida teologal e o compromisso temporal. Na Igreja e pela Igreja, o cristão adulto vive o compromisso da santidade e da comunhão da caridade, sabendo aceitar até os defeitos da própria Igreja e assumindo a tarefa de trabalhar para que a Igreja se aproxime cada vez mais de Cristo, seu modelo e sua cabeça (Fil 1,27; 1Ts 1,7s; Ef 4,13ss).
O cristão adulto dá expressão à sua vida nos atos externos do testemunho, do apostolado, da vida moral (Tg 1,22; 1Ts 1,3); não pode manter escondido, enterrado, silenciado o que experimentou (At 4,20); não pode deixar de repetir a palavra escutada (2Cor 4,13; 2Tm 4,2). É deste modo que cresce não apenas a vida de cada cristão, mas cresce também a vida da Igreja como totalidade.

Marina Melis
Diretora local

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sábado, 18 de maio de 2013

Pentecostes

A Festa de Pentecostes é celebrada sete semanas depois da Páscoa, no 50º dia. Pentecostes, em grego, significa quinquagésimo (dia).

Nesta festa recordamos a grandiosa vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos em Jerusalém. Essa manifestação do Espírito Santo, já havia sido prometida por Jesus, no momento de sua ascensão, onde Ele disse: "... mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judéia e Samaria e até os confins do mundo". No dia de Pentecostes, o Espírito Santo "...veio do céu como se soprasse um vento impetuoso e encheu toda a casa onde eles estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo..." (At.2, 2-4).

O Espírito Santo é Deus - a terceira pessoa da Santíssima Trindade, e com a ascensão de Jesus Cristo - que é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, nós não ficamos sozinhos, pois Deus se faz presente através do Espírito Santo. Ele nos dá força, nos orienta, nos dá a paz, nos consola, nos santifica.

Temos muitas passagens na bíblia que explica a presença do Espírito Santo em nós, como por exemplo: São Paulo na carta aos Coríntios diz: "Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito Santo habita em vós?" (ICor3, 16).

Também na nossa Igreja, temos dois sacramentos que estão diretamente ligados à este contato com o Espírito Santo: o Batismo e o Crisma. Portanto, se você já recebeu esses dois sacramentos, significa que foi agraciado com o mesmo poder recebido pelos apóstolos à mais de dois mil anos atrás, no Pentecostes.

Sabemos que a graça nos foi dada e está em nós. Somos Templos ou morada do Espírito Santo. Mas o que isso significa na prática? Isso significa primeiramente que Deus nos ama e deseja estar ao nosso lado em todos os momentos do nosso dia-a-dia, nos momentos difíceis e nos momentos alegres,  e que Deus Pai e Jesus nos deu o Espírito Santo para isso, ou seja para que Ele seja nossa força e nossa luz. Quantas vezes, em momentos de decisões paramos e pedimos que o Espírito Santo nos mostre o caminho a seguir? Creio que a melhor maneira de mantermos esse relacionamento com Deus é pedirmos todos os dias a presença dele através de seus dons: Fortaleza, Sabedoria, Ciência,  Conselho, Entendimento, Piedade e Temor de Deus. Faça o exercício de pesquisar um pouco sobre cada um desses dons e tentar vivê-los nos seu dia a dia. Será uma linda experiência!

Os santos de nossa Igreja, só se tornaram grandes santos pela grande intimidade que tiveram com o Espírito Santo e por se deixarem conduzir por suas inspirações. Podemos recordar uma das mais belas orações de Edith Stein, Santa Benedita da Cruz, que num clima místico, poucos meses antes da sua deportação para Auschwitz, fez um hino ao Espírito Santo. Foi o seu último pentecostes. Segue um trecho desse hino:

"Quem és tu,
Doce luz que me preenche
e ilumina a obscuridade do meu coração?
Conduzes-me como a mão de uma mãe
E se me soltasses,
não saberia nem dar mais um passo..."

À exemplo de Edith Stein, vamos abrir nossos corações ao Espírito Santo, viver essa festa com muito entusiasmo e como um estímulo para nossa oração diária. E para terminar, queremos sugerir uma oração que você pode fazer diariamente, especialmente pela manhã para consagrar seu dia ao Espírito Santo:

"Ó Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, inspirai-me sempre o que devo pensar, o que devo dizer, como dizer. O que devo calar, o que devo escrever, como devo agir, o que devo fazer para obter a vossa glória, o bem de todas as pessoas e minha própria santificação". Amém.

Feliz Festa de Pentecostes!

Diana Darre e Evandro Oliveira
Voluntários da Imaculada-Padre Kolbe
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Então, dize-me? Quem és?

Eu, porém, não estava plenamente satisfeito. Fui até diante da Gruta de fiquei olhando Maria por um bom tempo. "Dize-me quem és", repeti-lhe com a fé apaixonada do Padre Maximiliano Kolbe. Então o meu olhar foi atraído por aquilo que estava escrito sobre a cabeça de Maria: "Eu sou a Imaculada Conceição". Eis o motivo pelo qual ela é saúde dos enfermos, consoladora dos aflitos, rainha das virgens, auxílio dos cristãos, refúgio dos pecadores, mãe de misericórdia, rainha da paz!

Maria é a filha do Eterno Pai, que a quis e preparou como ostensório maravilhoso, a fim de de trazer o Filho ao mundo. Maria é a mãe do Redentor, verdadeira mãe que não se contentou em concebê-lo e dá-lo à luz, mas o acompanhou desde o primeiro momento até o último, e ainda o acompanha, enquanto guia um de nós nos caminho da vida.

Maria é a esposa do Espírito Santo que, se encontra em nós a liberdade para entrar, nos santifica, nos liberta do mal e nos dá a esperança.

Portanto, pareceu-me poder colher no fato do seu ser "Imaculada Conceição" a essência e toda a pessoa de Maria. A Imagem da criatura humana que atingiu a perfeita semelhança com Cristo. Maria é aquilo que cada um de nós é chamado a ser, através do caminho diário da fé que Ela mesmo percorreu.

Então, antes de partir de Lourdes, perguntei: "O que devo fazer para que tu possa ser sempre aquilo que disseram as pessoas para as quais perguntei a respeito de ti?"
É preciso reconhecer sempre a maternidade, a realeza de Maria em nosso coração, em nossa família, na nossa comunidade, em meio aos irmãos com os quais vivemos. Se Maria é mãe e rainha da nossa vida, o pecado desaparece, o demônio vai embora, pois ela é "cheia de graça".

Ser gratos a Maria, porque muitas são as graças que recebemos através dela. A sua mediação materna nos acompanha em todos os momentos da vida, seja naqueles que nos trazem alegria, seja naqueles que nos causam dor.

Pedir a Maria, Exatamente porque ela é mediadora de todas as graças, sendo a Mãe do Salvador; não devemos ter medo de pedir-lhe tudo: a nossa santificação, a santificação de nossos irmãos, do mundo inteiro. E até a graça de uma boa e santa morte.

Viver em espírito de preparação. Por quê? Porque no mundo há muitos males. Porque também nós, muitas vezes, não somos fiéis. Há muitas pessoas boas, mas frequentemente falta a comunhão e a unidade com a Igreja, falta a generosidade do compromisso cristão, falta a liberdade para professar a própria fé. Por respeito humano, muitos se mantêm à parte e não se importam com o testemnho. Além disso, não nos esqueçamos daquilo que Nossa Senhora disse aos pastorzinhos em Fátima: "Vejam onde terminam muitos pecadores porque não há quem reze e se sacrifique por eles."

Reparação: através da oferta de todos sofrimento nosso, de todo sacrifício, dor e adversidade. O homem possui uma capacidade enorme de generosidade, que se torna um poder se for expressa e concretizada.

Enfim, prometer algo a Maria. Somos frágeis e inconstantes e há muitos aspectos nos quais devemos melhorar. Cada um sente dentro de si aquilo que Nossa Senhora quer dele.
Comprometer-se em algo preciso significa mostrar-lhe a boa vontade de amá-la.

Padre Faccenda
Fundador do Instituto


Uma linda canção a Maria: http://www.youtube.com/watch?v=PkSjKhncC84

Solenidade da Vigília de Pentecostes

1. "O Advogado que vos mandarei de junto do Pai é o Espírito da Verdade que procede do Pai. Quando Ele vier, dará tetemunho de mim" (Jo 15, 26).
Estas são as palavras que o evangelista João hauriu dos lábios de Cristo no Cenáculo, durante a última Ceia, na vigília da Paixão. Hoje elas ressoam-nos com singular intensidade, no Pentecostes deste Ano jubilar, do qual revelam o conteúdo mais profundo.
Para captar esta mensagem essencial, é necessário permanecer, como os discípulos, no Cenáculo. Por isso a Igreja, graças também a uma oportuna selecção dos textos litúrgicos, permaneceu no Cenáculo durante o tempo de Páscoa. E nesta noite a Praça de São Pedro transformou-se num grandioso Cenáculo, no qual a nossa comunidade se encontra congregada para invocar e receber o dom do Espírito Santo.
A primeira Leitura, tirada do Livro dos Actos, recordou-nos aquilo que aconteceu cinquenta dias depois da Páscoa, em Jerusalém. Antes de subir ao Céu, Cristo confiou aos Apóstolos uma tarefa excelsa:  "Ide e fazei com que todos os povos se tornem meus discípulos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei" (Mt 28, 19-20). Ele prometera também que, após a sua partida, teriam recebido "outro Consolador", que lhes ensinaria todas as coisas (cf. Jo 14, 16.26).
Esta promessa realizou-se precisamente no dia do Pentecostes:  descendo sobre os Apóstolos, o Espírito deu-lhes a luz e a força necessárias para ensinar as nações, anunciando o Evangelho de Cristo a todos. Desta forma, a Igreja nasceu e vive na fecunda tensão entre o Cenáculo e o mundo, entre a oração e o anúncio.

2. Quando prometeu o Espírito Santo, o Senhor Jesus falou d'Ele como do "Consolador", do "Paráclito", que Ele mandaria de junto do Pai (cf. Jo 15, 26). Falou como do "Espírito de verdade", que conduziria a Igreja rumo à verdade íntegra (cf. Jo 16, 13). E especificou que o Espírito Santo Lhe daria testemunho (cf. Jo 15, 26). Porém, acrescentou imeditamente:  "Vós também dareis testemunho de mim, porque estais comigo desde o princípio" (Jo 15, 27). Agora que no Pentecostes o Espírito desce sobre a comunidade reunida no Cenáculo, tem início este dúplice testemunho:  do Espírito e dos Apóstolos.
O testemunho do Espírito é por si só divino:  provém da profundidade do mistério trinitário. O testemunho dos Apóstolos é humano:  na luz da revelação, transmite a sua experiência de vida ao lado de Jesus. Lançando os fundamentos da Igreja, Cristo atribui uma grande importância ao testemunho humano dos Apóstolos. Ele quer que a Igreja viva da verdade histórica da sua Encarnação a fim de que, por obra das testemunhas, nela seja sempre viva e operosa a memória da sua morte na cruz e da sua ressurreição.

3. "Vós também dareis testemunho de mim" (Jo 15, 27). Animada pelo dom do Espírito, a Igreja sempre sentiu profundamente este compromisso e proclamou com fidelidade a mensagem evangélica em cada tempo e debaixo de todos os céus. Fê-lo no respeito da dignidade dos povos, da sua cultura e das suas tradições. Com efeito, ela sabe bem que a mensagem divina que lhe foi confiada não é inimiga das mais profundas aspirações do homem; pelo contrário, ela foi revelada por Deus para saciar, para além de toda a expectativa, a fome e a sede do coração humano. Exactamente por isso, o Evangelho não deve ser imposto, mas proposto, porque somente se for aceite livremente e abraçado com amor pode desempenhar a sua eficácia.
Como aconteceu em Jerusalém no primeiro Pentecostes, em cada época as testemunhas de Cristo, repletas do Espírito Santo, sentiram-se impelidas e caminhar rumo ao próximo, para exprimir nas várias línguas as maravilhas realizadas por Deus. É o que continua a acontecer também na nossa época. É o que deseja salientar a hodierna Jornada jubilar, dedicada à "reflexão sobre os deveres dos católicos em relação aos outros:  anúncio de Cristo, testemunho e diálogo".
A reflexão a que somos convidados não pode prescindir de uma consideração em primeiro lugar da obra que o Espírito Santo leva a cabo nos indivíduos e nas comunidades. É o Espírito que distribui as "sementes do Verbo" nos vários costumes e culturas, dispondo as populações das mais diversas regiões a receberem o anúncio evangélico. Esta consciência não pode deixar de suscitar no discípulo de Cristo uma atitude de abertura e de diálogo em relação às pessoas que têm convicções religiosas diferentes. Com efeito, é imperioso colocar-se à escuta de quanto o Espírito pode sugerir também aos "outros". Eles são capazes de oferecer sugestões úteis par chegar a uma compreensão mais aprofundada de quanto o cristão já possui no "depósito revelado". Assim, o diálogo poderá abrir-lhe o caminho para um anúncio que se adeque mais às condições pessoais do ouvinte.

4. Contudo, o que permanece decisivo para a eficácia do anúncio é o testemunho vivido. Somente o fiel que vive aquilo  que  professa  com  os  lábios tem esperança de ser escutado. Além disso, deve-se ter em conta o facto de que, às vezes, as circunstâncias não consentem o anúncio explícito de Jesus Cristo como Senhor e Salvador de todos. É então que o testemunho de uma vida respeitosa, casta, desapegada das riquezas e livre diante dos poderes deste mundo, em síntese o testemunho da santidade, não obstante seja oferecido em silêncio, pode revelar toda a sua força de convicção.
De resto, é claro que a firmeza em ser testemunha de Cristo com a força do Espírito Santo não impede de colaborar no serviço ao homem, com as pessoas que pertencem às outras religiões.
Ao contrário, impele-nos a trabalhar juntamente com elas, para o bem da sociedade e a paz no mundo.
No alvorecer do terceiro milénio, os discípulos de Cristo estão plenamente conscientes de que este mundo se apresenta como "um" "mapa" de várias religiões" (Redemptor hominis, 11). Se os filhos da Igreja souberem permanecer abertos à acção do Espírito Santo, Ele ajudá-los-á a comunicar, de maneira respeitosa em relação às convicções religiosas dos outros, a única e universal mensagem salvífica de Cristo.

5. "[Ele] dará tetemunho de mim. Vós também dareis testemunho de mim, porque estais comigo desde o princípio" (Jo 15, 26-27). Nestas palavras está contida toda a lógica da Revelação e da fé de que a Igreja vive:  o testemunho do Espírito Santo, que brota do profundo do mistério trinitário de Deus, e o testemunho humano dos Apóstolos, ligado à sua experiência histórica de Cristo. Ambos são necessários. Aliás, se considerarmos bem, trata-se de um único testemunho:  é o Espírito que continua a falar aos homens de hoje com a língua e com a vida dos actuais discípulos de Cristo.
No dia em que celebramos o memorial do nascimento da Igreja, queremos expressar a comovida gratidão a Deus por este dúplice, e em última análise único testemunho, que abarca a grande família da Igreja desde o dia do Pentecostes. Queremos agradecer o testemunho da primeira comunidade de Jerusalém que, através das gerações dos mártires e dos confessores, se tornou ao longo dos séculos a herança de inumeráveis homens e mulheres em todo o orbe terrestre.
Encorajada pela memória do primeiro Pentecostes, a Igreja reaviva hoje a expectativa de uma renovada efusão do Espírito Santo. Assídua e concorde na oração com Maria, Mãe de Jesus, ela não cessa de invocar:  desça o vosso Espírito, ó Senhor, e renove a face da terra (cf. Sl 104 [103], 30)!

Veni, Sancte Spiritus:  vinde, Espírito Santo, fazei arder nos corações dos vossos fiéis o fogo do vosso amor!

Sancte Spiritus, veni!

João Paulo II
Homilia, 10 de junho de 2000.

Fonte: http://www.vatican.va

Veja também: https://www.facebook.com/pages/Mission%C3%A1rias-da-Imaculada-Padre-Kolbe/392643354093325#!/photo.php?fbid=615310461826612&set=a.393006690723658.100887.392643354093325&type=1&theater





quinta-feira, 16 de maio de 2013

Mauro Talini: Diabetes no Limits!

Caríssimos amigos,

comunicamos, que no dia 13 de maio, festa de Nossa Senhora de Fátima, Mauro Talini retornou à casa do Pai. Como sabemos estava realizando um sonho: uma pedalada de 25.000 Km de Usuhaia (Argentina) ao Alasca para demonstrar à opinião pública que o diabetes não é um limite e para sensibilizar os projetos missionários do Instituto e da AIPK na America Latina. O dia 13 de maio interrompeu a sua viagem missionária próximo a cidade de Caborca (região de Sonora no México) atropelado por um caminhão, como escreve um jornal local.

Alguns dias atrás, Mauro permaneceu, sem pressa, no Santuário de Nossa de Guadalupe, quase se preparando ao encontro final.

Entregamos Mauro à Misericordia do Pai, sustentamos a sua família com a oração e com o carinho e nós nos entregamos à intercessão deste ciclista e missionário, que segundo o pensamento de São Maximiliano Kolbe, agora do céu trabalha com as duas mãos.

Anna Matera (Secretária geral) e Marta Graziani (Presidente da AIPK)

Mais informações: https://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/pages/Associazione-Internazionale-Padre-Kolbe-AIPK-Onlus/101974196519781?fref=ts

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Teologia e economia

Houve um tempo em que a teologia se sobrepunha às outras ciências, pois era ela quem detinha a verdade absoluta a palavra final sobre todos os acontecimentos, fosse ou não de matéria religiosa.

Com o fim da Idade Média e, de seu pensamento dominado pela Escolástica, surge, com Descartes, o estabelecimento da autonomia da razão que transformou, o mundo ocidental. A partir de então a teologia perde espaço para outras ciências como ferramenta para interpretação do mundo. O conhecimento é fragmentado, se especializando em áreas que passam a explicar a matéria que lhe é própria.

Hoje se entende que é importante, senão fundamental, o diálogo entre as ciências, pois nenhuma, em alguns aspectos, possui a verdade absoluta. Nesse sentido, como a teologia poderia dialogar com a economia? Parece que são campos totalmente opostos onde a visão de mundo para um é incompatível para o outro.

Sabemos que os Evangelhos, como toda a Sagrada Escritura, não serve só para ser lida e estudada, mas principalmente, vivida. Se não conseguimos viver o que a Palavra de Deus nos pede, passamos ou a ignorá-la ou a espiritualizá-la. Mas, como fazê-lo em um mundo consumista, materialista, concorrencial e corporativo, sem parecer utópico. Como a teologia pode contribuir com a economia? Como, se uma trata do material e outra do espiritual?

Pensamos que, efetivamente, não cabe a teologia o papel de criar modelos econômicos, versar sobre matéria de câmbio, juros, enfim, querer construir a política monetária e fiscal. No entanto, a teologia pode iluminar a economia naquilo que chamamos de objetivo último.

Em Gn 2,7, vemos que Deus, após criar o homem do barro, insulfla em suas narinas um sopro de vida e torna o homem um ser vivente. Depreendemos daí que a Vida é o dom mais importante e precioso que Deus nos deu. Em Gn 1 e 2, vemos como Deus tudo cria, inclusive o homem, mas a Vida não é criada, vem de dentro Dele, do Seu interior, do Seu íntimo, de uma forma suave, carinhosa e delicada como é um sopro.

Nesse sentido, a economia deve lembrar que está, ou deveria estar a serviço do homem e, portanto, deve ser promotora da vida. Esse deveria ser seu objetivo último: contribuir para que todos tenham vida e a tenham em abundância.

Henrique de Freitas.
Voluntário da Imaculada-Padre Kolbe
Economista e Teólogo

terça-feira, 14 de maio de 2013

Quem és, ó Maria?

Há muitos anos eu não visitava a terra abençoada de Lourdes, mas a Providência quis que eu voltasse para lá e assim me encontrei na terra de Maria, na terra do Santíssimo Sacramento.

Parecia-me estar ali pela primeira vez e, num dado momento, senti a necessidade de dirigir-me a Nossa Senhora e lhe perguntar: "Dize-me, quem és?"

Comecei, então, uma espécie de entrevista.

Dirigi-me antes de tudo aos enfermos, levados nos carrinhos, nas macas. Olhei-os com amor e perguntei-lhes: "Por que vocês vieram a Lourdes? Para vocês, quem és Maria?". Aqueles doentes, com olhar sereno e profundo, disseram-me: "Maria é a saúde dos enfermos! E nós, mesmo que não voltemos para casa curados, estamos certos de que retornaremos com uma força maior para poder suportar as nossas dores."

Deti-me um instante para analisar a sabedoria dessa frase, depois continuei.

Dirigi-me a alguns irmãos em cujo rosto parecia-me vislumbrar uma tristeza profunda, talvez ocasionada por incompreensões, por mil dificuldades e problemas. "Por que vocês vieram aqui? Para vocês quem é Maria?" E eles responderam-me: "Viemos porque Maria, temos certeza disso, é a consoladora dos aflitos."

Eu ainda estava meditando nessas palavras, quando encontrei um belíssimo grupo de jovens. Fiz a mesma pergunta para eles. Respenderam-me: "Viemos aqui porque Maria é a rainha das virgens. Compreendemos o grande valor da virgindade. Queremos conservá-la e isso nós conseguiremos somente com a sua ajuda." Pensei, então, em muitos jovens, drogados, pelas ruas, abandonados a si mesmos. Se todos soubessem que Maria pode dar sentido à vida e pode realmente ajudar a manter harmonia e o equilíbrio da pessoa, quantas misérias a menos teríamos! Quanta limpidez veriamos no rosto dos jovens, enquanto que muitas vezes parecemos ver os sinais de uma "velhice precoce".

Depois fui ao confessionário, e também aí não pude deixar de perguntar às diversas pessoas que vinham receber o sacramento do perdão: "Para você, quem é Maria?" Um homem de mais ou menos quarenta anos deu-me a resposta mais bonita: "Para mim, Maria é o refúgio dos pecadores. Eu ofendi muito a Deus... traí a minha família. Mas diante do milagre vivo de tanta gente que invoca Maria, de tanta gente que venera Maria a uma única voz, ouvi repetir: Vá, Maria, é o refúgio dos pecadores..." Sim, não há ninguém que recorra a Maria e não obtenha novamente as graças que lhe são necessárias.

Quem é Maria? Perguntei ainda a outras pessoas. Um me dizia: "Eu não sei, mas sinto que aqui devo dar um basta à minha vida passada. Faz muito tempo que não me confesso, cometi muitos pecados... Mas diante de Maria, a Mãe da Misericórdia, senti a força para dirigir-me a Ela, certo de que Ela me libertará e voltarei para casa com uma outra vida pela frente, com a perspectiva de um futuro diferente."

Perguntei a outros: "Quem é que atraiu vocês para cá?" Viemos por que Maria é a rainha da paz. Se orarmos a Maria, se a invocarmos e a amarmos, estamos certos de que a paz retornará, nas nações, nas famílias, entre os partidos, nas comunidades, na Igreja, no mundo todo!" Maria é a rainha da paz.

Padre Luigi Faccenda
Fundador do Instituto


https://www.youtube.com/watch?v=GFrQXyncYKs

domingo, 12 de maio de 2013

De Fátima para o mundo

Neste dia de festa queremos partilhar uma mensagem do nosso Padre fundador:



Ao retornar de minha peregrinação, eu sentia uma luz nova preenchendo o meu espírito. Uma luz que guiaria cada vez mais o meu apostolado. Então, eu escrevia aqueles pensamentos que ligava Fátima com toda a vida e o ensinamento de São Maximiliano Kolbe.
 
“Ouvi, e talvez tenha compreendido, a linguagem de Fátima”.
 
Uma linguagem rica em mistério mesmo em sua profunda simplicidade, que meditei enquanto, respirando a paz daquelas terras remotas e hospitaleiras, eu entrava na casa dos três pastorzinhos, visitava a igreja onde se tornaram cristãos, observava os lugares das aparições do Anjo e orava prostrado no imenso recinto, gasto pelos pés descalços de milhões de peregrinos e consagrado pela presença da Rainha do Céu.
 
Maria conversou com os três pastorzinhos. Todavia, eu me perguntava: quem eram estes para que recebessem um tão grande privilégio? Bastaria ter encontrado algumas crianças daquelas regiões montanhosas para se fazer uma ideia de quanto eram pobres, ignorantes e sem a bagagem de cultura que se adquire somente em contato com a civilização, com o progresso e com a instrução.
 
Entretanto, mistério de uma psicologia divina, foi a eles que Maria entregou uma mensagem que contém profundas e fundamentais verdades de fé: o pecado, o inferno, a Santíssima Trindade, a consagração ao Coração Imaculado de Maria; e, ao mesmo tempo, agudos problemas da Igreja e da sociedade: a conversão da Rússia, a paz do mundo.

Mensagem que, atravessando as fronteiras da península ibérica, no intervalo de poucos anos se difundiu e se afirmou em todos os continentes, em todas as nações, inclusive nas mais remotas cidades e em vilarejos desconhecidos. Isso porque a Rainha do Céu, se comprazendo em entregar a sua mensagem de amor aos humildes e simples pastorzinhos de Fátima, não tinha a intenção de restringir e limitar uma ação que tem o caráter da universalidade. Ao contrário, procura suscitar um batalhão sem limites sem limites e sem medida de apóstolos generosos que, animados pelos mais puros ideais, consagrados ao Coração materno, saibam perpetuar no tempo, estender no espaço e comunicar a todos os corações a mensagem de chamamento, de perdão e de ressurreição.

À luz desses pensamentos, acho que compreendo o misterioso e providencial encontro entre a mensagem de Fátima e a resposta imediata, fiel, constante do apóstolo mariano que foi o Padre Maximiliano Kolbe.

Ele não se entregou todo à mãe celeste, desde a sua juventude, desejando apenas viver, trabalhar, sofrer e morrer por Ela? Não consagrou ao Coração de Maria a Milícia da Imaculada, Movimento por ele fundado a fim de difundir o reino de Cristo no mundo através de Sua mãe? Não construiu, para a difusão e conhecimento do culto mariano, a Cidade da Imaculada na Polônia e no Japão? Não apontou, como meta de conquista aos seus seguidores, a Rússia e todo o mundo?

Sim, eu o via assim, na vanguarda, preparando os seus planos apostólicos; vejo-o parando – em suas viagens da Polônia ao Japão – no próprio coração de Moscou, contemplando a fortaleza comunista e dizendo com a firmeza do profeta: “Não acreditamos estar longe, nem ser um puro sonho a chegada do grandioso dia em que a estátua da Imaculada pontificará, pela ação de seus Mílites, no próprio coração de Moscou”.
 
Eu o via traduzindo e imprimindo em língua russa o estatuto e as pautas da Milícia da Imaculada; via-o editando o seu jornal “O Cavaleiro da Imaculada” na Letônia e na Lituânia; via-o pronto para começar um Seminário nos Paises Bálticos, para que acolhesse muitas vocações e as preparasse ao apostolado na Rússia, conforme o espírito e os ideais da Milícia.
 
Enfim, eu o ouvia repetir, incansável, ao infinito, como um testamento: “Propaguem a Milícia até as últimas fronteiras da terra, porque a causa é santa, é vontade da divina mãe”.
O que é que eu podia fazer, imerso na onda de tanta luz divina? Agradeci à Imaculada por nos ter concedido em Maximiliano Kolbe um apóstolo apaixonado, que soube responder à mensagem de Fátima. Eu lhe agradeci por ter-nos chamado a seguir suas pegadas através da sua Milícia da Imaculada e a través do Instituto “Missionárias e Missionários da Imaculada Padre Kolbe”.

E pedi àquele coração materno que nos transformasse em “coisa e propriedade” sua, em tudo, sem limites, para sermos em suas mãos “instrumentos” na conquista de muitos irmãos.

Padre Luigi Faccenda
Fundador do Instituto
 

Filme "O milagre de Fátima":

 
 
 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Situação espiritual do nosso tempo

Ouve-se julgar negativamente este nosso tempo porque tem mesmo um fenômeno de rejeição diante de uma certa espiritualidade transmitida no passado e que hoje  é considerada inadequada para expressar ou animar a atual situação histórica.
Na realidade, apesar destas sombras, nossa época está cheia de movimentos espirituais que demonstram a vitalidade do sentido religioso no mundo atual e particularmente na Igreja. Em relação aos últimos anos, observa-seo nascimento  de “nova sensibilidade” diante das dimensões místicas da vida humana... Notamos que no principio, este interesse orientou-se mais para formas de espiritualidade asiática, porem nos últimos anos, principalmente na América do norte e na Europa, ele se modificou, até certo ponto, em busca de contato com os místicos da tradição cristã, como São João da Cruz.
A pergunta relativa ao mistério mais profundo da vida, inquieta hoje muitas pessoas. Reaparece, sob forma de nova descoberta, a Palavra de Deus.
O renovado interesse espiritual da nossa época brotade profundas exigências de autenticidade, de interioridade e de liberdade, que a sociedade consumista não satisfaz.  A civilização industrial não cumpriu suas promessas: em vez de oferecer um mundo segundo a medida do homem, em que este pudesse morar e conviver procurandoo bem comum, nos trouxe entre outras coisas, o critério da produtividade como parâmetro de valor, a massificação, a manipulação das pessoas, incomunicabilidade, um futuro ameaçador, a atrofia dos sentimentos, a poluição ecológica.
Entre as tentativas mais ou menos acertadas e validas do homem contemporâneo, para reconquistar sua espiritualidade, aparecem nítidas as seguintes:
 
1.Recurso ao ocultismo.

Na cultura mundial contemporânea, surge um reflorescimento da magia e da astrologia,o qual se manifesta em vários modos: no espaço reservado ao horoscopo nos jornais e revistas; na frequência com que,especialmente nas zonas urbanas, se consultam magos, quiromantes,astrólogos; na explosão de livros dedicados a estes temas; na organização de profissionais de tais disciplinas. Tudo isso é índice do estado da crise sócio-cultural, da fragilidade cultural, da incapacidade para elaborar novos valores alternativos por parte de uma sociedade em que o individuo se sente isolado, desprotegido e frustrado.  Não obstante se reconhece o valor religioso do recurso ao ocultismo, porque a atividade magica e adivinhatoria sempre esteve inserida na necessidade humana de descobrir o que se esconde no mistério do cosmo. A proliferação de novas magiasem pleno contexto de progresso cientifico, denota , a cima de busca de solução a problemas pessoais, que “o enigma da vida e da morte continua sendo testemunho perene da condição humana diante do mistério”.
 
2.Interesse pela meditação oriental.

No mundo ocidental, exercem fascínio inegável a mística asiática e as formas de meditação da Yoga e do Zen. O encontro com o Oriente, propiciado pela vinda de mestres hindus e budistas ao Ocidente, determinou, aadoção de antigas praticas de concentração físico-mental e a descoberta de importantes ensinamentos espirituais, como a não violência e a força da alma, ensinamentos de que foi símbolo vivo Mahatma Gandhi. Embora este fenômeno possa resultar positivo e libertador para os seus seguidores, não constitui um desenvolvimento religioso significativo.
Fica-se num culto privado, numa espécie de parêntese dentro da cultura atual, num símbolo de crise que a atinge, mas não chega a converter-se em foco de energia espiritual capaz de orientar os valores culturais nem de atingir a visão da sociedade para modificá-la. Entretanto, não se pode negar a este movimento exótico a denuncia positiva dospseudo - valores ocidentais, a busca de autenticidade moral e a resposta útil, embora parcial a exigências radicais. No homem da sociedade industrial, que abandona a sua alma à alienação consumista ou que fica na mediocridade, entupindo-se com tranquilantes, estas praticas (Yoga) reavivam a energia espiritual com uma disciplina que é fonte de liberdade. A uma cultura racionalista, a sabedoria oriental oferece uma via intuitiva de contato com o Absoluto, partindo da dimensão corporal. Nossa civilização, incapaz de estabelecer relação correta com o universo, encontra nos métodos orientais um caminho de pacificação cósmica.
 
3. Movimentos religiosos comunitários.

Hoje assistimos a um vasto florescimento de grupos, comunidades  e Movimentos de caráter religioso, surgidosprincipalmente no seio das Igrejas cristãs.
Alguns deles como os Meninos de Deus, são movimentos informais que  recusam integrar-se nas Igrejas históricas; fazem oração de extática e emotiva ; opõem-se ás hipocrisias, às desumanizações e aos dogmatismos da sociedade oficial; admitem o uso das drogas para estimular as experiências
espirituais e entrar em contato direto com Jesus.
No âmbito da Igreja católica, as formas comunitárias derenovação e de compromisso cristãosão extremamente variadas e difíceis de ser identificadas e agrupadas segundo seu tipo próprio.  O aspecto comunitário e místico é destacado pelos grupos de renovação carismática, entre os quais se repetem as manifestações de oração em línguas e curas da Igreja primitiva num contexto de oração no Espirito.
Também realçam este aspecto as comunidades neocatecumenais, que, mediante um longo período de catequese, pretendem percorrer as etapas da iniciação batismal, a fim de viver um cristianismo mais responsável.
O mesmo pode se dizer dos movimentos leigos, como o dos Focolares, que procuram levar ao ambiente de cada dia o testemunho cristão ativo no espirito do amor-unidade.
Uma evidente acentuação do compromisso histórico-politico se verifica nas comunidades de base, fenômeno reformador nascido da necessidade de grupos segundo a medida humana, de liturgia domestica, de evangelização da religiosidade popular, da leitura bíblica atualizada, de tomada de consciência do estado de violência institucionalizada e de luta pela libertação.

3.Sensibilidade diante da dimensão transcendente da experiência.

No mundo de hoje, mesmo que em formas diferentes do que no passado, vai se criando uma abertura para o Transcendente, partindo de algumas experiências que as pessoas fazem.
Tem o aparecimento de um forte sentimento de solidariedade com os outros, sobretudo os menos privilegiados, e uma forte convicção de serem todos destinados a uma vida superior.
O novo sentido da vocação humana proporciona a energia que estimula os grupos de ação social, a se empenharem no movimento ecológico que procura defender a superfície da terra, e nos grupos terapêuticos que promovem a libertação das pessoas de todos os tipos de escravidão.
É característica do nosso tempo a descoberta da dimensão religiosa na história cotidiana; a transcendência é descrita como sentimento de união, saída de se mesmo, vida purificada e renovada, satisfação e gozo.
A impressionante mudança da espiritualidade, demostrada por estes fenômenos mencionados epor outras experiências religiosas(como encontros nas casas de oração, em centros ecumênicos-contemplativos, em lugares de deserto), constitui uma forte critica contra a sociedade unidimensional, racionalista demais, e dominada pela idéia do progresso, da eficiência, do desenvolvimento econômico. Evidencia a necessidade religiosa do homem, que corre o risco de ver-se obnubilado pela tecnologia. Ser homem não se reduz a produzir, mas a saber escutar o mistério das coisas, contemplar a realidade, encontrar a unidade com a natureza e com todos os homens, refletir sobre o sentido da vida humana através de gestos e de ritos simbólicos.
Porém, este despertar da espiritualidade em nosso tempo leva consigo alguns riscos: por um lado o distanciar-se de um mundo secularizado e das árduas tarefas da ciência, do trabalho  e do compromisso sócio-politico; ou por outro lado, de descuidar-se da referencia explicita ao fato histórico da revelação bíblico-cristã.
 
5. Êxodo cultural da espiritualidade.

Quandofalamos de cultura entendemos “o conjunto unitário que inclui o conhecimento, a crença, a arte, a moral, as leis e qualquer outra capacidade e habito adquirido pela pessoa humana como membro da sociedade”. É claro que não se pode tirar dela a religião.
Nós sabemos que o cristianismo se encarna na historia e aspira a transformar a pessoa em sua situação cultural.
Por haver radicalizado a transcendência da fé, que dissocia a fé da historia,o ser crente e o ser homem, acabando por contatar com o homem somente na dominicalidade da fée não na cotidianidade dos dias de trabalho, constatamos hoje, com tristeza, o abismo que separa o pensamento moderno da doutrina cristã. “A ruptura entre Evangelho e cultura é, sem duvida alguma, o drama de nosso tempo”.
 
Marina Melis
Diretora Local