sábado, 22 de agosto de 2015

Rainha do mundo e da paz

Considera com que justa disposição refulgiu, já antes da assunção, o admirável nome de Maria por toda a terra. Sua fama extraordinária por toda a parte se espalhou antes que sua magnificência fosse elevada acima dos céus. Pois convinha que a Virgem Mãe, em honra de seu Filho, primeiro reinasse na terra, em seguida, fosse recebida gloriosa nos céus. Fosse amplamente conhecida na terra, antes de entrar na santa plenitude. Levada de virtude em virtude, fosse assim exaltada de claridade em claridade pelo Espírito do Senhor.

Presente na carne, Maria antegozava as primícias do reino futuro, ora subindo até Deus com inefável sublimidade, ora descendo até os irmãos com inenarrável caridade. Lá recebia os obséquios dos anjos, aqui era venerada pela submissão dos homens. Servia-lhe Gabriel com os anjos; ao lado dos apóstolos servia-lhe João, feliz por lhe ter sido confiada a Virgem Mãe a ele, virgem. Alegravam-se aqueles por vê-la rainha; estes por sabê-la senhora. Todos a obedeciam de coração.

E ela, assentada no mais alto cume das virtudes, repleta do oceano dos carismas divinos, do abismo das graças, ultrapassando a todos, derramava largas torrentes ao povo fiel e sedento. Concedia a saúde aos corpos e às almas, podendo ressuscitar da morte da carne e da alma. Quem jamais partiu de junto dela doente ou triste ou ignorante dos mistérios celestes? Quem não voltou para casa contente e jubiloso, tendo impetrado de Maria, a Mãe do Senhor, o que queria?

Ela é esposa repleta de tão grandes bens, mãe do único esposo, suave e preciosa nas delícias. Ela é como fonte dos jardins inteligíveis, poço de águas vivas e vivificantes, que correm impetuosas do Líbano divino, fazendo descer do monte Sião até às nações estrangeiras vizinhas rios de paz e mananciais de graças vindas do céu. E assim, ao ser elevada a Virgem das Virgens por Deus e seu Filho, o rei dos reis, no meio da exultação dos anjos, da alegria dos arcanjos e das aclamações de todo o céu, cumpriu-se a profecia do Salmista que diz ao Senhor: Está à tua destra a rainha recoberta de bordados a ouro, em vestes variadas (Sl 44,10).


Santo Amadeu, bispo de Lausan - (Séc.XII)

domingo, 2 de agosto de 2015

Porciúncula: uma pequena porção deste mundo


Diz Frei Tomás de Celano, ao escrever a biografia de seu companheiro e amigo Frei Francisco: “O servo de Deus Francisco, pequeno de estatura, humilde de espírito e menor por profissão, escolheu para si e para os seus uma pequenina porção deste mundo, enquanto neste século tinha de viver, pois, de outro modo não poderia servir a Cristo sem ter alguma coisa do mundo. Então não deve ter sido sem a presciência do oráculo divino que, desde os tempos antigos, foi chamado de Porciúncula o lugar que devia cair por sorte para aqueles que não queriam ter absolutamente nada do mundo. Naquele lugar, também, tinha sido construída uma igreja da Virgem Mãe, que por humildade singular, mereceu ser cabeça de todos os santos, logo depois de seu Filho”.

A experiência de São Francisco nos desperta para uma necessidade vital: escolher um lugar neste mundo, enquanto temos que viver, para podermos servir a Cristo. Um lugar que seja para nós, um espaço de encontro com Deus, conosco mesmo, com o mundo. Um lugar que seja para nós a matriz daquilo que “apaixonadamente buscamos”: Deus mesmo. Sua presença. Um lugar no qual sintamos na nossa pele, a força e a alegria de Cristo que nos impulsiona a sair de nós mesmos ao encontro do outro, nosso irmão. Um lugar que não pode ser retirado de nós, porque está primeiramente dentro do nosso interior. É a pequenina porção da nossa humilde existência! Sim! A única coisa que o santo de Assis escolheu foi um lugar... E este foi fonte de vida para toda sua família e para a humanidade. Um lugar dedicado a uma pessoa que ele amou profundamente e que lhe ensinou a fidelidade ao Senhor: a Virgem Maria. Que neste dia, Ela mesma nos conceda a graça de escolher um lugar para permanecermos com o seu Filho.

Rosana Coelho - Missionária da Imaculada Padre Kolbe