sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Mensagem de Natal de Papa Francisco

O Natal costuma ser sempre uma ruidosa festa; entretanto se faz necessário o silêncio, para que se consiga ouvir a voz do Amor.

Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.

O pinheiro de Natal é você, quando com sua força, resiste aos ventos e dificuldades da vida.

Você é a decoração de Natal, quando suas virtudes são cores que enfeitam sua vida.

Você é o sino de Natal, quando chama, congrega, reúne.

A luz de Natal é você quando com uma vida de bondade, paciência, alegria e generosidade consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros

Você é o anjo do Natal quando consegue entoar e cantar sua mensagem de paz, justiça e de amor.

A estrela-guia do Natal é você, quando consegue levar alguém, ao encontro do Senhor.

Você será os Reis Magos quando conseguir dar, de presente, o melhor de si, indistintamente a todos. A música de Natal é você, quando consegue também sua harmonia interior.

O presente de Natal é você, quando consegue comportar-se como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.

O cartão de Natal é você, quando a bondade está escrita no gesto de amor, de suas mãos.

Você será os votos de Feliz Natal? Quando perdoar, restabelecendo de novo, a paz, mesmo a custo de seu próprio sacrifício.

A ceia de Natal é você, quando sacia de pão e esperança, qualquer carente ao seu lado.

Você é a noite de Natal quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio recebe o Salvador do Mundo.

Um muito Feliz Natal a todos que procuram assemelhar-se com esse Natal.

Papa Francisco

Assista também ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=w7ZMISWR6y4

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Festa da Medalha Milagrosa - Virgem do globo

Sempre acreditei na medalha milagrosa com toda a força da minha fé. A sua mensagem, uma das maiores e mais extraordinárias destes últimos séculos, confirmou que esta é a hora de Maria, a qual preanuncia os tempos nos quais, segundo a expressão cara Catarina Labouré, “as almas respirarão Maria como os corpos respiram o ar” (S. Luis M. Grignion de Montfort, tratado da verdadeira devoção a Maria,, n. 217)

A Medalha Milagrosa, além de um pequeno livro de fé, pode ser definida como um pequeno tratado de mariologia.

Podemos dizer que, exatamente por causa dessa visão, a medalha contribuiu notavelmente a fim de preparar os ânimos para a definição do dogma da Imaculada Conceição, vinte e quatro anos mais tarde. De fato no dia 8 de dezembro de 1854, através da carta apostólica Innefabilis Deus, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição.

Contudo, além dessa finalidade imediata, que já se realizou, quantas coisas ainda diz a esplendida visão da Imaculada para o olhar atento do cristão que a contempla! A visão da “toda pura”, que esmaga a cabeça da serpente infernal recorda ao homem a triste história da humanidade pecadora.
Todos os homens passam da tenaz do pecado original, da qual são libertados somente pela graça do batismo. Somente Maria foi isenta dela. E esse singular privilégio, mais do que ofender a universalidade da Redenção humana, realizada por Cristo, exalta o poder do divino Redentor, que com seus méritos preservou Maria, sua mãe, de incorrer na herança comum: Maria foi remida com uma redenção preventiva, que a  tornou imune de contrair o pecado original desde o primeiro momento da sua concepção.

Que alegria para a humanidade essa vitória de Maria, que marca a primeira de todas as vitórias por Ela ganha contra o inferno e contra suas insidias! A igreja canta: “Gaude Maria Virgo, cunctas haereses sola interemisti in universo mundo”, “ Alegrai-vos, ó virgem Maria! Por ti foram vencidas todas as heresias do mundo.

A vitória será infalível para quem mergulhar com confiança na luz de suas graças.
Vamos virar a medalha e ler o seu reverso. Tudo retorna, mas numa luz mais panorâmica e mais ampla: um “M” com uma cruz em cima, dois corações, doze estrelas. Quanto simbolismo nesses poucos traços!

O “M” com uma cruz em cima representa Maria com o Cristo crucificado em relação à nossa Redenção. Esse mistério nos leva necessariamente ao mistério da Encarnação do Verbo e também do próprio mistério de Deus Uno e Trino, fonte de todo ser e de toda vida.

O primeiro homem, criado inocente por Deus, prevaricou comendo o fruto proibido. O seu pecado repercutiu negativamente em toda a sua descendência, que desde o momento de sua concepção está sujeita a mancha original. Deus misericordioso, porém, não deixou o homem na infelicidade da sua própria sorte. Deu-lhe uma tábua de salvação: prometeu-lhe um Salvador, no qual encontraria reconciliação e vida.

Na plenitude dos tempos, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo de Deus, toma carne humana no seio de Maria e, após uma vida terrena de trinta e três anos, vivido em meio aos homens, sobe ao calvário para ser imolado ao Pai pela Redenção do mundo.

Na cruz se realiza a obra da nossa salvação e a nossa pacificação com Deus: “Pois nele aprouve a Deus fazer habitar toda plenitude e reconciliar por ele e para ele todos os seres, os da terra e os do céus, realizando a paz pelo seu sangue da sua cruz” (Cl 1, 19-20).


O lugar da Virgem nesse plano divino de restauração do mundo é de capital importância. Ela está ao lado do Cristo Redentor, e não podemos concebê-la senão ao lado dele, porque a sua parte na nossa salvação vem imediatamente após a de Jesus. Através dela, de fato, Jesus é oferecido ao mundo e, através dela, o mundo retornará a Jesus: eis a missão de Maria nos projetos de Deus, que quis associa-la a toda obra do divino Redentor.

Padre Faccenda

Terceiro dia do tríduo para a festa da Medalha Milagrosa - Maria: Mãe que acompanha e ama seus filhos.

Em nome do Pai...

Canto

Dos Escritos do Padre Faccenda

Na medalha milagrosa São Maximiliano enxergava um sinal da bondade de Maria e da sua suplicante potência e também um sinal do seu materno amor.
Amor que foi revelado mais uma vez quando o judeu Afonso Ratisbonne se converteu a Deus, exatamente em Roma, na igreja de Sant’Andrea dele Fratte, depois da aparição de Maria, da mesma forma que a vemos na primeira face da medalha, a ele doada por um amigo.
Aos pés desse altar, no silencio da igreja, o jovem Maximiliano tinha meditado e rezado muitas vezes, ali tinha celebrado a sua primeira missa em 29 de abril de 1918. E o pacto com a medalha milagrosa acompanha-o a vida toda como pasto de amor e de confiança.

São Maximiliano Kolbe:

Não é necessário muito tempo para doar-se para sempre à Imaculada, para carregar a sua medalhinha e para repetir uma vez ao dia a breve jaculatória. Que façam ao menos alguma coisa pela Imaculada e lentamente Ela entrará  em seus corações, os purificará e inflamará de amor pelo coração de Jesus, um amor que trará alegria.

Oração:

Ó Mãe Imaculada, fazei que a cruz de vossa Medalha brilhe sempre diante de meus olhos, suavize as penas da vida presente e me conduza à vida eterna.

Rezar 3 Ave-Marias, acrescentando em cada uma: "Ó Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós".
Pai Nosso...
Glória ao Pai...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Segundo dia do Tríduo da festa da Medalha Milagrosa: Maria, Mãe que nos conduz ao seu Filho Jesus.

Em nome do Pai...

Canto ao Espírito

Dos escritos do Padre Faccenda:

A medalha milagrosa era para Padre Kolbe um tratado de mariologia (Cf. SK 1331; SK 206) porque nas duas faces da própria medalha que a Virgem tinha entregado a Catarina Labouré em 1830, em Paris, na Rue du Bac, ele discernia toda a missão de Maria. Desde a sua Imaculada Conceição à sua realidade no mundo e, então à sua mediação. Da sua estreitíssima cooperação na ação redentora do Filho à devoção e à consagração ao seu coração doloroso e Imaculado, para andar com Ela ao coração de Jesus.

Dos escritos de São Maximiliano Kolbe:

Sobre a Medalha milagrosa, pois está impressa a jaculatória: ‘Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós’. A Imaculada mesma coloca na nossa boca esta oração, revelando-a a nós e recomendando-nos de rezá-la. Coloquemos em prática, portanto, também esta recomendação. Além disso, dado que existem muitos que não recorrem a Ela. Nós ajudamos: ‘e por todos quantos não recorrem a Vós’.

Oração:

Ó Virgem Imaculada da Medalha Milagrosa, fazei que esses raios luminosos que irradiam de vossas mãos virginais iluminem minha inteligência para melhor conhecer o bem, e abrasem meu coração com vivos sentimentos de fé, esperança e caridade.


Rezar 3 Ave-Marias, acrescentando em cada uma: "Ó Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós".
Pai Nosso...
Glória ao Pai...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Triduo da festa da Medalha Milagrosa - Maria: Mãe que intercede por seus filhos

Iniciemos hoje o tríduo em preparação para a festa da medalha milagrosa, junto com São Maximiliano Kolbe e Padre Faccenda.

Em nome do Pai

Canto

Dos Escritos de Padre Faccenda:

Poderá causar estranheza o fato que Padre Maximiliano tenha dado tanta importância à medalha milagrosa.
Logo ele- que amava a substância das coisas, que procurava a profundidade da doutrina, a solidez da piedade cristã- quer que os consagrados da Milícia da Imaculada não portem outro sinal distinto que a medalha milagrosa, deseja que ela seja o meio potente, continuo e bem especificado no seu apostolado. A sua própria vida é constelada de episódios que nos revelam a confiança que colocava naquilo que ele, sempre original, chamava de munição (Cf. SK 1248; SK 1088; SK 1127); e que doava em grande quantidade desde que era estudante em Roma, depois nas múltiplas fases da sua atividade; especialmente nos momentos em que esteve em Zakopane; durante as missões populares, os encontros com as crianças, com os adultos e com os enfermos (Cf. SK 1122; SK 1066).

Dos escritos de São Maximiliano Kolbe:

Distribuir a sua medalha onde for possível, também as crianças, a fim de que a carreguem ao peito, aos anciãos e sobretudo aos jovens, a fim de que sob sua proteção tenham as forças suficientes para superar as numerosas tentações e insidias que caem sobre eles nesses nossos tempos.

Oração

Ó Virgem Milagrosa, Rainha excelsa, Imaculada Senhora, sede minha advogada, meu refúgio e asilo nesta terra, minha fortaleza e defesa na vida e na morte, meu consolo e glória no céu.

Rezar 3 Ave-Marias, acrescentando em cada uma: "Ó Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós".
Pai Nosso...
Glória ao Pai...

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Experiência missionária: dizer sim a Deus!

Gessica Jesus Silva, em Jarinu - SP.
Nesse último final de semana (8 e 9/11), fui à cidade de Jarinu, uma cidade próxima de Atibaia - SP, juntamente com a Missionária Adrina Costa e o casal dona Laura e o senhor João, onde fizemos a divulgação da Rádio Imaculada Conceição e da Milícia da Imaculada. No primeiro dia, rezamos o santo terço na casa de uma família de pessoas simples e de muita fé, que queriam ser ouvidas, receber um abraço, um sorriso, que testemunhavam com um brilho no olhar as experiências que tiveram com Deus e a Virgem Maria; foi um momento muito bonito. Eles veneram a Virgem Imaculada de uma forma toda particular, têm por Ela uma confiança, que sinceramente me surpreendeu, eles veem Maria como de fato ela é, uma mãe que cuida, ama e intercede por seus filhos.

Jarinu é uma cidade pequena, porém de um povo com uma fé grandiosa, fiquei encantada com a simplicidade e a acolhida daquelas pessoas, que quando viam a imagem de Nossa senhora, faziam o sinal da cruz, em sinal de respeito; homens, mulheres, idosos e crianças, vi nelas um Deus acolhedor, generoso, um Deus que é bondade, que é amor. O clima, o ar, as pessoas, o perfume da natureza, em tudo se podia sentir a presença de Deus, recordo-me de uma frase de Padre kolbe, que retrata exatamente a sensação que tive: “Tudo que está ao nosso redor é um ato de amor do Sacratíssimo Coração. Tudo que está dentro e fora de nós está repleto de Deus. É amor.”

Só tenho que agradecer ao Senhor por me dar a oportunidade de viver essas experiências, de colocar-me à disposição e poder, a cada dia, dizer o meu sim livre e sincero. Agradeço pelas pessoas que encontro ao longo do caminho, por viver momentos assim, onde se vê o amor de Deus explícito em cada ação, palavra e gesto, alegro-me por fazer de minha vida um testemunho, onde o Deus que é alegria sorri com o meu sorriso, abraça com meus braços, vai ao encontro do outro caminhando com meus passos  e que ama e demonstra amor através das minhas ações.

Que a Virgem Imaculada nos dê força e coragem para prosseguirmos na caminhada sem esmorecer, confiando sempre no Deus que é Amor.

Gessica Jesus Silva
Jovem em experiência no Instituto Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe

terça-feira, 11 de novembro de 2014

“Lázaro, vem para fora!... Tomo o seu lugar”

Neste mês de novembro, dedicado à comemoração dos nossos queridos finados, meditamos, sempre a partir do Evangelho, sobre o sentido da vida eterna que é a vida vivida em Deus. No quarto Evangelho lemos: “Lázaro morreu” diz Jesus aos seus discípulos... “Mas vamos para junto dele” ... Marta... vai ao seu encontro e lhe diz: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido...” ... “Teu irmão ressuscitará... Eu sou a ressurreição e a vida” ... “Jesus chorou”. Este é o único versículo em todo o quarto Evangelho que fala do choro de Jesus. O choro de Jesus deve ser entendido com a expressão “verteu lágrimas”, ou seja, “chorou muito”. Jesus verteu lágrimas pela morte do amigo Lázaro, “chorou muito”. Jesus sente uma profunda perturbação diante da morte (v.33: perturbou-se). O nosso mal o perturba profundamente, mais do que se fosse seu: mexe com ele a ponto de tomar o lugar de Lázaro. De morrer por cada um de nós. Deixa-se tocar “na alma” pela dor das irmãs de Lázaro... e “gritou em alta voz: Lázaro, vem para fora!”. Deus chora e grita. Humaníssimo Jesus! Homem como nós, chora diante da morte do amigo. E ao mesmo tempo Deus para nós, grita a alta voz para dispersar o último inimigo, a morte. Lázaro pode vir para fora porque Cristo está entrando na tumba: “Então os sumos sacerdotes e os fariseus... decidiram matá-lo” (Jo 11,11-52). Inverte-se o antigo adágio: mors tua vita mea para mors mea vita tua (Morte tua vida minha para morte minha vita tua). Desde aquele dia, daquele 14 de nisan do ano 30 d.C., não podemos mais dizer, quando estamos envolvidos no vértice da morte: “Senhor, se estivesses aqui!”. Porque o Senhor Jesus está sempre aqui: não deve vir, porque nunca se foi e nunca deixou de estar aqui – como havia prometido – “todos os dias”. Nunca deixou de nos amar, está chorando conosco. Já começou a nos ressuscitar.

Padre Kolbe, como todos, teme a morte, mas se entrega a ela com fé e abandono. Vence a morte doando a sua vida. Ouvindo o pranto de um condenado à morte, perturba-se profundamente a ponto de pedir ao comandante do campo: “Tomo o lugar dele”. “Mors mea vita tua” não é o desprezo pelo mundo, nem o desprezo pelo corpo. É uma doação de si que funciona como contrapeso ao mal do mundo. O acolhe sobre si anulando-o no fogo do amor.

João Paulo II, em sua primeira viajem à Polônia, dirá em Auschwitz (7 de junho 1979): “Maximiliano kolbe conseguiu uma vitória semelhante a do próprio Cristo, através da fé e do amor … Alcançou a mais árdua das vitórias, a do amor capaz de perdoar e de esquecer”. Proclamou-o “ministro da vida” em Niepokalanòw (18 de junho de 1983), e “ministro da morte” em Auschwitz. São Maximiliano é ministro de toda a existência porque crê que “a morte não se improvisa. Se merece com toda a vida”.

Domingo, 16 de fevereiro, o dia anterior à sua prisão, Padre Maximiliano ditou uma meditação para os seus frades. Entre os pontos tocados estão o amor ao próximo e o perdão recíproco. “… Graças ao amor pela Imaculada me torno capaz de perdoar sempre e completamente. Quando o amor pela Imaculada acaba, apaga-se também o nosso amor recíproco. A Imaculada quer que conservemos a harmonia no amor. Queridos filhos, se na terra vivemos no amor, estamos já antegozando o céu. Tudo passará, mas o amor permanece para sempre. Com a amor entraremos na vida eterna, e no céu, na presença da Imaculada, o amor será purificado e elevado ao seu grau mais alto...”.

No dia seguinte, segunda-feira, 17 de fevereiro, deixando o convento de Niepokalanòw para ser deportado, tem apenas uma recomendação a fazer aos seus frades: “Onde quer que forem, não esqueçam de amar”. O amor é o respiro da sua vida. Ele compreendeu o essencial: o amor é mais forte que a morte (cf. Ct 8,6) . Com esta visão de vida pode cantar: “Qual paz e felicidade sentiremos no leito de morte ao lembrar que muito, muitíssimo nós teremos teremos feito e teremos sofrido pela Imaculada…” (SK 1159).

Que graça também nós podermos dizer, no leito de morte, estas mesmas palavras e tudo que Padre Kolbe confidenciou a Rodolfo Diem, médico em Auschwitz: “Rezei para poder amar a todos sem limites, consagrei minha vida para fazer o bem a todos os homens”.

Que a vida de cada um de nós seja um hino ao amor! E a morte? Um abraço Naquele que é procurado desde sempre. Desde sempre desejado e finalmente encontrado.

Angela Esposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

Polônia

Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org

sábado, 1 de novembro de 2014

Cento Requiem

Esse exercício, em sufrágio das almas do Purgatório, consta dez Pai Nosso e de 100 "Requiem" ("O Eterno Repouso"). Pode-se usar uma simples coroa do Rosário e percorrê-la duas vezes dizendo:


- Um Pai Nosso.

- A invocação: "Meu Jesus, tende misericórdia das almas do Purgatório, especialmente da alma de N. N. e da alma mais abandonada."

- Dez vezes O Eterno Repouso: "Dai-lhes, Senhor, o eterno repouso, entre os resplendores da luz perpétua. Descansem em paz. Amém."

- Conclui-se com o Salmo 129 ("Das profundezas eu clamo"):

Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, *
escutai a minha voz!
Vossos ouvidos estejam bem atentos *
ao clamor de minha prece!

Se levardes em conta nossas faltas, *
quem haverá de subsistir?
Mas em vós se encontra o perdão, *
eu vos temo e em vós espero.
No Senhor ponho a minha esperança, *
espero em sua palavra.
A minh´alma espera no Senhor *
mais que o vigia pela aurora.

Espere Israel pelo Senhor *
mais que o vigia pela aurora!
Pois no Senhor se encontra toda graça *
e copiosa redenção,
Ele vem libertar a Israel *
de toda a sua culpa.


Pai nosso ... (em silêncio até)
E não nos deixeis cair em tentação.
- Mas livrai-nos do mal.

Dai-lhes, Senhor, o eterno repouso. Entre os resplendores da luz perpétua.

E as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz. Amém.

Oremos: "Ó Deus, Criador e Redentor de vossos fiéis, dai aos vossos filhos e filhas a remissão de todos os pecados, a fim de que obtenham por nossas súplicas o perdão que sempre desejaram. Por Cristo nosso Senhor. Amém."

Fonte: Perseverantes na oração, p. 168 - Edições da Imaculada.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sede santos!

A verdadeira devoção a Nossa Senhora consiste em fazer a vontade de Deus, e a vontade de Deus é que busquemos a santidade. Portanto, a finalidade da devoção a Nossa Senhora é que tornemos santos como Ela é a plenitude da santidade: “Ave, cheia de graça”, e como seu Filho é fonte da santidade.

“Na linguagem bíblica, ‘graça’ significa dom especial, que segundo o Novo Testamento tem a sua fonte na vida trinitária do próprio Deus, de Deus que é amor. Fruto desse amor é a ‘eleição’, de que fala a Carta dos Efésios. Da parte de Deus, essa eleição é a eterna na vontade de salvar o homem mediante a participação de sua própria vida em Cristo: é a salvação na participação á vida sobrenatural. O efeito desse dom terno, dessa graça da eleição do homem por parte de Deus é um ‘germe de santidade’ ou uma fonte que jorra na alma como dom do próprio Deus, que através da graça vivifica e santifica os eleitos.” (Redemptoris Mater, n 8)

Se a devoção a Maria não nos leva a amar a santidade, não é autêntica.

A santidade, portanto, é a nossa vocação. É a vocação não somente dos religiosos, dos sacerdotes ou dos consagrados, mas de todos os leigos. De fato, foi a todos que Jesus disse: “Sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu.” (Mt 5,48) Deus entendia todos ao dizer na criação: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.” (Gn 1,26) E São Paulo relembra: “A vontade de Deus é que vivam consagrados a ele.” (1Ts 4,3) E a Igreja repete isso amplamente no capitulo V da Lumen Gentium.

Se essa é a nossa vocação, é de se perguntar por que se fala assim tão pouco da santidade. Parece que exigimos pouco dos cristãos e acabamos nos tornando interpretes de uma limitação, de um achatamento. Basta que alguém não mate, não se prostitua, não roube abertamente, não dê grandes escândalos, para que, inclusive sacerdotes, digam: “É o que dá pra fazer”...

A santidade é bem diferente. Não é um “não fazer”, e sim um compromisso concreto, uma subida para conquistar a montanha. É se perguntar sempre “O que posso fazer mais?” Como São João diz no Apocalipse: “O santo continue a si santificar.” (Ap 22,11)

A santidade não consiste em fazer muitas orações, jejuns, sacrifícios e romarias, ter visões e assim por diante, mas em fazer a vontade de Deus. Portanto, perguntemo-nos qual é e como se expressa tal vontade.

Ela é, antes de tudo, fazer bem o nosso dever cotidiano. “É uma santidade mínima...”, poderá alguém objetar. Eu, porem, respondo: “tentei!” Você, jovem, tente fazer o bem de manhã até de noite, respeitando os outros, respeitando a sua namorada e a si mesmo... Você, pessoa consagrada, tente viver plenamente a vida de obediência, em comunhão com os superiores; viver a pobreza com desapego interior, viver a virgindade com alegria e doação constante. Você, mamãe, tente estabelecer diálogo com seus filhos, estar “presente” desde que são pequenos até quando ficarem grandes e você não puder fazer outra coisa senão rezar por eles.

É o exercício diário que constrói a santidade. É o amor extraordinário nas coisas ordinárias. É inútil ficar esperando as “grandes oportunidades”: se não há empenho em cada momento, num passo após o outro, não se chega á santidade, que é a plenitude do amor de Deus em nós.

Todos os momentos da vida são “adequados” para que decidamos começar a nossa caminhada. São Maximiliano Kolbe dizia: “Se alguém já estiver com um pé no inferno, poderá assim mesmo se tornar um grande santo, basta que comece a se corrigir, comece a confiar ilimitadamente a Imaculada e comece a ama-la de todo o coração.”

Maria é santa por excelência. Isto é, Ela é a criatura que mais se assemelha àquele que é santidade por essência.

Desde a concepção participou dessa santidade, porque Deus, em previsão dos méritos de Cristo, a criou sem pecado (cf. Redemptoris Mater, n 10). Entretanto, Ela mesma foi aumentando e conquistando sempre mais e diariamente a santidade, respondendo sempre “sim” ao Senhor. Como um riacho que, descendo do alto, recebe em seu caminhar a contribuição de outros riachos e se torna um rio, até chegar ao mar, assim Maria, dizendo o seu “sim”, dia após dia, acrescentou santidade à santidade, aproximando-se sempre mais de Deus.

Nós não podemos alcançar o grau de santidade de Maria, mas podemos seguir seu exemplo em nossa caminhada, com fadiga, sem duvida, mas com alegria e perseverança, peregrinos como Ela é peregrina e como é peregrina a Igreja que também é santa e busca a santidade (cf. Redemptoris Mater, n 6).

Qual é, porém, o segredo para sermos santos?

Jesus nos comparou a uma vinha cujo agricultor é o Pai (cf. Jo 15, 1-11). A videira é Jesus e nós somos os ramos. Se de fato estamos unidos à videira, também nós somos santos, porque somos a própria emanação da videira, de Jesus, que é santo. Como brotos, nascemos da sua paixão, da sua morte e da sua ressurreição.

Entretanto, podemos permanecer unidos à videira somente através do amor. De fato, somente o amor permite à “seiva” vivificar os ramos e assim produzir fruto.

Ninguém mais do que Maria está unida à videira. Ela, que acolheu plenamente a vontade do agricultor e gerou não somente a videira mais também todos os ramos, isto é, todos nós. Maria, através de sua disponibilidade, fez com que o amor triunfasse. Permitiu que a graça de Deus a preenchesse totalmente (cf. Redemptoris Mater, n 9). E nem mesmo por um instante pensou em se separar da videira...

Nós, ás vezes, somos tentados a fazer isso; quando, por exemplo, queremos ou pensamos fazer as coisas sozinhos. E essa tendência, que pode acabar se transformando em mentalidade, é como um verme roedor que penetra cada vez mais, e faz com que comecemos a evitar a seiva que sobe da videira. Então, aos poucos, o nosso ramo seca e, quando o agricultor vier, o cortará, pois não serve mais para nada, ou pior, é empecilho para os outros ao impedir que a seiva corra... E aquele ramo que queria se tornar autossuficiente, que não queria estar “ligado” a ninguém, acabará por terra pisado e queimado.

Não permitamos que nenhum “verme roedor” entre em nós e nos separe da videira. A santidade de Maria, assim com a nossa, consiste exatamente no fato de ficar unida ao seu Deus até o fim, para sempre.

Padre Faccenda
Fundador do Instituto

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Devemos conhecer a maravilhosa caridade da ciência de Cristo

A mim me parece que o grande desejo de nosso Senhor, de que se tribute honra especial a Seu Sagrado Coração, tem por finalidade renovar em nós os frutos da redenção. Pois o Sagrado Coração é fonte inexaurível; que somente quer difundir-Se pelos corações humildes, a fim de que estejam livres e prontos a viver sua vida em conformidade com seu beneplácito.

Deste divino Coração correm sem parar três rios: o primeiro é de misericórdia pelos pecadores, derramando neles o espírito de contrição e de penitência. O segundo é de caridade, para auxílio de todos os sofredores, em particular dos que aspiram à perfeição, para que encontrem os meios de superar as dificuldades. Do terceiro, enfim, manam o amor e a luz para Seus amigos perfeitos, que Ele deseja unir à Sua ciência e à participação de Seus preceitos, para que, cada um a seu modo, se dedique totalmente à expansão de Sua glória.

Este Coração divino é oceano de todos os bens. Nele precisam os pobres mergulhar todas as suas necessidades. É oceano de alegria, onde temos de mergulhar todas as nossas tristezas. É abismo de humildade contra nossa loucura, abismo de misericórdia para os miseráveis, abismo de amor para as nossas indigências.

Tendes, por isto, de unir-vos ao Coração de nosso Senhor Jesus Cristo, no princípio da vida nova, para vos preparardes bem; no fim, para consumardes. Vossa oração é vazia? Então, basta que ofereçais a Deus as preces que o Salvador eleva por nós no sacramento do altar, entregando Seu fervor em reparação de vossa tibieza. Sempre que ides fazer algo, rezai assim: "Meu Deus, faço ou suporto isto no Coração de Teu Filho e, conforme a Seus santos desígnios, ofereço-Te em reparação de tudo quanto há de falho ou de imperfeito em minhas obras". E deste modo, em todas as circunstâncias. E em tudo que vos acontecer de penoso, aflitivo ou injurioso, dizei a vós mesmos: "Recebe o que o Sagrado Coração de Jesus Cristo te envia a fim de unir-te a Ele".

Acima de tudo, porém, guardai a paz do coração que supera todos os tesouros. Para guardá-la, nada de melhor que renunciar à própria vontade e colocar a vontade do divino Coração em lugar da nossa, de modo que Ela realize em nosso nome o que redunda em Sua glória. E nós, felizes, nos submetamos a Ele, com absoluta confiança.

Das Cartas de Santa Margarida Maria Alacoque
(Séc. XVll)


Fonte: Liturgia das horas

 
 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

É o Senhor que sustenta a minha vida!

Missionária Sara, diretora local da comunidade de São Bernardo - SP.
15 de outubro de 2014: 14 anos de profissão simples!
16 de outubro de 2014: 11 anos de Brasil!


Senhor Jesus... OBRIGADA pela Tua fidelidade e pelo Teu Amor constante e paciente para comigo! Hoje sinto dentro do meu coração uma grande paz, porque olhando para trás, vejo a Tua Presença que me acompanhou ao longo desses anos... nos momentos mais difíceis e naqueles de alegria.

OBRIGADA Senhor: esta é a palavra que encontro dentro de mim para expressar a minha gratidão.

OBRIGADA por ter olhado para mim com amor, e por ter-me chamado a Te seguir.


OBRIGADA por acreditar em mim, e ter-me confiado uma missão tão grande e tão linda. Por ter-me ensinado o valor profundo e belo da vida, e de cada momento, das pequenas coisas e da simplicidade.

OBRIGADA por ter-me chamado aqui no Brasil, onde aprendi o valor e a riqueza de uma realidade diferente na qual o meu coração se dilatou e aprendeu a amar.

OBRIGADA Senhor, pela Tua FIDELIDADE ao longo desses anos... ela me sustentou nos momentos mais difíceis, nos momentos de crescimento e de conquista de uma maior liberdade.

OBRIGADA Senhor, porque aprendi a viver a solidão não como um vazio, mas como uma oportunidade para encontrar a Tua Presença misteriosa que quer me encontrar... e que me ensinou a relacionar-me com os meus irmãos e irmãs.

OBRIGADA por todas as minhas irmãs e por todas as pessoas que ao longo desses anos partilharam comigo o dom da fraternidade, da amizade e do carisma mariano-missionário-kolbiano.

Senhor, Tu me pedes de lançar-me novamente e renovar concretamente o chamado que um dia me fizeste. Sinto medo, mas ao mesmo tempo uma grande liberdade, que sempre experimentei todas as vezes que me abandonei ao Teu Amor que me chama.

Tenho certeza que o nosso Padre Faccenda me acompanha lá do céu, e hoje se alegra comigo pela Tua fidelidade e por tanta graça recebida.

Que a Tua mãe Imaculada me acompanhe, Senhor, e que na certeza da Tua Presença constante eu continue a doar a minha vida aonde Tu me chamas! Isto é aquilo que eu quero! 

Sara Caneva
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe
São Bernardo - SP

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Padre Kolbe, o missionário “em saída”. Uma vida em saída

No centro da nossa reflexão para este outubro missionário está a Mensagem para o dia mundial das missões 2014 do Papa Francisco. Veremos juntos algumas passagens mais evidentes. O Papa nos convida a “sair ao encontro da humanidade... ainda hoje há tanta gente que não conhece Jesus Cristo... A Igreja é, por sua natureza, missionária: a Igreja nasceu «em saída»... Quero propor um ícone bíblico que encontramos no Evangelho de Lucas (cf. 10, 21-23).

O evangelista conta que o Senhor enviou os 72 discípulos, de dois em dois, às cidades e vilas, para anunciar que o Reino de Deus estava próximo e preparando as pessoas para o encontro com Jesus. Depois de ter cumprido esta missão de anúncio, os discípulos voltaram cheios de alegria: a alegria é um tema dominante nesta primeira e inesquecível experiência missionária. “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus...” (E.G., 1)

Padre Kolbe é um missionário ardente porque é um homem apaixonado por Deus e pelo homem. Considera o apostolado não uma questão de tática organizativa, mas reflexo da riqueza de graça de um coração conquistado por Deus mediante a oferta de si à Imaculada. Ele dirá que “o apostolado é uma obra sublime, muito sublime: é colaboração – se se é lícito expressar-se assim – com o próprio Deus na ação de aperfeiçoar, santificar e fazer os homens felizes” (SK 1071). Com este objetivo dá início à Milícia da Imaculada, Associação eclesial: todos podem fazer parte da mesma: religiosos e leigos.

Assim como a Igreja, a Milícia da Imaculada também nasceu “em saída”.  Chama-se “Milícia” porque aqueles que se consagram à Imaculada... desejam conquistar, o mais rápido possível, o mundo inteiro e cada alma em particular sem nenhuma exceção.

Padre Kolbe é o missionário sempre “em saída” desde os tempos de formação. Há uma saúde frágil, tem tuberculose. Não consegue ficar tranquilo no convento, sente arder a paixão pelo Reino de Deus e quer conquistar o mundo inteiro à Imaculada. Em 1925, em um artigo da sua revista, define o perfil do missionário: “Ele não limita a sua capacidade de amar somente a si mesmo, à sua família, aos parentes, aos amigos, aos concidadãos, mas abraça com o seu coração o mundo inteiro, uma vez que todos foram redimidos pelo sangue de Jesus, sem nenhuma exceção, todos são nossos irmãos... A felicidade de toda a humanidade em Deus através da Imaculada: eis o nosso sonho” (SK 1088).

É o homem do êxodo. Depois de apenas três anos da fundação de Niepokalanòw ele parte em missão porque, como ele mesmo dirá: “o meu olhar é continuamente atraído por novos horizontes” (SK 503) e com quatro frades se aventura em direção ao Oriente. O impulso missionário de Padre Kolbe é inacreditável: os seus confins são o mundo inteiro. O pobre dos pobres deu início à globalização dos pobres. Naturalmente Padre Kolbe não conhece o termo “globalização”, mas de fato o concretiza no sentido que quer chegar a todos para levar a boa notícia.

É atraído por vocações “cada vez mais”, “cada vez melhor” para que a alegria do Evangelho chegue até os confins da terra. A este respeito ele tem uma expressão belíssima: “Não amanhã, nem mesmo esta noite, mas agora. Não pouco, mas tudo. Não somente uma região do mundo, mas o mundo inteiro” porque “quando o fogo do amor se acende não fica limitado ao coração, mas se alastra para fora, incendeia, devora, absorve outros corações, para conduzi-los a Deus por meio da Imaculada” (SK 1325) e “isso o mais rápido possível, o mais rápido possível”.

“O mais rápido possível” é uma expressão que aparece frequentemente no vocabulário missionário de Padre Kolbe. “O mais rápido” e “em saída” para estar dentro dos problemas das pessoas. Para anunciar um Deus apaixonado pelo homem.

Em caminho, sem descanso, até o fim de sua vida quando sai da fila para oferecer a sua vida no lugar de um pai de família. Em saída em direção ao bunker da morte para acompanhar os seus companheiros para morrer com dignidade, cantando os louvores de Deus, rezando e suplicando o perdão para os seus carrascos. Em saída para entrar e imergir-se nos abismos do inferno de Auschwitz. Nos abismos do ódio.

“Morreu um homem e se salvou a humanidade” (João Paulo II em Auschwitz, junho de 1979): exultemos por este testemunho de amor que fez resplandecer a força do Evangelho até mesmo na trevas do mal. Cantemos com Maria o nosso Magnificat em levar a alegria do Evangelho. Nenhuma periferia seja privada da luz. Que todos entrem nesta torrente de alegria!
Angela Sposito
Missionária da Imaculada - Padre Kolbe
Polônia


Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Olhar para o passado, construir o presente, sonhar com o futuro

Caríssimas Missionárias e Voluntários,
é meu desejo chegar até cada um de vocês através de uma mensagem de alegria, aquela alegria – como nos lembra papa Francisco – que brota no coração de quem encontrou Cristo e fez experiência do seu amor (cf. Papa Francisco, Evangelii gaudium, 1).
É a alegria que deve nos acompanhar neste ano jubilar que estamos começando: o 60° aniversário do nascimento do nosso Instituto em 11 de outubro de 1954.

60 anos... guiados por um sonho

É o tema/slogan que dará ritmo e vida ao caminho dos próximos meses: de 11 de outubro de 2014 a 11 de outubro de 2015, e nos fará entrar no coração deste aniversário que vem renovar-nos na nossa identidade e missão na Igreja e no mundo.

60 anos de vida

Rostos, histórias, eventos, encontros, projetos e esperanças… uma longa história para ser contada e partilhada, que cada um contribuiu para escrever e torná-la mais bela, mais verdadeira, mais fiel à vocação recebida.

60 anos de paixão missionária

Em caminho através das estradas dos homens para viver o estupor da semente que lançada no campo floresce e dá fruto; para saborear a alegria do carisma mariano-missionário encarnado na realidade de povos e culturas diversas.

60 anos de desafios

Fieis a Deus num mundo em contínua transformação que muitas vezes mina as nossas certezas e nos provoca a buscar novas respostas, a trilhar novos caminhos.

60 anos com Maria

O canto dela torna-se também o nosso e com ela dizemos: Magnificat! Obrigada, Senhor, por cada dia de luz e por cada momento de sofrimento; por cada pequena alegria e por cada dor. Obrigada, por todas as vezes em que o amor mostrou o seu rosto e fez prodígios. De geração em geração também nós cantaremos a fidelidade e a misericórdia de Deus que se inclina sobre os pequenos e os pobres. 

Entre passado, presente e futuro


Juntos, guiados pelo Espírito… queremos fazer três passos nos quais passado, presente e futuro se entrelaçam, se evocam, se perseguem, para continuar a escrever, conosco e através de nós,  páginas de vida e de esperança.

Olhar para o passado

A celebração de um aniversário, como acontece em todos os momentos celebrativos que acompanham a existência humana, faz-nos olhar para o passado. É lindo reler as páginas da nossa vida, o segredo porém é não deixar que a saudade predomine e com a saudade chorar pelas coisas e tempos que não voltarão mais.
Olhemos para trás, mas com sentimentos de gratidão e de louvor. Percorramos de novo as etapas do nosso caminho, voltando às origens, na fonte do dom que Deus nos confiou através do nosso fundador, padre Luigi, com a atitude do «mercador que busca pérolas preciosas; quando encontra uma pérola de grande valor, vai, vende todos os seus bens e a compra» (Mt 13,45-46). Redescubramos a preciosidade da pérola que nos foi confiada: o carisma mariano-missionário e com ele o chamado para sermos no mundo fermento de vida nova e evangélica.
O passado é motivo de gratidão para com Deus, para com Padre Luigi, para com as irmãs que em primeiro lugar se colocaram a caminho, para com todos aqueles que ao longo dos anos entraram e fazem parte da nossa Família. Sobre este terreno sólido e fecundo podemos continuar a construir o nosso presente e a sonhar com o nosso futuro.
   
•    O 60° aniversário do Instituto, na sua fase conclusiva, coincidirá com os dez anos da morte do padre (2005 – 2015). A homenagem mais bela que podemos fazer para o nosso fundador é retomar nas mãos os seus escritos para manter vivo o espírito e caminhar no sulco da herança que nos deixou como dom.

Construir o presente

Cada um de nós, de modos e tempos diversos, pode sentir-se protagonista desses 60 anos de história. A um certo ponto da nossa vida – usando uma imagem muito amada pelo padre Luigi – subimos no trem do Instituto (OVS, IX, 37-40; Solo l’amore crea, 30-33), tomamos o nosso lugar e fizemos nosso o seu percurso.

O 60° aniversário  é ocasião para renovar e remotivar a nossa pertença ao Instituto e sentir-nos responsáveis da sua vida e da sua missão.
É por isso que convido-vos para dar a este ano um particular tom vocacional. Uma escolha amadurecida também pela coincidência do Ano da Vida consagrada que Papa Francisco decretou para o ano de 2015, convidando todos os consagrados a “gritar” para o mundo com força e com alegria a santidade e a vitalidade que estão presentes na vida consagrada.

Muitas vezes o padre falou da vocação. Nos disse de amar as vocações, de rezar pelas vocações, de trabalhar pelas vocações. Entre os seus muitos escritos cito um que coloca evidencia sobre o amor, o motor que move cada coisa.
«Ama apaixonadamente as vocações missionárias.
Eu disse “apaixonadamente” porque Jesus amou com paixão cada homem, cada pecador e cada fiel seguidor dele.
Ama as vocações… ama-as rezando; ama-as oferecendo; ama-as propondo; ama-as testemunhando; ama-as doando tudo ou parte de ti mesmo; ama-as ajudando as missões do teu Instituto; ama-as com aquele profundo sofrimento que enfrentou Jesus no jardim do Getsemani e depois, ainda mais intensamente, na cruz» (OVS, IX, 51-52).

Deixemos que esta paixão capture o coração de cada missionária e de cada voluntário.

•    Cuidemos e guardemos como um tesouro precioso a vocação recebida, na fidelidade cotidiana, na comunhão fraterna, no impulso da missão.
•    Rezemos para interceder junto de Deus o dom de novas vocações para o Instituto. Redescubramos e valorizemos, neste sentido, o espírito de oferta e de sacrifício (cf. OVS, IV, 17-18), coloquemos sinais concretos, façamos algumas renúncias, segundo aquilo que o Espírito sugere para cada um e segundo as próprias possibilidades.
•    Colocamos em prática a criatividade que nasce do amor e procuremos ocasiões e formas para partilhar a beleza da nossa vocação e a beleza do carisma começando pelo testemunho alegre da vida.

Sonhar com o futuro

Em outras ocasiões tive a possibilidade de lembrar esta expressão do bispo brasileiro Helder Camara: «Se alguém sonha sozinho, o seu sonho permanece um sonho; se o sonho é sonhado junto com outros, este já é o começo da realidade».
Parece-me importante redescobrir a alegria e o entusiasmo de sonhar juntos, de olhar para o futuro com esperança e confiança, de continuar a deixar-nos guiar pelo Espírito que sopra onde quer e quando quer, inexpugnável e imprevisível.
Ser dóceis ao Espírito, como Maria, significa oferecer-lhe uma casa, uma possibilidade.

•    Perguntemo-nos: quais horizontes abre hoje diante de nós Aquele que é força de amor e de comunhão, fogo que inflama os corações, vento que sacode os nossos medos?
Quais são as periferias humanas, existenciais, espirituais que Ele nos conduz?

* * *

Olhar para o passado, construir o presente, sonhar com o futuro.
E tudo isso para que o aniversário de fundação do Instituto não seja uma celebração com a finalidade em si mesma. Parece-me que sejam particularmente significativas as palavras que o padre nos dirigia em ocasião de um outro aniversário.
«Este dia tenha a sua importância: é o vosso dia. Se existe a raiz, ótimo. Cultivem a raiz, louvem aquela raiz, amem a raiz, porém aquela raiz um dia pode morrer... Mas o tronco que deve continuar e os brotos que devem nascer são vocês. Devem nascer e devem crescer de vocês não somente simples “raminhos”, mas ramos muito grandes sobre os quais possam se apoiar os homens necessitados; porque o homem tem cada vez mais necessidade e este ardor deve crescer cada vez mais» (OVS, IX, 165-166).

Os brotos somos nós e destes  brotos devem continuar a crescer ramos cada vez mais fortes e robustos, bem ligados no tronco e na raiz. Este é o meu desejo para cada um de vocês.

* * *

Vivamos este ano em comunhão com as missionárias e os voluntários falecidos e com o padre, para que do céu nos guie e nos encoraje: o trem do Instituto retome com força o seu caminho, se enriqueça de novos vagões e acolha numerosos passageiros com os quais compartilhe a beleza do carisma.

Um ano de alegria, de festa, de vida:

Seja este o 60° aniversário do Instituto!

Giovanna Venturi
Diretora Geral

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Estava sua mãe junto à cruz

O martírio da Virgem é mencionado tanto na profecia de Simeão quanto no relato da paixão do Senhor. Este foi posto, diz o santo ancião sobre o menino, como um sinal de contradição, e a Maria: e uma espada traspassará tua alma (cf. Lc 2,34-35).

Verdadeiramente, ó santa Mãe, uma espada traspassou tua alma. Aliás, somente traspassando-a, penetraria na carne do Filho. De fato, visto que o teu Jesus – de todos certamente, mas especialmente teu – a lança cruel, abrindo-lhe o lado sem poupar um morto, não atingiu a alma dele, mas ela traspassou a tua alma. A alma dele já ali não estava, a tua, porém, não podia ser arrancada dali. Por isto a violência da dor penetrou em tua alma e nós te proclamamos, com justiça, mais do que mártir, porque a compaixão ultrapassou a dor da paixão corporal.

E pior que a espada, traspassando a alma, não foi aquela palavra que atingiu até a divisão entre a alma e o espírito: Mulher, eis aí teu filho? (Jo 19,26). Oh! que troca incrível! João, Mãe, te é entregue em vez de Jesus, o servo em lugar do Senhor, o discípulo pelo Mestre, o filho de Zebedeu pelo Filho de Deus, o puro homem, em vez do Deus verdadeiro. Como ouvir isto deixaria de traspassar tua alma tão afetuosa, se até a sua lembrança nos corta os corações, tão de pedra, tão de ferro?

Não vos admireis, irmãos, que se diga ter Maria sido mártir na alma. Poderia espantar- se quem não se recordasse do que Paulo afirmou que entre os maiores crimes dos gentios estava o de serem sem afeição. Muito longe do coração de Maria tudo isto; esteja também longe de seus servos.

Talvez haja quem pergunte: “Mas não sabia ela de antemão que iria ele morrer?” Sem dúvida alguma. “E não esperava que logo ressuscitaria?” Com toda a confiança. “E mesmo assim sofreu com o Crucificado?” Com toda a veemência. Aliás, tu quem és ou donde tua sabedoria, para te admirares mais de Maria que compadecia, do que do Filho de Maria a padecer? Ele pôde morrer no corpo; não podia ela morrer juntamente no coração? É obra da caridade: ninguém a teve maior! Obra de caridade também isto: depois dela nunca houve igual.

(São Bernardo, abade - Sec. XII)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Padre Kolbe, o homem do "Nunc Dimittis"

“Nunc dimittis”, também conhecido como Cântico de Simeão.
Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste em face de todos os povos, luz para iluminar as nações, e glória de teu povo, Israel.” (Lc 2,29-32)

Simeão está diante de Jesus e pronuncia o seu canto. “Agora, Senhor, podes despedir...” Este canto que Simeão cantou no anoitecer da sua vida e a liturgia nos propõe para ser rezado ao anoitecer de cada dia, é o canto de alguém que se sente livre de um peso que está se tornando insustentável.

Agora, Senhor, podes despedir...”, para dizer: finalmente, Senhor, “vi a tua salvação”. Simeão está no anoitecer da sua vida, vê Jesus e diz: agora que eu te vi, não tenho mais medo de morrer. Não tenho mais medo desta inquietude que me queimava por dentro, desta noite que eu não queria atravessar. Não tenho mais medo porque os meus olhos te viram, Jesus. Tu estás presente, estás comigo. “Tu és luz para iluminar as nações, e glória de teu povo, Israel.

Agora, Senhor, podes despedir...”: há a disponibilidade de Simeão em deixar o mundo exatamente agora que “viu a salvação” e entrou a luz. Simeão nos ajuda a estarmos prontos a deixar o que nos é pedido nos vários momentos da vida por causa da idade, por causa da doença ou por quaisquer outros motivos. Simeão nos ajuda a viver o desapego das pessoas, das coisas, com grande serenidade.

Quantos homens e mulheres do “nunc dimittis” – se assim podemos chamá-los – encontramos em nosso caminho!

EttyHillesum – nas vésperas de sua deportação para Auschwitz – escreve: “Dizem-me: uma pessoa como você tem o dever de se salvar, tem tanto o que fazer na vida, tem muito ainda pra dar... Se Deus decide que eu tenha muito o que fazer, bem, então o farei... e se eu não sobreviver, se verá quem sou pelo modo como morrerei.

Em pouquíssimo tempo Niepokalanów tornou-se o maior centro midiático polonês. Antes da explosão da segunda guerra mundial ali se publicava nove edições jornalísticas (uma em latim para o clero do mundo inteiro), livros, subsídios, panfletos e publicidades. Existia também uma estação de rádio com a sua redação e já se estava pensando na televisão, ainda que a mesma estivesse em fase de experimentação.

Maximiliano Kolbe e o desejo de anunciar o Evangelho ao mundo inteiro.
As edições jornalísticas em Niepokalanów eram as mais lidas na Polônia. A tiragem média do “O Cavaleiro da Imaculada”, nos anos 30, era de 700 mil cópias; a do “Calendário do Cavaleiro da Imaculada” era de cerca de 380 mil. O “MalyDziennik(Pequeno Jornal), quotidiano católico, com alta tiragem, saia em sete edições diferentes, para cada região polonesa.

Assim como na Polônia, nas terras japonesas Maximiliano Kolbe escolhe investir as suas energias na evangelização, na formação das consciências e inflamar os corações com o fogo do Evangelho.

Nunca satisfeito com as metas alcançadas, Padre Kolbe faz projetos para imprimir e difundir o “Kishi” em toda a China. “Penso também na Índia, no Amã e na região da Síria para as seguintes línguas: árabe, turca, hebraica” – assim escreve em 1930 a Padre Cornélio Czupryk. Funda na terra nipônica o primeiro seminário da sua Ordem.

No ápice da sua atividade apostólica e missionária anuncia aos seus frades que mesmo quando tudo for destruído permanecerá o amor. Padre Kolbe, o homem dos grandes projetos editoriais, raciocina em termos mass-midiáticos. Sonha com um mundo a ser evangelizado e termina os seus dias em Auschwitz, no bunker da fome. Oferece-se espontaneamente para salvar um pai de família.


Com o martírio tornou-se testemunha crível da civilização do amor porque acreditou que se recebe a vida quando esta é doada. O sim do “só o amor constrói” é um sim fecundo. Gera continuamente e chegamos ao Papa Bento XVI : “Neste momento há em mim uma grande confiança porque o Evangelho é a força da Igreja, purifica, renova, frutifica. Esta é a minha confiança, esta é a minha alegria.”

Para os homens e mulheres do “nunc dimittis” Deus é mais importante do que a missão que confiou a eles. O que realmente conta é que a obra de Deus vá em frente com eles ou sem eles. É difícil o desapego, é difícil ficar de lado. É preciso fixar o olhar no Absoluto para poder dizer com Santa Teresa D'Ávila: “Só Deus basta.” Sozinhos não somos capazes, como Simeão, é preciso ir ao Templo e “tomar Jesus nos braços.” (Lc 2,28)

Angela Sposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe
Polônia

Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org

domingo, 31 de agosto de 2014

Pedir a santidade - Parte II

Pedir vocações

Existe uma outra realidade que é muito importante e que queremos confiar à intercessão de São Maximiliano: é o pedido pelas vocações.
Sem vocação a Igreja seria como uma árvore sem vida, como um jardim sem flores, como um rio sem água. As vocações são os sinais concretos da vitalidade da igreja.
São Maximiliano foi um mestre na arte de descobrir nos jovens os sinais de uma verdadeira vocação à vida consagrada e foi pai e formador de numerosos jovens que se confiaram a ele com plena disponibilidade.
Ao longo de toda a sua vida e, particularmente, durante os últimos anos, Padre Kolbe foi educador incomparável, mestre de vida espiritual, guia luminoso.
Por onde ele passava semeava a paz, a concórdia, o amor recíproco; dissipava as duvidas, infundia coragem. Por natureza e empenho pessoal era um extraordinário formador. Por isso, nós hoje podemos invocar a sua intercessão no discernimento e nos cuidados com as nossas vocações religiosas.

Pedir o espírito missionário

Existe um terceiro pedido que queremos confiar à intercessão de São Maximiliano que, agora no céu, está trabalhando com  ambas as mãos. A ele peçamos que obtenha para nós genuíno e profundo amor à missão.
Padre Kolbe é certamente a pessoa justa para fazer esse tipo de pedido. Ele, de fato, foi um homem marcado pela paixão de levar todos os homens a Deus.
“Seria necessário não esquecer que sob o sol não existe apenas a Polônia e o Japão, mais que um número ainda maior de corações palpitam além das fronteirais destes países”.
A sua visão do mundo a evangelizar é, ao mesmo tempo, universal e pessoal. E ele não cessa de frisar com essas palavras, que brotam frequentemente: “todo” e “cada um”.
“Existe um universo, mas cada ser que o compõe é um mundo em si. Para todos e também para cada um Cristo versou seu sangue: por todos que se encontram espalhados no mundo, não importa o lugar, sem distinção de raça, de nacionalidade, de língua...e também por aqueles que viverão, não importa em que tempo, até o fim do mundo”.
A paixão pela salvação dos irmãos o conquistou totalmente, tanto que desejava ser considerado como um louco, por causa dessa paixão. Assim, de fato, lemos em uma carta que ele escreveu a um jovem confrade que se preparava para partir a missão no Japão. É interessante ler a conclusão dessa carta: “coragem, caro irmão, vem morrer de fome, de fadiga, de humilhação pela Imaculada”.
Mais uma vez sentimos que, pedindo a intercessão de São Maximiliano para que tenhamos um iluminado ardor missionário, colocamo-nos em boas mãos. Ele, que gastou cada segundo da sua vida no serviço aos irmãos, alcançará para nós esse dom.
Quis apresentar São Maximiliano como um potente intercessor para cada um nós, para toda a igreja e todo o mundo.

Na festa dos 60 anos de seu martírio, a ele queremos confiar de modo especialíssimo três grandes e importantes intenções: Santidade, vocação e impulso missionário.

Padre Faccenda - Fundador do Instituto

sábado, 30 de agosto de 2014

Luzes que brilham

Era noite. Não lembro se de natal ou de ano novo. Uma lembrança é certa: pela primeira vez pensei em dar a vida pelo reino de Deus. Fui com meu pai participar da missa em uma pequena capela num bairro pobre de São Bernardo-SP. Enquanto o sacerdote levantava a hóstia consagrada, as pessoas ajoelhadas adoravam o Senhor dos Senhores, e pela janela se via as luzes dos fogos de artifícios. As pessoas lá de fora paravam para se admirar das cores que enfeitavam o céu, nós, de dentro, silenciávamos os nossos corações fascinados pela beleza do mistério do amor encarnado.

Outra noite brilhante, foi quando fui buscar com meu namorado a sua irmã que retornava da escola. Tínhamos deixado o carro próximo do ponto de ônibus, e fomos esperá-la no meio da multidão. Abraçados, vimos um automóvel parar na rua ao lado. No escuro da noite, crianças começaram a aparecer e se colocavam ao redor do carro. Um casal desce, abre a porta e começa a distribuir os pedaços de pizza. Quanta alegria e que luz emanava daquele gesto. No meu coração um desejo: quero viver assim, fazendo o bem! Sentimentos misturados e uma intuição brilhava dentro do mais profundo do meu ser: talvez o Senhor me chame para uma vida doada para sempre e sem limites, totalmente, sem ninguém ao meu lado, somente Ele.

As noites foram passando e as luzes foram ficando mais fortes e a escuridão foi clareando. Ainda jovem, mas já sem o namorado, rezava o terço todos os sábados com um grupo de amigos, na casa de um casal que tinha oferecido um lugar especial a Nossa Senhora, eles a tinham colocado no jardim daquele lar, dentro de uma pequena gruta. Em uma das noites de oração, ao olhar para as estrelas que brilhavam... vi mais um sinal, uma paz atingiu minha alma e dentro do meu coração a certeza de que Deus realmente me chamava para estar só com Ele.

A luz mais forte que brilhou em mim, foi quando meu ex-namorado, após ter me pedido em casamento, me disse ao retornar de um passeio, que eu era como a luz do candeeiro (cf. Lc 8,16), tinha que brilhar a luz que brilhava em mim. Juntos choramos, na varanda da minha casa, ao perceber que Deus nos havia juntado por um tempo, mas que seu amor era maior do que o nosso amor.

E assim, continuei os meus passos com o meu único amor, Jesus Cristo. Caminhei com Ele, como Maria, guardando e meditando todas as coisas (cf. Lc 2,51). Deste modo, pude perceber e dizer o meu sim definitivo e eterno. Deus é amor, me ama e posso amá-lo, no serviço aos irmãos; o primeiro passo é seguir as luzes que brilham dentro e ao nosso redor.

Lourdes Crespan
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Encontros que transformam a vida

"Raquel, vamos na lenha?", perguntava dona Margarida à sua neta, que respondia: "Vamos, vó!" Juntas percorriam uma trilha de terra por quase meia hora. De volta para a casa, na cabeça da neta, um pequeno fecho de lenha, preparado pelas mãos ágeis da avó, e no coração de Raquel uma grande alegria. E isso acontecia quase todas as manhãs.

Com os seus 10 anos de vida, observava atentamente tudo aquilo que estava ao redor daquela trilha, o mato, o silêncio, as montanhas, o céu, e pensava consigo mesmo: "O mundo é tão grande e o céu infinito." E isso a enchia de paz.

Filha mais velha da família Soares, a neta de dona Margarida vivia em uma casa simples com os seus pais, duas irmãs e um irmão, em Tombadouro, Minas Gerais. A avó morava bem perto, também os outros tios e tias, na mesma rua. O quintal era grande e ficava no fundo da casa, tinha muitas árvores, inclusive, uma mangueira.

Além de gostar de brincar com as crianças, no fundo do quintal da casa, Raquel também gostava muito de participar da Igreja, do coral, das coroações de Nossa Senhora, da catequese: "Depois de receber a primeira eucaristia, me apaixonei mais ainda por Jesus, me despertou um amor muito grande por Ele."

Com Jesus Cristo vivo em seu coração, Raquel começa a refletir e perceber a importância da vida sacramental e do compromisso assumido no santo batismo, e inicia a catequese do crisma. "Com o sacramento do crisma, aumentou ainda mais a minha responsabilidade, me despertou o desejo de ser catequista."

Movida pela unção do Espírito Santo, Raquel dá os primeiros passos como catequista. Os sacramentos do batismo, da primeira eucaristia, do crisma, são alicerces para a sua vida cristã e sinais para uma descoberta ainda mais significativa. Uma pergunta inquietava o seu coração: "O que Deus quer da minha vida?"

Ela não tinha resposta, somente rezava, sabia que a oração iria ajudá-la a intuir a vontade de Deus. Pedia para que a luz que um dia brilhou continuasse a refletir os seus passos. A resposta veio em um retiro espiritual, neste encontro Raquel descobriu o amor de Deus por ela, sentiu-se amada por Ele: "Encontrei-me com o meu Deus, não com o Deus das experiências dos outros; cresceu em mim o desejo de estar mais próximo dele, de rezar mais, de colocar-me a escuta."

Desta forma, Raquel começa a confiar em Deus e diz o seu primeiro sim à vida consagrada. Hoje, Raquel Soares está com 25 anos e se prepara para iniciar o período de formação no Instituto Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe, para depois de três anos, se entregar totalmente a Cristo por meio dos votos de castidade, pobreza e obediência.

Lourdes Crespan
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Vidas que se cruzam: entrega e amor

Ainda adolescente, Marisa Cristina Vieira deixa-se guiar pela sabedoria de uma pessoa querida. Seus olhos atentos observam cada ângulo daquele lugar tão sonhado, que há tempos ouvira dizer. Era como se já fosse seu, íntimo e único.

- Olha que linda imagem, filha.

Marisa estava diante do monumento de Nossa Senhora, na antiga Milícia da Imaculada, em Santo André- SP. Esta apresentação foi o maior presente de sua mãe. "O amor que ela tinha por Nossa Senhora me ajudou a descobrir a minha vocação, a preparar o terreno do meu coração, a estar sensível ao chamado de Deus."

De fato, é com dona Bernadete que Marisa aprende a rezar a consagração a Imaculada. No quarto, a filha tentara rezar a oração por várias vezes, mas sozinha não conseguia. Juntas, se consagram, mãe e filha. Elas estavam unidas por um único fio condutor: o amor incondicional a Virgem Maria.

Seguindo os passos da mãe, Marisa começa a trabalhar também na MI, participa do retiro e se torna membro oficial da associação mariana, missionária e kolbiana, por meio da consagração a Imaculada. Era início dos anos noventa.

Aparentemente, nada mudou; no coração da jovem, somente uma única certeza: sou de Maria, pertenço  a Ela, isto é, sou de Cristo. "A consagração me deu coragem para correr atrás do que eu queria, de conhecer a vontade de Deus para mim, de vencer a timidez, o medo."

A partir de então, Marisa começa a perceber o verdadeiro significado da palavra alegria. Esse sentimento tão buscado e também vivido, ganha novas proporções. Na Milícia, experimenta "a alegria de estar bem em um lugar, da amizade, de poder estar trabalhando para Nossa Senhora, de conhecê-la mais, de amá-la, de se formar".

Sendo assim, troca as baladas de sábado à noite pelo plantão telefônico na rádio. Ali rezava o terço, atendia o telefone, ouvia as pessoas, se doava. "O plantão chamava mais atenção, não que as outras coisas que vivia não me davam alegria, mas esta era maior."

Ela deixa-se guiar e educar, conhece o Instituto Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe e aceita o convite de ir em missão por um mês, na Bolívia. Durante este tempo, percebe a riqueza da vida comunitária, "o quanto é feliz estar juntas em uma família, unidas por um mesmo ideal: rezar juntas, brincar juntas, estar juntas, sair em missão juntas".

Hoje, Marisa é uma consagrada do Instituto e afirma que o mais importante na descoberta vocacional é buscar um acompanhamento espiritual. "Se tivesse me escondido no meu medo, Deus não teria realizado tantas coisas. Eu tive quem me ajudasse. Pude seguir o caminho e vencer o meu próprio medo. Sozinho a gente não consegue."

Lourdes Crespan
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Vocação: comprometimento e abertura!

Milícia da Imaculada! Desta forma a voluntária Bete Lima acolhe a ligação de uma jovem, que gostaria de colocar suas intenções para o santo terço. No diálogo, elas vão se conhecendo e percebendo que Nossa Senhora estava construindo o reino de Cristo.

Marlete, de origem mineira, havia telefonado para agradecer a Deus por meio de Nossa Senhora, a graça de ter encontrado um trabalho. De simples ouvinte, após esta ligação, se torna voluntária da Milícia da Imaculada.

"Nossa Senhora me quer para trabalhar na obra dela, me senti realizada." Assim pensou a recém consagrada ao desligar o telefone. Marlete, no final de semana, havia participado do retiro dos jovens da MI e entregado a sua vida nas mãos da Imaculada.

O ideal de São Maximiliano Kolbe foi conquistando o coração da filha mais nova da família Alves de Lacerda, que antes de chegar em São Paulo, viveu em Minhas Gerais e no Paraná. De sua infância lembra da seringueira que ficava na frente da porta da cozinha e das brincadeiras com os sete irmãos.

Quando criança, ao voltar da escola, escutava sempre a oração da Ave Maria que, pontualmente, às seis horas da tarde, invadia os ouvidos dos habitantes daquela pequena cidade onde morava.

Na terra da garoa, sem as ruas de terras, os campos, as brincadeiras, Marlete se depara com uma outra vida, novas amizades, planos, projetos. Recebe o sacramento do crisma, tinha o desejo de frequentar o grupo de jovens, mas a timidez a impedia.

Foi na Universidade São Marcos, estudando Administração de Empresas, por meio de uma amiga, decide fazer o encontro de jovens, mas era muito longe, por isso, não consegue ir com assiduidade às reuniões.

Mas a grande descoberta de sua vida se dá  na Paróquia Santíssima Virgem, em São Bernardo do Campo, com os jovens da CJC, onde se engaja na equipe de liturgia e vive o retiro da Milícia da Imaculada. "Foi algo realmente mais comprometedor, o encontro."

A consagração a Nossa Senhora transforma a vida da Marlete, que nunca havia pensado em ser freira ou missionária. "Pela primeira vez me senti completa, estava super feliz com aquilo que fazia. Meu caminho na MI me ajudou a dizer o meu primeiro sim."

Mas ao mesmo tempo, sentimentos contrários penetravam em sua alma, ela sempre desejou casar e ter filhos. "Se fazer a consagração como eu tinha feito na MI, enquanto leiga, trabalhando voluntariamente, me realizava, imagina como seria consagrar a vida totalmente a Deus."

Comprometimento e abertura são palavras-chaves para dizer o sim. Hoje, Marlete é Missionária da Imaculada-Padre Kolbe e exerce a função de diretora da comunidade de Campo Grande - MS.

Lourdes Crespan

Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ouvir a voz de Deus

Em uma manhã de sol, o olhar de uma jovem que buscava resposta para a sua vida cristã, encontra nas mãos sujas e nos pés descalços de pessoas que trabalhavam no lixão do Alvarenga, na divisa entre as cidades de São Bernardo e Diadema, em São Paulo, a motivação de sua vida: "Quero fazer a vontade de Deus, aonde o Senhor me mandar eu vou." Era meados de 2000.

Do alto da colina, montanhas de lixos eram derramados dos caminhões, que ali chegavam e logo saiam. Os catadores de lixos ficavam embaixo daquela chuva de restos de coisas que não mais serviam, cada um com seus apetrechos e correndo para separar o melhor produto encontrado para depois ser vendido por quase nada.

Josenilda Araujo de Oliveira não era a única a observar a cena, com ela estava também o Grupo Franciscano e algumas Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe. O objetivo da visita era distribuir as cestas básicas e rezar com aquelas pessoas. "Foi no lixão, através da oração do Pai Nosso, que eu peguei na mão de um deles, suja, olhava para os rostos deles, sujos, para as crianças com os pés no chão; naquela sujeira toda, percebi a presença de Deus."

Durante a oração, um caminhão chega e começa a jogar o lixo. Aquele momento é invadido por uma certa incerteza; no ar um silêncio. De repente uma voz: "Continuem, pegamos o material depois." De mãos dadas, o lixão se torna Igreja e Deus se faz presença. "Uma experiência muito forte, Deus me chamou ali. Deus me chamou no lixão, com os pobres. Ou  me tirou do lixo, era como que me despertasse para a vida, para algo maior, para a presença dele."

Olhando para o céu, era como se Josenilda tivesse ouvido a voz de Deus, nasce nela o desejo de segui-lo. Na época, ela nem sabia o significado da palavra seguir, tão pouco poderia explicar o que era vocação, desejava somente fazer o bem ao próximo. Naquele instante, lembrou de Madre Teresa de Calcutá, que vivia sua doação ao próximo sem querer nada em troca.

Viver a caridade com simplicidade nos ajuda a compreender o projeto de Deus em nossas vidas: "No serviço simples é que encontramos a vocação. No grupo franciscano era muito simples, ajudávamos as pessoas, montávamos as cestas. O importante era o amor que se colocava nelas."

No coração dessa jovem, uma inquietude ardia. "Depois que voltei do lixão, faltava algo, aos poucos percebi que desejava estar mais com Deus, ser totalmente dele." Hoje, Josenilda é uma consagrada com os votos de pobreza, castidade e obediência, mas antes do sim definitivo foi preciso dar o primeiro passo: escutar a voz de Deus por meio da caridade ao próximo.

Que possamos ouvir a voz de Deus assim!

Lourdes Crespan
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe