terça-feira, 11 de novembro de 2014

“Lázaro, vem para fora!... Tomo o seu lugar”

Neste mês de novembro, dedicado à comemoração dos nossos queridos finados, meditamos, sempre a partir do Evangelho, sobre o sentido da vida eterna que é a vida vivida em Deus. No quarto Evangelho lemos: “Lázaro morreu” diz Jesus aos seus discípulos... “Mas vamos para junto dele” ... Marta... vai ao seu encontro e lhe diz: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido...” ... “Teu irmão ressuscitará... Eu sou a ressurreição e a vida” ... “Jesus chorou”. Este é o único versículo em todo o quarto Evangelho que fala do choro de Jesus. O choro de Jesus deve ser entendido com a expressão “verteu lágrimas”, ou seja, “chorou muito”. Jesus verteu lágrimas pela morte do amigo Lázaro, “chorou muito”. Jesus sente uma profunda perturbação diante da morte (v.33: perturbou-se). O nosso mal o perturba profundamente, mais do que se fosse seu: mexe com ele a ponto de tomar o lugar de Lázaro. De morrer por cada um de nós. Deixa-se tocar “na alma” pela dor das irmãs de Lázaro... e “gritou em alta voz: Lázaro, vem para fora!”. Deus chora e grita. Humaníssimo Jesus! Homem como nós, chora diante da morte do amigo. E ao mesmo tempo Deus para nós, grita a alta voz para dispersar o último inimigo, a morte. Lázaro pode vir para fora porque Cristo está entrando na tumba: “Então os sumos sacerdotes e os fariseus... decidiram matá-lo” (Jo 11,11-52). Inverte-se o antigo adágio: mors tua vita mea para mors mea vita tua (Morte tua vida minha para morte minha vita tua). Desde aquele dia, daquele 14 de nisan do ano 30 d.C., não podemos mais dizer, quando estamos envolvidos no vértice da morte: “Senhor, se estivesses aqui!”. Porque o Senhor Jesus está sempre aqui: não deve vir, porque nunca se foi e nunca deixou de estar aqui – como havia prometido – “todos os dias”. Nunca deixou de nos amar, está chorando conosco. Já começou a nos ressuscitar.

Padre Kolbe, como todos, teme a morte, mas se entrega a ela com fé e abandono. Vence a morte doando a sua vida. Ouvindo o pranto de um condenado à morte, perturba-se profundamente a ponto de pedir ao comandante do campo: “Tomo o lugar dele”. “Mors mea vita tua” não é o desprezo pelo mundo, nem o desprezo pelo corpo. É uma doação de si que funciona como contrapeso ao mal do mundo. O acolhe sobre si anulando-o no fogo do amor.

João Paulo II, em sua primeira viajem à Polônia, dirá em Auschwitz (7 de junho 1979): “Maximiliano kolbe conseguiu uma vitória semelhante a do próprio Cristo, através da fé e do amor … Alcançou a mais árdua das vitórias, a do amor capaz de perdoar e de esquecer”. Proclamou-o “ministro da vida” em Niepokalanòw (18 de junho de 1983), e “ministro da morte” em Auschwitz. São Maximiliano é ministro de toda a existência porque crê que “a morte não se improvisa. Se merece com toda a vida”.

Domingo, 16 de fevereiro, o dia anterior à sua prisão, Padre Maximiliano ditou uma meditação para os seus frades. Entre os pontos tocados estão o amor ao próximo e o perdão recíproco. “… Graças ao amor pela Imaculada me torno capaz de perdoar sempre e completamente. Quando o amor pela Imaculada acaba, apaga-se também o nosso amor recíproco. A Imaculada quer que conservemos a harmonia no amor. Queridos filhos, se na terra vivemos no amor, estamos já antegozando o céu. Tudo passará, mas o amor permanece para sempre. Com a amor entraremos na vida eterna, e no céu, na presença da Imaculada, o amor será purificado e elevado ao seu grau mais alto...”.

No dia seguinte, segunda-feira, 17 de fevereiro, deixando o convento de Niepokalanòw para ser deportado, tem apenas uma recomendação a fazer aos seus frades: “Onde quer que forem, não esqueçam de amar”. O amor é o respiro da sua vida. Ele compreendeu o essencial: o amor é mais forte que a morte (cf. Ct 8,6) . Com esta visão de vida pode cantar: “Qual paz e felicidade sentiremos no leito de morte ao lembrar que muito, muitíssimo nós teremos teremos feito e teremos sofrido pela Imaculada…” (SK 1159).

Que graça também nós podermos dizer, no leito de morte, estas mesmas palavras e tudo que Padre Kolbe confidenciou a Rodolfo Diem, médico em Auschwitz: “Rezei para poder amar a todos sem limites, consagrei minha vida para fazer o bem a todos os homens”.

Que a vida de cada um de nós seja um hino ao amor! E a morte? Um abraço Naquele que é procurado desde sempre. Desde sempre desejado e finalmente encontrado.

Angela Esposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

Polônia

Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org