domingo, 31 de março de 2013

Mensagem Urbi Et Orbi do Santo Padre Francisco

Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boa Páscoa! Boa Páscoa!

Que grande alegria é para mim poder dar-vos este anúncio: Cristo ressuscitou! Queria que chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente onde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões...

Sobretudo queria que chegasse a todos os corações, porque é lá que Deus quer semear esta Boa Nova: Jesus ressuscitou, há uma esperança que despertou para ti, já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia! A misericórdia sempre vence!

Também nós, como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio, nos podemos interrogar que sentido tenha este acontecimento (cf. Lc 24, 4). Que significa o fato de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração. E isto é algo que o amor de Deus pode fazer.

Este mesmo amor pelo qual o Filho de Deus Se fez homem e prosseguiu até ao extremo no caminho da humildade e do dom de Si mesmo, até a morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus, este mesmo amor misericordioso inundou de luz o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, o fez passar à vida eterna. Jesus não voltou à vida que tinha antes, à vida terrena, mas entrou na vida gloriosa de Deus e o fez com a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança.

Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória somos nós: o homem vivo (cf. Ireneu, Adversus haereses, 4, 20, 5-7).

Amados irmãos e irmãs, Cristo morreu e ressuscitou de uma vez para sempre e para todos, mas a força da Ressurreição, esta passagem da escravidão do mal à liberdade do bem, deve realizar-se em todos os tempos, nos espaços concretos da nossa existência, na nossa vida de cada dia. Quantos desertos tem o ser humano de atravessar ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor de Deus e ao próximo, quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar. Mas a misericórdia de Deus pode fazer florir mesmo a terra mais árida, pode devolver a vida aos ossos ressequidos (cf. Ez 37, 1-14).

Eis, portanto, o convite que dirijo a todos: acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo! Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus, deixemo-nos amar por Jesus, deixemos que a força do seu amor transforme também a nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus possa irrigar a terra, guardar a criação inteira e fazer florir a justiça e a paz.

E assim, a Jesus ressuscitado que transforma a morte em vida, peçamos para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz. Sim, Cristo é a nossa paz e, por seu intermédio, imploramos a paz para o mundo inteiro.

Paz para o Oriente Médio, especialmente entre israelitas e palestinos, que sentem dificuldade em encontrar a estrada da concórdia, a fim de que retomem, com coragem e disponibilidade, as negociações para pôr termo a um conflito que já dura há demasiado tempo. Paz no Iraque, para que cesse definitivamente toda a violência, e sobretudo para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto. Já foi derramado tanto sangue… Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar antes de se conseguir encontrar uma solução política para a crise?

Paz para a África, cenário ainda de sangrentos conflitos: no Mali, para que reencontre unidade e estabilidade; e na Nigéria, onde infelizmente não cessam os atentados, que ameaçam gravemente a vida de tantos inocentes, e onde não poucas pessoas, incluindo crianças, são mantidas como reféns por grupos terroristas. Paz no leste da República Democrática do Congo e na República Centro-Africana, onde muitos se vêem forçados a deixar as suas casas e vivem ainda no medo.

Paz para a Ásia, sobretudo na península coreana, para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação.

Paz para o mundo inteiro, ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis, ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família – um egoísmo que faz continuar o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa neste século vinte e um. O tráfico de pessoas é realmente a escravatura mais extensa neste século vinte e um! Paz para todo o mundo dilacerado pela violência ligada ao narcotráfico e por uma iníqua exploração dos recursos naturais. Paz para esta nossa Terra! Jesus ressuscitado leve conforto a quem é vítima das calamidades naturais e nos torne guardiões responsáveis da criação.

Amados irmãos e irmãs, originários de Roma ou de qualquer parte do mundo, a todos vós que me ouvis, dirijo este convite do Salmo 117: «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor. Diga a casa de Israel: É eterno o seu amor» (vv. 1-2).

Palavras depois da bênção:

Queridos irmãos e irmãs, a vós aqui reunidos de todos os cantos do mundo nesta Praça, coração da cristandade, e a todos vós que estais conectados através dos meios de comunicação, renovo o meu voto: Feliz Páscoa!

Levai às vossas famílias e aos vossos Países a mensagem de alegria, de esperança e de paz, que a cada ano, neste dia, se renova com vigor.

O Senhor ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, seja o amparo para todos, especialmente para os mais frágeis e necessitados. Obrigado pela vossa presença e pelo testemunho da vossa fé. Uma lembrança e um agradecimento especial pelo dom das belíssimas flores, que provêm dos Países Baixos. A todos repito com afeto: Que Cristo ressuscitado guie a todos vós e à humanidade inteira pelos caminhos de justiça, de amor e de paz.

31 de março de 2013

Papa Francisco

sexta-feira, 29 de março de 2013

As sete dores de Maria Santíssima

Dentro do período de quaresma celebrado pela Igreja Católica, na terça-feira entre o domingo de ramos e domingo de páscoa somos chamados a relembrar as sete dores de Maria, que também é relembrada no dia 15 de setembro de cada ano, dia este dedicado a Nossa Senhora da Dores.

Mas quais serão estas sete dores? Vamos a elas:

1. A primeira dor é quando Jesus é apresentado no templo aos quarenta dias de vida (Lc 2, 34-35) e Maria ouve do velho Simeão: "uma espada transpassará a tua alma". Maria guardava tudo em seu coração e na fé, sabia que tudo estava nas mãos de Deus, porque nada acontece sem que Deus saiba. E Maria entendeu certamente naquela hora que sua vida seria uma vida de sofrimentos.

2. A segunda dor é seu desterro para o Egito, com José e o menino no colo, fugindo da perseguição de Herodes (Mt 2, 13-21). Imagine a dor de uma mãe sabendo que seu filho é perseguido por quem tem poder, as incertezas do exílio em terras desconhecidas, uma viagem penosa pelos desertos do Sinai, o abandono de sua terra e de seus familiares... Maria foge do mal e é um exemplo para fazermos o mesmo. Maria salva seu filho, o filho de Deus e toda a humanidade.

3. A terceira dor de Maria é quando o menino tinha doze anos, se perde de Maria e José em Jerusalém e é procurado por três dias (Lc 2, 41-51). A aflição atinge qualquer mãe quando de repente perde o filho de vista por poucos segundos. Maria mais ainda pois se tratava do filho de Deus. O evangelista diz que quando eles encontraram o menino, Maria disse: “Porque fizeste isso, teu pai e eu estávamos aflitos”. De fato, a única coisa que deve afligir o nosso coração é de perdermos Jesus, porque se perdemos Jesus perdemos tudo.

4. A quarta dor é quando Maria encontra o Filho no caminho do Calvário (Lc 23, 27-31). Ela O encontra coroado de espinhos, flagelado e sangrando. Que mãe poderia passar por um sofrimento tão grande? Mas ela continuou ao lado de Jesus e foi até o Calvário.

5. Na quinta dor, Maria vê Jesus ser crucificado, vê o sangue jorrar de Suas mãos e pés, a cruz ser levantada e participa da agonia indescritível de Jesus até a morte (Jo 19, 25-27). É o golpe mais cruel e mais profundo da espada predita por Simeão.Quem poderia sofrer um martírio maior que este? Nos momentos de glória de Jesus esteve escondida...mas agora, na hora de sua Paixão, ela aparece e se faz presente aos pés da cruz, quando todos fogem. Que lição para nós, que gostamos de ser exaltados!

6. Na sexta dor, a Mãe recebeu nos seus braços o Filho morto, que foi descido da cruz (Mt 27, 55-61). Jesus entregou a ela a humanidade, para que ela fosse a mãe da humanidade.

7. A sétima dor foi a da solidão da mãe que deixou no túmulo o Filho amado. Nessa dor ela não desesperou, não se revoltou e aceitou a vontade de Deus, a quem disse desde o começo: “Faça-se em mim segundo tua palavra.” (Lc 1, 38)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Primeira audiência de Papa Francisco é sobre a Semana Santa

Tenho o prazer de acolher-vos nesta minha primeira Audiência Geral. Com grande reconhecimento e veneração acolho o “testemunho” das mãos do meu amado predecessor Bento XVI. Depois da Páscoa retomaremos as catequeses do Ano da Fé. Hoje gostaria de concentrar-me um pouco sobre a Semana Santa. Com o Domingo de Ramos iniciamos esta Semana – centro de todo o Ano Litúrgico – na qual acompanhamos Jesus em sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Mas o que pode querer dizer viver a Semana Santa para nós? O que significa seguir Jesus em seu caminho no Calvário para a Cruz e a ressurreição? Em sua missão terrena, Jesus percorreu os caminhos da Terra Santa; chamou 12 pessoas simples para que permanecessem com Ele, compartilhando o seu caminho e para que continuassem a sua missão; escolheu-as entre o povo cheio de fé nas promessas de Deus. Falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, ao jovem rico e à pobre viúva, aos poderosos e aos indefesos; levou a misericórdia e o perdão de Deus; curou, consolou, compreendeu; doou esperança; levou a todos a presença de Deus que se interessa por cada homem e cada mulher, como faz um bom pai e uma boa mãe para cada um de seus filhos. Deus não esperou que fôssemos a Ele, mas foi Ele que se moveu para nós, sem cálculos, sem medidas. Deus é assim: Ele dá sempre o primeiro passo, Ele se move para nós. Jesus viveu a realidade cotidiana do povo mais comum: comoveu-se diante da multidão que parecia um rebanho sem pastor; chorou diante do sofrimento de Marta e Maria pela morte do irmão Lázaro; chamou um cobrador de impostos como seu discípulo; sofreu também a traição de um amigo. Nele Deus nos doou a certeza de que está conosco, em meio a nós. “As raposas – disse Ele, Jesus – as raposas têm suas tocas e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8, 20). Jesus não tem casa porque a sua casa é o povo, somos nós, a sua missão é abrir a todos as portas de Deus, ser a presença do amor de Deus.

Na Semana Santa nós vivemos o ápice deste momento, deste plano de amor que percorre toda a história da relação entre Deus e a humanidade. Jesus entra em Jerusalém para cumprir o último passo, no qual reassume toda a sua existência: doa-se totalmente, não tem nada para si, nem mesmo a vida. Na Última Ceia, com os seus amigos, compartilha o pão e distribui o cálice “por nós”. O Filho de Deus se oferece a nós, entrega em nossas mãos o seu Corpo e o seu Sangue para estar sempre conosco, para morar em meio a nós. E no Monte das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, não oferece resistência, doa-se; é o Servo sofredor profetizado por Isaías que se despojou até a morte (cfr Is 53,12).

Jesus não vive este amor que conduz ao sacrifício de modo passivo ou como um destino fatal; certamente não esconde a sua profunda inquietação humana diante da morte violenta, mas se confia com plena confiança ao Pai. Jesus entregou-se voluntariamente à morte para corresponder ao amor de Deus Pai, em perfeita união com a sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós. Na cruz Jesus “me amou e entregou a si mesmo” (Gal 2,20). Cada um de nós pode dizer: amou-me e entregou a si mesmo por mim. Cada um pode dizer este “por mim”.

O que significa tudo isto para nós? Significa que este é também o meu, o teu, o nosso caminho. Viver a Semana Santa seguindo Jesus não somente com a emoção do coração; viver a Semana Santa seguindo Jesus quer dizer aprender a sair de nós mesmos – como disse domingo passado – para ir ao encontro dos outros, para ir para as periferias da existência, mover-nos primeiro para os nossos irmãos e as nossas irmãs, sobretudo aqueles mais distantes, aqueles que são esquecidos, aqueles que tema mais necessidade de compreensão, de consolação, de ajuda. Há tanta necessidade de levar a presença viva de Jesus misericordioso e rico de amor!

Viver a Semana Santa é entrar sempre mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é antes de tudo aquela da dor e da morte, mas aquela do amor e da doação de si que traz vida. É entrar na lógica do Evangelho. Seguir, acompanhar Cristo, permanecer com Ele exige um “sair”, sair. Sair de si mesmo, de um modo cansado e rotineiro de viver a fé, da tentação de fechar-se nos próprios padrões que terminam por fechar o horizonte da ação criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir em meio a nós, colocou a sua tenda entre nós para trazer-nos a sua misericórdia que salva e doa esperança. Também nós, se desejamos segui-Lo e permanecer com Ele, não devemos nos contentar em permanecer no recinto das 99 ovelhas, devemos “sair”, procurar com Ele a ovelha perdida, aquela mais distante. Lembrem-se bem: sair de nós mesmo, como Jesus, como Deus saiu de si mesmo em Jesus e Jesus saiu de si mesmo por todos nós.

Alguém poderia dizer-me: “Mas, padre, não tenho tempo”, “tenho tantas coisas a fazer”, “é difícil”, “o que posso fazer com as minhas poucas forças, também com o meu pecado, com tantas coisas?”. Sempre nos contentamos com alguma oração, com uma Missa dominical distraída e não constante, com qualquer gesto de caridade, mas não temos esta coragem de “sair” para levar Cristo. Somos um pouco como São Pedro. Assim que Jesus fala de paixão, morte e ressurreição, de doação de si, de amor para todos, o Apóstolo o leva para o lado e o repreende. Aquilo que diz Jesus perturba os seus planos, parece inaceitável, coloca em dificuldade as seguranças que se havia construído, a sua ideia de Messias. E Jesus olha para os discípulos e dirige a Pedro talvez uma das palavras mais duras dos Evangelhos: “Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Mc 8, 33). Deus pensa sempre com misericórdia: não se esqueçam disso. Deus pensa sempre com misericórdia: é o Pai misericordioso! Deus pensa como o pai que espera o retorno do filho e vai ao seu encontro, vê-lo vir quando ainda é distante…O que isto significa? Que todos os dias ia ver se o filho retornava a casa: este é o nosso Pai misericordioso. É o sinal que o esperava de coração no terraço de sua casa. Deus pensa como o samaritano que não passa próximo à vítima olhando por outro lado, mas socorrendo-a sem pedir nada em troca; sem perguntar se era judeu, se era pagão, se era samaritano, se era rico, se era pobre: não pergunta nada. Não pergunta essas coisas, não pergunta nada. Vai em seu auxílio: assim é Deus. Deus pensa como o pastor que doa a sua vida para defender e salvar as ovelhas.

A Semana Santa é um tempo de graça que o Senhor nos doa para abrir as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias – que pena tantas paróquias fechadas! – dos movimentos, das associações, e “sair” de encontro aos outros, fazer-nos próximos para levar a luz e a alegria da nossa fé. Sair sempre! E isto com amor e com a ternura de Deus, no respeito e na paciência, sabendo que nós colocamos as nossas mãos, os nossos pés, o nosso coração, mas em seguida é Deus que os orienta e torna fecunda cada ação nossa.

Desejo a todos viver bem estes dias seguindo o Senhor com coragem, levando em nós mesmos um raio do seu amor a quantos encontrarmos.
 
27 de março de 2013.
 
Papa Francisco
 
 

terça-feira, 26 de março de 2013

O segredo mais lindo no jardim do mundo

Cheguei no dia 16 de fevereiro, no entardecer. Julia, Giordana, Maria Luisa, Gabriele, o irmão de Anna Brizzi, acompanharam-me até a fronteira da Bolívia com o Brasil. Depois, esperavam por mim Brunella e Sara, diretora da comunidade de Campo Grande, para continuar a viagem e chegar em Campo Grande.

Fiz uma maravilhosa viagem, apesar das lágrimas que apareciam sobre o meu rosto, e entre as risadas e as lágrimas tocava o meu celular, os mais próximos e mais distantes da terra amada que queriam dar a última saudação; tudo para me da força.

Cheguei em Campo Grande, vi algumas plantas iguais a de Montero, e sorria sozinha, olhava tudo!

Quando cheguei em casa, na minha nova casa, esperavam-me outras duas irmãs, eram as brasileiras, Josimara e Marlete. E aqui, começo a nova aventura, minha Nossa Senhora, tudo novo! Parece mentira, porém é verdade, posso definir como "vida nova".

Agradeço ao Bom Deus e à minha comunidade, posso dizer que sou feliz, cada dia acontece algo que gosto, de verdade, sou feliz, tudo está bem, também a minha saúde; também as irmãs da comunidade preparam um lugar para mim, percebi desde o primeiro dia. Isto me ajuda a entender o quanto é preciosa a vida comunitária, que existe estrada, caminhos, etapas que nos mostram a importância da comunidade, este lugar é para mim, e é um espaço onde se pode continuar a crescer nas pegadas de São Maximiliano e da Imaculada. Agora desejo terminar assim: o segredo mais lindo no jardim do mundo é que de uma alma impura se faz uma alma pura. E então desejo viver aqui, nesta casa; como uma mão que ajuda uma caneta a escrever, assim desejo dar a minha contribuição.

Marisa Banegas Mendoza

 
Mais informações: missionariasdaimaculada@gmail.com



Jovens da Milícia da Imaculada a caminho da Jornada Mundial da Juventude

A Igreja no Brasil, ao propor “Juventude” como tema da Campanha da Fraternidade, nesse tempo de mudança de época, deseja refletir e rezar com os jovens, apresentando-lhes o Evangelho como sentido de vida e, ao mesmo tempo, como missão, já que o Evangelho é nossa vida, nossa existência. Retomamos aqui as palavras dos nossos bispos do Brasil, ditas no Encontro Nacional de Assessores da Juventude, realizado em dezembro do ano passado em Brasília: “Estamos vivendo o Kairós, isto é, tempo de graça”. É por isso que a juventude do movimento da Milícia da Imaculada também está acolhendo este tempo com muita esperança e também, por que não, como um grande desafio a ser vivido na fé. Pois, além disso, neste ano teremos a honra de acolher milhares de jovens de diferentes lugares do mundo inteiro na Jornada Mundial da Juventude que será realizada no Rio de Janeiro (de 23 a 28 de julho) com o tema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). Em preparação, os Jovens da Milícia da Imaculada (JMI) realizarão o VII Meeting Internacional de JMI, com o tema: “A felicidade de todos os homens em Deus, através da Imaculada: eis o nosso ideal” (São Maximiliano Kolbe). Este evento, que é organizado desde 2001 pelas Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe, em Bolonha, na Itália, tem a finalidade de aprofundar a consagração à Imaculada, a espiritualidade de Padre Kolbe e o carisma da MI entre a juventude.
 

Jovens da MI de quatro países vêm ao ABC

 
Alguns Jovens da MI do Brasil já participaram das edições anteriores do Meeting, realizadas na Europa (na Polônia, nos locais por onde passou Padre Kolbe, e em Lourdes, na França), e a partir destas experiências um sonho surgiu em seus corações: sediar o Meeting na América Latina. Aos poucos este sonho está se tornando realidade! Desde o ano passado eles construíram um projeto que tem o objetivo de “criar um ambiente que nos estimule a tomar consciência da nossa identidade como Jovens da MI a nível internacional. Será, além disso, um momento em que poderemos compartilhar experiências e aprofundar-nos, não somente individualmente, mas também no sentido de ser uma comunidade global. Haverá momentos formativos sobre nosso carisma e também de oração e espiritualidade. No entanto, o principal objetivo é conhecer um ao outro, refletirmos juntos sobre a nossa identidade comum e capacitar a juventude da MI a ser uma presença significativa no mundo e na própria MI”, explicou Paulo Schiavon Ara, JMI desde 1997. O Meeting prevê atividades em São Bernardo do Campo (dias 22 e 23 de julho), em Aparecida (dia 24) e no Rio de Janeiro (de 25 a 28) e reunirá jovens dos Estados Unidos, Itália, Bolívia e Argentina.

 
Nesta “peregrinação” até o Meeting, os Jovens da MI caminham com outros três grupos juvenis: Todos Unidos por um Ideal Cristão (TUPIC), da Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; Pastoral Universitária (PU), da Paróquia Santíssima Virgem; e Jovens Kolbianos (JK), da Paróquia São Maximiliano Kolbe. Todos estão se preparando para viver uma profunda e verdadeira preparação para o Meeting e a JMJ. As ações são acompanhadas e orientadas pelas Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe, Missionários da Imaculada-Padre Kolbe, assim como pelo Frei Sebastião Benito Quaglio, presidente da MI. Entre elas estão os momentos formativos, para ajudar nos encontros, com textos, orações e reflexões sobre o Meeting e a JMJ, e também a parte prática, como arrecadação de fundos para as despesas do Meeting e da ida à JMJ. Uma das atividades mais esperadas pelos jovens e pessoas que os apoiam foi o show “Envia-me”, (realizado) no dia 23 de março, no CENFORPE, em São Bernardo do Campo. Juntos, são ocasiões para criar entre os jovens laços de fraternidade, unidade e identidade com o movimento da MI.
 

Encontro com Cristo

 
O ápice de todo este percurso será o próprio encontro de milhares de expressões de carismas diversos dentro da nossa Igreja Católica ao redor do Papa, durante os dias da JMJ no Rio, conscientes de que toda esta preparação tem um único objetivo: encontrar-se com o Cristo. Pois é Ele que nos convoca à unidade na riqueza das nossas diversidades, a celebrar junto a tantos outros jovens a fé que professamos, pois sabemos que a fé se fortalece e cresce na medida em que ela é partilhada.
 
Laida Nuñez Suarez
 
Fonte: Jornal A Boa Notícia - março de 2013
 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Homilia do Papa Francisco na celebração de domingo de ramos

1. Jesus entra em Jerusalém. A multidão dos discípulos acompanha-O em festa, os mantos são estendidos diante d’Ele, fala-se dos prodígios que realizou, ergue-se um grito de louvor: «Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!» (Lc 19, 38).
Multidão, festa, louvor, bênção, paz: respira-se um clima de alegria. Jesus despertou tantas esperanças no coração, especialmente das pessoas humildes, simples, pobres, abandonadas, pessoas que não contam aos olhos do mundo. Soube compreender as misérias humanas, mostrou o rosto misericordioso de Deus e inclinou-Se para curar o corpo e a alma.

Assim é Jesus. Assim é o seu coração, que nos vê a todos, que vê as nossas enfermidades, os nossos pecados. Grande é o amor de Jesus! E entra em Jerusalém assim com este amor que nos vê a todos. É um espectáculo lindo: cheio de luza luz do amor de Jesus, do amor do seu coração, de alegria, de festa.

No início da Missa, também nós o reproduzimos. Agitámos os nossos ramos de palmeira. Também nós acolhemos Jesus; também nós manifestamos a alegria de O acompanhar, de O sentir perto de nós, presente em nós e no nosso meio, como um amigo, como um irmão, mas também como rei, isto é, como farol luminoso da nossa vida. Jesus é Deus, mas desceu a caminhar connosco como nosso amigo, como nosso irmão; e aqui nos ilumina ao longo do caminho. E assim hoje O acolhemos. E aqui temos a primeira palavra que vos queria dizer: alegria! Nunca sejais homens e mulheres tristes: um cristão não o pode ser jamais! Nunca vos deixeis invadir pelo desânimo! A nossa alegria não nasce do facto de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus, que está no meio de nós; nasce do facto de sabermos que, com Ele, nunca estamos sozinhos, mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida é confrontado com problemas e obstáculos que parecem insuperáveis… e há tantos! E nestes momentos vem o inimigo, vem o diabo, muitas vezes disfarçado de anjo, e insidiosamente nos diz a sua palavra. Não o escuteis! Sigamos Jesus! Nós acompanhamos, seguimos Jesus, mas sobretudo sabemos que Ele nos acompanha e nos carrega aos seus ombros: aqui está a nossa alegria, a esperança que devemos levar a este nosso mundo. E, por favor, não deixeis que vos roubem a esperança! Não deixeis roubar a esperança… aquela que nos dá Jesus!

2. Segunda palavra. Para que entra Jesus em Jerusalém? Ou talvez melhor: Como entra Jesus em Jerusalém? A multidão aclama-O como Rei. E Ele não Se opõe, não a manda calar (cf. Lc 19, 39-40). Mas, que tipo de Rei seria Jesus? Vejamo-Lo… Monta um jumentinho, não tem uma corte como séquito, nem está rodeado de um exército como símbolo de força. Quem O acolhe são pessoas humildes, simples, que possuem um sentido para ver em Jesus algo mais; têm o sentido da fé que diz: Este é o Salvador. Jesus não entra na Cidade Santa, para receber as honras reservadas aos reis terrenos, a quem tem poder, a quem domina; entra para ser flagelado, insultado e ultrajado, como preanuncia Isaías na Primeira Leitura (cf. Is 50, 6); entra para receber uma coroa de espinhos, uma cana, um manto de púrpura (a sua realeza será objecto de ludíbrio); entra para subir ao Calvário carregado com um madeiro. E aqui temos a segunda palavra: Cruz. Jesus entra em Jerusalém para morrer na Cruz. E é precisamente aqui que refulge o seu ser Rei segundo Deus: o seu trono real é o madeiro da Cruz! Vem-me à mente aquilo que Bento XVI dizia aos Cardeais: Vós sois príncipes, mas de um Rei crucificado. Tal é o trono de Jesus. Jesus toma-o sobre Si… Porquê a Cruz? Porque Jesus toma sobre Si o mal, a sujeira, o pecado do mundo, incluindo o nosso pecado, o pecado de todos nós, e lava-o; lava-o com o seu sangue, com a misericórdia, com o amor de Deus. Olhemos ao nosso redor… Tantas feridas infligidas pelo mal à humanidade: guerras, violências, conflitos económicos que atingem quem é mais fraco, sede de dinheiro, que depois ninguém pode levar consigo, terá de o deixar. A minha avó dizia-nos (éramos nós meninos): a mortalha não tem bolsos. Amor ao dinheiro, poder, corrupção, divisões, crimes contra a vida humana e contra a criação! E também – como bem o sabe e conhece cada um de nós - os nossos pecados pessoais: as faltas de amor e respeito para com Deus, com o próximo e com a criação inteira. E na cruz, Jesus sente todo o peso do mal e, com a força do amor de Deus, vence-o, derrota-o na sua ressurreição. Este é o bem que Jesus realiza por todos nós sobre o trono da Cruz. Abraçada com amor, a cruz de Cristo nunca leva à tristeza, mas à alegria, à alegria de sermos salvos e de realizarmos um bocadinho daquilo que Ele fez no dia da sua morte.

3. Hoje, nesta Praça, há tantos jovens. Desde há 28 anos que o Domingo de Ramos é a Jornada da Juventude! E aqui aparece a terceira palavra: jovens! Queridos jovens, vi-vos quando entráveis em procissão; imagino-vos fazendo festa ao redor de Jesus, agitando os ramos de oliveira; imagino-vos gritando o seu nome e expressando a vossa alegria por estardes com Ele! Vós tendes um parte importante na festa da fé! Vós trazeis-nos a alegria da fé e dizeis-nos que devemos viver a fé com um coração jovem, sempre: um coração jovem, mesmo aos setenta, oitenta anos! Coração jovem! Com Cristo, o coração nunca envelhece. Entretanto todos sabemos – e bem o sabeis vós – que o Rei que seguimos e nos acompanha, é muito especial: é um Rei que ama até à cruz e nos ensina a servir, a amar. E vós não tendes vergonha da sua Cruz; antes, abraçai-la, porque compreendestes que é no dom de si, no dom de si, no sair de si mesmo, que se alcança a verdadeira alegria e que com o amor de Deus Ele venceu o mal. Vós levais a Cruz peregrina por todos os continentes, pelas estradas do mundo. Levai-la, correspondendo ao convite de Jesus: «Ide e fazei discípulos entre as nações» (cf. Mt 28, 19), que é o tema da Jornada da Juventude deste ano. Levai-la para dizer a todos que, na cruz, Jesus abateu o muro da inimizade, que separa os homens e os povos, e trouxe a reconciliação e a paz. Queridos amigos, na esteira do Beato João Paulo II e de Bento XVI, também eu, desde hoje, me ponho a caminho convosco. Já estamos perto da próxima etapa desta grande peregrinação da Cruz. Olho com alegria para o próximo mês de Julho, no Rio de Janeiro. Vinde! Encontramo-nos naquela grande cidade do Brasil! Preparai-vos bem, sobretudo espiritualmente, nas vossas comunidades, para que o referido Encontro seja um sinal de fé para o mundo inteiro. Os jovens devem dizer ao mundo: é bom seguir Jesus; é bom andar com Jesus; é boa a mensagem de Jesus; é bom sair de nós mesmos para levar Jesus às periferias do mundo e da existência. Três palavras: alegria, cruz, jovens.

Peçamos a intercessão da Virgem Maria. Que Ela nos ensine a alegria do encontro com Cristo, o amor com que O devemos contemplar ao pé da cruz, o entusiasmo do coração jovem com que O devemos seguir nesta Semana Santa e por toda a nossa vida. Assim seja.

Praça de São Pedro
XXVIII Jornada Mundial da Juventude
Domingo, 24 de março de 2013.


Papa Francisco

Fonte: Vaticano

Veja também o vídeo:

http://www.radiovaticana.va/player/index_fb.asp?language=it&tic=VA_7JK9PLWJ

sábado, 23 de março de 2013

Vamos participar da festa da Páscoa

Vamos participar da festa da Páscoa, por enquanto ainda em figuras, embora mais claramente do que na antiga lei (a Páscoa legal era, por assim dizer, uma figura muito velada da própria figura). Mas, em breve, participaremos de modo mais perfeito e mais puro, quando o Verbo vier beber conosco o vinho novo no reino de seu Pai, revelando definitivamente o que até agora só em parte nos mostrou. A nossa Páscoa é sempre nova.
 
Qual é essa bebida e esse conhecimento? A nós compete dizê-lo; e ao Verbo compete ensinar e comunicar essa doutrina a seus discípulos. Porque a doutrina daquele que alimenta é também alimento.

Quanto a nós, participemos também dessa festa ritual, não segundo a letra mas segundo o Evangelho; de modo perfeito, não imperfeito; para a eternidade, não temporariamente. Seja a nossa capital, não a Jerusalém terrestre, mas a cidade celeste; não a que é agora arrasada pelos exércitos, mas a que é exaltada pelo louvor e aclamação dos anjos.

Sacrifiquemos não novilhos ou carneiros com chifres e cascos, vítimas sem vida e sem inteligência; pelo contrário, ofereçamos a Deus um sacrifício de louvor sobre o altar celeste, em união com os coros angélicos. Atravessemos o primeiro véu, aproximemo-nos do segundo e fixemos o olhar no Santo dos Santos.

Direi mais: imolemo-nos a Deus, ou melhor, ofereçamo-nos a ele cada dia, com todas as nossas ações. Façamos o que nos sugerem as palavras: imitemos com os nossos sofrimentos a Paixão de Cristo, honremos com o nosso sangue o seu sangue, e subamos corajosamente à sua cruz.

Se és Simão Cireneu, toma a cruz e segue a Cristo.

Se, qual o ladrão, estás crucificado com Cristo, como homem íntegro, reconhece a Deus. Se por tua causa e por teu pecado ele foi tratado como malfeitor, torna-te justo por seu amor. Adora aquele que foi crucificado por tua causa. Preso à tua cruz, aprende a tirar proveito até da tua própria iniqüidade. Adquire a tua salvação com a sua morte, entra com Jesus no paraíso, e saberás que bens perdeste com a tua queda. Contempla as belezas daquele lugar, e deixa que o ladrão rebelde fique dele excluído, morrendo na sua blasfêmia.

Se és José de Arimatéia, pede o corpo a quem o mandou crucificar; e assim será tua a vítima que expiou o pecado do mundo.

Se és Nicodemos, aquele adorador noturno de Deus, unge-o com perfumes para a sua sepultura.

Se és Maria, ou a outra Maria, ou Salomé, ou Joana, derrama tuas lágrimas por ele.
Levanta-te de manhã cedo, procura ser o primeiro a ver a pedra do túmulo afastada, e a encontrar talvez os anjos, ou melhor ainda, o próprio Jesus.


Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo
(Séc.IV)


Fonte: Liturgia das horas

terça-feira, 19 de março de 2013

Guarda fiel e providente

É esta a regra geral de todas as graças singulares concedidas a qualquer criatura racional: quando a divina providência escolhe alguém para uma graça singular ou para um estado elevado, concede à pessoa assim eleita todos os carismas que são necessários ao seu ministério.

Isto verificou-se de forma eminente em São José, pai putativo do Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da Rainha do mundo e Senhora dos Anjos, que foi escolhido pelo Eterno Pai para guarda fiel e providente dos seus maiores tesouros: o Filho de Deus e a Virgem Maria. E fidelissimamente desempenhou este ofício; por isso lhe disse o Senhor: "Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor!" (Mt 25,21).

Consideremos São José diante de toda a Igreja de Cristo: não é acaso ele o homem eleito e singular, por meio do qual e sob o qual, de modo ordenado e honesto, se realizou a entrada de Cristo no mundo? Se portanto toda a Santa Igreja é devedora à Virgem Mãe, porque por meio dela recebeu Cristo, assim também, logo a seguir a ela, deve a São José uma singular gratidão e reverência.

Ele é na verdade o termo da Antiga Aliança, nele a dignidade dos Patriarcas e dos Profetas alcança o fruto prometido. Ele é o único que realmente alcançou aquilo que a divina condescendência lhes tinha prometido.

E não devemos duvidar que a intimidade, a reverência e a sublime dignidade que Cristo lhe tributou, enquanto procedeu na terra como filho para com seu pai, decerto também lha não negou no Céu, mas antes a completou e consumou.

Por isso, não é sem motivo que o Senhor lhe diz: Entra na alegria do teu Senhor. De fato, apesar de ser a alegria da bem-aventurança eterna que entra no coração do homem, o Senhor prefere dizer-lhe: Entra na alegria, para insinuar misteriosamente que a alegria não está só dentro dele, mas o circunda de todos os lados e o absorve e submerge como abismo sem fim.

Lembrai-vos de nós, São José, e intercedei com as vossas orações junto do vosso Filho; tornai-nos também propícia a Virgem vossa Esposa, que é a Mãe d’Aquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém.

Dos Sermões de São Bernardino de Sena, presbítero
(Séc. XV)

Fonte: Liturgia das horas


 
Queridos irmãos e irmãs!

Agradeço ao Senhor por poder celebrar esta Santa Missa de início do ministério petrino na solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal: é uma coincidência densa de significado e é também o onomástico do meu venerado Predecessor: acompanhamo-lo com a oração, cheia de estima e gratidão.

Saúdo, com afeto, os Irmãos Cardeais e Bispos, os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e as religiosas e todos os fiéis leigos. Agradeço, pela sua presença, aos Representantes das outras Igrejas e Comunidades eclesiais, bem como aos representantes da comunidade judaica e de outras comunidades religiosas. Dirijo a minha cordial saudação aos Chefes de Estado e de Governo, às Delegações oficiais de tantos países do mundo e ao Corpo Diplomático.

Ouvimos ler, no Evangelho, que «José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e recebeu sua esposa» (Mt 1, 24). Nestas palavras, encerra-se já a missão que Deus confia a José: ser custos, guardião. Guardião de quem? De Maria e de Jesus, mas é uma guarda que depois se alarga à Igreja, como sublinhou o Beato João Paulo II: «São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo» (Exort. ap. Redemptoris Custos, 1).

Como realiza José esta guarda? Com discrição, com humildade, no silêncio, mas com uma presença constante e uma fidelidade total, mesmo quando não consegue entender. Desde o casamento com Maria até ao episódio de Jesus, aos doze anos, no templo de Jerusalém, acompanha com solicitude e amor cada momento. Permanece ao lado de Maria, sua esposa, tanto nos momentos serenos como nos momentos difíceis da vida, na ida a Belém para o recenseamento e nas horas ansiosas e felizes do parto; no momento dramático da fuga para o Egito e na busca preocupada do filho no templo; e depois na vida quotidiana da casa de Nazaré, na carpintaria onde ensinou o ofício a Jesus.

Como vive José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projecto d’Ele que ao seu. E isto mesmo é o que Deus pede a David, como ouvimos na primeira Leitura: Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é «guardião», porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: Cristo.
 
Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação!

Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem.
 
Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!

E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.
 
Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo!
 
Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.

A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!

Hoje, juntamente com a festa de São José, celebramos o início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. É certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? À tríplice pergunta de Jesus a Pedro sobre o amor, segue-se o tríplice convite: apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afecto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). Apenas aqueles que servem com amor capaz de proteger.

Na segunda Leitura, São Paulo fala de Abraão, que acreditou «com uma esperança, para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18). Com uma esperança, para além do que se podia esperar! Também hoje, perante tantos pedaços de céu cinzento, há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos nós mesmos esperança. Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! E, para o crente, para nós cristãos, como Abraão, como São José, a esperança que levamos tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo, está fundada sobre a rocha que é Deus.

Guardar Jesus com Maria, guardar a criação inteira, guardar toda a pessoa, especialmente a mais pobre, guardarmo-nos a nós mesmos: eis um serviço que o Bispo de Roma está chamado a cumprir, mas para o qual todos nós estamos chamados, fazendo resplandecer a estrela da esperança: Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu!

Peço a intercessão da Virgem Maria, de São José, de São Pedro e São Paulo, de São Francisco, para que o Espírito Santo acompanhe o meu ministério, e, a todos vós, digo: rezai por mim! Amém.

19 de março de 2013, solenidade de São José.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Primeio angelus de Papa Francisco

Irmãos e irmãs, bom dia!

Depois do primeiro encontro de quarta-feira passada, hoje posso cumprimentar de novo vocês todos. E estou feliz por fazê-lo justamente no domingo que é o Dia do Senhor, e isso para nós cristãos é muito importante e bonito encontrarmo-nos, falarmos, justamente aqui numa praça, uma praça que, como mostra a imprensa, tem o tamanho do mundo.

Esse 5º Domingo de Quaresma nos fala do episódio da mulher adúltera que Jesus salva da condenação à morte. Surpreende essa atitude de Jesus. A gente não ouvi palavras de desprezo; não ouvimos palavras de condenação, mas somente de amor, de misericórdia. Palavras que nos convidam à conversão: “Eu também não te condeno. Vai e, de agora em diante, não peques mais.” (Jo 8,11)

Irmãos e irmãs, o rosto de Deus é um rosto de um Pai misericordioso. Vocês já pensaram na paciência de Deus? Na paciência que ele tem com cada um de nós? É a sua Misericórdia! Ele tem sempre paciência conosco, nos entende, não se cansa de perdoar se soubermos voltar para ele sempre com o coração arrependido. É grande a misericórdia do Senhor, assim diz o salmo.

Nestes dias, eu consegui ler um livro de um cardeal, Cardeal Kasper, um ótimo teólogo, sobre a misericórdia, e aquele livro me fez muito bem. Não, não estou fazendo publicidade do livro do cardeal. Não é isso! Mas, esse livro me fez muito bem, muito bem mesmo! O Cardeal Casper diz nesse livro que ouvir a palavra misericórdia já muda tudo. É a melhor palavra que gente pode ouvir. Ela muda o mundo. Um pouco de misericórdia torna o mundo menos frio e mais justo. Nós precisamos entender bem a misericórdia de Deus. Esse Pai misericordioso que tem tanta paciência. Vamos lembrar o profeta Isaías que afirma que mesmo que nossos pecados fossem vermelhos, o Amor de Deus vai torná-los brancos como a neve. É muito bonita a misericórdia!

Lembro-me que logo que me tornei bispo em 1992, chegou em Buenos Aires a Nossa Senhora de Fátima. Foi feita uma grande Missa para os doentes e fui lá confessar. Quase no fim da Missa eu me levantei porque tinha que fazer uma crisma e veio perto de mim uma senhora idosa, muito humilde, muito simples, com mais de 80 anos. Eu olhei para ela e disse: Vovó, (na Argentina se diz sempre vovó às pessoas idosas) você quer se confessar? Sim, ela respondeu. Mas a senhora não pecou? Ela disse: todos nós pecamos! Mas olha que talvez o Senhor não lhe perdoe. O Senhor vai perdoar todos, disse ela, com certeza! Como a senhora sabe? Se o Senhor não perdoasse tudo, o mundo não existiria, ela respondeu. Então senti a vontade de lhe perguntar se havia estudado na Universidade Gregoriana porque ela usou uma sabedoria interior sobre a misericórdia de Deus. Não esqueçamos jamais essa palavra! Deus nunca cansa de nos perdoar. Mas padre, qual é o problema? Somos nós que nos cansamos de pedir perdão. Somos nós que nos cansamos de pedir. Não nos cansemos mais de pedir perdão porque o Pai é amoroso, é cheio de misericórdia por nós e nos perdoa sempre.

Nós também temos que aprender a ser misericordiosos com todos. Vamos invocar a intercessão de Nossa Senhora que teve em seus braços a misericórdia de Deus feita homem, como menino.

Saúdo cordialmente a todos os peregrinos. Obrigado pela sua acolhida e pelas suas orações. Rezem por mim, eu peço! Dou também um abraço a todos os fiéis de Roma e também a todos vocês que vêm de várias partes da Itália e do mundo, assim como a todos os que estiveram conosco pelos meios de comunicação.

Eu escolhi o nome do padroeiro da Itália, São Francisco de Assis, e isso reforça a minha relação espiritual com esta terra onde, como vocês sabem, estão as origens da minha família. Mas Jesus nos chamou para fazermos partes de uma nova família, a sua Igreja. Nessa família de Deus, caminhamos juntos no caminho do Evangelho.

Que o Senhor os abençoe! Que Nossa Senhora esteja com vocês! Não se esqueçam disso: o Senhor nunca se cansa de perdoar. Somos nós que nos cansamos de perdoar. Um bom domingo e um bom almoço a todos!
17 de março de 2013.
 
Papa Francisco
 
 

 

sábado, 16 de março de 2013

Celebremos com palavras e atos a festa do Senhor que se aproxima

Está próximo de nós o Verbo de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, que se fez tudo por nós, e promete estar conosco para sempre. Ele o proclama com estas palavras: "Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo" (Mt 28,20). E porque quis fazer-se tudo para nós, ele é o nosso pastor, sumo sacerdote, caminho e porta; e é também a nossa festa e solenidade como diz o Apóstolo: "O nosso cordeiro pascal, Cristo, já está imolado" (1Cor 5,7). Cristo, esperança dos homens, veio ao nosso encontro, dando novo sentido às palavras do salmista: "Vós sois a minha alegria; livrai-me daqueles que me cercam" (cf. Sl31,7). Esta é a verdadeira alegria, esta é a verdadeira solenidade: vermo-nos livres do mal. Para tanto, que cada um se esforce por viver em santidade e medite interiormente na paz e no temor de Deus.
 
Os santos, enquanto viviam neste mundo, estavam sempre alegres, como em contínua festa. Um deles, o bem-aventurado Davi, levantava-se de noite, não uma mas sete vezes, para atrair com suas preces a benevolência de Deus. Outro, o grande Moisés, exprimia a sua alegria entoando hinos e cânticos de louvor a Deus pela vitória alcançada sobre o Faraó e sobre todos os que tinham oprimido o povo hebreu. Outros ainda, dedicavam-se alegremente ao exercício contínuo do culto sagrado, como o grande Samuel e o bem-aventurado Elias. Todos eles, pelo mérito das suas obras, já alcançaram a liberdade e celebram no céu a festa eterna. Alegram-se com a lembrança da sua peregrinação terena, vivida entre as sombras do que havia de vir e, passado o tempo das figuras, contemplam agora a verdadeira realidade.
 
E nós, que nos preparamos para a grande solenidade, que caminho havemos de seguir? Ao aproximarem-se as festas pascais, a quem tomaremos por guia? Certamente nenhum outro, amados irmãos, senão aquele a quem chamamos nosso Senhor Jesus Cristo, e que disse: "Eu sou o caminho" (Jo 14,6). É ele, como diz São João, "que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29); é ele que purifica nossas almas, como declara o profeta Jeremias: "Parai um pouco na estrada para observar, e perguntai sobre os antigos caminhos, e qual será o melhor, para seguirdes por ele; assim ficareis mais tranqüilos em vossos corações" (Jr 6,16).
 
Outrora, era com sangue de bodes e a cinza de novilhas que se aspergiam os que estavam impuros, mas só os corpos ficavam purificados. Agora, pela graça do Verbo de Deus, alcançamos a purificação total. Se seguirmos a Cristo, poderemos sentir-nos desde já nos átrios da Jerusalém celeste e saborear de antemão as primícias daquela festa eterna. Assim fizeram os Apóstolos, que foram e continuam a ser os mestres desta graça divina, porque seguiram o Salvador; diziam eles: "Nós deixamos tudo e te seguimos" (Mt 19,17). Sigamos também nós o Senhor; preparemo-nos para celebrar a festa do Senhor não apenas com palavras mas também com nossos atos.
 
Das Cartas pascais de Santo Atanásio, bispo
(Séc.IV)
 
Fonte: Liturgia das horas
 
 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Primeira homilia de Papa Franscisco

Nestas três Leituras vejo algo em comum: O movimento. Na primeira Leitura, o movimento é o caminho, na segunda Leitura, o movimento está na edificação da Igreja, e na terceira, no Evangelho, o movimento está na confissão. Caminhar, edificar e confessar.

Caminhar. Casa de Jacob: “Vinde, caminhemos na luz do Senhor”. Foi esta a primeira coisa que Deus disse a Abraão: "Caminha na minha presença e sê irrepreensível”. Caminhar: a nossa vida é um caminho. Quando paramos, alguma coisa está errada. Caminhar sempre, na presença do Senhor, na luz do Senhor, procurando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pede a Abraão na promessa.

Edificar. Edificar a Igreja, fala-se de pedras. As pedras têm consistência, mas pedras vivas, pedras ungidas pelo Espírito Santo. Edificar a Igreja, Esposa de Cristo, sobre a pedra angular que é o Senhor e com outro movimento da nossa vida, edificar.

 
Terceiro, confessar. Podemos caminhar como quisermos, podemos construir muitas coisas, mas se não confessamos Jesus Cristo, algo está errado. Tornamo-nos numa ONG (Organização Não Governamental) piedosa, mas não na Igreja, esposa do Senhor. Quando não se caminha, pára-se. Quando não se edifica sobre a pedra o que acontece? Sucede como acontece com as crianças na praia quando fazem castelos de areia, tudo desaba, pois não tem consistência. Quando não se confessa Jesus Cristo, vem-me à ideia uma frase de Leon Bloy que diz: "Quem não reza a Deus, reza ao diabo". Quando não se confessa Jesus Cristo, confessa-se o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio.

Caminhar, edificar-construir, confessar, não é tão fácil, porque no caminhar, no construir, no confessar muitas vezes existem abalos, há movimentos que não são movimentos próprios do caminho. São movimentos que nos puxam para trás.

A passagem do Evangelho prossegue com uma situação especial. O próprio Pedro que confessou Jesus Cristo disse-lhe: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Seguir-te-ei, mas não falemos de Cruz. Isso não interessa. Eu seguir-te-ei com outras possibilidades, sem a Cruz". Quando caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos um Cristo sem a Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, sacerdotes, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor".

Gostaria que todos nós, depois destes dias de graça, tivéssemos a coragem –precisamente, a coragem – de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor, de construir a Igreja sobre o sangue do Senhor, derramado na Cruz, e confessar a única glória, Cristo Crucificado. E assim a Igreja caminhará para frente.

Desejo que o Espírito Santo, a oração da Virgem Maria, nossa Mãe, nos conceda a todos nós esta graça: caminhar, edificar e confessar Jesus Cristo Crucificado. Assim seja.

14 de março de 2013.

Papa Francisco

Foto: Rádio Vaticano - Programa Brasileiro

quarta-feira, 13 de março de 2013

Primeiras palavras do Papa Francisco

Irmãos e irmãs, boa-noite!

Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.

E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo… este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!

E agora quero dar a Bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.

Agora dar-vos-ei a Bênção, a vós e a todo o mundo, a todos os homens e mulheres de boa vontade.

Irmãos e irmãs, tenho de vos deixar. Muito obrigado pelo acolhimento! Rezai por mim e até breve! Ver-nos-emos em breve: amanhã quero ir rezar aos pés de Nossa Senhora, para que guarde Roma inteira. Boa noite e bom descanso!"
 
13 de março de 2013.
 
Papa Francisco
 

O que significa Teologia Espiritual ou Espiritualidade?

Segunda aula do Curso de Teologia Espiritual


A Teologia Espiritual estuda a perfeição cristã, a vida cristã como realidade dinâmica, isto é, como caminhada de configuração da personalidade humana, sob a ação do Espírito Santo, até a pessoa atingir a santidade, entendida como perfeição da caridade.
 
O objeto da Teologia Espiritual então, é a vida do cristão, a vida seguno o Espírito, em que encontram lugar e unificação tanto no discurso ascético omo no místico.

O que se entende por aspecto ascético?

É o conjunto de esforços mediante os quais a pessoa quer progredir na vida moral e religiosa. Então chamamos de vida ascética aquela que se esforça por determinar a parte ativa do homem em sua vida espiritual.

A ascese toma em consideração dois planos distintos: de um lado impõe domínios e jugos corporais; de outro supõe exercícios de meditação. Por que estes planos de ação? Porque o asceta, no sentido religioso do termo, não é um desportista que quer manter-se em forma, e sim homem espiritual, que busca progresso pessoal, a conquista da liberdade, a unificação interior e um fim absoluto.


O que se entende por aspecto místico?

É aquilo que a mente humana tem dificuldade de explicar. A vida mística é aquela que experimenta a intervenção direta de Deus na experiência espiritual. Nesse sentido, a parte do homem é mais passiva do que na vida ascética, pois a ação do homem é apenas aquela de “dispor-se” à ação de Deus, que dá início e crescimento à vida espiritual.

Portanto, ascética e mística se distinguem, porém não como dois modos espirituais que se excluem reciprocamente, mas como dois momentos sucessivos que se compenetram e interpenetram.

Marina Melis
Diretora local


Mais informações sobre o curso: https://www.facebook.com/#!/events/621505594532378/

O bem da caridade

Diz o Senhor no Evangelho de João: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (Jo 13,35) E também se lê numa Carta do mesmo Apóstolo: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor." (1Jo 4,7-8)

Examine-se a si mesmo cada um dos fiéis, e procure discernir com sinceridade os mais íntimos sentimentos de seu coração. Se encontrar na sua consciência algo que seja fruto da caridade, não duvide que Deus está com ele; mas se esforce por tornar-se cada vez mais digno de tão grande hóspede, perseverando com maior generosidade na prática das obras de misericórdia.

Se Deus é amor, a caridade não deve ter fim, porque a grandeza de Deus não tem limites.

Para praticar o bem da caridade, amados filhos, todo tempo é próprio. Contudo, estes dias da Quaresma, a isso nos exortam de modo especial. Se desejamos celebrar a Páscoa do Senhor com o espírito e o corpo santificados, esforcemo-nos o mais possível por adquirir essa virtude que contém em si todas as outras e cobre a multidão dos pecados.

Ao aproximar-se a celebração deste mistério que ultrapassa todos os outros, o mistério do sangue de Jesus Cristo que apagou as nossas iniqüidades, preparemo-nos em primeiro lugar mediante o sacrifício espiritual da misericórdia; o que a bondade divina nos concedeu, demo-lo também nós àqueles que nos ofenderam.

Seja, neste tempo, mais larga a nossa generosidade para com os pobres e todos os que sofrem, a fim de que os nossos jejuns possam saciar a fome dos indigentes e se multipliquem as vozes que dão graças a Deus. Nenhuma devoção dos fiéis agrada tanto a Deus como a dedicação para com os seus pobres, pois nesta solicitude misericordiosa ele reconhece a imagem de sua própria bondade.

Não temamos que essas despesas diminuam nossos recursos, porque a benevolência é uma grande riqueza e não podem faltar meios para a generosidade onde Cristo alimenta e é alimentado. Em tudo isso, intervém aquela mão divina que ao partir o pão o faz crescer, e ao reparti-lo multiplica-o.

Quem dá esmola, faça-o com alegria e confiança, porque tanto maior será o lucro quanto menos guardar para si, conforme diz o santo Apóstolo Paulo: "Aquele que dá a semente ao semeador e lhe dará pão como alimento, ele mesmo multiplicará vossas sementes e aumentará os frutos da vossa justiça" (2Cor 9,10), em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

Dos Sermões de São Leão Magno, papa
(Séc. V)


Fonte: Liturgia das horas


 


 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Oração pelo Conclave

"Senhor, nosso Pai,
pela intercessão do vosso discípulo e servo,
Francisco Xavier Nguyên Van Thuân,
concedei a sabedoria do Espírito Santo
para guiar a escolha do novo Santo Padre,
que, como 'Servo dos Servos de Deus',
vos amará de todo o coração
e servirá fielmente a vossa Igreja.
Isto vos pedimos em nome de Jesus Cristo,
nosso Salvador, que abriu os nossos corações
para vos conhecermos, amarmos
e servirmos com fidelidade. Amém."
 
Fonte: Pontifício Conselho da Justiça e da Paz
 
Francisco Xavier Nguyên Van Thuân, cardeal vietnamita, foi presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz. Seu processo de beatificação está em andamento.

 

Como fundiona o conclave?


 

domingo, 10 de março de 2013

Cristo é o caminho para a luz, a verdade para a vida

Diz o Senhor: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8,12). Estas breves palavras contêm um preceito e uma promessa.

Façamos o que o Senhor mandou, para esperarmos sem receio receber o que prometeu, e não nos vir ele a dizer no dia do Juízo: "Fizeste o que mandei para esperares agora alcançar o que prometi?". Responder-te-á: "Disse que me seguistes". Pediste um conselho de vida. De que vida, senão daquela sobre a qual foi dito: "Em vós está a fonte da vida?" (Sl 35,10).

Por conseguinte, façamos agora o que nos manda, sigamos o Senhor, e quebremos os grilhões que nos impedem de segui-lo. Mas quem é capaz de romper tais amarras se não for ajudado por aquele de quem se disse: "Quebrastes os meus grilhões? (Sl 115,7). E também noutro salmo: ''E o Senhor quem liberta os cativos, o Senhor faz erguer-se o caído (Sl 145,7.8).

Somente os que assim são libertados e erguidos poderão seguir aquela luz que proclama: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas". Realmente o Senhor faz os cegos verem. Os nossos olhos, irmãos, são agora iluminados pelo colírio da fé. Para restituir a vista ao cego de nascença, o Senhor começou por ungir-lhe os olhos com sua saliva misturada com terra. Cegos também nós nascemos de Adão, e precisamos de ser iluminados pelo Senhor. Ele misturou sua saliva com a terra: "E a Palavra se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14). Misturou sua saliva com a terra, como fora predito: "A verdade brotou da terra" (cf. Sl 84,12). E ele próprio disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6).

A verdade nos saciará quando o virmos face a face, porque também isso nos foi prometido. Pois quem ousaria esperar, se Deus não tivesse prometido ou dado?

Veremos face a face, como diz o Apóstolo: "Agora, conheço apenas de modo imperfeito; agora, nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face" (1Cor 13,12). E o apóstolo João diz numa de suas cartas: "Caríssimos, desde já somo filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é" (1Jo 3,2). Eis a grande promessa!

Se o amas, segue-o! "Eu o amo, dizes tu, mas por onde o seguirei?" Se o Senhor te houvesse dito: "Eu sou a verdade e a vida", tu que desejas a verdade e aspiras à vida, certamente procurarias o caminho para alcançá-la e dirias a ti mesmo: "Grande coisa é a verdade, grande coisa é a vida! Ah se fosse possível à minha alma encontrar o caminho para lá chegar!".

Queres conhecer o caminho? Ouve o que o Senhor diz em primeiro lugar: "Eu sou o caminho". Antes de dizer aonde deves ir, mostrou por onde deves seguir. Eu sou, diz ele, o caminho. O caminho para onde? "A verdade e a vida". Disse primeiro por onde deves seguir e logo depois indicou para onde deves ir. Eu sou o caminho, eu sou a verdade, eu sou a vida. Permanecendo junto do Pai, é verdade e vida; revestindo-se de nossa carne, tornou-se o caminho.

Não te é dito: "Esforça-te por encontrar o caminho, para que possas chegar à verdade e à vida". Decerto não é isso que te dizem. Levanta-te, preguiçoso! O próprio caminho veio ao teu encontro e te despertou do sono em que dormias, se é que chegou a despertar-te; levanta-te e anda!

Talvez tentes andar e não consigas, porque te doem os pés. Por que estão doendo? Não será pela dureza dos caminhos que a avareza te levou a percorrer? Mas o Verbo de Deus curou também os coxos. "Eu tenho os pés sadios, respondes, mas não vejo o caminho". Lembra-te que ele também deu a vista aos cegos.

Dos Tratados sobre o Evangelho de São João, de Santo Agostinho, bispo
(Séc. V)


Fonte: Liturgia das horas

 


sábado, 9 de março de 2013

Sirvamos a Cristo na pessoa dos pobres

Diz a Escritura: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5,7). A misericórdia não é certamente a última das bem-aventuranças. Lemos também: Feliz de quem pensa no pobre e no fraco (Sl 40,2). E ainda: "Feliz o homem caridoso e prestativo" (Sl 111,5). E noutro lugar: "O justo é generoso e dá esmola" (Sl 36,26). Tornemo-nos dignos destas bênçãos, de sermos chamados misericordiosos e cheios de bondade.
Nem sequer a noite interrompa a tua prática da misericórdia. Não digas: "Vai e depois volta, amanhã te darei o que pedes".Nada se deve interpor entre a tua resolução e o bem que vais fazer. Só a prática do bem não admite adiamento.
"Reparte o teu pão com o faminto, acolhe em tua casa os pobres e peregrinos" (Is 58,7), com alegria e presteza. "Quem se dedica a obras de misericórdia", diz o Apóstolo, "faça-o com alegria" (Rm 12,8). Essa presteza e solicitude duplicarão a recompensa da tua dádiva. Mas o que é dado com tristeza e de má vontade não se torna agradável nem é digno.

Devemos alegrar-nos, e não entristecer-nos, quando prestamos algum benefício. Diz a Escritura: "Se quebrares as cadeias injustas e desligares as amaras do jugo" (Is 58,6), isto é, da avareza e das discriminações, das suspeitas e das murmurações, que acontecerá? A tua recompensa será grande e admirável! "Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa" (Is 58,8). E quem há que não deseje a luz e a saúde?
Por isso, se me julgais digno de alguma atenção, vós, servidores de Cristo, seus irmãos e co-herdeiros, em todas as ocasiões visitemos a Cristo, alimentemos a Cristo, tratemos as feridas de Cristo, vistamos a Cristo, acolhamos a Cristo, honremos a Cristo; não apenas oferecendo-lhe uma refeição, como fizeram alguns, não apenas ungindo-o com perfumes como Maria, não apenas dando-lhe o sepulcro como José de Arimatéia, não apenas dando o necessário para o sepultamento como Nicodemos que dava a Cristo só uma parte do seu amor, nem, finalmente, oferecendo ouro, incenso e mira, como fizeram os magos, antes de todos esses. O Senhor do universo quer a misericórdia e não o sacrifício, e a compaixão tem muito maior valor que milhares de cordeiros gordos. Ofereçamos a misericórdia e a compaixão na pessoa dos pobres que hoje na terra são humilhados, de modo que, ao deixarmos este mundo, eles nos recebam nas moradas eternas, juntamente com o próprio Cristo nosso Senhor, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
 
Dos Sermões de São Gregório de Nazianzo, bispo
(Séc.VI)