terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Um desejo de... silêncio!


No início de um novo ano de graça é normal a troca de desejos de paz, de bênçãos, de prosperidade. Da terra da Polônia chegamos até vocês com um desejo de... silêncio! Um desejo que acolhemos da Palavra de Deus que diz a Elias e a cada um de nós:
“Sai e fica na montanha diante do Senhor. E eis que o Senhor passou. Um grande e impetuoso furacão fendia as montanhas e quebrava os rochedos diante do Senhor, mas o Senhor não estava do furacão; depois do furacão houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto; e depois do terremoto um fogo, mas o Senhor não estava no fogo; e depois do fogo o murmúrio de uma brisa suave. Quando Elias o ouviu, cobriu o rosto com o manto...” (I Rs 19,11-13).
Os fenômenos naturais, barulhentos, presentes no Sinai no momento das dez palavras, aparecem também aqui, mas o texto evidencia que “o Senhor não está ali”. Somente quando se escuta uma voz de silêncio sutil, Elias reconhece a presença do Senhor. O silêncio revela Deus na pequenez. Um Deus misterioso, nunca igual a si mesmo. Os sinais da presença de Deus não são mais assustadores. O profeta deve ser capaz de reconhecer a passagem do Senhor na escuta da voz do silêncio. Aprender a reconhecer Deus lá onde parece ausente. Não é necessário passar sempre do fogo ao vento, do vento à tempestade, também a banalidade quotidiana da vida é lugar privilegiado da presença de Deus. Escutar o que o silêncio diz.

Voz de silêncio sutil é a voz de Padre Kolbe que frequentemente convida a manter a paz interior, independentemente dos acontecimentos da vida, porque “no meio das tempestades, seja interiores que exteriores, é necessário muita, muitíssima tranquilidade” (SK 943). “Durante o Capítulo Provincial de 1936, o Padre Boaventura se pronunciou asperamente e de modo agressivo contra as práticas da vida conventual em Niepokalanów. Ameaçava-se uma áspera discussão entre os defensores e os adversários. O fermento era grande. Padre Maximiliano manteve um equilíbrio e uma calma verdadeiramente heróica, apesar de tais questões dizerem respeito a ele pessoalmente. Ele não elevou a voz em sua defesa e somente repetia: “Será como a Imaculada quiser” (Padre CornelioCzupryk) . “Era cheio de cordialidade para com aqueles Confrades que lhe causavam desgostos, às vezes mesmo involuntários. Falando-me das dificuldades tidas com o Padre Constâncio em Nagasaki, disse-me: “Rezo para que a Imaculada direcione tudo para o bem” (Frei Ferdinando Maria Kasz). Padre Kolbe repetia frequentemente uma máxima de São João da Cruz: “Procure fazer com que nada possa te dar aborrecimentos e tu, não deixar-te aborrecer por nada. Deixa para lá e recolhe-te na intimidade com o teu Deus”. Às vezes – contam as testemunhas – Padre Kolbe, em seus encontros pessoais com os frades, dá apenas o seu serviço de escuta. Com o seu silêncio os obriga, quase, a descer a um nível mais profundo e os reconduz a relativizar as suas ações para dedicar-se ao verdadeiro caminho – específico de cada crente, de cada consagrado – o caminho do amor. Dirige a eles um convite:
“Coloquemos na Imaculada a nossa confiança, rezemos e vamos em frente na vida com tranquilidade e serenidade” (SK 935). A atividade externa é boa, mas obviamente, é de importância secundária e ainda menos em confronto com a vida interior, com a vida de recolhimento, de oração, com a vida do nosso amor pessoal para com Deus” (SK 903).

“É no silêncio interior que a alma se purifica e pode renascer como no silêncio primordial das águas intra-uterinas: 'No ventre de Maria a alma deve renascer de acordo com a forma de Jesus Cristo'” (SK 1295).
Recomenda frequentemente o silêncio (cf. SK 515) e se lamenta quando ele mesmo não consegue vivê-lo plenamente (cf. SK 920).Em silêncio e com paciência acolhe as críticas, acusações, traições.
Tudo natural para ele? Nada disso! “Era quente por natureza e calmo por virtude” para escutar uma voz de silêncio sutil e ver a presença de Deus que se esconde nas dobras tortas e retorcidas da vida.

Nas “Babéis” do nosso tempo transtornado ninguém escuta mais ninguém. “Ninguém tem tempo de escutar-vos, nem mesmo aqueles que vos amam e estariam prontos para morrer por vós” afirma com frieza uma personagem de um famoso romance: “o meu coração escuta” de Taylor Caldwell. Padre Kolbe doa tempo, todo o tempo que é necessário para escutar cada um de seus irmãos e se alegra quando vislumbra no rosto da pessoa a quem se aproxima, com a escuta e a acolhida, um vislumbre de serenidade para encaminharem-se juntos na estrada da confiança e da ternura.

Bom ano com Maria, a Virgem da escuta e do silêncio.

Angela Esposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe
Polônia

Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org