sexta-feira, 15 de junho de 2012

Coração Imaculado de Maria

Intercedei por nós, santa mãe de Deus
A liturgia de hoje nos apresenta a celebração do Coração Imaculado de Maria. Para melhor celebrarmos este dia, cabe saber, como que esta devoção aparece na história da Igreja.  Primeiro, vemos o seu fundamento nos textos bíblicos (Lucas 2,10 e 2,51) onde o coração de Maria é a sede do encontro com Deus, lugar de princípio de vida, vontade, intimidade, memória. É no coração que Maria lembra os fatos, reinterpreta-os para compreendê-los e vivê-los, conforme o projeto do Pai.

Em seguida, a Tradição (Padres da Igreja) olha para estes textos bíblicos e desenvolve o seu conteúdo por meio de belíssimas reflexões. Por exemplo, diz Gregório Taumaturgo que o coração de Maria é o vaso que recebe todos os mistérios. Deste período, passando pela "a aparição (Fátima) de julho de 1917 onde a mensagem sobre o coração de Maria se enriquece, assumindo uma dimensão mundial e eclesial” até o Concilio Ecumênico Vaticano II, se desenvolveu o tema, tipicamente agostiniano, da concepção do Verbo primeiro no coração e depois no ventre.

Ao lado desse conhecimento histórico (bíblia, tradição, magistério e reflexão teológica atual) está a vivencia dessa mensagem, e que para nós – consagrados à Imaculada – adquire com o testemunho de São Maximiliano uma qualidade bem especial. Ele diz em seus escritos: “Cada um de nós deve preocupar-se unicamente em harmonizar, conformar, fundir, por assim dizer, completamente a própria vontade com a vontade da Imaculada, assim como a vontade dela está completamente unida à vontade de Deus, o seu Coração ao Coração do seu Filho Jesus” (SK 1160).

Maximiliano fez do coração de Maria o lugar do seu encontro com o Senhor, lugar de acolhimento da vontade do Pai. Compreendeu que este coração oferece ao cristão condições para permanecer fiel no seguimento de Jesus e ao seu projeto de amor pelas pessoas. Que a espiritualidade desta devoção possa tecer a nossa história e a nossa vida.

Rosana de Jesus Coelho

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Coração de Jesus, ensinai-nos a amar
A festa nasce, de forma especial, no século XVII, na França, com Santa Margarida Maria Alacoque. Em junho de 1675, a Santa recebe a visão de Jesus, que diz: "Eis o Coração que amou tanto os homens, que nada poupou até esgotar-se e consumir-se para lhes testemunhar seu amor e por reconhecimento não recebe da maior parte deles senão ingratidões".

A devoção da imagem do Coração de Jesus, das horas santas de reparação e da consagração das pessoas ao Coração de Jesus, chega até São Maximiliano Kolbe, que escreve: "Sobre a devoção ao Coração de Jesus podemos dizer muitas coisas estupendas. Quero ressaltar apenas o fato de que não podemos nos contentar de nenhum modo com um amor qualquer ao Coração de Jesus... Aspiramos um amor perfeito, ou seja, amar a Jesus com o coração de Maria".

Em 1889, a Igreja, por meio do Papa Leão XIII, consagra o gênero humano ao Coração de Jesus. O culto é definitivamente aprovado, em 1956, pelo Papa Pio XII. Em 1955, o Brasil se consagra ao Sagrado Coração de Jesus.

Lourdes Crespan

terça-feira, 12 de junho de 2012

Santo Antônio de Pádua - Presbítero e doutor da Igreja

Santo Antônio, rogai por nós!
Nasceu em Lisboa (Portugal), no final do século XI. Foi recebido entre os Cônegos Regulares de Santo Agostinho, mas pouco depois de sua ordenação sacerdotal transferiu-se para a Ordem dos Frades Menores com a intenção de dedicar-se à propagação da fé entre os povos da África. Foi entretanto na França e na Itália que ele exerceu com excelentes frutos o ministério da pregação, convertendo muitos hereges. Foi o primeiro professor de teologia na sua Ordem. Escreveu vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Morreu em Pádua no ano de1231.

A palavra é viva quando são as obras que falam

Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando os outros as vêem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras.
Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos
amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas
folhas. Diz São Gregório: “Há uma lei para o pregador: que faça o que prega”. Em vão
pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.
Os apóstolos, entretanto, “falavam conforme o Espírito Santo os inspirava” (cf. At 2,4).
Feliz de quem fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não conforme suas idéias!
Pois há alguns que falam movidos pelo próprio espírito e, usando as palavras dos
outros, apresentam-nas como suas, atribuindo-as a si mesmos. Destes e de outros
semelhantes, diz o Senhor por meio do profeta Jeremias: “Terão de se haver comigo os
profetas que roubam um do outro as minhas palavras. Terão de se haver comigo os
profetas, diz o Senhor, que usam suas línguas para proferir oráculos. Eis que terão de
haver-se comigo os profetas que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, que os
contam, e seduzem o meu povo com suas mentiras e seus enganos. Mas eu não os
enviei, não lhes dei ordens, e não são de nenhuma utilidade para este povo – oráculo
do Senhor" (Jr 23,30-32).
Falemos, portanto, conforme a linguagem que o Espírito Santo nos conceder; e
peçamos-lhe humilde e devotamente que derrame sobre nós a sua graça, a fim de
podermos celebrar o dia de Pentecostes com a perfeição dos cinco sentidos e na
observância do decálogo. Que sejamos repletos de um profundo espírito de contrição e
nos inflamemos com essas línguas de fogo que são os louvores divinos. Desse modo,
ardentes e iluminados pelos esplendores da santidade, mereceremos ver o Deus Uno e
Trino.
Dos Sermões de Santo Antônio (séc. XII)

Oremos:

Deus eterno e todo-poderoso, que destes Santo Antônio ao vosso povo como insigne
pregador e intercessor em todas as necessidades,fazei-nos, por seu auxílio, seguir os
ensinamentos da vida cristã, e sentir a vossa ajuda em todas as provações.Por nosso
Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Santo Antônio, rogai por nós!

Fonte: Liturgia das Horas

quinta-feira, 7 de junho de 2012


Encontro com o grande rei

Amor à eucaristia: centro da vida de Padre Kolbe
São Maximiliano Kolbe experimentou a união íntima com Jesus presente na eucaristia. Esta experiência de forte amor eucarístico tinha sido assumida por ele dentro da sua família. Em Pabianice, de fato, como lembra Antonina Koch: "Nos domingos e nas festas os Kolbes frequentavam a Igreja, como todos faziam naquela época, indo juntos para as celebrações". E não foi sem razão que lá, na Igreja de São Mateus, o jovem Raimundo recebeu a visão das duas coroas: a branca e a vermelha.

O testemunho mais bonito sobre a sua devoção eucarística durante o período dos estudos em Roma, Itália, nos é dado pelo Padre José Pal: "O amor a Jesus Sacramentado a Nossa Senhora tocava o piedosíssimo coração dele até as suas fibras mais íntimas. Inscreve-se para a adoração perpétua no Mosteiro das Irmãs Adoradoras fora da Porta Pia. Nós éramos um pouco doentes, com a permissão do Padre Reitor, saíamos juntos, só nos dois; a nossa caminhada consistia em visitar as Igrejas onde tinha a exposição do Santíssimo, especialmente aquela do Sagrado Coração, perto do Quirinale, onde tinha adoração perpétua.

Podemos dizer que a cada hora do dia ele visitava o Santíssimo, pois, antes e depois de cada aula ou recreação e, à noite, era quase sempre o último a sair da capela. Enfim, desde quando foi ordenado sacerdote, celebrava todos os dias com muitíssimo recolhimento e devoção. Dava para ler em seus olhos que era totalmente imerso no sobrenatural".

Revista O Mílite - 2005

quarta-feira, 6 de junho de 2012


Ó precioso e admirável banquete!

Capela das Missionárias - Foto: Lourdes Crespan
O unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da sua divindade, assumiu nossa natureza, para que, feito homem, dos homens fizesse deuses.
Assim, tudo quanto assumiu da nossa natureza humana, empregou-o para nossa salvação. Seu corpo, por exemplo, ele o ofereceu a Deus Pai como sacrifício no altar da cruz, para nossa reconciliação; seu sangue, ele o derramou ao mesmo tempo como preço do nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados.
Mas, a fim de que permanecesse para sempre entre nós o memorial de tão imenso benefício, ele deixou aos fiéis, sob as aparências do pão e do vinho, o seu corpo como alimento e o seu sangue como bebida.
Ó precioso e admirável banquete, fonte de salvação e repleto de toda suavidade! Que há de mais precioso que este banquete? Nele, já não é mais a carne de novilhos e cabritos que nos é dada a comer, como na antiga Lei, mas é o próprio Cristo, verdadeiro Deus, que se nos dá em alimento. Poderia haver algo de mais admirável que este sacramento?
De fato, nenhum outro sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais.
É oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, para que aproveite a todos o que foi  instituído para a salvação de todos.
Ninguém seria capaz de expressar a suavidade deste sacramento; nele se pode saborear a doçura espiritual em sua própria fonte; e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável amor que Cristo demonstrou para conosco em sua Paixão.
Enfim, para que a imensidade deste amor ficasse mais profundamente gravada nos corações dos fiéis, Cristo instituiu este sacramento durante a última Ceia, quando, ao celebrar a Páscoa com seus discípulos, estava prestes a passar deste mundo para o Pai.
A Eucaristia é o memorial perene da sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança e o maior de todos os milagres que Cristo realizou. É ainda singular conforto que ele deixou para os que se entristecem com sua ausência.

Das obras de Santo Tomás de Aquino - séc. XIII

Fonte: Liturgia das Horas