terça-feira, 29 de julho de 2014

Felizes os que mereceram receber a Cristo em sua casa

As palavras de nosso Senhor Jesus Cristo nos advertem que, em meio à multiplicidade das ocupações deste mundo, devemos aspirar a um único fim. Aspiramos porque estamos a caminho e não em morada permanente; ainda em viagem e não na pátria definitiva; ainda no tempo do desejo e não na posse plena. Mas devemos aspirar, sem preguiça e sem desânimo, a fim de podermos um dia chegar ao fim.

Marta e Maria eram irmãs, não apenas irmãs de sangue, mas também pelos sentimentos religiosos. Ambas estavam unidas ao Senhor; ambas, em perfeita harmonia, serviam ao Senhor corporalmente presente. Marta o recebeu como costumam ser recebidos o peregrinos. No entanto, era a serva que recebia o seu Senhor; uma doente que acolhia o Salvador; uma criatura que hospedava o Criador. Recebeu o Senhor para lhe dar o alimento corporal, ela que precisava do alimento espiritual. O Senhor quis tomar a forma de servo e, nesta condição, ser alimentado pelos servos, por condescendência, não por necessidade. Também foi por condescendência que se apresentou para ser alimentado. Pois tinha assumido um corpo que lhe fazia sentir fome e sede.

Portanto, o Senhor foi recebido como hóspede, ele que veio para o que era seu, e os seus não o acolheram. Mas, a todos que o receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,11-12). Adotou os servos e os fez irmãos; remiu os cativos e os fez co-herdeiros. Que ninguém dentre vós ouse dizer: Felizes os que mereceram receber a Cristo em sua casa! Não te entristeças, não te lamentes por teres nascido num tempo em que já não podes ver o Senhor corporalmente. Ele não te privou desta honra, pois afirmou: Todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes (Mt 25,40).

Aliás, Marta, permite-me dizer-te: Bendita sejas pelo teu bom serviço! Buscas o descanso como recompensa pelo teu trabalho. Agora estás ocupada com muitos serviços, queres alimentar os corpos que são mortais, embora sejam de pessoas santas. Mas, quando chegares à outra pátria, acaso encontrarás peregrinos para hospedar? encontrarás um faminto para repartires com ele o pão? um sedento para dares de beber? um doente para visitar? um desunido para reconciliar? um morto para sepultar? Lá não haverá nada disso. Então o que haverá? O que Maria escolheu: lá seremos alimentados, não alimentaremos. Lá se cumprirá com perfeição e em plenitude o que Maria escolheu aqui: daquela mesa farta, ela recolhia as migalhas da palavra do Senhor.

Queres realmente saber o que há de acontecer lá? É o próprio Senhor quem diz a respeito de seus servos: Em verdade eu vos digo: ele mesmo vai fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá (Lc 12,37).

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo (Séc. V)

sábado, 26 de julho de 2014

Vós os conhecereis pelos seus frutos

Estava determinado que a Virgem Mãe de Deus iria nascer de Ana. Por isso, a natureza não ousou antecipar o germe da graça, mas permaneceu sem dar o próprio fruto até que a graça produzisse o seu. De fato, convinha que fosse primogênita aquela de quem nasceria o primogênito de toda a criação, no qual todas as coisas têm a sua consistência (cf. Cl 1,17).

Ó casal feliz, Joaquim e Ana! A vós toda a criação se sente devedora. Pois foi por vosso intermédio que a criatura ofereceu ao Criador o mais valioso de todos os dons, isto é, a mãe pura, a única que era digna do Criador.

Alegra-te, Ana estéril, que nunca foste mãe, exulta e regozija-te, tu que nunca deste à luz (Is 54,1). Rejubila-te, Joaquim, porque de tua filha nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; o nome que lhe foi dado é: Anjo do grande conselho, salvação do mundo inteiro, Deus forte (Cf. Is 9,5). Este menino é Deus.

Ó casal feliz, Joaquim e Ana, sem qualquer mancha! Sereis conhecidos pelo fruto de vossas entranhas, como disse o Senhor certa vez: Vós os conhecereis pelos seus frutos (Mt 7,16). Estabelecestes o vosso modo de viver da maneira mais agradável a Deus e digno daquela que de vós nasceu. Na vossa casta e santa convivência educastes a pérola da virgindade, aquela que havia de ser virgem antes do parto, virgem no parto e continuaria virgem depois do parto; aquela que, de maneira única, conservaria sempre a virgindade, tanto em seu corpo como em seu coração.

Ó castíssimo casal, Joaquim e Ana! Conservando a castidade prescrita pela lei natural, alcançastes de Deus aquilo que supera a natureza: gerastes para o mundo a mãe de Deus, que foi mãe sem a participação de homem algum. Levando, ao longo de vossa existência, uma vida santa e piedosa, gerastes uma filha que é superior aos anjos e agora é rainha dos anjos.

Ó formosíssima e dulcíssima jovem! Ó filha de Adão e Mãe de Deus! Felizes o pai e a mãe que te geraram! Felizes os braços que te carregaram e os lábios que te beijaram castamente, ou seja, unicamente os lábios de teus pais, para que sempre e em tudo conservasses a perfeita virgindade! Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos, exultai e cantai salmos (cf. Sl 97,4-5). Levantai vossa voz; clamai e não tenhais medo.

Dos Sermões de São João Damasceno, bispo (Séc VIII)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Voar cada vez mais alto

Está chegando o final da minha experiência na Itália! Foram nove meses  de aprofundamento do nosso carisma. Cheguei em 09 de outubro e retorno no Brasil dia 15 de julho. Vivi momentos fortes em que alimentei a minha vida espiritual e de comunhão, aprofundei  minha vida missionária e solidifiquei minhas raízes. Minha bagagem está plena de conhecimento, aprendizado e sobretudo estou reavivada.

Essa experiência foi possível porque sigo os passos de três grandes santos, pessoas valentes que, com a simplicidade e o sacrifício de suas vidas, um dia, abriram caminhos e fizeram estradas  para que hoje eu pudesse passar e mergulhar nessa nascente e provar em profundidade o amor misericordioso do Senhor. Estas três pessoas são: Maria, São Maximiliano Kolbe e Padre Luigi Faccenda.

Fazer a experiência de descer em profundidade me fez descobrir os meus dons, me desprender dos medos e obter asas para voar cada vez mais alto com a liberdade de um pássaro e proclamar o quanto o Senhor me ama, nos ama.

Agradeço a Deus e ao Instituto na pessoa da Diretora Giovanna Venturi, por me permitir de viver essa experiência, pela atenção, disponibilidade, paciência e por ter sempre ouvidos e o coração abertos, prontos para escutar e como seta, apontar o caminho orientando tudo e colocando nas mãos do Senhor. Agradeço a missionária Elisabetta Corradini, responsável pelas professas temporárias que, através do seu testemunho e amor à vida consagrada me acompanhou, me ajudou a crescer na vida spiritual e humana.

Agradeço de coração as três comunidades do Vilaggio - Bologna (casa Mãe, onde tudo começou). A comunidade apostólica que foi uma escola onde aprendi a ver, não o que os meus olhos querem me mostrar, mas olhar as coisas e as pessoas com os olhos de Deus. Pois creio que Deus vê, o que ainda não somos, mas podemos nos tornar. Eis a beleza do nosso carisma, pois com isso, quero dizer que o Senhor trabalha  no contrário da minha vida, naquilo que não vejo, aos poucos Deus se revela.

Agradeço a comunidade Padre Kolbe onde ficam as missionárias que tem como apostolado a coisa mais sublime que é a oração, ou seja, rezam pela nossa missão e apostolado e mantém viva as raízes do Instituto, através do exemplo de vida, oferta e por manter viva e presente as palava de Padre Luigi Faccenda, através da historia, dificuldades,  alegrias  e continuidade da nossa missão. Me ajudaram a aprofundar minhas raízes e levar tudo na oraçao, dizia São maximiliano: “a oração faz renascer o mundo”, e posso acrescentar, o mundo externo, interno, a nosso redor... foi isso que experimentei.

Agradeço a comunidade do Cenáculo Mariano. A cada criança das famílias que participavam do encontro uma vez ao mês e aos jovens da Milícia: Massimiliano Bonfiglioli, Cristina, Emily, Gianluca, Elisabetta Corzani, onde preparávamos brincadeiras, jogos, filmes, catequese, atividades várias para as crianças. Brincávamos juntos, enquanto os pais das crianças faziam encontro de formaçao humana e espirtual. Aprendi muito com esses super educadores, em especial que eu tenho o dom para trabalhar com as crianças.

Agradeço a cada grupo de vida fraterna: Palermo, Verona,  Roma, Pian del Voglio, Polônia e Luxemburgo, que me acolheu durante essa experiência e dividiu comigo o tempo,  a vida, o apostolado e a oração.

À Paroquia São Martinho em clausula na pessoa de Don Giuseppe, por cada jovem e  paroquiano que me acolheram com tanto afeto e me doaram tanta alegria.

Enfim, por cada pessoa que encontrei, por cada experiência que fiz e pessoas que conheci. Voluntários, benfeitores, todos, pois tenho medo que falte alguém.

Tenho no coração muita gratidão por essa experiência, peço a Deus a graça de colocar tudo o que recebi a serviço dessa família consagrada e de onde o Senhor me chama, afinal, consagrei minha vida ao Senhor!

Que a graça de Deus e a força do Espírito Santo guie nossos passos e missão. Até logo, pois é  agora que começa a missão no mundo! Um abraço a todos.

Josimara Francisca dos Santos - Missionária da Imaculada Padre Kolbe
Campo Grande - MS