sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Olhar para o passado, construir o presente, sonhar com o futuro

Caríssimas Missionárias e Voluntários,
é meu desejo chegar até cada um de vocês através de uma mensagem de alegria, aquela alegria – como nos lembra papa Francisco – que brota no coração de quem encontrou Cristo e fez experiência do seu amor (cf. Papa Francisco, Evangelii gaudium, 1).
É a alegria que deve nos acompanhar neste ano jubilar que estamos começando: o 60° aniversário do nascimento do nosso Instituto em 11 de outubro de 1954.

60 anos... guiados por um sonho

É o tema/slogan que dará ritmo e vida ao caminho dos próximos meses: de 11 de outubro de 2014 a 11 de outubro de 2015, e nos fará entrar no coração deste aniversário que vem renovar-nos na nossa identidade e missão na Igreja e no mundo.

60 anos de vida

Rostos, histórias, eventos, encontros, projetos e esperanças… uma longa história para ser contada e partilhada, que cada um contribuiu para escrever e torná-la mais bela, mais verdadeira, mais fiel à vocação recebida.

60 anos de paixão missionária

Em caminho através das estradas dos homens para viver o estupor da semente que lançada no campo floresce e dá fruto; para saborear a alegria do carisma mariano-missionário encarnado na realidade de povos e culturas diversas.

60 anos de desafios

Fieis a Deus num mundo em contínua transformação que muitas vezes mina as nossas certezas e nos provoca a buscar novas respostas, a trilhar novos caminhos.

60 anos com Maria

O canto dela torna-se também o nosso e com ela dizemos: Magnificat! Obrigada, Senhor, por cada dia de luz e por cada momento de sofrimento; por cada pequena alegria e por cada dor. Obrigada, por todas as vezes em que o amor mostrou o seu rosto e fez prodígios. De geração em geração também nós cantaremos a fidelidade e a misericórdia de Deus que se inclina sobre os pequenos e os pobres. 

Entre passado, presente e futuro


Juntos, guiados pelo Espírito… queremos fazer três passos nos quais passado, presente e futuro se entrelaçam, se evocam, se perseguem, para continuar a escrever, conosco e através de nós,  páginas de vida e de esperança.

Olhar para o passado

A celebração de um aniversário, como acontece em todos os momentos celebrativos que acompanham a existência humana, faz-nos olhar para o passado. É lindo reler as páginas da nossa vida, o segredo porém é não deixar que a saudade predomine e com a saudade chorar pelas coisas e tempos que não voltarão mais.
Olhemos para trás, mas com sentimentos de gratidão e de louvor. Percorramos de novo as etapas do nosso caminho, voltando às origens, na fonte do dom que Deus nos confiou através do nosso fundador, padre Luigi, com a atitude do «mercador que busca pérolas preciosas; quando encontra uma pérola de grande valor, vai, vende todos os seus bens e a compra» (Mt 13,45-46). Redescubramos a preciosidade da pérola que nos foi confiada: o carisma mariano-missionário e com ele o chamado para sermos no mundo fermento de vida nova e evangélica.
O passado é motivo de gratidão para com Deus, para com Padre Luigi, para com as irmãs que em primeiro lugar se colocaram a caminho, para com todos aqueles que ao longo dos anos entraram e fazem parte da nossa Família. Sobre este terreno sólido e fecundo podemos continuar a construir o nosso presente e a sonhar com o nosso futuro.
   
•    O 60° aniversário do Instituto, na sua fase conclusiva, coincidirá com os dez anos da morte do padre (2005 – 2015). A homenagem mais bela que podemos fazer para o nosso fundador é retomar nas mãos os seus escritos para manter vivo o espírito e caminhar no sulco da herança que nos deixou como dom.

Construir o presente

Cada um de nós, de modos e tempos diversos, pode sentir-se protagonista desses 60 anos de história. A um certo ponto da nossa vida – usando uma imagem muito amada pelo padre Luigi – subimos no trem do Instituto (OVS, IX, 37-40; Solo l’amore crea, 30-33), tomamos o nosso lugar e fizemos nosso o seu percurso.

O 60° aniversário  é ocasião para renovar e remotivar a nossa pertença ao Instituto e sentir-nos responsáveis da sua vida e da sua missão.
É por isso que convido-vos para dar a este ano um particular tom vocacional. Uma escolha amadurecida também pela coincidência do Ano da Vida consagrada que Papa Francisco decretou para o ano de 2015, convidando todos os consagrados a “gritar” para o mundo com força e com alegria a santidade e a vitalidade que estão presentes na vida consagrada.

Muitas vezes o padre falou da vocação. Nos disse de amar as vocações, de rezar pelas vocações, de trabalhar pelas vocações. Entre os seus muitos escritos cito um que coloca evidencia sobre o amor, o motor que move cada coisa.
«Ama apaixonadamente as vocações missionárias.
Eu disse “apaixonadamente” porque Jesus amou com paixão cada homem, cada pecador e cada fiel seguidor dele.
Ama as vocações… ama-as rezando; ama-as oferecendo; ama-as propondo; ama-as testemunhando; ama-as doando tudo ou parte de ti mesmo; ama-as ajudando as missões do teu Instituto; ama-as com aquele profundo sofrimento que enfrentou Jesus no jardim do Getsemani e depois, ainda mais intensamente, na cruz» (OVS, IX, 51-52).

Deixemos que esta paixão capture o coração de cada missionária e de cada voluntário.

•    Cuidemos e guardemos como um tesouro precioso a vocação recebida, na fidelidade cotidiana, na comunhão fraterna, no impulso da missão.
•    Rezemos para interceder junto de Deus o dom de novas vocações para o Instituto. Redescubramos e valorizemos, neste sentido, o espírito de oferta e de sacrifício (cf. OVS, IV, 17-18), coloquemos sinais concretos, façamos algumas renúncias, segundo aquilo que o Espírito sugere para cada um e segundo as próprias possibilidades.
•    Colocamos em prática a criatividade que nasce do amor e procuremos ocasiões e formas para partilhar a beleza da nossa vocação e a beleza do carisma começando pelo testemunho alegre da vida.

Sonhar com o futuro

Em outras ocasiões tive a possibilidade de lembrar esta expressão do bispo brasileiro Helder Camara: «Se alguém sonha sozinho, o seu sonho permanece um sonho; se o sonho é sonhado junto com outros, este já é o começo da realidade».
Parece-me importante redescobrir a alegria e o entusiasmo de sonhar juntos, de olhar para o futuro com esperança e confiança, de continuar a deixar-nos guiar pelo Espírito que sopra onde quer e quando quer, inexpugnável e imprevisível.
Ser dóceis ao Espírito, como Maria, significa oferecer-lhe uma casa, uma possibilidade.

•    Perguntemo-nos: quais horizontes abre hoje diante de nós Aquele que é força de amor e de comunhão, fogo que inflama os corações, vento que sacode os nossos medos?
Quais são as periferias humanas, existenciais, espirituais que Ele nos conduz?

* * *

Olhar para o passado, construir o presente, sonhar com o futuro.
E tudo isso para que o aniversário de fundação do Instituto não seja uma celebração com a finalidade em si mesma. Parece-me que sejam particularmente significativas as palavras que o padre nos dirigia em ocasião de um outro aniversário.
«Este dia tenha a sua importância: é o vosso dia. Se existe a raiz, ótimo. Cultivem a raiz, louvem aquela raiz, amem a raiz, porém aquela raiz um dia pode morrer... Mas o tronco que deve continuar e os brotos que devem nascer são vocês. Devem nascer e devem crescer de vocês não somente simples “raminhos”, mas ramos muito grandes sobre os quais possam se apoiar os homens necessitados; porque o homem tem cada vez mais necessidade e este ardor deve crescer cada vez mais» (OVS, IX, 165-166).

Os brotos somos nós e destes  brotos devem continuar a crescer ramos cada vez mais fortes e robustos, bem ligados no tronco e na raiz. Este é o meu desejo para cada um de vocês.

* * *

Vivamos este ano em comunhão com as missionárias e os voluntários falecidos e com o padre, para que do céu nos guie e nos encoraje: o trem do Instituto retome com força o seu caminho, se enriqueça de novos vagões e acolha numerosos passageiros com os quais compartilhe a beleza do carisma.

Um ano de alegria, de festa, de vida:

Seja este o 60° aniversário do Instituto!

Giovanna Venturi
Diretora Geral