sábado, 30 de agosto de 2014

Luzes que brilham

Era noite. Não lembro se de natal ou de ano novo. Uma lembrança é certa: pela primeira vez pensei em dar a vida pelo reino de Deus. Fui com meu pai participar da missa em uma pequena capela num bairro pobre de São Bernardo-SP. Enquanto o sacerdote levantava a hóstia consagrada, as pessoas ajoelhadas adoravam o Senhor dos Senhores, e pela janela se via as luzes dos fogos de artifícios. As pessoas lá de fora paravam para se admirar das cores que enfeitavam o céu, nós, de dentro, silenciávamos os nossos corações fascinados pela beleza do mistério do amor encarnado.

Outra noite brilhante, foi quando fui buscar com meu namorado a sua irmã que retornava da escola. Tínhamos deixado o carro próximo do ponto de ônibus, e fomos esperá-la no meio da multidão. Abraçados, vimos um automóvel parar na rua ao lado. No escuro da noite, crianças começaram a aparecer e se colocavam ao redor do carro. Um casal desce, abre a porta e começa a distribuir os pedaços de pizza. Quanta alegria e que luz emanava daquele gesto. No meu coração um desejo: quero viver assim, fazendo o bem! Sentimentos misturados e uma intuição brilhava dentro do mais profundo do meu ser: talvez o Senhor me chame para uma vida doada para sempre e sem limites, totalmente, sem ninguém ao meu lado, somente Ele.

As noites foram passando e as luzes foram ficando mais fortes e a escuridão foi clareando. Ainda jovem, mas já sem o namorado, rezava o terço todos os sábados com um grupo de amigos, na casa de um casal que tinha oferecido um lugar especial a Nossa Senhora, eles a tinham colocado no jardim daquele lar, dentro de uma pequena gruta. Em uma das noites de oração, ao olhar para as estrelas que brilhavam... vi mais um sinal, uma paz atingiu minha alma e dentro do meu coração a certeza de que Deus realmente me chamava para estar só com Ele.

A luz mais forte que brilhou em mim, foi quando meu ex-namorado, após ter me pedido em casamento, me disse ao retornar de um passeio, que eu era como a luz do candeeiro (cf. Lc 8,16), tinha que brilhar a luz que brilhava em mim. Juntos choramos, na varanda da minha casa, ao perceber que Deus nos havia juntado por um tempo, mas que seu amor era maior do que o nosso amor.

E assim, continuei os meus passos com o meu único amor, Jesus Cristo. Caminhei com Ele, como Maria, guardando e meditando todas as coisas (cf. Lc 2,51). Deste modo, pude perceber e dizer o meu sim definitivo e eterno. Deus é amor, me ama e posso amá-lo, no serviço aos irmãos; o primeiro passo é seguir as luzes que brilham dentro e ao nosso redor.

Lourdes Crespan
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe