quarta-feira, 15 de maio de 2013

Teologia e economia

Houve um tempo em que a teologia se sobrepunha às outras ciências, pois era ela quem detinha a verdade absoluta a palavra final sobre todos os acontecimentos, fosse ou não de matéria religiosa.

Com o fim da Idade Média e, de seu pensamento dominado pela Escolástica, surge, com Descartes, o estabelecimento da autonomia da razão que transformou, o mundo ocidental. A partir de então a teologia perde espaço para outras ciências como ferramenta para interpretação do mundo. O conhecimento é fragmentado, se especializando em áreas que passam a explicar a matéria que lhe é própria.

Hoje se entende que é importante, senão fundamental, o diálogo entre as ciências, pois nenhuma, em alguns aspectos, possui a verdade absoluta. Nesse sentido, como a teologia poderia dialogar com a economia? Parece que são campos totalmente opostos onde a visão de mundo para um é incompatível para o outro.

Sabemos que os Evangelhos, como toda a Sagrada Escritura, não serve só para ser lida e estudada, mas principalmente, vivida. Se não conseguimos viver o que a Palavra de Deus nos pede, passamos ou a ignorá-la ou a espiritualizá-la. Mas, como fazê-lo em um mundo consumista, materialista, concorrencial e corporativo, sem parecer utópico. Como a teologia pode contribuir com a economia? Como, se uma trata do material e outra do espiritual?

Pensamos que, efetivamente, não cabe a teologia o papel de criar modelos econômicos, versar sobre matéria de câmbio, juros, enfim, querer construir a política monetária e fiscal. No entanto, a teologia pode iluminar a economia naquilo que chamamos de objetivo último.

Em Gn 2,7, vemos que Deus, após criar o homem do barro, insulfla em suas narinas um sopro de vida e torna o homem um ser vivente. Depreendemos daí que a Vida é o dom mais importante e precioso que Deus nos deu. Em Gn 1 e 2, vemos como Deus tudo cria, inclusive o homem, mas a Vida não é criada, vem de dentro Dele, do Seu interior, do Seu íntimo, de uma forma suave, carinhosa e delicada como é um sopro.

Nesse sentido, a economia deve lembrar que está, ou deveria estar a serviço do homem e, portanto, deve ser promotora da vida. Esse deveria ser seu objetivo último: contribuir para que todos tenham vida e a tenham em abundância.

Henrique de Freitas.
Voluntário da Imaculada-Padre Kolbe
Economista e Teólogo