quinta-feira, 13 de setembro de 2012

 
A mulher das dores

Entre as tantas prerrogativas, todas belas e significativas, da virgem, a que mais se aproxima de nós, e quase a coloca no mesmo plano, é o sofrimento. Maria é uma mãe que padeceu muito e que sofreu muito.
A tradição e a iconografia cristã a representam ferida por sete espadas, isto é, por sete momentos de indizível sofrimento. Recordemo-los: a dor prevista pelo velho Simeão quando, definindo Jesus como sinal de contradição, profetizou-lhe que uma espada atingiria seu coração (Lc 2,34-35). A dor da fuga do Egito, portanto do exílio (cf. Mt 2,13-18). A angústia pelo esquecimento de Jesus no Templo (cf. Lc 2,41-51). O encontro com Ele a caminho do Calvário (cf. Lc 23,27-29). A crucificação (cf. Jo 19,25-30). A deposição da cruz (cf. Mt 27,59). A sepultura do Filho (cf. Mt 27,60).
Maria, no entanto, não teve apenas estes momentos de grande aflição, mas toda a sua vida, como a do Filho, foi sacrifício e martírio. Havia compreendido bem das escrituras que se tornar mãe do redentor era o mesmo, concretamente, que ser mãe do crucifixo. Deste modo, Nossa Senhora da Anunciação é também Nossa Senhora das Dores. O pensamento que seu Filho seria morto para redimir o pecado, sem dúvida, dilacerava seu coração; ainda mais que aquele Filho, em sua natureza humana, era todo seu, completamente sangue de seu sangue.
Uma devota lenda narra: um dia Nossa Senhora encontrava-se na casinha de Nazaré, perto de Jesus, que ajudava José no trabalho. O pequeno Jesus tinha entre as mãos dois pedaços de madeira que, colocados na forma transversal, formavam uma cruz. O sol, entrando timidamente no cômodo, projetava sobre a parede à sombra daquela cruz e Maria a contemplava, sofrendo silenciosamente, mas profundamente.
Verdadeiramente, podemos nos referir a Ela com palavras que o profeta preanuncia sobre o Messias: "Multidões que passais pelo caminho, dai atenção e vede: Será que existe alguma dor igual à minha dor" (Lm 1,12).
Sobre o exemplo de Nossa Senhora das Dores, fixamos o nosso olhar sobre alguns aspectos positivos desta companheira da existência humana que é a dor.
Maria, antes de tudo, nos ensina a sofrer com amor e por amor. As imagens da "pietá", aquelas trasnmitidas por sumos artistas, são a visão mais bela de uma dor nobremente sofrida e oferecida por amor. A virgem está ali, recolhida em sua indizível dor, mas está toda radiante de um amor poderoso e sobrenatural.
Também o verdadeiro cristão se mede pela capacidade de sofrer pelo amor de Deus e dos irmãos. Dor e amor são correlativos. Sem amor não se vive e sem dor não se ama. Se queremos viver e amar o Senhor, a estrada é igual para todos: o sacrifício. Quem se dispõe a amar deve estar disposto a sofrer, já que a dor segue o amor como o calor segue o fogo.
Quanto maior o amor, mais completa será a doação: quem ama mais doa mais, e quem ama completamente se doa completamente.
Não à toa, o último capitulo da vida dos santos foi sempre a dor, como coroação do amor com o qual viveram, como explosão de sua santidade.
 
Padre Faccenda - Fundador do Instituto