sábado, 20 de abril de 2013

As vocações: sinal da esperança fundada na fé


“No quinquagésimo Dia Mundial de Oração pelas Vocações que será celebrado no IV Domingo de Páscoa, 21 de Abril de 2013, desejo convidar-vos a refletir sobre o tema «As vocações sinal da esperança fundada na fé», tema este bem integrado no contexto do ano da Fé e no Cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II. O apelo nasce da Assembleia Conciliar quando o Servo de Deus Paulo VI instituiu este Dia de unânime invocação a Deus Pai para que continue a enviar operários para a sua Igreja (cf. Mt 9,38).

Identificação do problema vocacional  

Ao sermos convidados a refletirmos sobre este assunto o Sumo Pontífice identifica: o número insuficiente de sacerdotes, disso depende o futuro da sociedade cristã e nos ajuda a questionar a vitalidade de nossa fé e amor pela comunidade paroquial e diocesana e ainda o nosso testemunho nas famílias cristãs de onde emanam as vocações. 

Convite à reflexão Urgente 

No IV domingo da Páscoa as comunidades eclesiais espalhadas pelo mundo há cerca de 5 décadas reúnem-se para: Implorar de Deus o dom de Santas vocações e propor uma reflexão urgente da resposta à chamada divina. Este encontro anual tem sido importante para conscientização, fortalecimento da espiritualidade e para perceber a importância das vocações sacerdotais e vida consagrada. 

Um horizonte de esperança 

A esperança, expectativa que move, nos aponta para o futuro e nos faz perguntar: Onde está fundada a nossa esperança? Olhando para a história do povo de Israel narrado no Antigo Testamento, mas nos momentos de dificuldade e exílio permanece a memória das promessas feitas por Deus aos Patriarcas.

Temos como exemplo Abraão que viveu a dimensão da esperança para além do que se podia esperar, Abraão acreditou e assim tornou-se o pai de muitos povos ficou conhecido como o “Pai na fé”.  Assim será tua descendência (Rm 4,18). Como podemos perceber a historia da salvação é compromisso de fidelidade e aliança que Deus faz para com o homem. E esse homem seduzido pelo pecado e pela infidelidade rompe com Deus a bela aliança. Trilhando este caminho de salvação passamos pelo caminho do dilúvio (Cf. Gn 18,21-22), até o Êxodo e o caminho dos desertos onde sobressai o medo de abandono e solidão ( Cf.Dt 9,7); fidelidade de Deus que sela a eterna aliança, por meio do sangue de seu filho morto e ressuscitado para a nossa salvação.

O amor infinito de Deus faz vibrar os corações de homens e mulheres que repletos de esperança confiam em um dia chegar à “terra prometida”. Conferimos isso na historia da salvação, pois Deus nunca nos deixa sozinhos. “Por este motivo, em toda a situação, seja ela feliz ou desfavorável, podemos manter uma esperança firme, rezando como salmista: «Só em Deus descansa a minha alma, d’Ele vem a minha esperança»(Sl62/61,6)”. 

Em que consiste essa fidelidade a Deus? 

Ter esperança equivale a confiar no Deus fiel, que mantém as promessas da aliança. A fé bíblica nos projeta para a fidelidade. Vejamos:  a Primeira Carta de Pedro exorta os cristãos a estarem sempre prontos a responder a propósito do logos – o sentido e a razão – da sua esperança (3,15), “esperança” equivale a “fé”» (Enc. Spe salvi, 2).

Portanto, a fidelidade de Deus consiste no amor incondicional pela humanidade através de Jesus Cristo que interpela nossa existência. 

O segredo de onde brotam as vocações 

As vocações nascem do cultivo de uma vida interior guiada por um encontro e uma experiência pessoal com a pessoa de Cristo, do diálogo e da escuta da palavra criando uma profunda relação de amizade e familiaridade, alimentada pela Eucaristia, liturgia, por uma fervorosa vida de oração guiada e iluminada de um confronto meu com Deus. A oração profunda fará crescer a comunidade cristã. É a esperança fundada na fé de um Deus que nunca abandona seu povo, que sustenta as vocações sacerdotais e a vida das consagradas chamadas a ser no mundo sinais de esperança. 

Esse chamado exige uma resposta 

Com o testemunho da sua fé e com o seu fervor apostólico, podem transmitir, em particular às novas gerações, o ardente desejo de responder generosa e prontamente a Cristo, que chama a segui-Lo mais de perto. Oxalá não falte sacerdotes zelosos que saibam estar ao lado dos jovens como «companheiros de viagem», para os ajudarem, no caminho por vezes tortuoso e obscuro da vida, a reconhecer Cristo, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6); para lhes proporem com coragem evangélica a beleza do serviço a Deus, à comunidade cristã, aos irmãos. Não faltem sacerdotes que mostrem a fecundidade de um compromisso entusiasmante, que confere um sentido de plenitude à própria existência, porque fundado sobre a fé n’Aquele que nos amou primeiro (cf. 1 Jo 4,19).

Do mesmo modo, desejo que os jovens, no meio de tantas propostas superficiais e efêmeras, saibam cultivar a atração pelos valores, as metas altas, as opções radicais por um serviço aos outros seguindo os passos de Jesus. 

Josimara F. dos Santos 

Fonte: www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/vocations/documents/hf_ben-xvi_mes_20121006_l-vocations_po.html