quarta-feira, 12 de março de 2014

25 de março: Anúncio e acolhida

“O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma virgem... chamada Maria. Entrando o anjo, disse-lhe: “Alegra-te cheia de graça, o Senhor é contigo... Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus... Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra...”. (Lc 1, 26-38)
O Anjo é enviado por Deus à Maria para que ela conheça o projeto que Deus tem para ela e para pedir-lhe o seu consentimento. Deus tem para cada um de nós um desígnio de amor e não o realiza sem nós. Busca a nossa adesão livre.

Maria é definida “virgem”. A virgindade de Maria indica que tudo que nasce dela é puro dom. A virgindade é renuncia a agir. Em Maria não há nenhuma ação humana, somente Deus age.

A virgindade, portanto, indica a atitude mais elevada do homem, que é a passividade e a pobreza total de quem renuncia ao agir próprio para deixar espaço para Deus. Só o nada pode conceber totalmente aquele que é tudo. Maria por sua virgindade tornou-se capaz de conceber Deus.

“Entrando o anjo, disse-lhe: ‘Alegra-te, predileta por Deus”. A primeira palavra que Deus diz a Maria e a cada um de nós é: “Alegra-te! Exulte!”. A primeira palavra do Evangelho é uma palavra de alegria. Antes de chamar para uma missão Deus convida à alegria: “Exulte!” Deus nos ordena a nos alegrarmos. É um convite que recebemos a cada manhã.

“O Senhor está contigo.” Acontece com Maria um fato inédito, impensável. Aquele Deus que até este momento foi o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. O Deus dos Pais. Um Deus do qual os outros fizeram experiência pessoal, agora é o Deus conosco. Um Deus para ser acolhido e para ser doado, para se fazer nascer, crescer no coração dos homens. É um Jesus vivo que age na história e na vida das pessoas. A essência da vida é encontrar Deus. Quando nos sentimos dentro dessa presença e esta presença é um Jesus vivo dentro de nós, então há espaço para a alegria: “alegra-te!”.

“Eis aqui a serva do Senhor”: este é o terceiro nome de Maria que aparece no relato. O narrador a chamou de “Maria”, o anjo de “cheia de graça”, Maria chama a si mesma de “serva”. Servir é um modo novo de viver. Não mais voltado para si mesmo, fechado; mas aberto, voltado para Deus. A lógica do possuir é substituída pela lógica do dom. “Eis aqui a serva do Senhor”: palavras pronunciadas sem reserva. Maria entra no plano da salvação com os sentimentos de disponibilidade total.

“Faça-se” é uma forma optativa do verbo grego-ghenoito e significa: não desejo outra coisa a não ser fazer a vontade de Deus e fazê-la com alegria. O verbo, portanto, indica um desejo intenso. Maria pronuncia um sim com todo o coração.
“em mim”. Maria não faz apenas um gesto ou cumpre uma tarefa. Coloca em jogo a sua vida. Coloca em jogo a sua pessoa. Nós fazemos tantas coisas. Caminhamos curvados sob o peso de tantos serviços a serem feitos ou já feitos. E nos lamentamos! Maria nos indica que o caminho da existência não é tanto o fazer, ma é um colocar em jogo toda a vida. É um doar-se.

“Faça-se em mim”: Na escola da Mãe do Senhor estas palavras são vividas por padre Kolbe até a oferta da sua vida. Sua mãe, Maria Kolbe, em uma carta escrita em 12 de outubro de 1941 e endereçada ao convento de Nispokananow, fala da aparição de Nossa Senhora ao filho, mas, deixemos que seja ele mesmo a nos contar: “... Apareceu para mim Nossa Senhora, com duas coroas: uma branca e outra vermelha. Olhava-me com afeto e perguntou-me se eu queria as duas coroas... A branca significava pureza e a vermelha, martírio. Respondi que as queria... Então Nossa Senhora me olhou docemente e desapareceu”. Desta aparição Maria Kolbe falará também no processo de beatificação do filho. Prestemos atenção a estas palavras: “Nossa Senhora perguntou-me se eu queria as duas coroas”.

Ao padre Kolbe não é pedido para escolher “qual você quer?”, como muitas vezes ouvimos falar, mas: “Você as quer?”. Não é ele, que em sua generosidade escolhe a coroa branca e a coroa vermelha. Não lhe é pedido para escolher: “Qual você quer?”. É pedido para que ele acolha: “Você as quer?”. Todas as duas. Isto para mim é de enorme importância, significa que a vocação de padre Kolbe nasce como uma vocação à totalidade. Uma entrega acolhida com o entusiasmo de uma criança e vivida com responsabilidade e gratuidade durante toda a sua existência. Uma entrega à qual permanecerá fiel até o eis-me aqui da oferta final. A totalidade do dom de si é também a característica base da Associação M.I. por ele fundada, juntamente com a missionariedade. Isto deduzimos de um escrito seu: “... Nos doamos à Imaculada cada vez mais, ilimitadamente, incondicionalmente, irrevogavelmente e desejamos inculcar esta doação de si nos corações de todos...”. Padre Kolbe, neste escrito, usa o verbo oddawac’ sie’, que significa doar-se: fazer da própria vida um dom e dom total. Não se trata de dar algo de si, mas tudo. Quem não dá tudo, não dá nada. Padre Kolbe quis pertencer a Ela, a Imaculada, para ser todo de Jesus. Acolher Maria não para aprender as coisas que Jesus nos ensinou, mas para aprender Jesus. Maria nos é doada para conhecer Jesus, para entrar em uma relação verdadeira, bela e profunda com o Senhor Jesus.

Totalidade e missionariedade bem expressadas por padre Kolbe também na oração:
Concede-me, ó Imaculada, louvar-te com o meu empenho e sacrifício pessoal.
Concede-me viver, trabalhar, sofrer, consumir-me e morrer por Ti, somente por Ti.
Concede-me conduzir a Ti o mundo inteiro!

Angela Esposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

Polônia
 
Para ajudar na leitura:

 

Entregue a São Maximiliano Kolbe os seus desejos, sonhos e esperanças:

As Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe, da Polônia, recordarão todos os dias o seu pedido de oração e no dia 14 de cada mês, memória do martírio de Padre Kolbe, a levarão à cela no campo de Auschwitz, onde ele deu a vida no lugar de outro homem, pedindo para você a luminosa intercessão dele.

Saiba mais sobre o projeto "A Cela do Amor Sempre Aberta": http://www.kolbemission.org/flex/cm/pages/ServeBLOB.php/L/PT/IDPagina/6956