quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Padre Kolbe e o último lugar

Neste mês desejo apresentar-lhes uma reflexão que fiz lendo o Evangelho de Lucas 14, 1.7-14:

“Certo sábado, ele (Jesus) entrou na casa de um dos chefes dos fariseus para tomar uma refeição... Em seguida contou uma parábola aos convidados, ao notar como eles escolhiam os primeiros lugares. Disse-lhes: “Quando alguém te convidar para uma festa de casamento, não te ponhas no primeiro lugar... Pelo contrário, quando fores convidado, ocupa o último lugar”.

A sala do banquete aqui descrita é a metáfora da vida: como aconteceu então, assim pode acontecer hoje. Deseja-se então conquistar os primeiros lugares pensando que viver é dominar, prevalecer sobre os outros. Vencer, vencer sempre e a todo custo. Entra-se assim na sala do banquete da vida, do grupo, das nossas comunidades em um clima de verdadeira e própria competição. Jesus, neste trecho do Evangelho de Lucas nos surpreende.
Vendo a corrida pelos primeiro lugares, Ele reage e propõe uma outra lógica:
Quando fores convidado, ocupa o último lugar. Faça isso não por espírito de humildade, não por modéstia, mas para criar fraternidade, para dizer ao outro: primeiro você e depois eu; você é mais importante do que eu; escolho o último lugar não porque eu não valho nada, mas porque você, irmão, irmã, seja servido por primeiro e melhor.

O último lugar – dizem os Rabinos – é o lugar de Deus que cria o mundo e depois se retira. Do que Deus se retira? Da sua total onipotência para dar lugar à sua criatura.
Analogamente, o último lugar se torna o lugar de quem dá lugar aos outros. É o lugar de quem ama mais. É o lugar de Jesus que veio não para ser servido, mas para servir. “Vim para ser teu servo”. Deus, meu servo! Uma verdade que nos dá vertigem e, ao mesmo tempo não esperada por nós. Por quê? A busca pelo primeiro lugar é uma paixão tão forte que penetra o coração de muitos. É preciso, portanto, vigiar para compreender que só quem serve, poderá no final reinar. Chegar a esta verdade significa entrar na visão do verdadeiro rosto de Deus.

O último lugar é o lugar de quem entra na lógica do Evangelho: perder para vencer, servir para reinar.
O último lugar é aquele que Padre Kolbe ocupou por toda a sua existência.
Só alguns flashes sobre ele:
Em maio de 1939 padre Kolbe foi convidado por um pároco para um almoço, junto com outros sacerdotes, para a visita do Bispo. Confundido com um judeu, foi-lhe dito: antes comem o arcebispo e os sacerdotes, depois os judeus. Padre Kolbe se passa por um judeu, espera e come por último.
No campo de concentração, quando é servida a comida, padre Kolbe se adianta quando se dá conta que só tem restos, para deixar para os outros um refeição mais substanciosa.

Qual é, portanto, o último lugar? Aquele que ninguém quer.
Padre Kolbe toma o lugar que ninguém quer até o dom da própria vida.
Nos Exercícios Espirituais do ano de 1918, assim escreve: “a glória, a estima e a valorização dos outros... alegre-se quando os outros são engrandecidos... Considera cada irmão (irmã)
maior que você, e você o menor de todos. Reconhece cada um maior que você não só no esforço da busca da mente, mas também com a atitude exterior.
Se você considera um outro maior que você:
a) Conversarás com ele com mais calma;
b) Não o ofenderá com a palavra, não o magoará, não suspeitará dele...” (SK 1969)

Padre Kolbe vivia tudo aquilo que afirmava com as palavras, e o seu comportamento exterior era tão eloquente que entre os seus confrades se dizia: “Fala com um confrade colocando-se aos seus pés”.
Textos tirados dos Arquivos Vaticanos nos dizem que padre Kolbe, o homem dos grandes sucessos editoriais, “Era muito humilde, não se enaltecia diante dos outros. Cada palavra de aprovação que recebia,a endereçava a Imaculada, como verdadeira autora, da qual ele era o modesto executor. Escondia-se dos elogios. colocando-se no último lugar. Não se empurrava para o primeiro lugar. Disse em uma conferência: “Uma alma humilde que reza, governa a sorte das nações, do mundo a por fim o próprio Deus”.
“Estava sempre sorridente e não se impunha aos outros”. (Frei Floriano)

Sabemos bem que nos grupos, nas associações, nos movimentos pode surgir, às vezes, a conflitualidade porque cada um deseja ser o primeiro da classe. Padre Kolbe, com a sua vida e os seus escritos, sugere-nos, ao contrário, tomando-nos à parte e em um sussurro: deixa de lado todas as coisas e recolha-se em Deus. Ele, sua única alegria.
É assim, somente assim que nasce verdadeiramente a fraternidade.

Missionária Angela Esposito
Polônia