segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Virgem do Globo


Primeiro quadro

A medalha milagrosa, além de um pequeno livro de fé, pode ser definida como um pequeno tratado de mariologia.
O primeiro quadro se apresenta na medalha é a visão maravilhosa da Imaculada. A "toda bela" se ergue majestosa sobre um globo e com o pé imaculado esmaga uma serpente. O seu rosto maternalmente sorridente fala de todo o seu amor pelos homens sobre os quais Ela faz descer de suas mãos os raios luminosos, símbolo das sua graças. Fecha o quadro a sublime invocação: "Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós."
Podemos dizer que, exatamente por causa dessa visão, a medalha contribuiu notavelmente a fim de preparar  os ânimos para a definição do dogma da Imaculada Conceição, vinte quatro anos mais tarde. De fato, no dia 8 de dezembro de 1854, através da Carta Apostólica Innefabilis Deus, o Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição.
Contudo, além dessa finalidade imdediata, que já se realizou, quantas coisas ainda diz a esplêndida visão da Imaculada para o olhar atento do cristão que a contempla! A visão da "toda pura", que esmaga a cabeça da serpente infernal, recorda ao homem a triste história da humanidade pecadora.
Todos os homens passam da tenaz do pecado original, da qual são libertados somente pela graça do batismo. Somente Maria foi isenta dela. E esse  singular privilégio, mais do que ofender a universalidade da redenção humana, realizada por Cristo, exalta o poder divino Redentor, que com seuu méritos preservou Maria, sua mãe, de incorrer na herança comum: Maria foi remida com uma redenção preventiva, que a tornou imune de contrair o pecado original desde o primeiro momento da sua concepção.
Que alegria para a humanidade essa vitória de Maria, que marca a primeira de todas as vitórias por Ela ganha contra o inferno e contra suas insígnias! A Igreja canta: "Alegrai-vos, ó Virgem Maria! Por ti foram vencidas todas as heresias no mundo."
A vitória será infalível para quem mergulhar confiança na luz das suas graças.

Segundo quadro

Vamos virar a medalha e ler o seu reverso. Tudo retorna, mas numa luz mais panorâmica e mais ampla: um "M" com uma cruz em cima, dois corações, doze estrelas. Quanto símbolos nesses poucos traços!
O "M" com uma cruz em cima representa Maria com Cristo crucificado em relação à nossa redenção. Esse mistério nos leva necessariamente ao mistério da encarnação do verbo e também ao próprio mistério Deus Uno e Trino, fonte de todo ser e de toda a vida.
O primeiro homem, criado inocente por Deus, prevaricou comendo o fruto proibido. O seu pecado repercutiu negativamente em toda a sua descendência, que desde o momento de sua concepção está sujeita à mancha original. Deus misericordioso, porém, não deixou o homem na infelicidada da sua própria sorte. Deu-lhe uma tábua de salvação: prometeu-lhe um Salvador, no qual encontraria reconciliação e vida.
Na plenitude dos tempos, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o verbo de Deus, toma carne humana no seio de Maria e, após uma vida terrena de trinta e três anos, vividos em meio aos homens, sobe o Calvário para ser imolado pela redenção do mundo.
na cruz se realiza a obra da nossa salvação e a nossa pacificação com Deus: "Pois nele aprouve a Deus habitar toda a plenitude e reconciliar por ele e para ele todos os seres, os da terra e os dos céus, realizando a paz pelo seu sangue da sua cruz." (CL 1,19-20)
O lugar da Virgem nesse plano divino de restauração do mundo é de capital importância. Ela está ao lado do Cristo Redentor, e não podemos concebê-la senão ao lado dele, porque a sua parte na nossa salvação vem imediatamente após a de Jesus. Através dela, de fato, Jesus é oferecido ao mundo e, atravéns dela, o mundo retornará a Jesus: eis a missão de Maria nos projetos de Deus, que quis associá-la a toda a obra do divino Redentor.

Padre Luigi Faccenda - OFM Conv
Fundador do Instituto Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe