sexta-feira, 13 de junho de 2014

Padre Kolbe e o pão da vida

Meditaremos, a partir deste mês, sobre o dom da Eucaristia que é central na vida de Padre Kolbe. Como sempre, deixamo-nos guiar pela Palavra:

“E, reparando a multidão que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, entrou nas barcas e foi até Cafarnaum à sua procura. Encontrando-o na outra margem do lago, perguntaram-lhe: Mestre, quando chegaste aqui? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará.” (Jo 6,24-35)

A afirmação de fundo é clara: ter fome é uma necessidade fundamental do homem. Na história de Israel esta necessidade foi levada em consideração por Deus que no deserto saciou o povo com o maná. E hoje? Jesus responde assim: somente quem “vai a Ele e crê Nele” encontrará uma resposta plena e definitiva para a sua fome e para sua sede! Não há mais uma terra onde corre leite e mel, mas há um encontro que muda radicalmente a nossa história: o encontro com “Aquele que é” pão e fonte para saciar a fome e a sede.

A Eucaristia é fundamental para compreender a lógica do “dom total de si”.

Da familiaridade com Deus, do ter bebido do cálice do seu Amor, nasce uma energia capaz de mudar a nós e aos outros, porque é a Eucaristia mesma que nos educa à difícil arte do dom. É a Eucaristia que faz nascer uma mentalidade de acolhida e uma cultura de doação.

São Maximiliano aprendeu aos pés do altar a arte da caridade. Na escola da Eucaristia, o discípulo Kolbe não oferece algo de si, mas “parte” a sua vida pelos outros, deixa-se fazer em pedaços, demonstrando em Auschwitz o amor maior. Para ele “a Eucaristia é a força da alma”  e, para que o sacramento da Eucaristia pudesse liberar toda a sua força e eficácia, na sua vida dava muita importância à preparação imediata à Santa Missa e à ação de graças a seguir, porque dizia que “se pode e se deve antecipar e prolongar com o bom cumprimento dos próprios deveres e com o cuidado de proporcionar alegria ao coração de Jesus”. “Para se fazer uma boa comunhão é necessário meia jornada de preparação e meia de agradecimento.” O agradecimento depois da Santa Missa ele o fazia em não menos que 20 minutos e ficava totalmente imerso nesta oração . O que fazia nestes momentos? Às vezes ficava em adoração silenciosa. Para tentar saber mais é preciso recorrer às recomendações que ele dava aos seus confrades, não sem antes ele mesmo tê-las colocado em prática. A primeira está na própria etimologia da palavra eucaristia: os exortava a “render graças” pelos benefícios recebidos, sendo que o maior de todos é a vinda de Deus eterno e onipotente em um coração humano e frágil . Conhecemos a oração que Padre Kolbe dirige ao Senhor Jesus em novembro de 1929:

“Permaneceste nesta mísera terra
no santíssimo e desmedidamente admirável Sacramento do altar
e agora vens a mim e te unes intimamente a mim sob a forma de alimento...
Já agora o teu Sangue corre no meu sangue,
a tua alma, ó Deus encarnado, compenetra a minha alma, lhe dá força e a nutre...”

A maravilha de Padre Kolbe não tem limite. Logo após esta oração exclama: “Quão grandes milagres! Quem ousaria supor?...”
Na conferência do dia 10 de março de 1940 diz aos seus irmãos:
“A nossa alma se torna um tabernáculo vivente, e ainda mais. Porque a alma de Jesus se une à nossa e se torna a alma da nossa alma. Impossível entender tudo isso, nós podemos apenas sentir os efeitos”.

Padre Kolbe agradecia a Deus pelas graças recebidas porque “a gratidão aumenta as graças e para recebê-las cada vez mais precisa rezar muito, sobretudo depois da comunhão”. Dizia ainda: “Depois da Santa Comunhão falar pra Jesus tudo o que te faz sofrer, pedir conselho: é o agradecimento.” Em suas meditações repetia frequentemente a si mesmo: “Esforce-se ao máximo para agradar a Jesus como preparação e agradecimento.”

Não deixava de celebrar a Santa Missa por nenhum motivo. Celebrava – contam as testemunhas – com ardor e alegria. Mas esta alegria se transformava em tristeza quando sobrevinha algum impedimento. Com grande desgosto teve que renunciar a celebrar a Missa por causa da doença em Cracóvia, de 18 de janeiro a 3 de fevereiro de 1922, ou mais tarde em Niepokalanów. Outras causas, depois, mudaram os seus projetos, como as dificuldades de encontrar uma igreja, ou mesmo nas longas viagens como a travessia da Sibéria de trem de 26 de junho a 3 de julho de 1930.

A partir de 17 de fevereiro de 1941 a impossibilidade se tornou cada vez mais radical. Nos cem dias que passou em Pawiak, pode ser que tenha conseguido celebrar um ou duas vezes. Mas em Auschwitz isso era algo fora de questão. Em uma homilia pronunciada na Casa Kolbe, no dia 15 de outubro de 1977, o Cardeal Wojtyla lembrou que apesar da impossibilidade de celebrar no sentido sacramental, “ele celebrou até o fim, com a sua vida e com a sua morte, o santo sacrifício”.

A Eucaristia é o amor que arde e queima a sua existência pela vida do mundo. Pode-se notar isso pela intenção da sua primeira Missa, celebrada na Igreja de Sant'Andrea delle Frtatte, no altar da aparição da Imaculada. Não a celebrou pelos pais, pelos parentes ou por aqueles que o conduziram ao altar, como gostam de fazer os neo-sacerdotes, mas rezou pela conversão de Sara Petkowitsch, pelos cismáticos, pelos não católicos, pelos maçons . E, no santinho-recordação que distribuiu depois da Missa aos fiéis mostrava eloqüentemente quanto de mais precioso lhe importasse como dom para eles: a Eucaristia, representada pelo cálice com a Hóstia nas mãos dos anjos e sob este símbolo um escrito: “Eis a bondade do nosso divino Salvador e o seu amor pelos homens!” “Se os anjos pudessem sentir ciúmes dos homens, sentiriam por causa de uma coisa só: a Santa Comunhão.” E ainda: “Quanta graça, quanta dignidade poder receber a Santa Comunhão.”

O seu amor pela Eucaristia não se enfraquecerá com o tempo, pelo contrário, crescerá junto com as dificuldades inevitáveis da vida. Durante a Santa Missa concentra-se com todo o seu ser no mistério que celebra a ponto de chamar a atenção dos presentes. Dos testemunhos emerge que era impossível distrair-se quando celebrava o Padre Maximiliano.

Angela Sposito
Missionária da Imaculada-Padre Kolbe

Polônia

Todo o dia 14, as Missionárias da Polônia estarão depositando na cela de Padre Kolbe as intenções enviadas para o e-mail: celakolbe@kolbemission.org