segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Que amor é esse que faz as pessoas deixarem tudo?

Esse foi o pensamento que me moveu e fez com que aos 21 anos partisse da casa dos meus pais...
 
Eu nunca pensei em ser uma pessoa consagrada, comecei a trabalhar aos 14 anos, estudava, pensava em cursar artes plásticas... tinha um futuro em mente, que se desfez quando ouvi no meu interior a voz do Senhor que me convidava a segui-Lo.

Em meio ao meu cotidiano, com meus estudos, trabalhos, amigos, passeios, ... eu me sentia vazia... Tinha tudo, mas não tinha nada. Sentia dentro de mim a falta de alguma coisa, de um ideal, de um sonho, de Alguém... Hoje, muitas pessoas vivem isso, a ausência de um sentido para a vida.

Assistindo um programa de TV onde mostrava os religiosos e consagrados em diferentes lugares do mundo, servindo cada pessoas de tantos modos, amando e cuidando de cada criatura, me vinha ao coração esse pensamento: “Que amor é esse que faz as pessoas deixarem tudo?” E escutava uma voz que dizia: “Vem e veja que amor é esse”. E compartilhando isso com alguém, eu dizia: mas tenho medo. E esse alguém me disse: mas medo do quê? E eu disse: medo de gostar. E esse alguém me disse: então, você tem medo da felicidade.

Naquele dia em que escutei essas palavras eu chorei muito, porque me deparei com a mais pura verdade de mim mesma. Desejava uma vida consagrada. Era de fato o Senhor que me chamava e eu não podia fugir, fingir que não sentia uma reviravolta dentro de mim. A mudança de meus planos.

Então, decidi de mudar o rumo do meu caminho, já que o caminho que percorria não me trazia alegria e paz interior. Comecei a ir à missa e participar do grupo de jovens sozinha, pois meus colegas de sempre não estavam dispostos para isso. E na comunidade eclesial fui participando de todos os encontros... Não tinha nenhum conhecimento profundo sobre Deus e sobre a Igreja, então, me dava alegria participar de tudo o que a comunidade promovia.

E um dos encontros que participei foi o retiro vocacional. Aí nesse retiro, eu escutei pela primeira vez dizer que Deus tem um plano de amor para nós, que não estamos no mundo à toa. Todos e cada um de nós têm uma missão e um chamado para responder. Isso ficou dentro de mim, junto com aquela pergunta: Que amor é esse que faz as pessoas deixarem tudo.

Depois de tentar fugir desse apelo , decidi iniciar uma acompanhamento vocacional, para saber o que Deus queria de mim, saber como poderia viver uma vida cristã santamente conforme a vontade do Senhor. Naquele dia, senti uma paz interior muito grande, e nunca mais senti aquele vazio interior. Verdadeiramente me senti acompanhada pelo próprio Deus.

E assim, fui seguindo o meu caminho, na oração e no diálogo, com a ajuda de um acompanhante e fui discernindo a vontade de Deus na minha vida, descobrindo o sonho que Ele tinha para mim, o projeto de liberdade que Ele me convidada a viver, bem diferente daquele “projetinho” que eu pensava para o meu futuro. Que linda experiência é essa de fazer a vontade de Deus, tal como Nossa Senhora! Que linda experiência poder tornar concreto e real as palavras do Evangelho que Ela disse: “Eis aqui a serva do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

No dia 25 de março, dia em que a Igreja celebra o mistério da Anunciação e do sim de Nossa Senhora, eu vim morar no Instituto das Missionárias Imaculada Padre Kolbe. Hoje estou no último ano de formação e com um desejo muito grande de me deixar consagrar pelo Senhor, e de ser na Igreja e no mundo sua companheira e discípula, ser uma presença mariana e missionária, servindo a Deus e aos irmãos.

Acredito que o ser humano só é feliz quando diz sim a vontade de Deus. Essa resposta não é fácil, mas é a resposta que mais nos torna feliz diante da vida. Por isso, vale a pena. Temos uma única vida; “a vida é breve”, diz São Maximiliano, não deixemos passar a graça de ser feliz tal como o Senhor deseja para nós.


Aqueles que sentem no coração uma ressonância como essa, sintam-se encorajados pelas palavras do Papa João Paulo II: “Escutar Cristo e adorá-lo leva a fazer opções corajosas, a tomar decisões por vezes heróicas. Jesus é exigente porque deseja a nossa felicidade autêntica. Chama alguns a deixarem tudo para o seguir na vida sacerdotal ou consagrada. Quem sente este convite não tenha receio de lhe responder “sim” e ponha-se generosamente no seu seguimento” (Mensagem de João Paulo II para a JMJ 2005).

Rosana Coelho

 
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