segunda-feira, 8 de julho de 2013

O amor acredita no impossível!

“Então Jesus disse: ‘Te louvo e Te agradeço, ó Pai, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado’” (Lc 10,21).

Foram estas palavras de Jesus que ecoaram várias vezes em meu coração nos dias que se sucederam à comunicação oficial da morte de Mauro Talini, o ciclista italiano, diabético e insulino-dependente que no dia 13 de maio  morreu no México, atropelado por um caminhão. Ele carregava no coração um grande sonho: de bicicleta, tendo saído do sul do mundo (Ushuaia), queria chegar até ao Alasca. Pedalava proclamando com a vida “Diabetes no limits. Pobreza no limits”. Teriam sido 25.000 quilômetros. Chegou a 16.142. Fazia isso em nome de todos aqueles que sofrem de diabetes e especialmente estava fazendo isso, como já havia realizado no ano de 2010, para sensibilizar a opinião pública sobre a necessidade de ajudar na concretização das obras sociais das Missionárias da Imaculada-Padre Kolbe na América Latina e da Milícia da Imaculada no Brasil.
 
Atleta de Deus

Mas, quem era Mauro Talini? Mauro foi um jovem que a partir do momento em que descobriu “Jesus e Maria” (como ele amava dizer), não foi mais o mesmo. Sua vida começou então a adquirir horizontes vastos, cada vez mais missionários, e podemos dizer que, pedalando e pedalando, passou por esta vida falando de Jesus, falando de Nossa Senhora, com aquele seu estilo simples e espontâneo que a todos cativava.

Eu o conheci no final do ano de 2009. Ele estava realizando um tour de bicicleta que tinha começado na Bolívia, na capital La Paz, passava pelo Brasil e continuava ao longo da Argentina, chegando ao extremo limite do Sul do mundo, na cidade de Ushuaia.

Durante esta longa viagem, Mauro foi sempre acompanhado por missionárias, missionários e voluntários da Imaculada-Padre Kolbe. Ele era grato por isso, mas estes seus companheiros de caminho, seus “anjos da guarda” (como ele os chamava carinhosamente), lhe davam muita segurança e ele queria fazer uma experiência mais profunda, de abandono exclusivo em Deus, na sua Providência, na Sua presença. Mauro queria “contar somente com Jesus e Maria”. Sentia que somente pedalando de forma solitária poderia mergulhar melhor no mistério do amor de Deus.

Querido Mauro, “atleta de Deus” (como o definiu um dia alguém que você amava muito), agora você está no coração de Deus! Sua viagem de bicicleta ao longo das nossas estradas deixou como uma luz intensa, um rastro luminoso, uma saudade inexplicável de coisas puras, simples, boas. Despertou a vontade de fazer o bem, de sermos bons, solidários, profundos. De ser um pouco como você que, no dia 28 de abril, visitando a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe no México, e contemplando pela primeira vez a imagem meiga e morena da Mãe de Deus, ficou sem palavras e escreveu a um dos seus amigos: “Não tenho desejo de falar, de pedir... Tenho somente desejo de olhar para Ela, em silêncio”. O que se passou entre o seu olhar e o olhar Dela permanece um segredo que você carregou discretamente e delicadamente em seu coração, até o dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, quando – tenho certeza – o seu olhar se encontrou definitivamente com o olhar Dela e foi somente Luz!

Chegando ao Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, você escreveu: “Estar aqui não me parece verdade! Consciente do meu itinerário de vida, na entrada do Santuário, parei para contemplar: Fátima = Guadalupe. Quantas semelhanças! E para mim, é como se um círculo se fechasse!”.
Palavras “misteriosas” que o Espírito de Deus sugeriu a você e você não podia saber “o porquê”.  No dia 13 de maio, o desenho de sua vida se completou. Amo pensar que “o círculo se fechou” porque você estava já pronto para o Céu!


No blog que permitia a você se comunicar com os seus amigos e com todos aqueles que estavam acompanhando-o nesta grande empreitada, no dia 29 de abril de 2013, você disse: “Cada encontro é como um grão de trigo... Se tu não o semeias, nunca descobrirá os frutos que ele pode dar. Ânimo, amigos! Semeamos  também quando estamos cansados! Não desanimemos nós, sempre em frente! A Virgem de Guadalupe! Obrigado Maria, obrigado Jesus! Amanhã o caminho continua... um outro dia repleto de alegrias e sofrimentos, que cada um de nós, rico ou pobre, pode viver. Ânimo! Até logo”.
Até logo, Mauro, “grão de trigo” semeado ao longo de uma estrada longe de sua casa, mas que você percorreu com o ânimo de quem se sente “cidadão do mundo” porque soube ser “cidadão do Infinito”! Foi “semeado” como um grão de trigo e já estamos descobrindo quantos frutos de bem está produzindo! Obrigada, Mauro, porque a sua vida e o seu testemunho nos trouxeram o Céu para mais perto de nós.
 
Maria Sanmarchi
Missionária da Imaculada- Padre Kolbe

Maceió-AL

Fonte: Revista O Mílite, julho de 2013, número 267, pág. 10 e 11.